No dia cinco de março deste ano, foi ao ar no programa Starte, da GloboNews, uma matéria muito interessante sobre o Manifesto Antropófago.Oswald de Andrade, inspirado pelo Abaporu, de Tarsila do Amaral, publicou o manifesto em maio de 1928. Assista a seguir o programa completo.
De uma obra de Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade publicou um manifesto que se tornaria ícone da cultura brasileira e antropofágica. Depois, Mário de Andrade aderiu ao movimento com a obra Macunaíma. (fonte: Starte)
Antropofagia na Cultura Brasileira
Abaporu vem de 'aba' e 'poru' e significa o mesmo que Antropofagia, que vem do grego antropos (homem) e fagia (comer), ou seja, "homem que come", em tupi-guarani. Foi pintado em óleo sobre tela em 1928 por Tarsila do Amaral para dar de presente de aniversário ao escritor Oswald de Andrade, seu marido na época. (fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre)
A obra do pintor catarinense Victor Meirelles, um dos mais expressivos artistas plásticos brasileiros do Século XIX, será catalogada no Brasil e também no exterior. Uma iniciativa do Museu Victor Meirelles (MVM), em Florianópolis, vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura (Iphan/MinC).
Trata-se do projeto Victor Meirelles: Memória e Documentação que está sob a coordenação-geral de Lourdes Rosseto, diretora do museu, e coordenação-executiva de Maria Inez Turazzi, historiadora do Museu Imperial.
A ação tem por objetivo a pesquisa, a preservação e a promoção da obra completa do artista, para a elaboração de um Banco de Dados e Imagens. “A idéia é criarmos um instrumento de pesquisa na Internet, que facilite o estudo da obra de Victor Meirelles e da pintura do Século XIX”, explicou a coordenadora do projeto em Santa Catarina, Letícia Bauer.
A catalogação teve início em março deste ano e o prazo de conclusão está previsto para setembro de 2009. Com um custo orçado em R$ 396 mil, na fase inicial, recebeu o patrocínio da Petrobras e apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O banco de dados ficará disponível no site do MVM: http://www.museuvictormeirelles.org.br/.
Parcerias
O projeto será realizado em parceria com duas instituições detentoras das maiores coleções do artista, o Museu Imperial (em Petrópolis) e o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Após a conclusão dos trabalhos de catalogação, a partir de 2010, será realizado um seminário e uma exposição das obras selecionadas de Victor Meirelles, que dialogem com os resultados obtidos na pesquisa. Na conclusão do projeto haverá o lançamento de material didático e cultural sobre o artista e sua obra.
Uma equipe de historiadores, conservadores, documentalistas, web designers, técnicos em informática e estagiários irão buscar informações sobre a obra de Victor Meirelles em instituições públicas e privadas no Brasil e nos países onde ele estudou e trabalhou - Portugal (Ilha dos Açores), Países Baixos, Itália e França - e também junto ao público em geral. O projeto de memória e catalogação faz parte dos esforços de modernização do museu, junto com outras iniciativas que a instituição vem desenvolvendo, como o projeto de Reabilitação, Ampliação e Revitalização do Largo Victor Meirelles (onde a casa está localizada).
Há alguns dias atrás foi postado aqui algumas poesias de Sérgio Vaz, e esta postagem teve uma repercussão bem positiva. Confessando desconhecer o poeta, a maioria dos que comentaram afirmam ter gostado muito do que leram. Nessa ânsia de conhecer mais sobre este artista que emana do povo, aqui vai um vídeo produzido para divulgar os versos de Porém, poema de Sérgio Vaz.
Porém - Sérgio Vaz
Belíssimo poemaclipe de Porém, emotiva poesia de Sérgio Vaz.
Porém Sérgio Vaz
Queria ter vivido melhor, Porém a mediocridade sempre me foi farta e generosa Nos caminhos que escolhi para viver.
Queria ter sido mais alegre, Porém a tristeza sempre foi companheira fiel Nos dias intermináveis de abandono.
Queria ter amado mais as pessoas que conheci Ou que fingi conhecer, Porém na maioria das vezes, eu também não me conhecia.
Queria ter andado mais livre, Porém, algemado à ignorância, perdi muito tempo Tentando voar sem sequer saber andar.
Queria ter lido mais livros, Porém, analfabeto de ousadia, passei muitos anos Enxergando pelos olhos adormecido de outras pessoas.
Também queria ter escritos mais poemas Do que bilhetes pedindo desculpas, Porém, as palavras sempre me vieram como culpa E não como estrelas.
Queria ter roubado mais beijos e abraços Das meninas que andavam desprotegidas, Protegidas pela magia da infância, Porém, cresci muito cedo, e a timidez sempre me foi Uma lei muito severa a ser cumprida.
Queria ter pensado menos no futuro, Porém, o passado simples nunca foi o melhor presente E a eternidade sempre me pareceu coisa de gente que tem preguiça de viver.
Queria ter sido um homem mais humilde Porém, a vaidade e a ganância sempre me cercaram De mimos e coisas que até hoje não sei para que serviram.
Queria ter pregado mais a paz, Porém, como um covarde, gastei muita munição tentando atingir amigos e desconhecidos que não usavam coletes à prova de balas nem blindados no coração.
Queria ter sido mais forte, Porém rir dos vencidos e bajular os mais ricos Sempre me pareceu o caminho mais curto Para o esconderijo secreto das minhas fraquezas.
Queria ter dito mais a verdade, Porém a mentira sempre foi moeda de troca Para comprar o respeito e a admiração das pessoas fúteis De almas vazias.
Queria que o mundo fosse mais justo Porém, avarento de nascença, fui o primeiro a esconder o sol na palma da mão, antes que o vizinho o fizesse.
E mesquinho por vocação escondi as noites com lua Para que os poetas não a cortejassem.
Queria ter dito mais besteiras, Porém fui desses idiotas amantes das proparoxítonas E sujeito oculto nos bate-papos de botecos de esquinas, Onde a vida não acontece por decreto.
Queria ter colhido mais flores, Porém o medo de espinhos afugentou a primavera.
E outono que sempre fui, plantei inverno quando a terra pedia verão.
Hoje queria ter acordado mais cedo, Porém temo que pra mim Seja tarde demais.
* O poeta Sérgio Vaz fundou a Cooperifa em 2000, com o objetivo de envolver artistas da periferia em atividades como exposições de fotografia e performances teatrais em lugares que, segundo ele, são os verdadeiros centros culturais da periferia, como praças, bares e galpões. Ao final de 2002, começaram os saraus da Cooperifa, numa fábrica abandonada em Taboão da Serra, município de São Paulo; hoje, acontecem no bar de José Cláudio Rosa, o Zé Batidão, em Piraporinha. (Fonte: PortalLiteral)
Curiosamente nestes últimos dias a página do Música&Poesia mais visitada é a que contém uma postagem sobre a grande pintora Tarsila do Amaral. Com quase um ano no ar, a postagem sobre Tarsila é bem simples contendo apenas uma breve biografia e a reprodução de três de seus famosos quadros. Por isso surpreende as muitíssimas visitas que vem recebendo, quem sabe fruto de um bom posicionamento no Google e no Google Image. Bom, seja pelo motivo que for, Tarsila do Amaral e os leitores deste humilde blogue merecem muito mais. Então abaixo segue algumas curiosidades e trechos de textos escritos por ilustres, como Mário de Andrade, sobre Tarsila do Amaral, tudo retirado do saite oficial da artista. Y.H.
Curiosidades
1-"Abaporu" foi o quadro brasileiro de maior valor vendido até hoje. Seu preço alcançou US$1.500.000, e foi comprado pelo banqueiro argentino Eduardo Costantini.
2- Tarsila anulou seu casamento com o primeiro marido em 1925 para casar-se com Oswald de Andrade em 1926. O então presidente eleito Washington Luís foi o padrinho de Oswald e Júlio Prestes (na época governador do Estado de São Paulo) o padrinho de Tarsila.
3- Depois de 1929, com a crise do café no Brasil, o pai de Tarsila perdeu grande parte de sua fortuna e ela trabalhou como colunista nos Diários Associados de seu amigo Assis Chateaubriand.
4- Tarsila gostava muito de anotar novas receitas detalhadamente, porém nunca chegava a fazê-las. - A tela O Pescador foi vendida ao governo russo durante sua estada por lá em 1931. O dinheiro obtido teve de ser gasto no próprio país, uma vez que não podia ser convertido em outra moeda.
5- Tarsila possuía um dos melhores acervos pessoais do Brasil com obras de Léger, Picasso, De Chirico, Delaunay, Modigliani, Gleizes, Lhote, Ingres e também dos brasileiros AlmeidaJunior, Anita Malfatti, Lasar Segall, entre outros.
Textos
1- Artigos de Menotti del Picchia publicados em 'A Gazeta' nas edições de 27/12/1950, 27/01/1961 e 25/02/1966 nos quais o ilustre articulista fez referências à chegada de Tarsila de Paris em 1922 e seu encontro com os modernistas:
"…foi Anita Malfatti quem me apresentou a artista numa confeitaria elegante onde tomávamos chá…-Esta é Tarsila, paulista, pintora e vem de Paris. Pintora? Tinha eu na frente uma das criaturas mais belas, mais harmoniosas e mais elegantes que me fora dado ver… É claro que todos se apaixonaram por Tarsila…".
2- Trechos de artigo escrito por Tarsila e suas recordações de Paris:
"...Paris de 1923! As recordações fervilham, amontoam-se, atropelam-se… Meu ateliê da Rua Hégésippe Moreau, que Paulo Prado descobrira ter sido habitado por Cézane, foi frequentado por importantes personagens. Aos almoços tipicamente brasileiros, às vezes compareciam Cocteau, Erik Satie, Valéry Larbaud, Jules Romains, Giradoux, Brancusi, Amboise Vollard. Entre os brasileiros, Villa-Lobos, Paulo Prado, dona Olívia Guedes Penteado, Souza Lima, Oswald de Andrade, Sérgio Milliet, Di Cavalcanti…".
3- Artigo de Álvaro Moreira em 'Para Todos', edição de 22/07/1928:
"Ela foi o presente mais bonito que Papai Noel botou nos sapatos pobres da pintura brasileira. Desde aquela manhã a pintura brasileira teve uma sorte boa e a gente se esqueceu das coisas feias que tinha visto para ver os quadros de Tarsila como as cores da infância, um cor de rosa que nem as rosas tem, um azul que não é dos céus nem dos rios nem da distância. Cor de rosa de Tarsila. Azul de Tarsila. Sem iguais no mundo".
4-Mário de Andrade, em 21/12/1927:
"Tarsila é um dos temperamentos mais fortes que os modernos revelaram pro Brasil. Afeita às correntes mais em voga da pintura universal, ela conseguiu uma solução absolutamente pessoal que chamou a atenção dos mandões da pintura moderna parisiense. Provinda de família tradicional, se sentindo muito a gosto dentro da história da nossa pintura ela foi a primeira que conseguiu realizar uma obra de realidade nacional…".
5- Do crítico de arte português Antonio Ferro, sobre a exposição de Tarsila em Paris, em 1926:
"Tarsila do Amaral inaugurou, há pouco, em Paris, a sua exposição. Era fácil de prever o acontecimento. Blaise Cendrars, que não quer outra ilustradora para os seus livros, Jean Cocteau, Valéry Larbaud, Rosemberg, Raynal e tantos outros, obrigaram a França a olhar para Tarsila. A França, por sua vez, obrigará o Brasil a consagrar esta grande pintora. Será, de resto, um gesto de gratidão…".
6- Poema 'Atelier', de Oswald de Andrade para Tarsila, publicado em 'Pau Brasil', em 1925: Atelier
"Caipirinha vestida por Poiret
A preguiça paulista reside nos teus olhos
Que não viram Paris nem Piccadilly
Nem as exclamações dos homens
Em Sevilha
À tua passagem entre brincos
Locomotivas e bichos nacionais
Geometrizam as atmosferas nítidas
Congonhas descora sobre o pálio
Das procissões de Minas
A verdura no azul klaxon
Cortada
Sobre a poeira vermelha
Arranha-céus
Fordes
Viadutos
Um cheiro de café
No silêncio emoldurado"
Arnaldo Antunes (São Paulo, 2 de setembro de 1960) é um músico, poeta e artista visual brasileiro, mais conhecido por sua participação como integrante do grupo de rock Titãs. Em suas principais áreas de atuação artística, a música, a poesia e a arte visual, demonstra a influência de sub-gêneros modernistas ou pós-modernistas. Em 1978 ingressou na Faculdade de Letras da USP, onde seguiria o curso de Lingüística, não fosse o sucesso dos Titãs lhe tomar todo o tempo entre shows, gravações, ensaios, turnês e entrevistas. Desligou-se da banda em 1992, depois de dez anos de grupo, por conta de suas direções artísticas. Apesar de sua saída, Arnaldo continuou compondo com os demais integrantes do grupo, e várias dessas parcerias foram incluídas em discos dos Titãs, assim como em seus discos solo. Também atuou como ensaísta na Folha de São Paulo, onde deixou evidente o substrato teórico que transparece no seu trabalho estético.
Biografia
Tarsila do Amaral (Capivari SP 1886 - São Paulo SP 1973). Pintora, desenhista. Estuda escultura com William Zadig (1884 - 1952) e com Mantovani, em 1916, na capital paulista. No ano seguinte tem aulas de pintura e desenho com Pedro Alexandrino (1856 - 1942), onde conhece Anita Malfatti (1889 - 1964). Ambas têm aulas com o pintor Georg Elpons (1865 - 1939). Em 1920 viaja para Paris e estuda na Académie Julian e com Emile Renard (1850 - 1930). Ao retornar ao Brasil forma em 1922, em São Paulo, o Grupo dos Cinco, com Anita Malfatti, Mário de Andrade (1893 - 1945), Menotti del Picchia (1892 - 1988) e Oswald de Andrade (1890 - 1954). Em 1923, novamente em Paris, freqüenta o ateliê de André Lhote (1885 - 1962), Albert Gleizes (1881 - 1953) e Fernand Léger (1881 - 1955). Entra em contato como o poeta Blaise Cendrars (1887 - 1961), que a apresenta a Constantin Brancusi (1876 - 1957), Vollard, Jean Cocteau (1889 - 1963), Erik Satie, entre outros. No ano seguinte, já no Brasil, com Oswald de Andrade, Olívia Guedes Penteado (1872 - 1934), Mário de Andrade e outros, acompanha o poeta Blaise Cendrars em viagem às cidades históricas de Minas Gerais. Realiza uma série de trabalhos baseados em esboços feitos durante a viagem. Nesse período, inicia a chamada fase pau-brasil, em que mergulha na temática nacional. Em 1925 ilustra o livro de poemas Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, publicado em Paris. Em 1928, pinta Abaporu, tela que inspira o movimento antropofágico, desencadeado por Oswald de Andrade e Raul Bopp (1898 - 1984). Em 1933, após viagem à União Soviética, inicia uma fase voltada para temas sociais com as obras Operários e 2ª Classe. Em 1936 colabora como cronista de arte no Diário de São Paulo. A convite da Comissão do IV Centenário de São Paulo faz, em 1954, o painel Procissão do Santíssimo e, em 1956, entrega O Batizado de Macunaíma, sobre a obra de Mário de Andrade, para a Livraria Martins Editora. A retrospectiva Tarsila: 50 Anos de Pintura, organizada pela crítica de arte Aracy Amaral e apresentada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ e no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP, em 1969, ajuda a consolidar a importância da artista.
Retrato de Oswald de Andrade , 1922 óleo sobre tela, c.i.e. 61 x 42 cm Coleção Particular Reprodução fotográfica Romulo Fialdini
A Caipirinha , 1923 óleo sobre tela, c.i.d. 60 x 81 cm Coleção Particular Reprodução fotográfica Romulo Fialdini
Abaporu , 1928 óleo sobre tela, c.i.d. 85 x 73 cm Colección Costantini (Buenos Aires, Argentina) Reprodução fotográfica Romulo Fialdini
Fonte: ItaúCultural
Conheça mais da vida e obra de Tarsila do Amaral no site do Itaú Cultural