Filme Latino-Americano
por Yerko Herrera
É lamentável a distância a que estamos resignados em relação aos nossos irmãos da América Latina, principalmente quando se trata de troca cultural. Falando especificamente de cinema, é raro saber dos filmes produzidos pelos países vizinhos, com exceção do cine argentino que, devido a sua fama internacional e pelo acordo de distribuição existente entre Brasil e Argentina, é razoavelmente bem difundido por estes cantos, ou de um ou outro filme latino que após destacar-se em grandes festivais chega a algumas poucas salas de exibição dedicadas a filmes alternativos. Entretanto, a farta produção hispano-americana é praticamente ignorada no Brasil, então, quando se fala em curtas-metragens, é completamente desconhecida. Pra amenizar este prejuízo, o Música&Poesia apresenta Say Yes do paraguaio Juan Carlos Maneglia. Filmado em 16mm, o curta mostra a vida de um perturbado homem que, preocupado com uma crise em seu relacionamento amoroso, se detém mais em detalhes obsessivos do que na resolução do problema.
Sinopse
Este comovente filme retrata como a demasiada falta de autoconfiança pode ter extrema força no destino. Um homem luta valentemente contra o fim da fase de flores do relacionamento. O medo de ter chegado ao fim faz com que ele busque a resposta da questão em uma simples margarida. Bem me quer, mal me quer...
Say Yes
Se tiver dificuldade para assistir Say Yes neste reprodutor, clique neste linque
http://www.atomfilms.com/film/say_yes.jsp
Say Yes
Gênero Ficção
Diretor Juan Carlos Maneglia
Elenco John Breen, Ana Neira
Ano 1999
Duração 7 min
Cor P&B
Bitola 16mm
País Paraguai
domingo, 13 de maio de 2007
Curta Say Yes
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sábado, 12 de maio de 2007
Conheça a sonoridade de Babilak Bah
O som da enxada, da bacia, da alma
por Marina Maria
Gilson César da Silva, que mais tarde ganharia o apelido de Babilak, ainda criança já cantava e batucava pelos cantos de seu bairro. No bar da esquina ele tirava sons dos copos cheirando a cerveja e pinga e voltava para casa com os bolsos cheios de moedas. O músico viveu sua infância e adolescência em João Pessoa, criado pela mãe, Iracema Gomes da Silva. Mesmo sendo analfabeta, foi dela que Babilak herdou o interesse pela palavra. “Cresci ouvindo seus cânticos e rimas”, conta.
Dona Iracema, empregada doméstica, levava o menino todos dias para o trabalho na casa de uma família da classe alta. Na biblioteca dessa casa ele olhava os livros admirando a quantidade de letras e cores. Um dia, conta, num acesso literário, roubou da estante o livro “Eu”, de Augusto dos Anjos. “Esse livro marcou muito a minha vida. Foi ali que descobri a literatura. Além do que, foi meu primeiro delito”. Naquela casa, Babilak teve contato com outros livros, revistas e jornais e conviveu com políticos da sociedade paraibana que sempre passavam por ali. “Ir da minha casa para a casa deles era um transitar entre dois mundos”, explica.
Depois vieram os movimentos negros, e mais tarde a militância do PT. Como poeta do partido, viajou o Brasil inteiro, recitou versos em um comício do Lula e até vira garoto-propaganda do PT. “Eu não sei muito bem como isso aconteceu, um dia tiraram minha foto e no outro eu estava estampado em camisetas e bótons do partido”, conta com um sorriso discreto e uma pontinha de orgulho. “Ver minha imagem projetada foi importante para me ajudar a me assumir como artista”, acrescenta.
“Eu era músico e não sabia”
Mesmo durante suas atividades ligadas à performance no grupo da igreja e mais tarde suas viagens pelo país como o poeta do PT, Babilak explica que não se imaginava como artista. “Eu era desencontrado com minhas vontades”. O encontro aconteceu em 1988, quando ele estava em Brasília se preparando para mais um comício do PT. Na sala onde aguardava havia um atabaque, e o artista começou a tocar o instrumento, até que um homem que passava na porta entrou atraído pelo som. “Ele disse que eu tocava bem e perguntou se eu não queria substituir um percussionista num barzinho naquela noite. Eu não ia fazer nada mesmo, então aceitei”. E assim, meio que por acaso, Babilak subiu no palco e algo mudou. “Eu me achei”, conta.
No mesmo ano Babilak fez sua primeira visita à Belo Horizonte, atraído pelo movimento musical do Clube da Esquina e pela produção literária da cidade. Dois anos depois voltou para a Paraíba, e em 1990 conheceu uma belo-horizontina com quem se casou. “Não tinha jeito, BH tava no meu destino”, ele fala sorrindo. Depois de voltar para a cidade mineira, começou a desenvolver seu trabalho como percussionista partindo de um instrumento inusitado: a enxada. O músico conta que a idéia também surgiu de repente, enquanto assistia a um show. Durante uma das músicas, um dos percussionistas pegou uma enxada e tirou um som fino dela, tocando sua parte metálica. “Aquele som ficou guardado comigo”.
A terra e a loucura
Em 1998, Babilak criou o projeto “Enxadário”, a partir de uma oficina chamada “Saque Sonoro”, em que o artista experimenta com o som de enxadas e outros instrumentos inusitados. Em 2003 ele teve o projeto de um cd aprovado na Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Três anos depois, ele lançou o álbum “Enxadário - Orquestra de Enxadas”, com a presença de outros quatro músicos. Nas músicas, a temática da reforma agrária é forte, coisa que carrega consigo nas lembranças de infância. “A questão da terra no nordeste é muito forte. Lembro dos grandes acampamentos do Movimento Sem-Terra que ocupavam a Praça dos Três Poderes de João Pessoa. Outra coisa que me marcou demais foi o massacre de Eldorado de Carajás ( no episódio, ocorrido no sul do Pará, 19 sem-terra foram mortos pela Polícia Militar durante um protesto do MST em 17 de abril de 1996)”.
Babilak realiza também um trabalho com portadores de sofrimento mental do Centro de Convivência de Venda Nova, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O artista desenvolve uma oficina de ritmo, musicalidade, expressão e criatividade. Em 2002, a experiência rendeu um cd, com participação de 37 dos 70 pacientes. O álbum “Trem Tan-Tan” registra as experiências musicais do grupo e conta com direção musical de Babilak Bah e participação de vários outros músicos mineiros. Em parceira com a prefeitura de BH, o cd foi lançado no mesmo ano e atualmente está esgotado.
O futuro e o nome
Além de realizar shows do Enxadário e do Trem Tan-Tan, de ter lançado três livros de poesia e composto trilhas para espetáculos da dança (a música Haga-Mangue foi feita para a Companhia de Dança Cisne Negro de São Paulo no espetáculo “C/Cordas”) e para o cinema (ano passado uma de suas músicas fez parte da trilha sonora do filme brasileiro “Mão Armada”), Babilak Bah ainda quer muito mais. Ele conta que seu maior sonho é compor mais para o cinema, mas enquanto isso não acontece, ele planeja para novembro desse ano um espetáculo que envolve poesia, performance, instalação e filme. E para o ano que vem já está compondo um disco que, segundo Babilak, vai ser seu “reencontro com a Paraíba”, com uma releitura contemporânea da tradição cancioneira do estado.
E se até agora a origem do nome “Babilak Bah” não foi explicada, é porque ele guardou a revelação para o final, e aqui resolvi fazer o mesmo. O nome, o artista explica, surgiu durante um acampamento com amigos, enquanto Babilak “batia” num atabaque. Um de seus amigos disse “quando você toca esse atabaque sai um tanto de babilak”. O nome pegou, e mais tarde, sua primeira esposa (que era numeróloga) adicionou o “Bah”, para uma harmonização do nome. Mas para cada pessoa que pergunta o porquê do nome ele inventa uma resposta. “É um personagem que foge da ignorância”, ele também me disse...
Para conhecer: www.babilakbah.mus.br
Para ouvir: www.myspace.com/babilakbah
Para ver: www.youtube.com/babilakbah
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quinta-feira, 10 de maio de 2007
Veja a bela animação Paquetá
O artista plástico Ivan Mola, especialista em animação em flash, tem o dom de transformar canções em desenho animado. Sua habilidade já foi mostrada aqui no Música&Poesia duas vezes, a primeira com a música Cotidiano, de Chico Buarque, interpretada por Arnaldo Antunes. A segunda vez foi O Amor é Filme, da banda Cordel do Fogo Encantado. Assista agora a criação de Mola para Paquetá (Rodrigo Amarante), música do disco 4 do Los Hermanos.
Assista Paquetá (flash)
Ou veja abaixo em qualidade inferior pelo YouTube
Paquetá - Los Hermanos
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Leia entrevista antiga com Haroldo de Campos
Entrevista com Haroldo de Campos
por Pedro Maciel
“O barroco é a literatura das Américas"
Haroldo de Campos é um dos mais polêmicos intelectuais do Brasil. Traduziu tanto Dante quanto os provençais, Ezra Pound e os poetas russos, entre outros nomes da literatura. Fazendo a ponte entre modernos e clássicos, ele desempenhou um papel importante na redescoberta de poetas esquecidos como Sousândrade e na revalorização de personagens como Oswald de Andrade. Haroldo é um dos fundadores do Movimento Concretista, juntamente com Décio Pignatari e Augusto de Campos. Poeta laico não hesitou em enfrentar o desafio de traduzir o capítulo inicial do Gênesis, texto básico do Judaísmo e do Cristianismo, Bere’shith. Sem ver contradição entre “sacralidade e poeticidade”, ele estudou hebraico durante cinco anos para se desincumbir da tarefa.
Como é fazer poesia em um país em que quase ninguém lê?
É aquilo que se poderia chamar: o princípio esperança. Faz-se a poesia em um país em que a maioria não lê; e não lê por duas razões: porque faltam duas reformas fundamentais, uma de melhor e mais justa de distribuição de renda e outra agrária, mas para valer. Quando isso acontecer, sem dúvida, os auditórios aumentarão. E é esperando esses melhores tempos e semeando para aqueles que hoje podem contribuir para isso, que alguém faz poesia. A esperança, como dizia Walter Benjamin, existe por causa dos desesperados.
A poesia é uma espécie de religião natural do homem?
Quando você faz esta pergunta, eu me recordo daquela colocação magnifica... Eu que, recentemente traduzi trechos da Bíblia Hebraica e muitas vezes me via confrontando com a pergunta como é que alguém pode, do ponto de vista laico, traduzir uma obra clássica da religião tanto cristã, quanto hebraica, ou seja, o poeta laico traduzir o texto religioso. Eu dizia que entre poeticidade e sacralidade não há incompatibilidade e lembrava o grande poeta alemão, Novalis, que colocava que “a poesia é o único real absoluto. Quanto mais poético, mais verdadeiro”.
A poesia é a revelação de um mundo sagrado, profano, real, abandonado...
A poesia é a linguagem elevada a sua última potência. O poeta é aquele que é o configurador por excelência da linguagem, qualquer que seja a sua escola; o poeta clássico, o poeta romântico, o poeta simbolista ou um poeta de vanguarda, só pode ser digno do nome de poeta se ele realmente souber manipular a materialidade dos signos, aquilo que o lingüista Roman Jacobson chamava a função poética. Aquilo que faz com que a atenção do poeta se volte para a própria linguagem e saiba configurar a sua mensagem, qualquer que seja o tipo dessa mensagem. Vou dar um exemplo no romantismo brasileiro. Sousândrade é muito mais importante do que Cassimiro de Abreu e os dois publicaram as suas obras na mesma época, em torno de 1857. Sousândrade não era só um poeta romântico, era um designer da linguagem, um configurador da linguagem, seja no nível fônico, seja no nível sintático. Quando esta função lingüistica, a função poética da linguagem não é dominada pelo poeta pode acontecer que ele tenha bons sentimentos, respeitáveis idéias a transmitir, mas não conseguirá fazê-lo através de um poema.
A poesia é também tudo que poderia ter sido...
Certamente. A poesia é uma saudade, em muitos momentos, daquilo que poderia ter sido e que não foi, como dizia Manuel Bandeira. Mas ela também, muitas vezes, é uma previsão do futuro, é o resgate do passado. A poesia trabalha em várias dimensões do tempo.
Qual a importância da miscigenação na cultura, em geral, e na literatura em particular?
O Brasil é um país para o qual é fundamental a idéia de mestiçagem. Desde o começo da civilização. E aqui, é bom lembrar que a nossa literatura começa, por assim dizer, com um padre canário, das ilhas Canárias, o padre Anchieta, que escrevia em latim, português, espanhol e tupi-guarani. E um dos nossos grandes poetas barrocos, o Manoel Botelho de Oliveira, que teve em sua vida um livro publicado, A música do parnaso, tem poemas em português, latim, espanhol e italiano. Quer dizer, esta vocação, a par da sua tendência à mestiçagem e ao caldeamento racial, são características muito importantes que marcam o país não apenas do ponto de vista sociológico, como também do ponto de vista literário.
A literatura brasileira nasceu no período do Barroco.
Os exemplos são os poetas Gregório de Matos e Manoel Botelho de Oliveira. A nossa literatura não nasceu como uma criança primitiva. Ela já nasceu falando a língua mais elaborada da época, que era a língua universal do Barroco que imperava na Itália, na Alemanha, sob várias formas. O Barroco é exatamente a poesia da proliferação metafórica, do labirinto ocultista e também da miscegenação. O Gregório de Matos, como se sabe, escrevia um soneto misturando os termos portugueses, com tupi-guarani e língua africana. O Barroco, pode-se dizer, é a marca característica da literatura das Américas.
Você resgatou poetas nacionais, praticamente esquecidos, como Sousândrade e Gregório de Matos. Como o país pôde esquecer ou marginalizar poetas tão geniais?
Isso é uma característica constante não só no nosso país, mas na literatura de um modo geral. Bastaria citar, por exemplo, o caso do grande poeta alemão Hölderlin, que foi completamente marginalizado na sua época e assim tantos outros. Por exemplo, na fase do Barroco, os poetas metafísicos ingleses, que foram resgatados por T. S. Eliot, ficaram muito tempo esquecidos. O próprio Gôngora foi considerado o anjo mau da literatura espanhola. A sua obra foi reativada e ele foi redescoberto, com a geração de Garcia Lorca. O Sousândrade tem um texto muito lindo onde ele diz: “Disseram que o Guesa só seria lido 50 anos depois”. O Guesa é o nome do poema de Sousândrade e ele próprio comenta: “entristeci, decepção de quem escreve 50 anos antes”. De modo que esse é o processo da dialética da recepção. Há muitos casos da recepção de um poeta escapar da audibilidade de um tempo. O caso do Oswald é diferente, ele ficou completamente marginalizado até ser reposto em circulação nos anos 60.
O Oswald foi marginalizado por sua opção política, ou por que o país desconhecia a sua poesia?
O Oswald tinha uma coisa um pouco irônica, um pouco amarga sobre o Brasil. Ele diz que o Brasil padece de “incompetência cósmica”. Mas não foi pôr esta incompetência cósmica que ele foi marginalizado. É claro que a opção política dele contribuiu muito porque já nos anos 30 ele fez uma opção pelo Partido Comunista e lá ficou com a Pagu, só saindo do partido nos anos 50 fazendo uma crítica severa ao stalinismo na tese A crise da filosofia messiânica, em que ele criticava todos os autoritarismos. Mas, por outro lado, não podemos esquecer que o Oswald foi um tremendo polemista. Ele, às vezes, preferia perder um amigo, mas fazer uma boa piada. Embora ele tivesse pessoalmente um comportamento muito civilizado. Ele não era uma pessoa de guardar rancor, polemizava violentamente com um escritor e depois simplesmente esquecia, entregava aos céus e fazia as pazes. Foi o caso, por exemplo, de Tristão de Athaíde. Ele foi muito atacado por Oswald, na época em que Tristão era simpatizante do integralismo; depois, no final da vida de Oswald, Tristão fez uma visita a ele e se reconciliaram. Agora, sem dúvida, muitas pessoas atingidas pela mordacidade e pela virulenta polêmica de Oswald fizeram o possível para que ele fosse esquecido.
Você traduziu trechos bíblicos, a cena da origem, com o título Bere’shith. Qual a sua versão da cena da origem?
Eu traduzi, de fato, a primeira história da criação, que é o capítulo inicial do Gênesis, da Bíblia Hebraica. Estudei hebraico por cinco anos, para este fim. Traduzi os quatro primeiros versículos, do segundo capítulo do Gênesis e, além disto, traduzi um capítulo do Livro de Jó, que é o capítulo 38, onde tem a resposta de Deus a Jó e que só pode ser definida como poesia sublime. Antes eu havia publicado, dois anos atrás, um outro livro que é a tradução total do Eclesiastes ou Qohélet, que significa aquele que sabe, o sabedor. Este livro, consta de 12 capítulos e eu o traduzi na íntegra.
Haroldo, diz um um pequeno trecho do Bere’shith...
Pois não, vou dizer um pequeno trecho do Bere’shith que significa “no começar, no começo”. E dá uma explicação de como eu fiz a tradução para o português. Vou citar o primeiro versículo da Bíblia Hebraica, do Gênesis ou Thorá, que diz assim em hebraico: “No começar/ Deus criando / O fogoágua/ e a terra”. As pessoas acostumadas na tradução que diz “ Deus criou o céu e a terra” ficarão surpresas em esse meu “fogoágua”. A palavra em hebraico é shamáyim. Segundo o mais importante dos intérpretes hermeneutas do texto bíblico hebraico, Rashi de Troyes, ela é composta de duas palavras: esh e máyim, ou seja fogo e água. Achei que essa metáfora extraordinária, embutida na palavra que é abstrata, deveria ser resgatada em sua concretude e traduzida para fogoágua.
Você é um descendente espiritual da tríade de poetas, formada por Ezra Pound, Oswald de Andrade e Mallarmé?
Eu me sentiria honrado se fosse. Desejaria sê-lo, mas esta é a sua opinião. Fico muito contente que você tenha lembrado esta tríade que realmente é extraordinária na minha admiração. O meu livro Galáxias é uma espécie de poema, fica entre a prosa e a poesia, ao invés de ser narrativo, ele é visionário. Diz respeito à visão. E, de fato, entre as influências que me ajudaram na composição deste trabalho estariam desde James Joyce até Oswald de Andrade. A prosa dos dois foi muito importante, como foram importantes as estruturas narrativas de Ezra Pound.
Entrevista publicada no Jornal do Brasil, caderno “Idéias”, em 07/07/1995
Pedro Maciel é autor do romance “A Hora dos Náufragos”, Ed. Bertrand Brasil
pedro_maciel@uol.com.br
Fonte: Cronópios
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terça-feira, 8 de maio de 2007
Baixe Disco Completo da banda Numismata
O Música&Poesia tem o prazer de disponibilizar uma preciosidade musical lançada em 2003, mas, infelizmente, pouco difundida. Trata-se do CD de estréia da banda paulista Numismata, intitulado Brazilians on the moon. A Numismata pode ser resumida como uma banda de rock que toca samba, porém, é injusto e raso descrevê-los assim. O primeiro parágrafo de apresentação da Numismata no saite do selo independente, Outros Discos, pelo qual foi lançado Brazilians on the moon, diz que o grupo, formado em 2002, "compõe sambas que parecem saídos de um Carnaval de 1965 e que são tocados por gente que cresceu ouvindo Leonard Cohen e Miles Davis. E soam como uma banda de garagem tocando marcha-rancho." Contudo, em sua página na TramaVirtual, a classificação que surge é de uma banda que "mistura samba com rock, psicodelia, guitarras distorcidas, tamborins e alegorias", descrição que já dá uma idéia melhor do que se está pra ouvir.
O segundo álbum da Numismata, com 16 faixas, prometido pra setembro deste ano, terá o nome de Chorume. Enquanto ele não chega, o Música&Poesia coloca, além de Brazilians on the moon completo, a demo Módulo Experimental Zero (2001) pra download. Abaixo o arquivo pra baixar e o tocador pra ouvir aqui mesmo o disco completo. Baixe aqui Brazilians on the moon completo (14 faixas) + Módulo Experimental Zero
Todas as músicas que se encontram aqui estão livremente disponíveis para download no saite da TramaVirtual |
Numismata é formada pelo guitarrista e líder Adalberto Rabelo Filho, o baixista Carlos H., o baterista Felipe Veiga, o vocalista Piero Damiani e o guitarrista André Vilela.
Numismata - Brazilians on the moon
"Brazilians on the Moon", o primeiro disco da banda Numismata é uma surpresa que traz: guitarras e samba, psicodelia e tamborins, sambão deslavado e distorção nos pedais no melhor estilo space samba (psychedelic/ samba/rock n roll/bossanova/dixieland).
As participações especiais no CD dão o tom do ecletismo: Jards Macalé, Skowa e Vanessa Krongold (Maybees e Ludov).
Diz Bruno Saito na Folha de São Paulo:
"Ainda não há em nenhuma loja de discos uma prateleira para as bandas de samba-indie psicodélico. Nem haveria como. O termo é uma criação recente, do produtor Maurício Bussab para a banda paulistana Numismata.
Tudo isso não é uma grande bobagem e pura estratégia de marketing apenas porque o grupo, que estréia com "Brazilians on the Moon", realmente transpira os três fatores e não se encaixa perfeitamente em nenhum estilo.
"Quem precisa de rótulo é apenas o lojista, que não saberia onde colocar nosso álbum", diz o letrista e guitarrista da banda, Adalberto Rabelo Filho.
O músico criou o conceito do Numismata a partir de experiências anteriores em duas bandas das quais participava, uma de indie e outra de MPB.
"Chegou um momento em que comecei a achar meio boba essa coisa de ter de ser uma pessoa num show de MPB e outra num show de rock alternativo."
Rabelo largou a vida dupla e resolveu assumir seus gostos. Sem atropelos. No Numismata, não há barreiras entre diferentes universos. Uma mesma canção pode começar como um sambinha triste, encontrar guitarras típicas de bandas de garagem para depois terminar como se fosse impossível dissociar um estilo e outro. "
Fonte: OutrosDiscos
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segunda-feira, 7 de maio de 2007
Cláudio Assis e seu Cinema Provocador
por Ana Paula Sousa
São radicais as reações provocadas por Baixio das Bestas, o novo filme de Cláudio Assis, pernambucano que mostrou talento com Amarelo Manga (2002).
No Festival de Brasília de 2006, a platéia ficou atônita. Uns aplaudiram. Outros detestaram o que viram. Na crítica, também houve Fla-Flu. E era isso, no fundo, o que o cineasta esperava. Desde o primeiro filme, Assis busca a transgressão, o cinema de tons vigorosos. Baixio das Bestas, que estréia na sexta-feira 11, se passa na Zona da Mata pernambucana. Da memorável luz do fotógrafo Walter Carvalho jorra sexo, violência e miséria. A menina explorada pelo avô, as prostitutas tratadas feito lixo e os machos endoidecidos apontam um mundo doente. Assis diz não se incomodar com as vaias. Se pega uma câmera, argumenta, é para “provocar reações”. De fato, ninguém passa incólume pelas imagens que constrói.
CartaCapital: O filme se apresenta como uma denúncia da violência contra as mulheres na Zona da Mata. Mas não há uma certa misoginia na maneira de filmar?
Cláudio Assis: A misoginia está nos personagens, não no filme. Aquelas pessoas fazem e desfazem e não são punidas. O Brasil não é isso? Tem gente que espera que os agroboys (personagens de Matheus Nachtergaele e Caio Blat) sejam punidos, mas eu não faço concessão. A monocultura da cana continua escravizando e matando nosso povo.
CC: Você diz que não faz concessões. A polêmica não acabou se tornando marketing?
CA: Não faço marketing, odeio publicidade. Quando falo mal do cinema da Globo Filmes, que vicia o olhar e despolitiza, arrumo inimigos entre os cúmplices desse cinema. Mas tem mais gente que não participa disso. O cinema feito com dinheiro público deveria ser, no mínimo, honesto.
CC: Sua imagem pública influencia na recepção dos filmes?
CA: Sim. No Brasil, além de ser colonizadas, as pessoas têm mania de rotular. Não interessa quem eu sou, mas a arte que estou fazendo.
CC: Vem outro filme por aí?
CA: A Febre do Rato, que se passa no Recife e em Olinda e fala de um poeta marginal. Se Deus quiser e o diabo ajudar, filmo no ano que vem.
Fonte: CartaCapital
Assista o trailer do filme Baixio das Bestas
Do mesmo diretor de Amarelo Manga, Cláudio Assis.Grande Vencedor de 6 Prêmios no Festival de Brasília. Vencedor de Melhor Filme em RoterdamAcesse o site www.baixodasbestas.com.br
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sexta-feira, 4 de maio de 2007
Curta Othon Bastos em O Número
Assista o curta-metragem O Número, do diretor Beto Bertagna, produzido em Rondônia, estado escasso em produções cinematográficas. Filme feito com parcos recursos e muita garra, que prende o espectador com um ótimo texto e a brilhante interpretação de Othon Bastos.
O NÚMERO
Um homem troca de nome até conquistar um, definitivo...
Baseado em conto do livro Babel, de Alberto Lins Caldas. Um
curta-metragem brasileiro premiado em Festivais de Cinema.
O Número
Sinopse
Em "O Número" um homem narra a trajetória de sua vida. Ao longo dos anos, seu nome vai constantemente mudando e, com isso, também vão mudando as circunstâncias de sua vida e até os traços de sua personalidade. O filme é baseado em um conto homônimo de Alberto Lins Caldas e tem, como protagonista, o genial Othon Bastos
O Número
Gênero Ficção
Diretor Beto Bertagna
Elenco Othon Bastos
Ano 2004
Duração 10 min
Cor Colorido
Bitola 16mm/vídeo
País Brasil
Ficha Técnica
Produção Beto Bertagna Cinema & Vídeo Fotografia Rodolfo Ancona Lopez Roteiro Alberto Lins Caldas Som Direto Gilmar Santos Direção de Arte Joeser Alvarez Montagem Beto Bertagna Música Augusto Silveira
Prêmios
Melhor Ator no Cine Ceará 2004
Leia abaixo matéria da Agência Carta Maior sobre o filme "O Número", publicada em 24/03/2006
.
por Eduardo Carvalho - Carta Maior
Conversamos com o diretor, que mora em Rondônia, e que nos narrou as peripécias para filmar um curta-metragem em um estado no qual não há a menor tradição de produção cinematográfica e onde os recursos são muito escassos.
A idéia de fazer “O Número” nasceu na noite de lançamento do livro de contos “Babel”, do escritor pernambucano Alberto Lins Caldas, que está radicado em Rondônia. “Folheando o livro, me deparei com o conto e imediatamente pedi ao Alberto, no meio da festa, se poderia filmar. Ele achou que era brincadeira e permitiu, entre gargalhadas. Apresentei o projeto no Petrobrás Cultural e ele levou um susto quando, mais tarde, eu mostrei a notícia do Prêmio” – conta Beto Bertagna.
A certeza da participação do Othon Bastos, que o Alberto adorava como o Honório, no filme “São Bernardo”, veio depois. “Para mim, “O Número” além do valor literário era um filme bem possível de ser feito dentro da pobre realidade audiovisual de Rondônia. Ou seja, um ator só, num cenário só e luz natural, mais o auxílio de alguns equipamentos de luz doados há um tempo atrás pela Edna Fujii e pelo Roberto Bicudo, da Quanta, que acreditaram na idéia da gente começar um processo de formação de técnicos aqui no Estado. Aliás, eu sou do tempo e da turma do Ricardo Aronovitch, que veio fazer um estágio avançado de fotografia na UnB, lá pelos anos 90. Só que, como muitos da época, acabei dedicando-me mais à direção do que à fotografia”. – relata Bertagna.
Diante da escassez de recursos, a cenografia foi toda improvisada dentro de uma faculdade, o que despertou muita curiosidade. “Imagine, uma prisão dentro de uma faculdade! É surrealista! E a grade não era cenográfica, era uma grade de verdade, emprestada pelo chefe da Polícia, o Carlos Eduardo Ferreira, de uma delegacia em reforma. Eu cheguei num domingo de tarde na delegacia, de óculos escuros, bermudas e chinelo de dedo e falei que eu precisava levar a grade embora. O plantonista ficou me olhando com uma cara...” – conta o diretor.
O curta de 12 minutos foi filmado em um dia. Era para ser em dois, tempo que o Othon tinha para filmar, mas, no primeiro dia, caiu um dilúvio em Porto Velho acabando com o cenário que estava destelhado para aproveitar a luz natural e, assim, com qualquer possibilidade de filmar. “No outro dia, com a colaboração de toda a ABD/RO, que obviamente cabe numa Kombi, começamos bem cedo e fomos até o último fio de luz” – brinca Beto Bertagna.
Ainda sobre as dificuldades, o diretor conta que, em Rondônia, não existe política cultural definida para o audiovisual. O último edital para incentivo à produção foi em 1996, há 10 anos, portanto. O projeto para filmar “O Número” já existia, mas só foi possível realizá-lo com o prêmio Petrobras, destinado a “mídias digitais”, que é a categoria em que ele concorre nos festivais pois foi finalizado assim. “Resolvi dar um “plus” captando em 16 mm, e foi talvez o primeiro filme rondoniense captado em película. Parece que também foi o primeiro prêmio Petrobrás para a região norte, que sempre foi muito alijada de todos os processos culturais” – comemora Bertagna.
Outra coisa engraçada foi a escolha da roupa do Othon. Beto Bertagna esperou ele chegar em Porto Velho pra não errar no tamanho. Levou-o a um brechó de um bairro bem humilde nas proximidades de onde aconteceria a filmagem. “O Othon acabou fazendo o maior sucesso, dando autógrafos às pessoas que não acreditavam no que viam. O Othon Bastos comprando uma bermuda e uma camisa velha! No final, compomos o nosso figurino com menos de 5 reais!” – lembra o diretor.
Para a filmagem, Beto conseguiu uma câmera Éclair 16 mm de um amigo documentarista, o Celso Luccas. A câmera estava nova, mas não filmava já há um bom tempo. O diretor de fotografia, o Ruda (Rodolfo Ancona Lopez) fez um pequeno teste e começaram as filmagens. No meio do filme, as borrachas de vedação do magazine, que estavam ressecadas pela falta de uso, começaram a desmanchar. Neste momento o diretor, que é hipertenso, viu a importância de contar com um profissional de mão cheia como o Ruda. “Tudo parado e ele, atrás de uma lona, passando com a maior tranquilidade cola bonder na brava Éclair...” No final tudo deu certo, a câmera perdeu o sincronismo quando a parte do Othon, que é com som direto, já tinha acabado. Mais tarde a equipe ficou sabendo que a própria câmera era uma história que merecia um filme: ela fazia os cinejornais do regime do último xá do Irã, Mohamad Reza Pavlev e, ironia do destino, acabou vindo fazer “O Número” em Rondônia.
A respeito do trabalho do Othon Bastos, Beto conta que “como se diz brincando: um Othon Basta. O seu talento já era conhecido por todos, mas ele também nos encantou pela simpatia e generosidade, tanto é que, no ano seguinte, ele foi um dos homenageados do Cineamazônia pela sua força à nossa tentativa de desenvolver o audiovisual no Estado. A participação dele foi importantíssima para incentivar as produções fora do eixo Rio - São Paulo, e mostrar que é possível realizar filmes em locais com infra-estrutura precária para a produção audiovisual. E de nossa parte, nós tentamos superar as carências retribuindo com muito carinho aos profissionais que nos apóiam”.
Logo na primeira participação de “O Número”, no Cineceará, o Othon Bastos venceu como melhor ator. O filme também participou do II Fest Belém do Cinema Brasileiro, “mas a sua carreira poderia ter sido melhor, foi um pouco prejudicada pela minha falta de tempo e de recursos” – lamenta Beto Bertagna. Em 2005, “O Número” foi projetado com legendas no Brazil Cine Festival, em Gotemburgo, na Suécia e foi bem recebido pela platéia.
Sobre seu envolvimento com novos projetos cinematográficos, Beto conta que acabou de realizar o DOCTV “O Brasil que começa no rio...”, mostrando um pouco das cores, costumes, tradições e das dificuldades do povo ribeirinho do Vale do Guaporé na fronteira do Brasil com a Bolívia. Em abril de 2006, filmará a parte ficcional de um documentário em 35 mm sobre a vida do fotógrafo norte-americano Dana Merril, que registrou a construção da lendária Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. O filme já tem confirmado o ator Marcos Palmeira, e vai trazer depoimentos do escritor Manoel Rodrigues Ferreira e do fotógrafo Ari André, fundamentais para a compreensão da História, e será todo rodado em Rondônia.
Há ainda o projeto de um documentário sobre a vida de dois sujeitos que moram frente a frente na fronteira real do Rio Grande do Sul com o Uruguai, o arroio Chuí, lugar onde o diretor passava as férias na infância e que quer revisitar. E, em 2007, Beto Bertagna deve partir para um longa de baixíssimo-orçamento com roteiro do Alberto Lins Caldas que, no momento, está desaparecido em algum lugar ermo e remoto de Pernambuco, quiçá fazendo mais um tratamento do roteiro do filme que deverá chamar-se “Vitrines”.
Fonte: AgênciaCartaMaior
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quinta-feira, 3 de maio de 2007
Baixe aqui os dois volumes do Tributo ao Psicodélico-Tropicalista Ronnie Von
Conheça a outra faceta do Pequeno Príncipe
por Yerko Herrera
Recentemente foram relançados três discos de Ronnie Von (também conhecido como o Pequeno Príncipe), entre eles o aclamado Ronnie Von, de 1968. Este emblemático álbum psicodélico/tropicalista é um divisor de águas na carreira do cantor, que foi injustamente carimbado como integrante do que se chamou de jovem guarda. A grande verdade é que o "Pequeno Príncipe" sempre se identificou mais com Caetano Veloso do que com Roberto Carlos.
Antes da reedição destes álbuns a jornalista Flávia Durante teve a idéia de prestar um tributo a Ronnie e organizou, com 30 bandas independentes brasileiras, uma homenagem a cultuada fase lisérgica do cantor. Ordenado em dois volumes, um deles dedicado ao disco Ronnie Von de 1968, e um segundo com a compilação de 18 músicas lançadas entre 1966 até 1972, o trabalho tem o título de Tudo de Novo. As versões foram gravadas por bandas de todo o país e enviadas a Flávia, coordenadora do projeto, que nasceu de uma comunidade do Orkut dedicada a reverenciar o período tropicalista de Ronnie Von. Segundo a jornalista "cada grupo deu sua visão à faixa que escolheu. Algumas regravações foram mais fiéis, outras reconstruíram totalmente a música. Algumas bandas contavam com mais, outras com menos recursos. Mas em comum, a admiração pelo trabalho do artista e o grande interesse na participação desta homenagem". O produtor Arnaldo Saccomani, autor de grande parte das composições de Ronnie Von no período, em depoimento ao saite que reúne Tudo de Novo (infelizmente fora do ar) afirma que Ronnie e ele pretendiam produzir algo completamente distinto ao que a jovem guarda fazia: "Na época eu e o Ronnie queríamos fazer algo diferente da Jovem Guarda, só que o resultado ficou muito mais diferente do que imaginávamos. Na época a gravadora sentiu um choque, mas entendeu a proposta de um grande ídolo que queria ser ousado e contemporâneo. O tempo mostrou que estávamos certos".
"Como a idéia surgiu em uma comunidade virtual e para o acesso a esta homenagem ser amplo", acredita Flávia, o tributo deveria ser lançado gratuitamente na internet. Devido ao saite oficial do projeto estar fora do ar, o Música&Poesia coloca aqui disponível os dois álbuns culto à fase psicodélica de Ronnie Von pra baixar.
Tudo de Novo - Tributo ao Ronnie Von
Baixe aqui o Volume I do tributo (12 faixas) - arquivo zipado
Referente ao álbum de 1968
01. Meu Novo Cantar - LOVNI
02. Chega de Tudo - Os Vilsos
03. Espelhos Quebrados - Rádio de Outono
Vinheta. Bar Íris - Os Vilsos
04. Sílvia 20 horas, domingo - Naiti
05. Menina de Traças - Os Almeida
06. Nada de Novo / Lábios que beijei - Fantastic 5
07. Esperança de Cantar - Les Sucettes
08. Anarquia - Detetives
09. Mil Novecentos e Além - Cactus Cream
10. Tristeza num Dia Alegre - Clube da Luta
11. Contudo, Todavia - Leux Perdis
12. Canto da Despedida - Os Skywalkers
Baixe aqui o Volume II do tributo (18 faixas) - arquivo zipado
Referente à canções que não são do álbum RV68
01. Meu Bem - Os Insertos
02. Igual a Peter Pan - Royale
03. A Menina Azul - Plato Divorak & Clepsidra
04. Pra Chatear - Astronauta Pinguim
05. O Último Homem da Terra - Superlego
06. De como meu herói Flash Gordon irá levar-me de volta a Alfa do Centauro, meu verdadeiro lar - A Banda de Um Amigo Meu
07. Onde Foi - Videodrome
08. Pare de Sonhar com Estrelas Distantes - Continental Combo
09. Máquina Voadora - Vini F.
10. Você de Azul - William Laxtons
11. Águas de Sempre - Batucada Valvulada
12. Viva o Chopp Escuro - Ecos Falsos
13. Seu Olhar no Meu - Profiterolis
14. Continentes e Civilizações - Hype Quino
15. O Verão nos Chama - Telerama
16. Regina - Malachai
17. Aquela Mesma Canção - Mário Broz
18. Eu era humano e não sabia - Quartzo
Ouça Algumas Faixas
Espelhos Quebrados - Rádio de Outono
Chega de Tudo - Os Vilsos
Canto da Despedida - Os Skywalkers
O Último Homem da Terra - Superlego
Pra Chatear - Astronauta Pinguim
Meu Bem - Os Insertos
Dica - Leia a interessantíssima reportagem "Ronnie Von volta a ser cultuado como cantor", do jornal O Estado de S.Paulo, publicada no dia 25 de abril de 2007.
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quarta-feira, 2 de maio de 2007
Bandas de rock prestam tributo ao brega
Clássicos “cafonas” ganham tributo independente
Dois anos depois de lançar Vou tirar você desse lugar, um tributo ao cancioneiro de Odair José via bandas independentes dos quatro cantos do país, o selo goiano Allegro Discos volta ao cruzamento de gerações e à valorização da música popular brasileira da década de 1970 em Eu não sou cachorro, mesmo. Como se pode notar pelo nome de Odair José, o popular aqui é popular mesmo (também conhecido como “brega” pela charmosa MPB) e neste novo tributo o leque é aberto para um time vasto de compositores e intérpretes a ser homenageado.
Além das excelentes escolhas de repertório e combinações entre artistas novos e clássicos populares, o tributo exala paixão real. Nada é forçado nos encontros e assim é possível se surpreender com a psicodelia hippie d’Os The Darma Lóvers (RS) cantando “Retalhos de cetim” (Benito di Paula); ou os experimentalismos do grupo Los Diaños (PR) em “Você é doida demais” (Lindomar Castilho e Ronaldo Adriano); ou o regional pop de Silvério Pessoa (PE) em “Deixa de banca” (Reginaldo Rossi); ou ainda, em espantosa e romântica ponte além-mar, os portugueses do Clã encarando “Tortura de amor (Waldick Soriano).
Nas 15 faixas, o tributo também promove os encontros de Lula Queiroga e China (PE) com a belíssima “Impossível acreditar que perdi você” (Márcio Greyck e Cobel); a banda A Euterpia (PA) e “Você gostar de mim” (Raimundo Soldado); Móveis Coloniais de Acaju (DF) e “Sorria, sorria” (Evaldo Braga e Carmen Lúcia); Laranja Freak (RS) e “Mon amour, meu bem, ma femme” (Reginaldo Rossi); o grupo Ramirez (RJ) e “Meu pequeno amigo” (Fernando Mendes e Mara Mendes); Rádio de Outono (PE) e “De que vale ter tudo na vida” (José Augusto, Miguel, Marcelo e Salim); Érika & Telecats (RJ) e “Ainda queima a esperança” (Mauro Motta e Rauzito, do repertório de Diana); Frank Jorge (RS) e “Dama de vermelho” (Francisco Perdigão e Osvaldo Bezerra, do repertório de Waldick Soriano); Fino Coletivo (RJ) e a ‘entreguista’ “Eu te amo meu Brasil” (Dom e Ravel); e uma parte dos mineiros do Pato Fu (Fernanda Takai, John Ulhoa e Lulu Camargo) junto com as cantoras Érika Machado e Alda Rezende em “Esconda o pranto num sorriso” (Jacy Inspiração e Marcos Lourenço, do repertório de Evaldo Braga).
A única música do tributo que conta com a participação efetiva de seu compositor é “Como?”, onde o Clube do Balanço (SP) e seu líder Marco Mattolli reverenciam o mestre guitarreiro Luis Vagner. Nos altos e baixos comuns a um projeto coletivo, Eu não sou cachorro, mesmo é mais um importante passo no fértil terreno que une (ou pode unir) o pop e o popular, o velho e o novo, a “alta” e a “baixa” cultura/classe/etc. e tal.
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terça-feira, 1 de maio de 2007
Curta Manual para atropelar cachorro
Aproveitando que hoje é o Dia do Trabalho, vale lembrar que trabalhar demasiadamente faz mal à saúde. Associar falta de férias, tédio e solidão pode causar resultados desastrosos ao equilíbrio mental. Veja isso no premiado curta Manual para atropelar cachorro.
Assista Manual para atropelar cachorro aqui
Manual para atropelar cachorro
Sinopse
Diretor Rafael Primo
Elenco Ary França, Bárbara Paz, Cynthia Falabella, Rafael Primo, Rodrigo Frampton, Rubens Ewald Filho, Tuna Dwek, Zezé Polessa
Ano 2006
Duração 18 min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil
Produção Daniel Gaggini Fotografia Marcio Langeani Roteiro Rafael Primo Som Direto Paulo Seabra Direção de Arte Manu Ferrari Animação Tiago Taboada Trilha original Morris Picciotto Figurino Carol Bertier, Davi Vale Pós-produção Daniel Gaggini Trilha Sonora Morris Picciotto, Dan Nakagawa
Prêmios
Melhor Ficção no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2007
Grande Prêmio U-Matic no Festival de Curtas de São Paulo 2006
Os 10 Mais - Escolha do Público no Festival de Curtas de São Paulo 2006
Prêmio Cachaça Cinema Clube no Festival de Curtas de São Paulo 2006
Melhor Filme - Crítica no Festival de Gramado 2006
Melhor Filme - Júri Popular no Festival de Gramado 2006
Prêmio aquisição Canal Brasil no Festival de Gramado 2006
Prêmio Revelação no Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira 2006
Melhor Filme - Júri Popular no Mostra de Cinema de Londrina 2006
Melhor Ator no Vitória Cine Vídeo 2006
Melhor Atriz no Vitória Cine Vídeo 2006
Melhor direção no Vitória Cine Vídeo 2006
Melhor Montagem no Vitória Cine Vídeo 2006
Festivais
Curta Cinema 2006
Exground Filmfest 2006
Festival de Cinema Universitário da UFF-RJ 2006
Festival do Rio 2006
Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte 2006
Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2006
Mostra de Cinema de Tiradentes 2007
Mostra do Audiovisual Paulista 2006
Mostra do Filme Livre 2007
Short Film Market 2006
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segunda-feira, 30 de abril de 2007
Baixe nova música do Mundo Livre, um Requiem para virtuais vítimas e atiradores
Sempre antenados com a atualidade e dispostos a lançar sua voz pra comentar ou criticar o sistema em que vivemos, não somente do Brasil, mas do planeta inteiro, O Mundo Livre S/A disponibiliza na internet sua nova música, Cho Seung-hui Song. A canção, que foi gravada na sexta-feira (27/04) e lançada no dia seguinte no saite da Monstros Discos, trata sobre o recente massacre na Universidade da Virgínia, onde, no último dia 16, o sul-coreano Cho Seung-hui assassinou 32 pessoas. Fred 04, vocalista do Mundo Livre, diz que a produção "é uma valsa pisicodélica, com referências a Mutantes e Bob Dylan". Segue a música em mp3 pra baixar.
Baixe Cho Seung Song - Mundo Livre S/A
CHO SEUNG SONG (Requiem para virtuais vítimas e atiradores)
O sol nunca se põe nos infinitos domínios da microsoft
todos sabemos que é só uma inocente e singela corrida
Tudo é seguro nos liberais domínios da tecnolife
mas por uma razão qualquer eu só consigo ver macrosangue
(escorrendo dos dedos tétricos que preparam nossos castos bigmacs)
Então eu estou voltando pra China, nunca é tarde
mas antes queria levar um lote de vocês pra um longo passeio
quem tem que viver encurralado, bye bye peixinhos dourados, bye bye
Consciência ambiental com as menores taxas do pregão
mas algo me incomoda, não sei, deve ser o cheiro de ódio
(que exala de suas turbinadas sementes)
Dolar em baixa comprime os preços nos mercados emergentes
mas quem não conhece o fim dessa piada
maldita maratona sem linha de chegada
Satélites rastreiam nossos passos
portanto eu realmente não sei
quanto tempo ainda temos pra limpar as mãos antes que o anjo/rede/NBC
nos liberte desse tenebroso anonimato
Então eu estou voltando pra China, nunca é tarde...(refrão)
O sol nunca se põe...
todos sabemos que é só uma corrida de vantagens
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sábado, 28 de abril de 2007
Curta Sabino II com Erico Verissimo, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes
Assista a trechos dos curtas-metragens feitos por Fernando Sabino e David Neves entre 1973 e 1974. Aqui você acompanha aos filmes realizados com Erico Verissimo, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes.
Impagáveis são os momentos protagonizados por Drummond, Erico Veríssimo e Vinicius. O primeiro volta ao Palácio Capanema, antiga sede do Ministério da Educação onde trabalhou ao lado de Gustavo Capanema nos anos 30, para protagonizar um dos momentos mais divertidos. O contido e sempre discreto mineiro brinca de esconde-esconde nas enormes pilastras da construção modernista e sorri aos montes, faceta pouco vista de alguém que por muitos anos recusou-se a dar entrevistas. Fala ainda da escrita, de Minas – "Criamos um pouco de rocambole com Minas" –, da família, e passeia pelo centro do Rio, toma um ônibus, pára na livraria, outra parada para um cafezinho no boteco, a recriar seu possível itinerário de outrora. Já Erico Veríssimo aparece e sua casa, em Porto Alegre, no bairro de Petrópolis, onde hoje seu filho, Luis Fernando continua morando. Auge da irreverência e intimidade destas pequenas obras-primas, é ver Erico brincando com os netos no quintal de casa, a interpretar dois samurais, Akuda e Oito, e cometer um harakiri, o suicídio que o guerreiro comete ao ver-se derrotado. O escritor gaúcho, que tinha em mente construir a saga do Rio Grande do Sul, volta ainda à sua terra natal, Cruz Alta, e visita o sobrado onde nasceu, à época já local de preservação da sua memória. Por fim, o filme traz o Hotel Majestic, onde o escritor passou sua lua-de-mel, e morada do amigo e poeta Mário Quintana, que hoje nomeia o cento de cultura ali instalado. Vinicius, por sua vez, aparece ao lado de Toquinho, contando a precoce iniciação na poesia e, como não poderia deixar de ser, feita para uma namoradinha, ele com seis, ela com sete anos. Fala do primeiro livro, Forma e exegese, nome pedante que o próprio autor relembra ironicamente, e algo esotérico, antes de se aproximar da vida e passar do pronome da primeira para a terceira pessoa em seus poemas. O filme abre e fecha com o poeta declamando seus versos, que ainda interpreta seu primeiro samba, "Quando tu passas por mim" e enumera suas influências – Pixinguinha e Jayme Ovalle – e parceiros – Tom Jobim, Baden Powell, Carlos Lyra, Edu Lobo, Toquinho. E, por fim, cena antológica, a garota de Ipanema, Helô Pinheiro, em 1973, cruzando a rua que mais tarde levaria o nome do poeta rumo ao bar que hoje leva o nome da música que imortalizou o bairro. A série conta ainda com o curtas-metragens sobre João Cabral de Melo Neto, Pedro Nava, Afonso Arinos de Melo Franco e José Américo.
Fonte: Revista Idiossincrasia
Erico Verissimo, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes
Para assistir, é preciso o Windows Media Player 9 ou 10. Clique aqui para baixar. Ou baixe o Media Player Classic que, além de ser programa de código aberto, é muito menor que o outro e também serve como player de DVD, suporta legendas AVI, formatos QuickTime, RealVideo, entre outros.
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Curta Fernando Sabino e seus filmes com Manuel Bandeira, Guimarães Rosa, Jorge Amado e Pedro Nava
O filme abaixo é fruto de uma parceria entre Fernando Sabino e David Neves e fazem parte de dez curtas-metragens realizados pela dupla entre 1973 e 1974 pela Bem Te Vi Filmes, projeto que levou o nome de Literatura Nacional Contemporânea. Esta "redescoberta" do Sabino cineasta deve-se ao empenho do filho Bernardo, responsável pela iniciativa de uma mostra de filmes e exposição sobre a vida e obra do escritor mineiro. "Surgiu por acaso [a idéia da mostra e da exposição]. Quando papai faleceu, o Canal Brasil me procurou para exibir os filmes que ele tinha feito com o David Neves, em 1973, com os escritores, e a partir daí fui procurar esses filmes, e os encontrei na Cinemateca Brasileira num estado não muito bom, não por culpa da Cinemateca, mas por culpa da conservação, do papai jogar pra cá, jogar pra lá. Achei uma fita beta com boa qualidade, que atendeu a demanda do Canal Brasil".
Fonte: Revista Idiossincrasia
Manuel Bandeira, Guimarães Rosa, Jorge Amado e Pedro Nava
Assista a trechos dos curtas-metragens feitos por Fernando Sabino e David Neves entre 1973 e 1974. Aqui você acompanha os filmes realizados com Manuel Bandeira, Guimarães Rosa, Jorge Amado e Pedro Nava.
Revista Idiossincrasia
Para assistir, é preciso o Windows Media Player 9 ou 10. Clique aqui para baixar. Ou baixe o Media Player Classic que, além de ser programa de código aberto, é muito menor que o outro e também serve como player de DVD, suporta legendas AVI, formatos QuickTime, RealVideo, entre outros.
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sexta-feira, 27 de abril de 2007
Crítica Lobão Acústico MTV
E o Lobo mordeu a língua
Cantor e compositor carioca faz o que criticou com vontade na última década: grava um Acústivo MTV.
por Edson Wander
Lobão mordeu a língua e jogou a toalha. Depois de brandir a independência como salvação da lavoura e espezinhar colegas que se entregaram ao doce e regado mundo dos álbuns acústico-industriais, eis que o velho Lobo figura de cordeiro no esquema banquinho-e-violão em seu novo CD+DVD Acústico MTV (Sony&BMG). Com todos os elementos clássicos do formato (incluindo quinteto de cordas), Lobão reviu antigos sucessos (Revanche, Rádio Blá, Me Chama, Canos Silenciosos...) e incluiu algumas das últimas da fase independente (Você e a Noite Escura, A Queda, A Vida é Doce).
E como Lobão justifica a "recaída"? Tem dito que cansou de não ser ouvido (apesar de ter alimentado o sonho das vendas em bancas de jornal), que o quadro gerencial da Sony (agora Sony&BMG, contra quem movia processos) mudou e com isso mudou também o tratamento que recebia da gravadora. O novo contrato, além do disco revisionista, prevê o relançamento de toda a discografia dele numa caixa a sair no fim do ano, incluindo a reedição dos três álbuns independentes. Diz mais: que o nível dos acústicos "melhorou muito" e assume que voltou a tocar nas rádios por causa de jabá, o suposto pagamento que as gravadoras fazem para ter seus artistas executados. Lobão liderou uma frente que pretendia criar uma lei federal tipificando o jabá como crime.
E o Lobão Acústico MTV é ruim? Não é, como não são nenhum dos que ele atacava. São tecnicamente perfeitos, bem produzidos e gravados. Lobão abria artilharia mais ideológica do que técnica contra os discos. E invariavelmente tinha razão, dado o caráter padronizante do projeto. O dele ficou assim, sem tirar nem pôr, apesar de ele defender que tenha ficado "excelente" porque explorou uma sonoridade folk, usou mais de 30 violões e blá blá blá. Pelo contrário, apesar de bonito, algumas canções perderam sua força natural, especialmente as mais recentes, dos discos lançados pelo Universo Paralelo (selo próprio). O CD Canções Dentro da Noite Escura (de 2005) é um tratado de rock brasileiro pesado e lírico, mas a canção-síntese dele, Você e a Noite Escura, soa diluída no Acústico MTV. São 21 faixas no DVD e 18 no CD. A produção foi de Carlos Eduardo Miranda (um dos jurados do programa Ídolos, do SBT). A versão em DVD deve chegar as lojas até o início de maio.
E o que será dos projetos paralelos de Lobão com a nova inserção na indústria do disco? Sofrerão um ataque súbito por excesso de incoerência? Não se sabe ainda. O editor da revista dele, Outracoisa, diz que continua tudo igual. Adilson Pereira não quis comentar o novo disco do chefe alegando não ter recebido o trabalho. Perguntado se a revista resenharia o disco, limitou-se a dizer que "ficaria estranho a revista falar do disco". "O que a gente normalmente faz é uma matéria sobre os discos lançados pela revista, não é o caso deste", disse Pereira. De mais esse episódio da história do falastrão Lobão, algumas leituras são possíveis, ao gosto de cada freguês: a) o mercado independente paga as contas, mas não leva ao céu, b) o rock é mais demasiadamente humano para uns artistas do que outros e c) esquerda festiva não é um conceito aplicável só aos políticos.
Acústico MTV
Lobão
Gravadora: Sony&BMG
Preço médio: R$ 30,00 (CD)
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Livro Completo de Lima Barreto
Baixe o livro completo de Lima Barreto, O Homem que Sabia Javanês e Outros Contos. Escritor e jornalista Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13 de Maio de 1881 - Rio de Janeiro, 1º de Novembro de 1922) foi simpatizante do anarquismo e militante da imprensa socialista. Mulato, vítima de racismo e com pai nascido escravo, Lima Barreto foi testemunha ocular da abolição da escravatura e ao lado do pai esperou, no Largo do Paço, na capital fluminense, pela assinatura da Lei Áurea. O escritor teve sua vida atribulada pelo alcoolismo e por internações psiquiátricas, vindo a falecer aos 41 anos de idade. Apesar das conseqüências desastrosas que a bebida lhe trouxe, levando-o a loucura, Lima Barreto acreditava que o álcool o ajudava a escrever melhor.
O Homem que Sabia Javanês e Outros Contos em PDF aqui
Arquivo alternativo (diagramação visualmente mais interessante para impressão, também em PDF)
Obra (Wikipédia - a enciclopédia livre)
Lima Barreto foi o crítico mais agudo da época da República Velha no Brasil, rompendo com o nacionalismo ufanista e pondo a nu a roupagem da República, que manteve os privilégios de famílias aristocráticas e dos militares.
Em sua obra, de temática social, privilegiou os pobres, os boêmios e os arruinados.
Foi severamente criticado pelos seus contemporâneos parnasianos por seu estilo despojado, fluente e coloquial, que acabou influenciando os escritores modernistas.
Lima Barreto queria que a sua literatura fosse militante. Escrever tinha finalidade de criticar o mundo circundante para despertar alternativas renovadoras dos costumes e de práticas que, na sociedade, privilegiavam pessoas e grupos. Para ele, o escritor tinha uma função social.

Acervo de Domínio Público
Ilustração Imagem Livro: Odilon Moraes
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quinta-feira, 26 de abril de 2007
Ouça Paulo Autran interpretando textos de Quintana e Sabino
Uma boa dica pra quem quer ouvir algo de qualidade no rádio é a coluna de Paulo Autran, Quadrante, na Band News FM. O ator interpreta, de segunda a sexta, textos de grandes nomes da literatura em língua portuguesa. Quadrante é apresentado em diversos horários e também pode ser conferido através da internet. Abaixo dois dos últimos textos interpretados por Autran e informações pra quem quiser ouvir direto da emissora.
Yerko Herrera
Paulo Autran
Quadrante
Nacional e São Paulo (9h57)
Seg a Sex às 2h57, 9h57, 12h17, 17h17 e 22h17
Um dos mais aclamados atores do Brasil, estreou no teatro em 1955 e, desde então, protagonizou sucessos de crítica e público nos palcos, cinema e TV. Em Quadrante - vencedor do Grande Prêmio da Crítica da APCA -, interpreta textos de renomados nomes da literatura em língua portuguesa, retomando a experiência que havia feito na década de 60
Informações: BandNewsFM
26/04/2007 - Paulo Autran
De Mário Quintana, Velha História - Ouça
25/04/2007 - Paulo Autran
De Fernando Sabino, a crônica, Entrevista de televisão - Ouça
A BandNews FM pode ser ouvida em São Paulo (96,9), Rio de Janeiro (94,9), Porto Alegre (99,3), Belo Horizonte (89,5), Salvador (99,1) e Curitiba (96,3).
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quarta-feira, 25 de abril de 2007
Los Hermanos anunciam Recesso
Los Hermanos em recesso por tempo indeterminado
Eis a íntegra da nota publicada no site:
"A banda Los Hermanos comunica a decisão de entrar em recesso por tempo indeterminado. Por conta disso não há previsão de lançamento de um novo disco.A pausa atende a necessidade dos integrantes de se dedicarem a outras atividades que vieram se acumulando ao longo desses dez anos de trabalho ininterrupto em conjunto. Não houve desentendimento ou discordância que tenha afetado nossa amizade tanto que continuamos jogando truco toda quinta-feira. Por conta dessa decisão, mesmo após o término da turnê do 4, resolvemos fazer duas únicas apresentações no Rio de Janeiro, na Fundição Progresso nos dias 8 e 9 de junho. Até lá."
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Novo trabalho de Tom Zé tenta conectá-lo aos jovens
ilustração: Osvalter
Tom Zé partiu de três princípios para fazer, ou construir, seu novo CD, Danç-Êh-Sá, lançado no fim do ano. Os três princípios estão logo no início do encarte. O primeiro, uma pesquisa da MTV, de 2005, cujos dados revelam uma juventude consumista, hedonista, sem um pingo sequer de solidariedade, nem de responsabilidade social. O segundo, uma frase dita por Chico Buarque em entrevista, também em 2005: “A canção (música e letra) acabou”. Terceiro, um artigo escrito em 2004 pelo maestro Júlio Medaglia na revista Concerto sobre a potência do som hoje em dia instalado nos carros, lamentando que a criação musical não tenha acompanhado com “novos conteúdos uma revolução técnica gigantesca que levou o raciocínio sonoro a um novo século”.
Os resultados da pesquisa MTV sacudiram o sempre alerta lado político de Tom Zé. Ele sentiu que as respostas dos jovens traduziam um verdadeiro curto-circuito na comunicação entre o mundo e eles e, assim, representavam “um grito de socorro na cara dos formadores de opinião”. Então, ele próprio um formador de opinião, sentiu a necessidade de adotar uma linguagem que o aproximasse daquela grande turma de “desinteressados” e, ao mesmo tempo, lhes transmitisse alguma cultura, no caso, a informação de que fazem parte de uma “nação negra”. O CD, a propósito, tem o subtítulo Dança dos Herdeiros do Sacrifício (as primeiras sílabas dessas palavras compõem o título principal) e cada uma das sete faixas faz referência a revoltas dos negros ao longo da história do Brasil.
Aceitando sem restrição o descompasso evidenciado pelo maestro Medaglia, Tom Zé, porém, nunca acreditou na frase de Chico Buarque (e talvez nem Chico acredite, já que está hoje na praça com um CD inteiro de letras e músicas, ou seja, canções). De todo modo, assumiu a “sugestão” de Chico e partiu para o desafio de uma obra (quase) sem palavras e de som pesado. Era ponte que imaginava poder ligá-lo aos jovens.
Dizem os que acompanharam de perto o trabalho que Tom Zé penou para realizá-lo. Inúmeras vezes fez e desmanchou tudo, refez e voltou a desmanchar, o que lhe valeu noites insones ou o despertar em sobressalto e desespero. Era muita insegurança diante de uma linguagem musical nada familiar.
Ouvir o disco pronto dá mesmo idéia da dificuldade, tal é a miscelânea de sons, que, no entanto, está longe de ser caótica. Ao contrário, é uma miscelânea minuciosamente organizada. Um trabalho cerebral, da concepção à realização. E muito bonito.
No lugar de letras, murmúrios de uma ou mais vozes, gemidos, latidos e chiados, poucas palavras, em geral interjeições, onomatopéias. Só se compreende “uai-uai” na composição intitulada Uai-Uai. Na faixa Atchim, ouve-se um ritmado “a-a-a-a-atchim!” na primeira parte e “ô-ô-ô-atchim/ ô-ô-ô-atchim” cantado na segunda. “Cara-caiá, cara-caiá” e uma “conversa” entre som vocal e instrumento musical em Cara-Cuá. Fungadas que lembram sexo em Acum-Mahá. Só com a pronúncia de vogais são cantados alguns coros espalhados pelas faixas. Está aí, de acordo com Tom Zé, uma espécie de protolíngua, como a ancestral experimentação livre de vogais e consoantes que antecedeu a formação das línguas.
Os instrumentos musicais – entre outros, sanfona, cavaco, baixo, harpa, teclados, mais programação eletrônica e percussão variada – executam trechos melódicos, curtos trechos apenas, melodias fragmentárias que nem sempre se “resolvem”, isto é, percorrem um caminho que não conduz ao final que se poderia esperar, se fossem melodias convencionais, com começo, meio e fim. Por trás delas, e em plena coerência com elas, uma seqüência harmônica repleta de acordes dissonantes, bela e estranha.
O ritmo é de enorme vigor e acento genuinamente brasileiro, do samba ao forró, com alguma marcação de origem no rock. Tudo na melhor tradição da MPB: “música plural brasileira”, como dizem os músicos mais atuais. Também as vozes desempenham papel ritmador, e um exemplo bem acabado disso está na faixa 7, samba lascado em que o vocal faz as vezes do agogô: “cá-cá-cá, qué-qué-qué, qui-qui-qui, có-có-có, cu-cu-cu”. Cada composição tem uma segunda parte em que o ritmo se suaviza e dá lugar a lindas passagens repousantes.
Outra qualidade do trabalho é a utilização na dose certa dos recursos eletrônicos, o que só faz ressaltar a ação humana que lhes dá vida. Nesse aspecto, mas não só nesse, cresce a figura de Paulo Lepetit, que assina com Tom Zé a autoria de cinco das sete faixas. Lepetit é contrabaixista, compositor, arranjador e produtor musical. Acompanhou vários artistas de primeira grandeza, como Cássia Eller e Ithamar Assumpção, e desde 1994 desenvolve carreira-solo. Em suas belas composições costuma usar o baixo como instrumento solista, mostrando técnica apurada. No CD Danç-Êh-Sá, além de tocar em todas as faixas, divide com Guilherme Kastrup a programação eletrônica de instrumentos e responde, com o músico Marcelo Blanck, pela edição e mixagem, fundamentais para o resultado.
O CD transborda de ironia, virtude inerente a Tom Zé. Não emociona no sentido de comover, mas cutuca o tempo todo, mobiliza, faz dançar. E impressiona pela maestria em criar, com tantos elementos sonoros, uma densa e envolvente massa musical. Danç-Êh-Sá é tudo isso e tem mais uma coisa, também própria de Tom Zé: o humor. Danç-Êh-Sá é divertido. No encarte, aliás, os dois compositores se chamam de “ludositores”, criadores lúdicos de música.
Dança-Êh-Sá é a melhor sugestão que se poderia dar aos donos de carros com som potente, às discotecas e aos DJs.
PS - Além de Tom Zé, Lepetit, Guilherme Kastrup (percussão, bateria e programação eletrônica) e Marcelo Blanck (harpa, corneta, flautinha, “orguinho”), participam do CD os seguintes músicos: Adriano Magoo (sanfona), Daniel Maia (cavaco, violão de sete cordas), Jarbas Mariz (percussão), Cristina Carneiro (piano), Éder Rocha (percussão) e Lauro Léllis (pré-assistência de percussão). Vozes: Luanda, Sérgio Caetano, Jarbas Mariz, Adriana Andrette e Cristina Carneiro.
Ricardo Vespucci é jornalista.
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terça-feira, 24 de abril de 2007
Emocione-se com a excelente animação Casa
Casa
Bela animação de Michel Vilela, baseada em texto da escritora inglesa Virgínia Woolf (1882-1941). Woolf ficou conhecida não só por suas notáveis obras, mas também por suas crises depressivas que tragicamente a levaram ao suicídio.
Sinopse
Uma mulher presa em uma casa. Ela está sozinha e, enquanto vive, se contenta - sem escolhas - em escrever seus pensamentos nas paredes.
Trilha sonora
O Perdão - de Marco Antônio Guimarães
Texto
As Ondas - Virgínia Woolf
Animação, direção e edição - Michel Vilela
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Marcadores: Animação
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Proibido Proibir - Longa de Jorge Duran
Sonhos na cidade partida Há um cheiro de Jules e Jim em algumas cenas de Proibido Proibir, em cartaz a partir da sexta-feira 27. O triângulo amoroso, os passeios ao léu e os sonhos acalentados numa cidade sitiada pela violência compõem uma atmosfera de liberdade juvenil que remete ao clássico de François Truffaut. Mas o diretor Jorge Duran, chileno radicado no Brasil, discorda da comparação. Compreensível. Para além da amizade flechada pelo amor, Proibido Proibir debruça-se sobre algo tipicamente brasileiro: a violência, a fissura social que aparta os jovens universitários cariocas de seus pares nos morros.
por Ana Paula SousaOlhar sensível. Duran filma a juventude no Rio (Reprodução)
Roteirista de filmes como Pixote e Lucio Flávio, Duran sabe olhar a juventude. O recorte que oferece do universo habitualmente tratado pelo cinema nacional a partir da periferia (Antonia, Os 12 Trabalhos) é rico e original. Os personagens gostam de livros, cerveja e cultivam sonhos não necessariamente egoístas.
Paulo (Caio Blat) estuda Medicina, Letícia (Maria Flor) Arquitetura e Leon (Alexandre Rodrigues), o mais pobre dos três, Ciências Sociais. “Não acho que todos os jovens brasileiros vivem num profundo mal-estar ou não ligam para o que acontece no mundo. Mesmo no triângulo amoroso o que me interessava era saber o que eles fariam com aquele sentimento. E existe uma ética entre eles”, define Duran.
Do cotidiano universitário o filme abre-se para a realidade que eles encontram ao fazer trabalhos de campo. Em contato com o mundo apartado do campus, eles são obrigados a repensar os sonhos, o futuro. O filme pode não ser impecável – há escorregões na montagem, por exemplo –, mas transpira verdade. A própria beleza sobrevivente do Rio é lembrada no Palácio Capanema, na água do mar. Duran não se ilude e, até por isso, deixa o final da história em aberto. Mas também não fecha os olhos para a humanidade e a juventude que, mesmo em tempos difíceis, resiste.
Fonte: CartaCapital
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