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quinta-feira, 11 de março de 2010

Jards Macalé - Movimento dos Barcos

Recentemente foi lançado o documentário Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal, homenagem justa para este gênio da nossa música. Macalé sempre esteve tachado equivocadamente como "maldito", adjetivo que, parece, nunca lhe agradou. Neste regresso do Música&Poesia uma linda música de Jards Macalé: Movimento dos Barcos. Composição em parceria com Capinan, presente no disco Jards Macalé, de 1972.

Movimento dos Barcos - Jards Macalé


Movimento dos barcos
Jards Macalé e Capinan

Estou cansado e você também
Vou sair sem abrir a porta
E não voltar nunca mais
Desculpe a paz que eu lhe roubei
E o futuro esperado que eu não dei
É impossível levar um barco sem temporais
E suportar a vida como um momento além do cais
Que passa ao largo do nosso corpo

Não quero ficar dando adeus
As coisas passando, eu quero
É passar com elas, eu quero
E não deixar nada mais
Do que as cinzas de um cigarro
E a marca de um abraço no seu corpo

Não, não sou eu quem vai ficar no porto
Chorando, não
Lamentando o eterno movimento
Movimento dos barcos, movimento



Fonte letra: MPBnet

Trailer Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal

Conheça mais sobre Jards Macalé


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Baixe Disco Completo da banda Numismata
Ouça Música de Torquato Neto e Jards Macalé
Confira a Entrevista que Jards Macalé deu ao Gafieiras
Esses Anjos Malucos
Vapor Barato/Flor da Pele

domingo, 7 de dezembro de 2008

Clipe do Zé Cafofinho

Conceição - Zé Cafofinho e Suas Correntes

Conceição é música do disco "Um Pé na Meia, Outro de Fora", do pernambucano Zé Cafofinho. Para saber mais sobre o artista e pra baixar o disco completo, clique
aqui.

Pra saber mais:
Conheça a Música de Zé Cafofinho, Ouça Algumas Faixas e Baixe o CD Completo

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Ela quer Viver Sozinha

Essa mulher - Arnaldo Antunes

Essa Mulher é música de Arnaldo Antunes, gravada no disco Paradeiro (2001).

Essa mulher
Arnaldo Antunes


ela quer viver sozinha
sem a sua companhia
e você ainda quer
essa mulher

ela goza com o sabonete
não precisa de você
ela goza com a mão
não precisa do seu pau

ela quer viver sozinha
sem a sua companhia
e você ainda quer
essa mulher

que não sente a sua falta
e quando você chega em casa
ela não sente a sua presença

ela tem um travesseiro mais macio
do que o seu braço
e um acolchoado muito mais
quente que o seu abraço

ela quer viver sozinha
sem a sua companhia
e você ainda quer
essa mulher


Fonte Letra: saite oficial ArnaldoAntunes


Confira:
Todo dia ela faz tudo sempre igual
Poemas Visuais de Arnaldo Antunes
Ex-Titã vira Vampiro

domingo, 14 de setembro de 2008

Música Latino-Americana - Bolívia

Aqui vai uma homenagem aos nossos irmãos bolivianos que vivem um momento turbulento em seu país. Na Bolívia, um dos países mais pobres da América do Sul, mais de 70% da população é de origem indígena, porém, desde sua independência, em 1825, nunca havia tido um presidente que também fosse de origem indígena. Nos últimos dias a elite reacionária tem promovido atos para desestabilizar o governo de Evo Morales, ao que tudo indica, estes são os prenúncios de uma tentativa de golpe de Estado. Todos nós, latino-americanos, já vivemos os resultados desastrosos destes golpes, sabemos das conseqüências que acompanham este atentado a democracia. Fica aqui a torcida para que eles encontrem aquilo que dá nome a sua capital, e que o povo seja sempre soberano.

Para celebrar a vitória popular, um pouco de música. O Música&Poesia apresenta alguns videoclipes dos bolivianos do duo Negro y Blanco. A dupla é formada por Christian Alexandro Benítez Ugarteche e Mario Luís Ramírez Ballivián, ambos músicos e compositores nascidos em La Paz. Juntos desde 1999, já possuem mais de nove discos lançados. Um dos últimos, com o sugestivo nome Pirata (2005), é uma antologia que contém canções de toda a discografia do Negro y Blanco. E, segundo o saite oficial da dupla, neste álbum o "título, desenho e conteúdo do disco se baseiam no conceito de um disco de edição pirata, com apresentação simples, erros intencionais no desenho das capas e contém, ademais das 16 músicas em áudio normal, 26 canções no formato mp3 como bonus tracks", além de três inéditas. Várias das quais podem ser baixadas livremente no sítio do Negro y Blanco.

Baixe aqui as canções de Pirata, Negro y Blanco


Píntame Bolivia - Negro y Blanco

Píntame Bolivia, primeira faixa de Pirata (2005), foi escrita por Christian Benítez em 1993.

PINTAME BOLIVIA
Christian Benítez

Píntame amarillo, píntame de verde,
píntame de rojo soy Bolivia y su gente.
Cúbreme de espuma, báñame de mar
y mira como me hago el perdido Litoral.

Porque Bolivia es el trabajo y la esperanza de crecer,
son los niños, son los campos, es lo que hagas tu nacer.
Si es que crees en mi canto hazte Bolivia tu también
y ven a unir conmigo tu esperanza y tu fe.

Riégame de lluvia, siémbrame semillas,
y mira como crecen en mí los campos de Bolivia.
Búscame en la mina o en la selva virgen
y en la cumbre andina hazte parte de mi origen.

Porque Bolivia es el trabajo y la esperanza de crecer
son los niños, son los campos, es lo que hagas tu nacer,
Si es que crees en mi canto hazte Bolivia tu también
y ven a unir conmigo tu esperanza y tu fe.

Porque Bolivia es el trabajo y la esperanza de crecer
son los niños, son los campos es lo que hagas tu nacer,
Si es que crees en mi canto hazte Bolivia tu también
y ven a unir conmigo tu esperanza y tu fe.

Píntame amarillo, píntame de verde,
píntame de rojo soy Bolivia y su gente.


Madre Tierra - Negro y Blanco

A dupla Negro y Blanco é engajada nas questões sociais e ambientais. Desenvolvem várias campanhas e projetos, inclusive, apoiados pelo Unicef.

MADRE TIERRA
(Christian Benítez Ugarteche / Mario Ramírez Ballivián)

Hoy camino y miro el campo
que los abuelos tiernamente nos legaron
y donde estaba el río claro
ahora se encuentra una acuarela
de cicatrices de deshechos olvidados

¿A dónde irán
si "hacemos" como que nunca miramos?
¿Qué pasará
si no escuchamos Madre Tierra
lo que nos piden tus praderas?

Mira por allí,
siembra por allá.
Mezcla tus raíces con las mías,
hazte vida humanidad.

Y siembra el porvenir
y mira al caminar
hazte viento, bosque, primavera
y semilla por sembrar
humanidad.

Hoy las calles van sangrando
alcantarillas mal heridas por mis manos.
Y la ciudad agonizando
pide a sus hijos una tregua
pues en descuido el desamor la está matando.

¿A dónde irán
nuestras familias cuando el aire este manchado?
¿Qué pasará
si no escuchamos Madre Tierra
lo que nos piden tus aceras?

Mira por allí,
cuida por allá
mezcla tus rincones con los míos,
hazte vida-humanidad.

Y cuida el porvenir
y mira al caminar
hazte parque, esquina, callejuela
y futuro por cuidar
humanidad.


Comparte - Negro y Blanco

Videoclipe da canção Comparte do dúo Negro y Blanco, traz como protagonistas dezenas de bonecos.

sábado, 6 de setembro de 2008

Vídeos com Waldick Soriano

Fazem parte da coletânea no reprodutor abaixo os seguintes vídeos:

1. Paixão de um Homem, Waldick interpreta a canção num de seus shows
2. Você Mudou Demais, com Waldick Soriano e Cláudia Barroso
3. Waldick Soriano no programa Buzina do Chacrinha (Rede Globo), em 1972
4. Perfume de Gardênia, com Waldick Soriano
5. Eu vou ter Sempre Você
6. O Dia em que Waldick Soriano foi à Sucupira, trecho da série O Bem-Amado com participação do cantor
7. Show de Waldick Soriano no Sucupirão, do seriado O Bem-Amado

Waldick Soriano - Diversos Vídeos


Waldick Soriano em entrevista com Marília Gabriela

Polêmica entrevista concedida por Waldick Soriano ao extinto programa TV Mulher.



Confira também:
Morre Waldick Soriano
Waldick Soriano, legítimo representante da Música Popular Brasileira
Bandas de rock prestam tributo ao brega

sábado, 16 de agosto de 2008

Homenagem a Dorival Caymmi

O que é que a bahiana tem - Dorival Caymmi

Trecho do documentário Um Certo Dorival Caymmi.

Nunca Mais - Dorival Caymmi

Dorival Caymmi canta "Nunca Mais" de sua autoria, em fragmento extraído do filme Estrela de Manhã produzido em 1950, com argumento de Jorge Amado, roteiro de Rui Santos e direção de Jonald Santos. As músicas eram do maestro Radamés Gnattali e de Dorival Caymmi. (Fonte:
BossaFilmes)

Caetano Veloso entrevista Dorival Caymmi

Trecho do filme Bahia de Todos os Sambas, de Paulo Cesar Saraceni e Leon Hirszman. Gravado em Roma (1983) e lançado em 1996. (Fonte:
Tavares38)

Só Louco - Dorival Caymmi e Gal Costa

Apresentação de Dorival Caymmi e Gal Costa, em 1981.

O Mar - Dorival Caymmi

Contém trecho de filme de 1940, com participação de Dorival Caymmi. Caymmi confessa no vídeo que seu desejo é que ele fosse lembrado pela canção "O Mar".

Dorival Caymmi e Silvio Caldas

Fragmento do programa Fantástico, de 1974, com Dorival Caymmi e Silvio Caldas interpretando algumas canções.

Dorival Caymmi - Saudade da Bahia (clique para assistir)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Filme registra desejo de Waly Salomão realizado

Um dos desejos de Waly Salomão era ver Luiz Melodia interpretando Mal Secreto, música de Salomão e Jards Macalé. Apesar de Waly Salomão gostar muito de ter Gal Costa cantando a canção, não estava satisfeito, pois era Melodia quem ele queria ouvir cantando os versos que escreveu. A diretora Karla Sabah registrou a realização do desejo do poeta. Confira Melodia interpretando Mal Secreto.

Mal Secreto - Luiz Melodia


Sinopse

Desejo de Waly Salomão realizado por Luiz Melodia. Música de Waly Salomão e Jards Macalé. Com depoimento do próprio Salomão.

Gênero Documentário
Diretor Karla Sabah
Elenco Waly Salomão, Luiz Melodia, Renato Piau, Perinho Santana, Karla Sabah (voz off)
Duração 8'48''
Cor Colorido
País Brasil



Mal secreto
Jards Macalé e Waly Salomão


Não choro
Meu segredo é que sou um rapaz esforçado
Fico parado, calado, quieto
Não corro, não choro, não converso
Massacro meu medo, mascaro minha dor
Já sei sofrer
Não preciso de gente que me oriente

Se você me pergunta: "Como vai?"
Respondo sempre igual: "Tudo legal!"
Mas quando você vai embora
Morro meu rosto no espelho
Minha alma chora

Vejo o Rio de Janeiro
O morro não salvo, não mudo
Meu sujo olho vermelho
Não fico parado, não fico calado, não fico quieto
Eu choro, converso
E tudo o mais jogo num verso
Intitulado mal secreto

domingo, 27 de julho de 2008

Aonde está Você

Me Chama - Lobão

Um dos grandes sucessos de Lobão, e uma das músicas mais executadas nos anos 1980, Me Chama pertence ao disco Ronaldo Foi Pra Guerra, lançado em 1984. Nessa época Lobão tocava na banda "Lobão e os Ronaldos".


Me Chama
Lobão

Chove lá fora
E aqui...
Tá tanto frio
Me dá vontade de saber
Aonde está você
Me telefona
Me chama
Me chama
Me chama
Nem sempre se vê
Lágrima no escuro
Lágrima no escuro
Lágrima...
Tá tudo cinza sem você
Tá tão vazio
E a noite fica sem porquê
Aonde está você
Me telefona
Me chama
Me chama
Me chama
Nem sempre se vê
Mágica no absurdo
Mágica no absurdo
Mágica...
Nem sempre se vê
Lágrima no escuro
Lágrima no escuro
Lágrima...

terça-feira, 15 de julho de 2008

De Vigário Geral

Capa de Revista - AfroReggae

Videoclipe da música "Capa de Revista", música do primeiro cd da banda AfroReggae, "Nova Cara".


O que é o Afroreggae?

O Grupo Cultural AfroReggae (GCAR) surgiu em janeiro de 1993, inicialmente em torno do jornal Afro Reggae Notícias - um veículo de informação que visava à valorização e a divulgação da cultura negra, voltado sobretudo para jovens ligados em ritmos como reggae, soul, hip-hop, etc.

Como nossos planos eram de poder ter um tipo de intervenção mais direta junto a população afro-brasileira, inauguramos em 1993 na favela de Vigário Geral o nosso primeiro Núcleo Comunitário de Cultura, iniciando assim o desenvolvimento dos nossos projetos sociais. Em pouco tempo, esse núcleo se consolidou a partir das primeiras oficinas - que foram dança, percussão, reciclagem de lixo, futebol e capoeira - e preparou o terreno para novas empreitadas.

Nessa época já se tinha bem claro o objetivo a ser alcançado, e que pode ser definido pela missão institucional que tem nos pautado até hoje: oferecer uma formação cultural e artística para jovens moradores de favelas de modo que eles tivessem meios de construir suas cidadanias e com isto pudessem escapar do caminho do narcotráfico e do subemprego, transformando-se também em multiplicadores para outros jovens.

Com o passar do tempo os projetos foram se aperfeiçoando, a instituição foi crescendo e os resultados começaram a aparecer. Em 1997, o GCAR inaugurou o Centro Cultural AfroReggae Vigário Legal, um marco na nossa história. Com um espaço físico bem estruturado dentro da comunidade, o trabalho pôde se desenvolver com maior qualidade e planejamento, e com isto foi possível tornar esta iniciativa uma referência de prática sociocultural na cidade do Rio de Janeiro.

Desde o início somos uma organização em permanente crescimento e amadurecimento. Por isto não nos prendemos nem a uma única via de projetos,nem apenas à comunidade de Vigário Geral. Atualmente, o GCAR desenvolve diversos programas e projetos em 4 diferentes comunidades.

Apesar de toda a diversidade de atividades, a música tem sido em Vigário Geral o melhor instrumento para atrair os jovens a participar do GCAR. O sucesso obtido com a Banda AfroReggae, tanto artístico quanto como modelo de projeto social, fez com que outros jovens quisessem percorrer o mesmo caminho e, hoje, temos em Vigário mais 3 grupos musicais, que estão em fase de amadurecimento, mas que já fazem apresentações públicas: Banda Makala Música e Dança, Afro Lata e Afro Samba. Além disso, em Vigário Geral existe os seguintes SubGrupos: Afro Mangue, Tribo Negra, Akoni e Kitôto.

Fonte:
AfroReggae

Conheça mais sobre o Afroreggae em seu saite oficial aqui.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Se você for eu vou correr

Do Sétimo Andar - Los Hermanos

A música Do Sétimo Andar, composição de Rodrigo Amarante, faz parte do disco Ventura (2003), terceiro do Los Hermanos. O vídeo acima pertence ao DVD Ao Vivo no Cine Íris (2005), que é uma gravação do show realizado no Cine-Theatro Íris, Rio de Janeiro, em Julho de 2004.


DO SÉTIMO ANDAR

Rodrigo Amarante

Fiz aquele anúncio e ninguém viu. Pus em quase todo lugar
a foto mais bonita que eu fiz,
você olhando pra mim.

Alto aqui do sétimo andar longe eu via você
e a luz desperdiçada de manhã no copo de café.

Deus sabe, o que eu quis foi te proteger
do perigo maior que é você.
E eu sei que parece o que não se diz...
o seu caso é o tempo passar.

Quem fala é o doutor.
Parece que foi ontem eu fiz aquele chá de habu
pra te curar da tosse e do chulé, pra te botar de pé.

E foi difícil ter que te levar àquele lugar...
Como é que hoje se diz? ...você não quis ficar.

Os poucos que viram você aqui
disseram que mal você não faz.
E se eu numa esquina qualquer te vir
será que você vai fugir?

Se você for eu vou correr!
Se for eu vou...!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Samba do Grande Amor

Samba do Grande Amor - Djavan e Chico Buarque


Samba do grande amor
Chico Buarque/1983
Para o filme Para viver um grande amor, de Miguel Faria Jr.

Tinha cá pra mim
Que agora sim
Eu vivia enfim o grande amor
Mentira
Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim um amador
Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão pro grande amor
Mentira
Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração de fiador

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel o grande amor
Mentira
Reservei hotel
Sarapatel
E lua-de-mel em Salvador
Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé no grande amor
Mentira
Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé o Redentor

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Coração Vagabundo

Musa de ontem, musa de hoje. Na boca, Caetano Veloso. Gal Costa e Ana Cañas interpretam Coração Vagabundo.

Coração Vagabundo - Gal Costa


Coração Vagabundo - Ana Cañas


Coração vagabundo
Caetano Veloso

Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer

Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher
Que passou por meu sonho sem dizer adeus
E fez dos olhos meus um chorar mais sem fim

Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo em mim

terça-feira, 3 de junho de 2008

Yo no Buscaba a Nadie y Te Vi

Un Vestido y un Amor - Fito Paez



Un Vestido y un Amor - Caetano Veloso

Caetano Veloso interpreta Un Vestido y un Amor, popularmente conhecida como Te Vi, canção do argentino Fito Paez, no disco Fina Estampa. A música aparece pela primeira vez no álbum El amor después del amor, de Fito Paez. Posteriormente também foi gravada pelo argentino nos discos Euforia, Mi vida con ellas - Volumen 1 e no Moda y pueblo.

Un Vestido y un Amor (Te Vi)
Fito Paez


Te vi
juntabas margaritas del mantel
ya sé que te traté bastante mal
no sé si eras un ángel o un rubí
o simplemente te vi

Te vi
saliste entre la gente a saludar
los astros se rieron otra vez
la llave de Mandala se quebró
o simplemente te ví.

Todo lo que diga está de más
las luces siempre encienden en el alma
y cuando me pierdo en la ciudad
vos ya sabés comprender,
es sólo un rato, no más
tendría que llorar
o salir a matar
te vi, te vi, te vi
yo no buscaba a nadie y te vi.

Te vi
fumabas unos chinos en Madrid
hay cosas que te ayudan a vivir
no hacías otra cosa que escribir
y yo simplemente te vi

Me fui
me voy de vez en cuando a algún lugar
ya sé no te hace gracia este país
tenías un vestido y un amor
y yo simplemente te ví.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Novo dia, sigo pensando em você

O Bonde do Dom - Marisa Monte

O Bonde do Dom, canção de Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, pertence ao álbum Universo ao meu Redor.

O Bonde do Dom (versão 2) - Marisa Monte

Dirigido por Katia Lund, esta é a segunda versão do videoclipe de O Bonde do Dom, de Marisa Monte.


O BONDE DO DOM
(Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Marisa Monte)

Novo dia, sigo pensando em você
Fico tão leve que não levo padecer
Trabalho em samba e não posso reclamar
Vivo cantando só para te tocar

Todo dia, vivo pensando em casar
Juntar as rimas como um pobre popular
Subi na vida com você em meu altar
Sigo tocando só para te cantar

É o Bonde do Dom que me leva
Os anjos que me carregam
Os automóveis que me cercam
Os santos que me projetam

Nas asas do bem desse mundo
Carrego um quintal lá no fundo
A água do mar me bebe
A sede de ti prossegue

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Pra nós todo Amor do Mundo

Morena - Los Hermanos

Clipe da sexta música do quarto disco do Los Hermanos.

morena
(marcelo camelo)

é, morena, tá tudo bem
sereno é quem tem a paz de estar em paz com deus
pode rir agora que o fio da maldade se enrola

pra nós todo amor do mundo
pra eles o outro lado
eu digo malmequer
ninguém escapa ao peso de viver assim: ser assim

eu não, prefiro assim com você, juntinho
sem caber de imaginar
até o fim raiar

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Vídeo de Porém, poema de Sérgio Vaz

Há alguns dias atrás foi postado aqui algumas poesias de Sérgio Vaz, e esta postagem teve uma repercussão bem positiva. Confessando desconhecer o poeta, a maioria dos que comentaram afirmam ter gostado muito do que leram. Nessa ânsia de conhecer mais sobre este artista que emana do povo, aqui vai um vídeo produzido para divulgar os versos de Porém, poema de Sérgio Vaz.

Porém - Sérgio Vaz

Belíssimo poemaclipe de Porém, emotiva poesia de Sérgio Vaz.


Porém
Sérgio Vaz


Queria ter vivido melhor,
Porém a mediocridade sempre me foi farta e generosa
Nos caminhos que escolhi para viver.

Queria ter sido mais alegre,
Porém a tristeza sempre foi companheira fiel
Nos dias intermináveis de abandono.

Queria ter amado mais as pessoas que conheci
Ou que fingi conhecer,
Porém na maioria das vezes, eu também não me conhecia.

Queria ter andado mais livre,
Porém, algemado à ignorância, perdi muito tempo
Tentando voar sem sequer saber andar.

Queria ter lido mais livros,
Porém, analfabeto de ousadia, passei muitos anos
Enxergando pelos olhos adormecido de outras pessoas.

Também queria ter escritos mais poemas
Do que bilhetes pedindo desculpas,
Porém, as palavras sempre me vieram como culpa
E não como estrelas.

Queria ter roubado mais beijos e abraços
Das meninas que andavam desprotegidas,
Protegidas pela magia da infância,
Porém, cresci muito cedo, e a timidez sempre me foi
Uma lei muito severa a ser cumprida.

Queria ter pensado menos no futuro,
Porém, o passado simples nunca foi o melhor presente
E a eternidade sempre me pareceu coisa de gente que tem preguiça de viver.

Queria ter sido um homem mais humilde
Porém, a vaidade e a ganância sempre me cercaram
De mimos e coisas que até hoje não sei para que serviram.

Queria ter pregado mais a paz,
Porém, como um covarde, gastei muita munição tentando atingir amigos e
desconhecidos que não usavam coletes à prova de balas nem blindados no
coração.

Queria ter sido mais forte,
Porém rir dos vencidos e bajular os mais ricos
Sempre me pareceu o caminho mais curto
Para o esconderijo secreto das minhas fraquezas.

Queria ter dito mais a verdade,
Porém a mentira sempre foi moeda de troca
Para comprar o respeito e a admiração das pessoas fúteis
De almas vazias.

Queria que o mundo fosse mais justo
Porém, avarento de nascença, fui o primeiro a esconder o sol na palma da
mão, antes que o vizinho o fizesse.

E mesquinho por vocação escondi as noites com lua
Para que os poetas não a cortejassem.

Queria ter dito mais besteiras,
Porém fui desses idiotas amantes das proparoxítonas
E sujeito oculto nos bate-papos de botecos de esquinas,
Onde a vida não acontece por decreto.

Queria ter colhido mais flores,
Porém o medo de espinhos afugentou a primavera.

E outono que sempre fui,
plantei inverno quando a terra pedia verão.

Hoje queria ter acordado mais cedo,
Porém temo que pra mim
Seja tarde demais.



* O poeta Sérgio Vaz fundou a Cooperifa em 2000, com o objetivo de envolver artistas da periferia em atividades como exposições de fotografia e performances teatrais em lugares que, segundo ele, são os verdadeiros centros culturais da periferia, como praças, bares e galpões. Ao final de 2002, começaram os saraus da Cooperifa, numa fábrica abandonada em Taboão da Serra, município de São Paulo; hoje, acontecem no bar de José Cláudio Rosa, o Zé Batidão, em Piraporinha. (Fonte: PortalLiteral)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Cinqüenta anos de Cazuza

No dia de hoje o garoto exagerado, roqueiro-emepebista, poeta de vida louca, vida breve, estaria completando 50 anos de idade. Em quatro de abril de 1958 nascia um dos nomes mais influentes do rock nacional e igualmente da música popular brasileira: Agenor de Miranda Araújo Neto, também conhecido como Cazuza. Devido a data comemorativa de seu aniversário, o Música&Poesia presta uma singela homenagem a Cazuza.


Codinome Beija-Flor - Cazuza

Cazuza interpreta Codinome Beija-Flor, em 1986, no programa Um Toque de Classe da extinta Rede Manchete, apresentado por Cesar Camargo Mariano.


Faz parte do meu Show - Cazuza

A curiosidade deste videoclipe é que ele teve direção de Boninho, o todo poderoso do Big Brother Brasil.


Exagerado - Cazuza

Cazuza no programa Um Toque de Classe, de Cesar Camargo Mariano, na extinta TV Manchete, em 1986.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Marcelo Camelo lança outra música no MySpace

O vocalista do Los Hermanos, Marcelo Camelo, acaba de lançar em sua página oficial no MySpace outra nova canção, sugestivamente intitulada Doce Solidão. Esta é a segunda música lançada por Camelo na internet após o anúncio de recesso por tempo indeterminado da banda Los Hermanos. Anteriormente Marcelo Camelo já disponibilizara no MySpace Téo e a Gaivota, um reflexivo tema instrumental. Pelo que parece estas duas músicas são realmente o prenúncio do primeiro disco solo de Camelo após a pausa dos Hermanos.

Ouça a ambas canções em http://www.myspace.com/marcelocamelo

Veja vídeo amador com Marcelo Camelo interpretando Doce Solidão acompanhado de um improvisado coral de crianças.

Doce Solidão - Marcelo Camelo

Registrado no Centro Social do Bairro 6 de Maio, Damaia, Lisboa, Portugal. Com Cátia, Jamila, Deisy, Jordão, Rafael, Nair, Nadine, Jenilson, Nelita e Rui. Professora Neuza e Pedro Trigueiro.

Para assistir Téo e a Gaivota clique aqui

segunda-feira, 3 de março de 2008

KL Jay solta o Verbo

FITA MIXADA “ROTAÇÃO 33”

Em entrevista sobre lançamento do novo trabalho e de outros projetos, KL Jay, DJ dos Racionais MC's, expressa sua opinião: “nenhuma geração foi tão empreendedora quanto a geração do hip hop”

por Liliane Braga para a CarosAmigos

A primeira vez em que estive em contato com KL Jay foi no show em homenagem ao rapper Sabotage após três meses de seu falecimento, em março de 2003. Algum tempo depois, nos sentamos em um restaurante para a nossa primeira entrevista. O que me impulsionou a falar com ele ao fim daquele show foi um depoimento seu: “DJs têm que ouvir música brasileira, não apenas rap”.

Eu ainda não havia ido a Cuba, lugar que visitei algumas vezes daquele ano para cá, e com o qual foi estabelecida uma proposta de intercâmbio. Por duas vezes, KL Jay esteve envolvido no projeto que tinha por intenção ajudar raperos e raperas da ilha caribenha a desenvolverem elementos do hip hop ainda tímidos por lá – caso do DJ.

Contatos realizados nesse período aguçaram o desejo de realização desta matéria. A filipeta de divulgação anunciando o lançamento da mix mape de KL Jay me foi trazida por uma amiga. O folheto-miniatura ficou pregado à geladeira por meses... Fita mixada “Rotação 33”. Participantes: Gaspar (Z´África Brasil), Max B.O., Parteum, Kamau, a dupla Andrômeda (MCs Phantone e Indião), Aori, Lívia Cruz e De Leve (os últimos três, do Rio de Janeiro).

Em uma das festas em que discotecava, anunciei a ele a minha intenção. Alguns dias depois, uma cópia do CD da mix tape chegava até mim. O DVD, já tinha visto na Mostra de Cinema Hip Hop de São Paulo, organizada pelo Sesc, em agosto de 2007.

“Mix tape” é uma seleção musical em que o DJ escolhe partes das músicas que quer usar e em que momento quer interrompê-las para que sejam mixadas com outra música. Para que essa ação fique harmônica, o/a DJ utiliza-se das diversas técnicas desse elemento do hip hop, como os scratches e o back-to-back (movimento em que o vinil parece ser arranhado e que possui diferentes modalidades e momentos em que o DJ volta uma ou mais vezes a um trecho já tocado da música utilizando-se de dois discos iguais).

“Hoje eu faria mais dinâmico, mais rápido. Com mais cortes, mais idéias, com mais dificuldade, na hora das trocas de discos, da passagem de som”, ele se auto-avalia, durante a conversa que realizamos no dia 21 de dezembro, uma sexta-feira, na Galeria 24 de Maio (centro de São Paulo). Para quem ouve a gravação, há que fazer um esforço para ficar parado. Para quem assiste à performance, difícil é despregar os olhos da troca de vinis nos toca-discos, da precisão da agulha tocando o pedaço escolhido da faixa, dos feltros de proteção dos discos que se grudam às bolachas na hora errada... Nos momentos de mais fôlego entre uma troca e outra de vinil, é possível curtir a empolgação do DJ, soltando o corpo para acompanhar a batida, cantando junto a letra que sai das caixas de som.

Algumas das batidas selecionadas e mixadas por KL Jay foram completadas por versos de nove MCs diferentes (as já citadas “participações”). Na performance ao vivo, as performances dos MCs têm que acontecer de forma cronometrada, sincronizada com a atuação do DJ. Acompanhando o CD, a imagem que me vem é a de um compositor que faz a harmonia utilizando-se de dois toca-discos e um mixer e convida letristas-cantores para parcerias quanto à parte melódica. Nos trechos de “trabalho solo”, KL Jay imprimiu a marca de seus “desenhos” musicais a raps cheios de balanço de nomes como Xis, MV Bill, RZO, Sabotage, SP Funk, SNJ, Rota de Colisão, GOG, Slimrimografia, 509-E... A opção foi usar apenas rap nacional em um trabalho que, nas palavras do próprio, envolveu muita pesquisa. Tanto para a escolha das músicas como dos trechos usados – por exemplo, um trecho instrumental que sobra de uma música pra outra.

Foram cerca de 17 anos de estrada como DJ para que Kleber Geraldo Lellis Simões, 38 anos, encarasse o desafio de fazer uma mix tape (diferente das fitas artesanais gravadas no período em que dava som na boate Soweto). Antes dela, ele lançou um único trabalho solo, o CD duplo “KL Jay na batida – volume III”, em 2004.

Em suas palavras, foi quando começou a treinar para a gravação que se deu conta de que era capaz de fazê-la. As três apresentações ao vivo da fita mixada demonstram a empolgação do público em acompanhar detalhes na apresentação do DJ, ovacionado nos momentos de mais dificuldade ou de improvisos (há clipes da mix tape no site Youtube). Foram uma apresentação no Rio, duas em São Paulo. A última delas dois dias depois dessa entrevista, durante a final do Hip Hop DJ 2007, campeonato organizado há 11 anos por KL Jay e Xis. Na última edição do evento, Erick Jay e RM, ambos do Clã Leste, conquistaram o primeiro e o segundo lugares respectivamente, pelo segundo ano consecutivo. Foi com eles que conversei para saber um pouco mais do papel da competição na cena hip hop brasileira.

Desempregado, começou a treinar
Nas finais do Hip Hop DJ, é perceptível a presença de familiares dos competidores. Nos diferentes espaços onde já foram realizadas etapas da competição, a proibição de venda de bebida alcoólica é uma prerrogativa. Naquele dia, depois de competir com outros dez finalistas, Erick Jay levou para casa um par de pick-ups (toca-discos) avaliados em cerca de R$ 2000,00. Antes da vitória atual, o rapaz de 27 anos treinava na casa do “professor” Zulu, da Nação Zulu e fundador do Clã Leste. Às vezes, iam para a casa do outro parceiro, RM. Montavam as performances e mostravam uns aos outros. Por muitos meses, Zulu abriu o portão de sua casa ao aluno às 7h da manhã, que só ia embora 12 horas depois. Boa parte dos discos usados para o treino eram emprestados. E é preciso muito treino... A arte dos scratches – que podem chegar a 100 tipos diferentes, segundo o DJ filipino-estadunidense Qbert – nunca se esgota.

Atualmente com um salário de menos de R$ 500 mensais, Erick demoraria muito para poder adquirir toca-discos iguais aos do 1º lugar da premiação - a sobra do salário também precisa ser guardada para a compra das agulhas extras, usadas para treinar e discotecar em festas, e que custam R$ 90 cada.

Duas semanas após o fim do campeonato, Erick me recebeu em sua casa, acompanhado de Zulu e RM, os companheiros do que é o primeiro time de DJs do Brasil, cuja proposta é treinar conjuntamente para aperfeiçoar as performances individuais, além de atuar em apresentações coletivas no palco. Pergunto a ele o que significa o Hip Hop DJ em sua vida: “por causa do Hip Hop DJ, eu quis me tornar DJ. Ia ao campeonato e dizia a mim mesmo: quero treinar para ser DJ e um dia chegar à final desse campeonato”. Entre a meta auto-proposta e o fato, passaram-se cerca de seis anos. Erick estava desempregado quando começou a treinar. Mesmo com 2º grau completo e vários cursos complementares (informática, matemática financeira, sonoplastia...), ele ficou cerca de cinco anos sem conseguir emprego. De 2003 a 2005, acordava às 4h da manhã para entregar folhetos promocionais do comércio da região onde mora, no Sapopemba. Aos fins-de-semana, pegava latinhas vazias para vender. Pergunto a Erick se acha que o mercado de trabalho é mais difícil para ele pelo fato de ser negro. “Com certeza! Depois que eu fiquei todo esse tempo desempregado e, das pessoas que conhecia, só eu que não arrumava emprego!”. Atualmente ele trabalha numa copiadora, operando máquina de xerox.



"Música é coisa séria. Tira o cara da depressão, muda o seu ânimo"

Para participar do Hip Hop DJ, cada candidato(a) deve enviar uma performance gravada com duração de três minutos. Os que são classificados para as semifinais e para a final precisam montar novas performances e treiná-las para as etapas seguintes da premiação. Em 2002, quando Erick se inscreveu pela primeira vez para o campeonato, a notícia de que havia passado na pré-seleção quase o fez chorar. A sensação era a de que havia passado na faculdade. Quatro anos depois, ele chegaria ao primeiro lugar da competição. “O Hip Hop DJ, é que me fez mudar a visão do DJ e musicalmente. Cê aprende a ouvir mais coisas, igual o KL Jay fala, meu. Ele fala ‘cê tem que ouvir música, vê como o cara canta, vê como o instrumento é tocado. Até pela performance. Pra você achar uma coisa lá no meio (de uma música), você tem que ouvir a música toda’”. Hoje, ele avalia que música é coisa séria. “Tira o cara da depressão, muda o seu ânimo”.

A mentalidade branca morre de medo
Além de organizar o mais importante campeonato da sua categoria, o DJ KL Jay tem se firmado como produtor de diferentes grupos e artistas de rap. As produções lançadas pelo selo pessoal do artista, o Equilíbrio, têm revelado nomes como Relatos da Invasão e Ca-Ge-Be, grupos de rap da Zona Norte de São Paulo, a mesma região do DJ.

Como fonte de inspiração para tantos empreendimentos – que incluem ainda a 4P, selo, loja de roupas e salão de cabeleireiros dele e de Xis, e por onde está sendo lançada a mix tape –, KL Jaycontou com os exemplos de artistas afro-estadunidenses, como o cantor Curtis Mayfield, que entre as décadas de 60 e 70 abriu seus selos próprios, entre eles,“Windy C”, e o rapper Jay-Z, dono da Roc-A-Fella – gravadora, produtora de filmes e marca de roupa. No Brasil, o exemplo seguido foi o do rapper brasiliense GOG, dono da gravadora “Só Balanço”, criada em 1993.

Quem está envolvido com hip hop tem um lado empreendedor mais presente do que normalmente se vê em outras expressões e estilos artísticos. Mesmo em Cuba, há um movimento por parte da juventude em ser autora de seus próprios eventos, em coordenar suas próprias atividades, e o governo demonstra tentar colaborar com os eventos. KL Jay revela sua opinião. “Eu acredito que nenhuma outra geração fez tanto isso quanto a geração do hip hop. O (Steven) Spielberg é diretor de cinema e tem restaurante, né? O Robert de Niro também tem o restaurante dele, e ele é ator. Mas isso nunca aconteceu tanto como com a geração do hip hop. Eu acho que isso tem a ver com uma emancipação negra também, né? Sermos donos das nossas coisas, gerar emprego, fazer o dinheiro girar...”.

KL Jay não busca apoio para nenhuma de suas iniciativas, por questão de princípios. O importante, para ele, é ter liberdade para criar, é não estar vinculado a exigências alheias às suas próprias. “Passo dívida? Passo. Tô devendo? Tô. Mas o dinheiro vem de outras maneiras, meu. Vai ficar pedindo pros outros fazer? Aí fica de rabo preso, por tudo que você vai ter que cumprir, exigência de quem tá te ajudando”. A importância que ele dá a empreendimentos encampados por negros e negras na sociedade brasileira me leva a questioná-lo se achava que os Estados Unidos possuíam mais exemplos nesse campo do que o Brasil. Ele contesta. “A gente tem! Na Bahia, tem uma comunidade de mulheres que juntam dinheiro e compram a liberdade do outro escravo...”, referindo-se à Irmandade da Nossa Senhora da Boa Morte, da cidade de Cachoeira, atuante desde o século 19. “A Irmandade dos Homens Pretos tem vários terrenos aqui no centro (de São Paulo), mas não é divulgado”. Por quê? “E o medo? E o medo que o sistema tem? Cê acha que os caras não têm medo de nóis? Eu vejo os olhares, os olhares aqui na galeria... ‘Pô, mano, o cara além de ser DJ, além de fazer sucesso, o cara é dono e a loja do cara ainda tem um monte de gente que compra?’. O sistema, a mentalidade branca, morre de medo de nóis, meu’ ”.

Duvido que vai ser publicado!
“Eu acho que a grande revolução no Brasil vai acontecer quando a educação for democrática. Para todos. Uma educação de alto nível para todos! Educação grátis. A criança que mora no Morumbi, de 10 anos, estudar a mesma coisa que a criança que mora na favela do Buraco Quente, na Zona Sul. Aí a concorrência vai ser justa. A disputa pelos empregos, pelo mercado de trabalho, vai ser justa, honesta! Aí os valores vão começar a mudar. Inclusive os valores raciais. Mas os anglo-saxões não querem isso, os judeus não querem isso, os espanhóis, os portuguêis, os italianos, que são os donos da terra, não querem isso. Porque eles vão perder! Pode pôr! Duuuvido que vai ser publicado!”.

Pai de cinco filhos, neste ano de 2008 KL Jay optou por transferir Lincoln, Jamila, Hanifah e Kaofani para escolas particulares. William, o mais velho, não está mais na escola e dedica-se à carreira de DJ. “Tenho condições que meus filhos estudem em escolas privadas, porque o ensino é melhor. Que eles vá pra escola privada! Porque amanhã eles podem mudar essa porra! Eles podem fazer o sistema virar gratuito! Eu não quero o melhor para os meus filhos, eu quero o melhor para a nação. Porque eles podem mudar a nação, entendeu?”.

Rap é música de preto? Apesar de achar que a música não tem fronteiras e o talento é algo inquestionável, “(rap) é um bagulho que os preto faiz com uma força do caralho”. Por essa razão, quem está na linha de frente, é preto: Jay-Z, Tupac Shakur, Notorius BIG, Doctor Dre, NAS... “Por que a maioria dos pilotos de fórmula 1 são brancos? Porque o meio deles é esse, eles são ricos, gostam de carros, fazem os carros muito bem, sabem dirigir muito bem, é natural do meio”.

Mas rap é música. O rap “não tem que construir escola, hospital...”, diz ele. O papel do rap é contribuir para a boa música do planeta.

É possível ouvir uma mostra do trabalho dos grupos citados nos links www.myspace.com/relatosdainvasao e www.myspace.com/cagebe

Liliane Braga é jornalista, autora da dissertação de mestrado “De Oyó-Ilé a ‘Ilé-Yo’: Xangô e o patrimônio civilizatório nagô na identidade de um rapper afrodescendente” (Psicologia Social - PUC-SP) e diretora do curta-metragem “Zona Caliente – Santiago de Cuba Hip Hop”. bragaliliane@hotmail.com


Fonte: CarosAmigos


Rotação 33 Fita Mixada - Dj Kl Jay - Intro.

Introdução da "Rotação 33 - Fita Mixada", performance do Dj KL Jay, dos Racionais MC´s, ao vivo em estúdio, composta de faixas de rap nacional, muitas produzidas por ele mesmo, extraídas de discos de vinil.

Clipe Rotação 33 Fita Mixada - Dj Kl Jay

Videoclipe da "Rotação 33 - Fita Mixada", com KL Jay. Conta ainda com a participação de um time de MC´s da nova escola como: Gaspar, Max B.O., Parteum, Kamau, Aori, Lívia e Andrômeda.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Música&Poesia Latino-Americana: El Necio - Silvio Rodríguez

Vídeo do cubano Silvio Rodríguez interpretando El Necio, belíssima canção de sua autoria.

El Necio - Silvio Rodríguez


Baixe aqui vídeo de Silvio Rodríguez cantando El Necio ao vivo (arquivo .rm)

El necio
Silvio Rodríguez

Para no hacer de mi ícono pedazos,
para salvarme entre únicos e impares,
para cederme un lugar en su Parnaso,
para darme un rinconcito en sus altares.
me vienen a convidar a arrepentirme,
me vienen a convidar a que no pierda,
mi vienen a convidar a indefinirme,
me vienen a convidar a tanta mierda.

Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.

Yo quiero seguir jugando a lo perdido,
yo quiero ser a la zurda más que diestro,
yo quiero hacer un congreso del unido,
yo quiero rezar a fondo un hijonuestro.
Dirán que pasó de moda la locura,
dirán que la gente es mala y no merece,
más yo seguiré soñando travesuras
(acaso multiplicar panes y peces).

Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.

Dicen que me arrastrarán por sobre rocas
cuando la Revolución se venga abajo,
que machacarán mis manos y mi boca,
que me arrancarán los ojos y el badajo.
Será que la necedad parió conmigo,
la necedad de lo que hoy resulta necio:
la necedad de asumir al enemigo,
la necedad de vivir sin tener precio.

Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.


Silvio Rodríguez

Silvio Rodríguez Domínguez (San Antonio de Los Baños, Cuba, 29 de Novembro de 1946) é um músico, poeta e cantautor cubano.

Expoente da música cubana surgida com a Revolução Cubana, Silvio é um dos cantores cubanos contemporâneos de maior relevo internacional, criador juntamente com Pablo Milanés, Noel Nicola e outros músicos do movimento da Nova Trova Cubana. Considerado um poeta lúcido e inteligente, capaz de sintetizar o intimismo e os temas universais com a mobilização e a consciência social.

Fonte:
Wikipédia - a enciclopédia livre.