segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Nova Crônica do Poeta Sérgio Vaz

ODE AO ÓDIO
Sérgio Vaz

Vou criar o ÓDIOMÊTRO para medir ódio das pessoas.

É impressionante como ultimamente tudo que você diz ou faz, desperta o ódio de alguém neste país.
Você diz que não compartilha das mesmas opiniões de alguém, esse alguém automaticamente passa a ser seu inimigo ou inimiga na mesma hora.

As Pessoas não querem mais discutir, querem cuspir uma nas outras.
E Esse ódio é democrático, afeta brancos e negros, feios e bonitos, bonzinhos e malvados, gordos e magros, homens e mulheres, e por consequência, seus filhos. Ou seja, as crianças.
E o ódio não é igual ao amor que muitas vezes, infelizmente, a gente perde tempo em dizer que ama alguém.


Quem disse EU TE AMO para o pai, a mãe, a mulher, o homem, ao amigo, aos filhos, aos avós esta semana? Este mês ou este ano? Pois é, pra dizer que a gente gosta de alguém não é muito fácil, mas diz que não concorda com alguém, ou alguma ideia... A pessoa diz que te odeia na mesma hora, te desconjura, e sai por aí te odiando. E não basta te odiar sozinho(a), ela quer que outras pessoas te odeiem também. E o mais legal é que é tudo em nome da democracia.


De minha parte quero dizer, "quanto mais ódio, mais amor. Mais luta."


Nunca fui bom em amar e ser amado, perdi muito tempo tentando entender o amor, amei errado, amei certo, mas nunca aprendi a odiar. Isso ninguém vai me ensinar e recuso-me a aprender.
Não quer dizer que amo todo mundo, "muito amor, muito amor, mas raiva é fundamental", mas ódio é para gente fraca, gente sem argumento, de gente que não gosta de ser gente.
Menos ódio mais amor.

Ah, meu voto é DILMA!

sERGIO vAZ


*publicado originalmente no dia 13 de outubro de 2014 na página de Facebook do poeta Sérgio Vaz



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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Conheça nova revista de literatura independente

O belo poema abaixo, de Fabíola Weykamp, compõe a terceira edição da revista Verborhagia, assim como outras poesias e prosas de gente que se arrisca a escrever. Verborhagia é uma publicação eletrônica dedicada à literatura independente e pode ser lida em:

http://issuu.com/verborhagia/docs/verborhagia__3



te queria poema

 queria poder me chegar
 sem o medo das horas apressar

 queria poder ficar
 sem que a ansiedade por ir fosse maior

 queria te ver rima toante
                ao meu lado
 sem que a insegurança do amanhã nos impedisse o poema

 queria que me quisesses
 sem grafemas nem fonemas

 apenas aliterando, de mãos dadas, o nosso acaso

Fabíola Weykamp


Revista Eletrônica de Literatura Independente

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Crônica da Periferia

GOL CONTRA

Sérgio Vaz

No meu tempo de moleque ninguém tinha uma profissão em mente para se apegar no futuro, e todos, sem exceção queriam ser jogadores de futebol. E olha que naquela época nem dava tanto dinheiro assim. Mas não sei se pelo romantismo, pela magia ou simplesmente pela falta de perspectiva... sei lá, só sei que todos nós queríamos ser jogadores de futebol. Eu apesar da idade confesso que ainda quero.
Mas tempo passou, o Morumbi e o Maracanã envelheceram em mim e a memória, esse estádio vazio, toma dribles maravilhosos da lembrança, e tudo que me lembro foram os gols perdidos. Perdi muitos gols cara a cara com o goleiro, por isso não sou jogador, por isso não sou doutor. Tomei muita vaia do destino.
Não lembro de nenhum amigo desta época que tenha sequer passado na peneira de algum time profissional, poucos viraram doutores e uns tantos não "lerão" este artigo, se é que vocês me entendem.
A Violência sempre fez muitas faltas no nosso jogo, e quase todas por trás. Dói só de lembrar.
Apesar dos intervalos, lembro-me de partidas inesquecíveis, dessas que começavam pela manhã e seguiam tortuosas pela tarde, interrompidas apenas pelo almoço e o café das três.
São momentos inenarráveis passados com estes parceiros de time, esses meninos sábios e imortais, sem presente e sem futuro deslizando os pés descalços pelo chão. Corpos quase nus riscávamos a paisagem com nossas peles cravejadas de ossos e temperadas de suor. Eram os melhores momentos de um tempo em que o destino entrava de sola em nossas vidas.
Hoje em dia, aquele campinho de terra que esculpimos com as nossas próprias mãos é um grande cemitério, e muitos deles, craques interrompidos, estão ali, enterrados com seus sonhos, antes mesmo do jogo acabar.
Outros, por desrespeitarem as regras cometeram pênaltis desnecessários (?), e, por ordem dos juízes, foram mais cedo para o chuveiro.
Para minha tristeza muitos ainda continuam a cometerem faltas, sem medo de tomar cartões vermelhos ou amarelos, sem se importar com a força do adversário, sem se importar com a cor da camisa, sem se importar com os derrotados, se importando apenas em vencer, e vencer a qualquer preço.
Às vezes, muitos são substituídos com o jogo em andamento, alguns, antes mesmo de tocarem na bola.
Quando fecham-se as cortinas, perder sem jogar é uma derrota difícil de aceitar.
Por isso, quando a dor sai do vestiário e a saudade entra em campo, faço um minuto de silêncio, deixo uma lágrima rolar e jogo por eles a prorrogação.


*Do livro "LITERATURA, PÃO E POESIA" Global Editora


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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Crônica de Sérgio Vaz

LITERATURA, PÃO E POESIA

Sérgio Vaz

A literatura na periferia não tem descanso, a cada dia chega mais livros. A cada dia chega mais escritores, e, por conseqüência disso, mais leitores. Só os cegos não querem enxergar este movimento que cresce a olho nu, neste início de século. Só os surdos não querem ouvir o coração deste povo lindo e inteligente zabumbando de amor pela poesia. Só os mudos, sempre eles, não dizem nada. Esses, custam a acreditar.

Não quero nem falar dos saraus que estão acontecendo aos montes, pelas quebradas de São Paulo. Isto me tomaria muito tempo. Haja visto as dezenas de encontros literários, pipocando nas noites paulistanas. Cada qual do seu jeito, cada qual com seu tema, cada qual a sua maneira de cortejar as palavras.

Mas eu quero falar mesmo e da poesia que se espalhou feito um vírus no cérebro dos homens e mulheres da periferia. Pois é, essa mesma poesia que há tempos era tratada como uma dama pelos intelectuais, hoje vive se esfregando pelos cantos dos
subúrbios à procura de novas emoções.

O Tal poema, que desfilava pela academia, de terno e gravata, proferindo palavras de alto calão para platéias desanimadas, hoje, anda sem camisa, feito moleque pelos terreiros, comendo miudinho na mão da mulherada. Vocês, por acaso, já ouviram falar
do tal poema concreto? Pois é, os trabalhadores e desempregados estão construindo bibliotecas com eles, nas favelas. E o lobo mau pode assoprar que não derruba. Apesar da pouca roupa que lhe deram está se sentindo todo importante com sua nova utilidade.

A periferia nunca esteve tão violenta, pelas manhãs é comum ver, nos ônibus, homens e mulheres segurando armas de até 400 páginas. Jovens traficando contos, adultos, romances. Os mais desesperados, cheirando crônicas sem parar. Outro dia um cara
enrolou um soneto bem na frente da minha filha. Dei-lhe um acróstico bem forte na cara. Ficou com a rima quebrada por uma semana.

A criançada está muito louca de história infantil. Umas já estão tão viciadas, que, apesar de tudo e de todos, querem ir para as universidades. Viu, quem mandou
esconder a literatura da gente, Agora nós queremos tudo de uma vez!

Dizem por aí que alguns sábios não estão gostando nada de ver a palavra bonita beijando gente feia. Mas neste país de pele e osso, quem é o sábio? Quem é o feio? E olha que a gente nem queria o café da manhã, só um pedaço de pão. Que comam brioches!

Não, não é Alice no país da maravilha, mas também não é o inferno de Dante. É só o
milagre da poesia. Quem odeia ler agora?


Crônica publicada pelo poeta Sérgio Vaz em sua página oficial no Facebook

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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Crônica de Nelson Rodrigues - Antiga, porém, Atual

Complexo de vira-latas

Nelson Rodrigues

Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: “O Brasil não vai nem se classificar!”. E, aqui, eu pergunto:

— Não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?

Eis a verdade, amigos: — desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo passou em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título. Eu disse “arrancou” como poderia dizer: “extraiu” de nós o título como se fosse um dente.

E hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvida: — é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: — se o Brasil vence na Suécia, se volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício.

Mas vejamos: — o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, “não”. Mas eis a verdade:

— eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: — sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo. Tenho visto joga dores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado do Flamengo. Pois bem: — não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala-se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.

A pura, a santa verdade é a seguinte: — qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma:

— temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “com plexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: — “O que vem a ser isso?” Eu explico.

Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Por que, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: — e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: — porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.

Eu vos digo: — o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo.

O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que ele se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota.

Insisto: — para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão.


Texto extraído do livro “As cem melhores crônicas brasileiras”, editora Objetiva, Rio de Janeiro (RJ), p 118/119, e ao  livro “À sombra das chuteiras imortais: crônicas de chutava”, seleção de notas de Ruy Castro – Companhia das Letras – 1993.

Fonte: Releituras


Assista no OutroCine o documentário O Complexo de Vira-Latas
          

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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Revista Fórum entrevista o poeta Sérgio Vaz

Sérgio Vaz, o poeta sonhador da quebrada, completa 25 anos de carreira

O escritor que inaugurou um movimento cultural nas periferias paulistanas celebra sua trajetória e reafirma seu compromisso com a militância pelas “quebradas”: “Se o opressor leu, o oprimido tem que ler também”
Por Igor Carvalho para revista Fórum
Sérgio Vaz é do tempo em que ninguém ouvia o soluçar de dor em seu canto no Brasil. Do seu verso de revolta fez nascer, com o poeta Marco Pezão, a Cooperifa, que inaugurou um dos movimentos culturais e sociais mais ativos e importantes das periferias de São Paulo, os saraus.
Completando, em 2014, 25 anos de carreira, Sérgio Vaz fez cumprir a profecia de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte em “Canto das Três Raças”, que diz: “De guerra em paz, de paz em guerra / Todo o povo dessa terra / Quando pode cantar, canta de dor”.
O canto triste de Sérgio Vaz é denúncia de uma periferia que luta contra o genocídio da população negra e jovem, que pede espaços culturais em vez de delegacias e unidades da Fundação Casa, que grita por dignidade, que insiste em formar leitores e que constrói “a Primavera de Praga da periferia”, como o poeta define os últimos dez anos de agitação cultural nas “quebradas”.
Este paulistano de Minas Gerais – “não fala que sou mineiro que eu fico bravo” – gosta de repetir que se soa triste, em sua obra, é por que ele é triste. “Tenho uma tristeza que me visita até nos dias de alegria”. Mas que esse sentimento não se confunda com ceticismo. “Antes, deixa eu só esclarecer uma coisa: não sou pessimista, sou realista”, diz o poeta, com a convicção de quem visita becos e vielas da zona sul de São Paulo há 45 anos.
Ao todo, é autor de sete livros que venderam, somados, 30 mil exemplares. A obra do poeta o levou a seis países, para participar de feiras literárias e congressos. Das viagens, internacionais ou não, Vaz sempre traz reproduções de Dom Quixote, o personagem central da obra homônima de Miguel de Cervantes. “Esse livro salvou minha vida”, diz o poeta, que já possui mais de 30 reproduções do herói da literatura espanhola, entre elas, uma de 2 metros, instalada no quintal de sua casa.
Sobre a Cooperifa e seu tradicional sarau organizado no bar do Zé Batidão toda semana, Vaz se derrama. “É por isso que vale a pena estar vivo. Depois de cada quarta-feira, eu percebo que a vida, ainda que fútil e dolorida, é um milagre.”
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Hoje, um moleque, na quebrada, que tem uma noção artística, vai tocar violão, vai para o sarau, vai cantar um rap, mas e nos anos 70, em que você só seria um jogador de futebol ou trabalharia na metalúrgica? (Foto: Anna Beatriz Anjos)
Sérgio Vaz – O moinho maior foi o seguinte: Meu pai veio morar em São Paulo, antigamente era assim, primeiro vinha o pai, arrumava emprego e depois trazia a família. Bom, quando cheguei aqui tinha quatro anos, sou paulistano, não fala que sou mineiro que eu fico bravo, viemos morar em um cortiço aqui no Parque Santo Antônio (zona sul de São Paulo). Meu pai trouxe o hábito da leitura, ele era um homem que gostava de ler e passou isso para mim.
Logo em seguida meus pais se separaram, numa época em que os pais não se separavam de jeito nenhum. Fiquei muito introspectivo com isso e meu pai começou a me dar livros pra ler. Mas olha quantos moinhos: nasci no Vale do Mucuri, perto do Vale do Jequitinhonha, que é um dos lugares mais pobres do mundo, meu pai, pobre, veio pra cá lutar, os pais separam, você mora na periferia de São Paulo nos anos 70. Mas olha, na minha casa nunca faltou comida e livro. Com 13 anos, gostava de ler mas não gostava de poesia, achava que era coisas de fresco e de maluco, esse povo que acorda e dá bom dia para o sol, abraça árvore [risos]. Já mais crescido, eu era o cara dos bailes blacks e jogador da várzea, jogava bola em time de favela, não ia pegar bem gostar de poesia, se é que você me entende [risos].
Bom, em 1983 vou servir o exército. Era ditadura militar e eu nem sabia que a gente vivia na ditadura militar, olha isso, vivia em Macondo [alusão a vila imaginada por Gabriel Garcia Marquez em Cem Anos Solidão], isolado, a periferia era nosso país, não saíamos daqui pra nada. Quando você é pobre, só descobre que foi triste na infância quando fica mais velho, porque o jovem é feliz em qualquer circunstância, nos escombros do Haiti o moleque consegue ser feliz. Bom, já no exército começo a me interessar por música popular brasileira e me afasto da black music, tinha algo naquelas músicas. Aí descobri as metáforas. Um dia, eu estava na cozinha do exército ouvindo uma música do Geraldo Vandré, na voz da Simone, “Pra não dizer que não falei das flores” e cantando alto, dentro do quartel. Eu nem sabia o que significava aquela porra. Entra o sargento: “Filho da puta, mocorondo, isso é música de Che Guevara, comunista”. Fiquei olhando e me interessei, pensei: ‘Caralho, mano, tudo isso dentro de uma música só?’.
A partir daí começo a me politizar pra valer, descubro o Lorca, que lutou contra a ditadura do Franco, e a poesia vira uma paixão. Aí descubro que a poesia não era só pra ganhar mulher. Nesse momento caiu na minha mão o livro 1968, o ano que não terminou do Zuenir Ventura. Malandro, saí do quartel e estava pronto para seguir Lamarca. Ali eu me torno poeta. Tem uma frase do Ferreira Gullar, em um disco do Milton [Nascimento] em que ele diz: “O canto não deve ser uma traição à vida. Só é justo cantar, quando seu canto arrasta consigo pessoas e coisas que não têm voz”. Pronto, eu queria escrever sobre isso, sobre liberdade. Descobri que queria ser poeta, e como ser poeta é uma construção, comecei a me preparar para isso.
Fórum – Uma vez, você reclamou: “Em toda entrevista que vou tenho que falar de periferia, de sangue, violência, PCC, rolezinho, e nunca consigo falar do quanto eu gosto do Carlos Drummond de Andrade, do Neruda, do Lorca, da Cecília Meireles”. Fala agora.
Sérgio Vaz – Quando entra o Dom Quixote na minha vida, jogava futebol e me achava um cara estranho. Hoje, um moleque, na quebrada, que tem uma noção artística, vai tocar violão, vai para o sarau, vai cantar um rap, mas e nos anos 70, em que você só seria um jogador de futebol ou trabalharia na metalúrgica? Só existiam essas duas opções, mas você gosta de literatura em um meio que ninguém gosta de literatura. Imagina, você joga no meio da malandragem, aí está esperando o contra-ataque e cutuca o zagueiro: “Então meu, leu o último do Jorge Amado?”. Pô, eu era muito estranho, muito apaixonado por literatura, aí caiu o “Dom Quixote” na minha mão, e esse livrou salvou minha vida. Terminei o livro e constatei que eu era um sonhador, e não tem nenhum problema em ser um sonhador.
Fórum – Incomoda, em algum momento, quando vão falar de você e é o escritor marginal, o periférico, o divergente…
Sérgio Vaz – Adoro isso. A periferia é a maioria, mano, sou o poeta da maioria, podem colocar na estante da livraria, “poeta da periferia”. Sou da periferia, assumo isso. Se eu fosse “poeta da classe média” seria chato, menor, teria menos gente me lendo. Sempre vi dragões em lugar de moinhos de vento, encontrei a felicidade quando encontrei a poesia, era pobre, da periferia, sonhador pra caralho, a poesia me possibilitou continuar sonhando nesse ambiente.
Fórum – Quais escritores mas te influenciaram?
Sérgio Vaz – Pablo Neruda com certeza, não vou nem falar o Gullar porque depois ele virou outra coisa, os textos dele de hoje, nossa, enfim… Miguel de Cervantes, Julio Córtazar, Vargas Llosa, Gabriel Garcia Marquez, os latinos mesmo.
Fórum – Quando você lê esses latinos, enxerga as mesmas periferias e os mesmos problemas sociais que você vive e vê?
Sérgio Vaz – É a mesma coisa. No começo do livro Cem anos de solidão, os Buendías são tratados como loucos e fazem o quê? Vão fundar outro bairro, vão ocupar uma outra área, o que é isso? Periferia. Aí, é o mesmo sofrimento.
Fórum – Em alguns poemas seus, a construção lembra uma música de rap. Qual a importância desse gênero na sua trajetória?
Sérgio Vaz – Tenho gratidão pelo rap. Lá atrás, com o pseudo fim da ditadura, os caras da MPB param de falar de problemas sociais, parece que tudo ficou bom só por que não tem mais um militar no poder. Nesse momento, escuto Racionais MCs cantando “Fim de semana no parque”. A MPB não fazia mais efeito. Quando escuto “Fim de semana no parque”, falando do Parque Santo Antônio, que é o bairro que eu moro, só quem falava da gente era o Gil Gomes e o Afanázio. Porra, então eu estava à toa na vida, vendo a banda passar, e não percebi esses caras?
Reposiciono, então, minha poesia e meu interesse, começo a seguir o hip hop, parei de ir ver show do Chico e do Caetano. O rap deu o gripo de independência da periferia. São eles que vão começar a falar de Malcom X, de Martin Luther King e de Steve Biko. “Dia de luz, fesa do sol, um barquinho a deslizar, no macio azul do mar”, que lindo né? Mas essa era a vista da janela deles, não a nossa. Aqui, quando se abre a janela, eu vejo o que o Gog e os Racionais falavam.
Fórum – Aí vem seu primeiro livro.
Sérgio Vaz – Sim, em 1988 lanço Subindo a ladeira mora a noite, meu primeiro livro. Com o livro eu começo a me posicionar culturalmente na periferia, porque eu ia no Bixiga [região central e boêmia de São Paulo] para ter cultura, comecei a mexer na geografia da cultura na minha cabeça, comecei a falar com os meus daqui, como Fela Kuti. Entendi, então, que quem queria me ouvir estava aqui, na minha rua, na minha quebrada. Começou, aí, a nascer a mentalidade Cooperifa na minha cabeça. Quando eu ia para o centro, já ia com outro olhar, comecei a ver que as pessoas eram todas brancas, de classe média, eu não era nada disso. Aí começo a ser um engajado periférico descarado.
Fórum – Você tinha trabalhos paralelos nessa época, ainda?
Sérgio Vaz – Sim, trabalhei em banco, fui vendedor, auxiliar de escritório, assessor parlamentar em Taboão da Serra. E, sabe, isso era uma loucura na minha cabeça, porque eu queria me dedicar à escrita, eu queria viver da arte e não podia. Essa casa aqui que estamos, eu comprei faz três anos só.
Fórum – Há três elementos muito fortes em sua poesia, a ironia, a metáfora ou o trocadilho.
Sérgio Vaz – Gosto mais da ironia. Ela bate no cara e o cara gosta. Ele dá risada. Você faz a ironia e o cara não entende nada, é como o sistema faz com a gente. As metáforas, nos dias de hoje, não caem tão bem, vivemos um momento em que as questões devem estar colocadas mais às claras, vivemos um outro tipo de censura que vivemos.
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“A periferia é a maioria, mano, sou o poeta da maioria, podem colocar na estante da livraria, ‘poeta da periferia’. Sou da periferia, assumo isso” (Foto: Anna Beatriz Anjos)
Sérgio Vaz – Eu não sou feliz. Tenho uma tristeza que me visita até nos dias de alegria. Tenho meus momentos de alegria e de euforia, mas é engraçado, não consigo ser feliz. Não nasci pra ser feliz. Fico feliz no boteco com os chegados ou na várzea.
Fórum – Por que?
Sérgio Vaz – Eu vendo alegria, os poetas vendem alegria, mas sou triste. Não sei se é o país, se são as pessoas, mas me sinto responsável por muita coisa. Outro dia, fui visitar uma favela aqui e entrei na casa do cara, um barraco de madeira, um rato no meio da sala, o esgoto passa no meio do barraco, saí de lá arrasado. Como ser feliz assim? Aí você bebe mano, porque o mundo sem álcool é foda. Não consigo ir no shopping comprar um tênis novo, me sinto mal. Aí gosto de livros tristes também. O [Ernest] Hemingway falava que para ser um bom escritor tem que ter tido uma infância triste, então estou pronto.
Fórum – Tua infância foi ruim?
Sérgio Vaz – Não, ela foi sem privilégios, mas foi rica.
Fórum – Falando dessa tristeza, me lembro de “Jorginho”, que acho seu poema mais triste.
Sérgio Vaz – É o mais triste mesmo. Antes deixa eu só esclarecer uma coisa, não sou pessimista, sou realista. Muito tempo atrás, acho que em 1999, estava em uma favela e visitei o barraco de uma senhora. Mano, mesmo dentro da favela, tem classe A, B e C. O barraco dela era classe C, muito debilitada a situação daquela família. Tinha uma vala que passava do lado do colchão, só merda. A dona do barraco estava grávida e tinha mais cinco filhos. Fiquei olhando pra barriga daquela mulher e pensando: “Se eu fosse esse moleque, me enforcava com o cordão umbilical”. O que esse moleque vai ter na vida, já tem mais quatro para dividir tudo aqui.
Fórum – Você é disciplinado para ler e escrever?
Sérgio Vaz – Começo a ler 6h, leio o jornal. Estava lendo Filho dos dias, do Eduardo Galeano, terminei hoje. Semana passada terminei O Filho eterno, do Cristovão Tezza. Mas ontem, inclusive, eu estava em Brasília, dando uma palestra, tinha 100 pessoas. Na sala ao lado, 100 mil pessoas vendo o Galeano na palestra dele. E eu me perguntando o que os caras estavam fazendo na minha, porque se eles fossem para a do Galeano eu também poderia ir [risos].
Fórum – Em “O machado, o talarico e a racha” você tira um sarro do Dom Casmurro, usando a oralidade da periferia. Qual a importância dessa oralidade no seu trabalho?
Sérgio Vaz – Amo esse livro. Eu quis fazer uma brincadeira com esse lance da obrigatoriedade, da imposição de se ler determinados livros. Quando você lê Olhai os lírios do Campo ou Dom Casmurro com essa obrigação, não entende. Aí, decidi fazer uma versão que o intelectual não ia entender, coloquei tudo no nosso dialeto e ele que procure alguém da quebrada pra traduzir. Outro dia comecei a ler uma crônica do [Carlos Heitor] Cony, no jornal, e ele começa em alemão, caralho. Quer dizer, se você não entende alemão, não está no mesmo nível, então não serve para ser leitor dele. A oralidade ajuda na generosidade, você pode ler meu livro para alguém ouvir, ajuda na formação de público. Precisamos de mais gente lendo, e essas pessoas só vão ler se conseguirem se identificar com o que está sendo dito. Se eu começar um texto em alemão, não formo público, só reproduzo discurso.
Fórum – Você se orgulha mais dos poetas que a Cooperifa formou ou dos leitores que a Cooperifa formou?
Sérgio Vaz – Dos leitores. O meu trabalho, o trabalho da Cooperifa, é formar leitores. É um paradoxo maluco nosso tempo. Cada dia tem mais filmes, mas cada dia tem menos cinemas. Precisamos formar leitores, não adianta ter 100 livrarias se ninguém vai ler. O [Hugo] Chavez distribuiu um milhão de exemplares do “Dom Quixote”, é isso, tem que formar uma cultura de leitura. Se o opressor leu, o oprimido tem que ler também.
Fórum – Você escreve crônicas. Em que momento a poesia deixou de bastar para o Sérgio Vaz? Você pensa em escrever um romance?
Sérgio Vaz – A crônica surgiu a partir do blogue, a poesia é muito concisa, ela te cobra uma síntese que é cruel. Na crônica, eu posso dar opinião, e eu peguei gosto nisso. E eu sou fã, e me inspiro, no [Eduardo] Galeano e da Cecília Meirelles, escrevendo crônicas. Acho que é algo que vai caminhar comigo sempre, gosto das crônicas. Sempre quis escrever um romance, mas para isso teria que ser mais minucioso, sou muito ansioso, no meio do livro já ia dizer quem matou o cara, não daria certo. Sou um relaxado.
Fórum – O que significa uma quarta-feira, dia do sarau da Cooperifa, na sua vida?
Sérgio Vaz – Puta que pariu, você me pegou [longa pausa]. É por isso que vale a pena estar vivo. Depois de cada quarta-feira, eu percebo que a vida, ainda que fútil e dolorida, é um milagre.
Fórum – A quarta-feira é dia de futebol na TV, o sarau da Cooperifa, inclusive, é no horário da novela, muita gente tem internet em casa. Do outro lado da cidade, o cinema é mais barato. Mesmo assim, toda quarta-feira, tem entre 200 e 300 pessoas ouvindo poesia na Cooperifa. Tem momentos que você se pega pensando nessas coisas durante o sarau?
Sérgio Vaz – Tem, várias vezes. Caralho, mano, acho que é por isso que eu vim pra essa vida, sem brincadeira, vim para juntar gente. Uma das funções da Cooperifa é, também, refundar a amizade. As pessoas são obrigadas, ali, a sentar juntas, elas deve ficar em silêncio e contemplar. Em doze anos, nunca teve uma única briga.
Fórum – Deus está muito presente na sua obra, sempre com ceticismo. Você acredita em Deus?
Sérgio Vaz – Já chamei muito por Ele. Principalmente quando jovem, assustado com as coisas da vida. Aí chegou uma época da vida que cansei e falei: “Quer saber, Ele que vá tomar no cu dEle”. Deus que vá atender aos pedidos de quem Ele sempre atende, aqui Ele não vem mesmo. Então, assim, não me preocupo com nada em relação à religião, sou ateu mesmo e cada vez que caminho na rua, tenho mais certeza que Ele não existe. As pessoas estão provando que Ele não existe, porque se somos a imagem e semelhança de Deus, então estamos fodidos.
Fórum – Neste ano, lembramos o centenário da Maria Carolina de Jesus…
Sérgio Vaz – Primeira vida loca da história [risos].
Fórum – Você está com 49 anos, daqui mais meio século, como acha que será lembrado em seu centenário?
Sérgio Vaz – Sou um poeta simples, de rua. Quero ser lembrado como um sonhador. Nada mais. Sou o poeta do amor, até para falar de uma causa, você precisa amar essa causa. Nunca escrevi contra, por que para escrever contra precisa ter ódio, escrevo a favor dos nossos. Talvez, também, eu seja um covarde, que decidiu escrever poemas para defender suas causas, porque se eu tivesse coragem faria uma revolução, ia pra rua de arma na mão.
Fotos: Anna Beatriz Anjos
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Jornal tem fotos digitalizadas e disponibilizadas na rede

Fotos inéditas do Jornal Última Hora estão na internet


Fonte: Núcleo de Comunicação do Arquivo Público do Estado de São Paulo

Grande parte das fotografias ficou guardada em arquivo por muitos anos e não chegou a ser publicada no jornal.

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O Arquivo Público do Estado de São Paulo acaba de digitalizar e disponibilizar na internet parte do arquivo fotográfico do jornal Última Hora, um dos mais importantes periódicos do jornalismo brasileiro, que circulou em diversas cidades brasileiras nas décadas de 1950 e 1960. São quase 20 anos de história registrados em 54.600 mil fotografias e 1.200 ilustrações, que podem ser vistas pelo site http://www.arquivoestado.sp.gov.br/uhdigital/

Diferentes momentos da história brasileira foram registrados pelas lentes fotográficas do jornal Última Hora: o suicídio do Presidente Getúlio Vargas, em 1954; as Olimpíadas de Helsinki, em 1952; a estreia de Roberto Carlos na TV Tupi, em 1968. a visita dos Rolling Stones ao Rio de Janeiro, em 1968. Além de nomes que marcaram a música brasileira, como Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Ângela Maria e Chico Buarque e o t eatro, Eva Tudor, Tônia Carreiro, Procópio Ferreira, Grande Otelo e Cacilda Becker.

O tratamento de conservação preventiva e a digitalização dessas imagens é resultado do Projeto Última Hora – Acervo Fotográfico , que consistiu em organizar, conservar, digitalizar, tratar as imagens, produzir instrumentos de pesquisa e disponibilizar na internet este grande volume de fotografias. Este projeto teve início em 2007 no Centro de Acervo Iconográfico e Cartográfico do Arquivo Público do Estado de São Paulo.

A diretora do Centro, Elisabete Savioli , explica que as imagens desse projeto são do Departamento de Arquivo Fotográfico da Última Hora, na forma de negativos flexíveis. “Este tipo de suporte é muito frágil e de fácil deteriorização, o que torna a manipulação destes documentos bastante complicada”, explicou Elisabete. Além disso, para visualizar a imagem no negativo é preciso utilizar instrumentos específicos como lupas e mesas de luz. Leia a íntegra.


Fonte: Banco Cultural - 2008 Copylef

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Curta Experimental

Um mergulho na história do movimento concretista de São Paulo a partir de fragmentos da obra do poeta Augusto de Campos. Uma colagem de cenas raras revela o longo rastro cúmplice entre a poesia concreta e o cinema experimental.

Hi-Fi


Gênero Experimental
Diretor Ivan Cardoso
Elenco Carlos Imperial, Clarice Piovesan, Cristiny Nazareth, Decio Pignatari, Felipe Falcão, Haroldo de Campos, Helena Lustosa, José Lino Grunewald, Man Ray, Marcel Duchamp, Nina de Pádua, Orson Welles, René Clair, Rogéria, Sandro Solviati, Satã, Sydney Greenstreet, Wilson Grey
Ano 1999
Duração 8 min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil

Ficha Técnica
Produção Topázio Filmes Fotografia Ivan Cardoso, Eduardo Viveiros Roteiro Ivan Cardoso, Augusto de Campos Trilha Sonora Augusto de Campos, Cid Campos



Todas as informações e dados são do sítio PortaCurtas


Mais curtas em www.outrocine.blogspot.com - Outro jeito de ver cinema

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morre José Saramago

Aos 87 anos, morre o escritor português José Saramago

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil


Brasília – O escritor portugês José Saramago, de 87 anos, morreu hoje (18) em consequência de falência múltipla dos órgãos, depois de um longo período com a saúde fragilizada. Prêmio Nobel de Literatura em 1998, Saramago morreu na Ilha de Lanzarote, uma das Ilhas Canárias, onde vivia desde os anos 90.

A fundação que leva o nome do escritor informou que ele estava acompanhado pela família no momento da morte. A informação foi confirmada pela imprensa portuguesa.

“O escritor morreu acompanhado por sua família, despedindo-se de forma serena e tranquila”, informou a Fundação José Saramago em um breve comunicado de cinco linhas. Segundo a nota, a morte ocorreu às 12h30 – cerca das 8h de Brasília. A notícia está estampada na capa do site da fundação na internet.

De acordo com a imprensa portuguesa, Saramago teve uma noite tranquila, tomou o café da manhã normalmente hoje, mas em seguida começou a passar mal e morreu. A mulher dele, Pilar Del Río, o acompanhava.

No blog do escritor foi postado hoje um trecho de uma entrevista concedida por Saramago em 11 de outubro de 2008 à revista portuguesa Expresso.

“Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objetivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma”.

Edição: Tereza Barbosa

Fonte: AgênciaBrasil - Todo o conteúdo da Agência Brasil está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 2.5. Brasil.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Curta sobre Clarice Lispector

Clarice Lispector, a menina ucraniana, descobriu no Recife a felicidade clandestina que fez dela uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos. (PortaCurtas)

Clandestina Felicidade



Sinopse
Fragmentos de infância, descoberta do mundo pelo olhar curioso, perplexo e profundo da criança-escritora Clarice Lispector.

Gênero Ficção
Diretor Beto Normal, Marcelo Gomes
Elenco Luisa Phebo, Nathalia Corinthia, Luci Alcântara
Ano 1998
Duração 15 min
Cor P&B
Bitola 35mm
País Brasil


Ficha Técnica
Produção Alcir Lacerda Fotografia Jane Malaquias Roteiro Beto Normal e Marcelo Gomes Edição Vânia Debs Som Direto Márcio Câmara Direção de Arte Liz Donovan Trilha original Fred 04 e DJ Dolores





Fonte: PortaCurtas




Mais Clarice Lispector
Conto de Clarice Lispector
Clarice Lispector, Escritora “Indigesta”
Conto de Clarice Lispector II
Conto de Clarice Lispector III
Poesias de Clarice Lispector



Curtas do mundo inteiro no OutroCine 
http://outrocine.blogspot.com - Mostra permanente de cinema

sábado, 8 de maio de 2010

Clássica Infantil de Vinícius e Toquinho em Animação

A Casa, composição de Vinícius de Moraes e Toquinho, virou animação nas mãos do diretor Andrés Lieban.

A Casa


Sinopse
Ao som da famosa canção de Vinícius e Toquinho, um mímico se diverte construindo uma casa que só é visível para quem acredita na história.


Gênero Animação
Diretor
Andrés Lieban
Ano 2004
Duração 3 min
Cor Colorido
Bitola Vídeo
País Brasil

Ficha Técnica
Produção
Fernando Faro Roteiro Andrés Lieban Animação Andrés Lieban Empresa produtora Laboratório de Desenhos, Editora Delta Produção Executiva André Koogan Breitman Finalização Proview Produções Música Sincronizada Vinicius de Moraes Interpretação musical Boca Livre

Prêmios
Melhor Trilha Sonora no Anima Mundi 2004

Premier Internacional no Film Festival of the World 2004

Festivais
Festival Internacional de Cinema Infantil 2004

Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis 2005


Fonte: PortaCurtas




Mais curtas no OutroCine - Mostra Permanente de Cinema

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Cultura Livre à disposição de todos

Conheça o projeto da Brasiliana Digital que visa democratizar o acesso cultural disponibilizando para baixar, de forma livre e irrestrita, vasto acervo de livros, documentos, periódicos e manuscritos. Salve a cultura livre!

Recentemente toda obra do poeta Vinícius de Moraes, num total de 15 livros, foi disponibilizada gratuitamente no saite da Biblioteca Brasiliana Digital.


SAIBA MAIS SOBRE A BRASILIANA DIGITAL

A Brasiliana Digital é uma extensão do gesto de generosidade de Guita e José Mindlin de tornar público um acervo único de documentos sobre o Brasil.



terça-feira, 27 de abril de 2010

Perder Liberta

Poesias do concretista Arnaldo Antunes.

Perder - 2002
Publicado inicialmente no livro PALAVRA DESORDEM, ed. Iluminuras (2002).

Tira a asa - 2002
Publicado inicialmente no livro PALAVRA DESORDEM, ed. Iluminuras (2002).


SOL TO - 1997
Publicado no livro “2 ou + corpos no mesmo espaço” (ed. Perspectiva).

Seja o que for - 2002
Publicado inicialmente no livro PALAVRA DESORDEM, ed. Iluminuras (2002).

Sempressa - 2002
Publicado inicialmente no livro PALAVRA DESORDEM, ed. Iluminuras (2002).


THE AND - 1997
Publicado no livro “2 ou + corpos no mesmo espaço” (ed. Perspectiva)


Fonte: Arnaldo Antunes


Outras
Poemas Visuais de Arnaldo Antunes