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quarta-feira, 24 de junho de 2026

BibliON lança websérie Literatura pelo Mundo em clima de Copa

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Em ano de Copa do Mundo, a SP Leituras lança a websérie Literatura pelo Mundo, uma jornada inédita por 11 países a partir de suas obras, autores e tradições literárias. A iniciativa celebra a diversidade cultural do planeta e convida o público a “carimbar o passaporte” sem sair de casa, por meio da leitura.

O primeiro episódio já está no ar no canal da BibliON no YouTube e tem o Brasil como destino de estreia. Para conduzir essa primeira viagem, a websérie recebe o escritor, crítico literário e professor Cristhiano Aguiar, vencedor do Prêmio Clarice Lispector da Biblioteca Nacional por Gótico Nordestino e autor do ensaio Tanto oceano, tanta solidão.

No episódio, Cristhiano apresenta características marcantes da literatura brasileira, compartilha curiosidades sobre a produção nacional e indica obras essenciais para ampliar o repertório dos leitores. Entre os títulos recomendados estão A hora e a vez de Augusto Matraga, de João Guimarães Rosa; Angústia, de Graciliano Ramos; O corpo desvelado: contos eróticos brasileiros, organizado por Eliane Robert Moraes; Ressuscitar mamutes, de Silvana Tavano; e Um Exu em Nova York, de Cidinha da Silva.

A websérie reunirá 11 especialistas em uma viagem literária por diferentes países, com episódios dedicados a nações como Itália, Japão, Nigéria, Haiti, Estados Unidos e outras paradas. A cada encontro, o público poderá conhecer aspectos históricos, culturais e literários de cada destino, além de receber indicações de leitura disponíveis no acervo digital da BibliON.

BibliON é a biblioteca digital gratuita do Estado de São Paulo. Pelo aplicativo ou pelo navegador, os leitores podem acessar milhares de livros digitais e audiolivros gratuitamente.

O primeiro episódio de Literatura pelo Mundo já pode ser assistido no canal da BibliON no YouTube.

Fonte: Biblioteca de São Paulo


Literatura pelo Mundo: Brasil! 🇧🇷 Curiosidades e Indicações com Cristhiano Aguiar (Ep. 1)

terça-feira, 9 de junho de 2026

Biblioteca Nacional abre inscrições para Prêmio Literário 2026

Escritores brasileiros podem concorrer com obras inéditas


Por Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

Escritores brasileiros, com obras inéditas em primeira edição, redigidas em língua portuguesa e publicadas por editoras do país - entre 1º de maio de 2025 e 30 de abril de 2026 - já podem se inscrever ao Prêmio Literário Biblioteca Nacional 2026.

As inscrições começaram nesta segunda-feira (8) e permanecem abertas até 8 de julho neste endereço online.

De acordo com a Fundação Biblioteca Nacional (FBN), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), e promotora da premiação, o concurso é voltado também a autores independentes, desde que a obra esteja em deepósito legal e traga impresso o número do International Standard Book Number (ISBN).

Cada vencedor das 13 categorias receberá R$ 30 mil. A novidade desta edição é o Prêmio João do Rio, categoria dedicada aos livros de crônicas.

Categorias

Concedido anualmente desde 1994, o Prêmio Literário Biblioteca Nacional visa reconhecer a qualidade intelectual das obras publicadas no Brasil.

O concurso é considerado um dos mais conceituados do país e o mais democrático no cenário nacional, uma vez que não tem taxa de inscrição e concede o mesmo valor de premiação para cada uma das 13 categorias.

São elas: Conto (Prêmio Clarice Lispector); Crônica (Prêmio João do Rio); Ensaio Literário (Prêmio Mario de Andrade); Ensaio Social (Prêmio Sérgio Buarque de Holanda); Histórias de tradição oral (Prêmio Akuli); Histórias em quadrinhos (Prêmio Adolfo Aizen); Ilustração (Prêmio Carybé); Literatura Infantil (Prêmio Sylvia Orthof); Literatura Juvenil (Prêmio Glória Pondé); Poesia (Prêmio Alphonsus de Guimaraens); Projeto Gráfico (Prêmio Aloísio Magalhães); Romance (Prêmio Machado de Assis); Tradução (Prêmio Paulo Rónai).

Treze comissões julgadoras, sendo uma por categoria e compostas por três especialistas da área farão a avaliação das obras inscritas. Originalidade, contribuição à cultura nacional, criatividade no uso dos recursos gráficos e excelência da tradução são os critérios que serão considerados.

O resultado final será divulgado até 30 de outubro no Diário Oficial da União e no portal da Fundação Biblioteca Nacional, após a análise de recursos e homologação do resultado pela presidência da FBN.

Fonte: Agência Brasil 


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Trinta e Três Anos sem Elis Regina

ELIS REGINA

Pimentinha genial

por Janaina Abreu
Ela era como Midas, rei que transformava em ouro tudo o que tocava: qualquer música que gravasse, virava clássico. Geniosa, se dizia “mais ardida que pimenta”. Mais que geniosa, genial.Não tinha 20 anos quando arrebatou o Brasil ao interpretar Arrastão, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. Aconteceu no I Festival de Música Popular Brasileira, da TV Excelsior, em 1965. Considerada entre as maiores cantoras de todos os tempos, imortalizou inúmeras canções: Como Nossos Pais, de Belchior; Romaria, de Renato Teixeira; Travessia, de Milton Nascimento; Águas de Março, de Tom Jobim. As interpretações apaixonadas, o temperamento explosivo e a morte prematura, aos 36 anos, fizeram dela um mito. Gilberto Gil definiu:
“Sua voz será de todas as canções, sua alma de todos os corações.”

SEIS PEDIDOS DE BIS
A carreira de Elis Regina de Carvalho Costa começou aos 11 anos, no Clube do Guri, da Rádio Farroupilha de Porto Alegre, cidade onde nasceu em 1945.
A gauchinha tímida deu lugar a mulher de personalidade forte, quando chegou ao Rio em 1964. Participou de festivais e movimentos político-musicais, como a Passeata Contra as Guitarras, pela preservação das raízes da MPB contra a invasão estrangeira. Em 1968, no Olympia, em Paris, voltou ao palco seis vezes atendendo aos pedidos de bis. Mas a carreira internacional não vingou porque não suportava ficar longe do Brasil.

CARA FEIA É BODE
Declarações bombásticas e contraditórias eram comuns. Elis desprezou a bossa nova, mais tarde gravou com Tom Jobim e Roberto Menescal. Falou mal da Tropicália, mas gravou Caetano e Gil. Chamou os militares da ditadura de “gorilas”, mas cantou na Olimpíada do Exército de 1972. Tinha língua afiada:
“Cara feia pra mim é bode. Sou mais ardida que pimenta!”
Relacionamentos amorosos conturbados. Do primeiro casamento, com o compositor Ronaldo Bôscoli, dizia que só levou de bom o filho João Marcelo e certo amadurecimento pessoal. Com o pianista e arranjador César Camargo Mariano teve dois filhos, Pedro e Maria Rita. O relacionamento com o advogado americano Samuel MacDowell de Figueiredo durou seis meses, até a morte da cantora.

GRAÇAS À VIDA 
Elis gravou os melhores compositores ou transformou em obras-primas canções banais de compositores medianos. Para festejar dez anos de carreira, gravou com Tom nos Estados Unidos o histórico Elis & Tom. Em 1976, o show Falso Brilhante levou ao Teatro Bandeirantes, em São Paulo, mais de 280 mil pessoas em 257 apresentações. O show Transversal do Tempo, de 1977, excursionou por capitais brasileiras, pela Itália e Espanha. Sobre Buenos Aires, foi categórica:
“Enquanto meu disco [Falso Brilhante] continuar proibido pela censura argentina, não me apresento lá.”
A justiça interditou o disco por causa da música Gracias a la Vida, de Violeta Parra, proscrita pelos militares golpistas chilenos.

TRISTE FIM
Em 1979, gravou de Aldir Blanc e João Bosco O Bêbado e a Equilibrista, que virou “hino da anistia”. Estreou Saudades do Brasil, misto de teatro com música, onde falava da cultura brasileira.
“Não se trata de saudade de alguma coisa que acabou ou pessoa que morreu… saudade do que está aí, vivo, solto, e nunca deixou de existir. Se não temos acesso a isso, é por falta de uma batalha maior.”
A dedicação à produção do show Trem Azul ocupou Elis durante 1981. Cheia de planos, na manhã de 19 de janeiro de 1982 morreu em seu apartamento em São Paulo, vítima de overdose de cocaína. Uma camiseta com a bandeira brasileira, onde se lia “Elis Regina” no lugar de “Ordem e Progresso”, vestiu o corpo da cantora, velado no Teatro Bandeirantes. No dia seguinte, muros do País amanheceram pichados:
Elis vive.


Fonte: Almanaque BrasilO Almanaque está sob licença Creative Commons. A cópia e reprodução de seu conteúdo são autorizadas para uso não-comercial, desde que dado o devido crédito à publicação e aos autores. Não estão incluídas nessa licença obras de terceiros. Para reprodução com fins comerciais, entre em contato.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Comissão da Verdade revela: Ditadura mandou aposentar Vinicius de Moraes por embriaguez

Ditadura pediu aposentadoria de Vinicius de Moraes do Itamaraty por embriaguez

por Leandro Melito - Portal EBC

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Vinicius de Moraes trabalhando como diplomata (Reprodução/TV Brasil)
Brasília - A Comissão de Investigação Sumária, criada em 1969 pelo governo militar, pediu a aposentadoria do poeta, compositor e então diplomata Vinicius de Moraes por motivo de "embriaguez". Ele exercia a função de primeiro secretário no Itamaraty. O nome do célebre artista brasileiro aparece no relatório daquela comissão, após a edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), momento mais duro do regime. A comissão de investigação, que era presidida por Antônio Câmara Canto, recomendou a aposentadoria compulsória de diplomatas por conta de suas "condutas pessoais".

Em razão de seus méritos, a comissão recomendou que ele fosse transferido para o Ministério da Educação, mas a medida encontrou "obstáculos" e o poeta foi obrigado a encerrar a carreira como diplomata iniciada em 1943.

O caso de Vinicius de Moraes não foi isolado. "O relatório secreto da comissão  recomendou a aposentadoria compulsória de sete diplomatas e seis servidores administrativos, sob a alegação de "homossexualismo" , sugeriu a submissão de exames para comprovação de condutas homossexuais a dez diplomatas e dois servidores; propôs a aposentadoria de catorze funcionários por embriaguez e outros dois por risco à segurança nacional e convicções ideológicas consideradas subversivas", aponta o relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

Confira a íntegra do relatório final da CNV

O documento encontrado pela CNV esclareceu a saída de Vinicius do órgão diplomático e confirmou a versão sobre o episódio veiculada pelo jornalista Carlos Castello Branco  em sua coluna no Jornal do Brasil em novembro de 1990 intitulada "Como Vinicius Deixou o Itamaraty". No texto em que reproduz carta de um amigo pessoal de Vinicius ao qual preserva o anonimato, ele aponta que entre "alcoólatras, pederastas e subversivos" então afastados da carreira Vinicius teria sido "vagamente enquadrado nessa última categoria".

A coluna foi publicada justamente para contrapor outra versão sobre o episódio que consta no livro Chega de Saudade - a história e as histórias da bossa nova, em que Ruy Castro atribui o fim da carreira diplomática de Vinicius a uma ordem do então presidente Arthur da Costa e Silva transmitida em memorando dirigido ao ministro do Exterior da época, José de Magalhães Pinto, relatada da seguinte maneira no livro:

"’Assunto: Vinicius de Moraes. Demita-se esse vagabundo. Ass. Arthur da Costa e Silva. Com este grosseiro memorando ao chanceler Magalhães Pinto, o marechal-presidente decretou a saída do poeta do corpo diplomático em fins de 1968. Vinicius recebeu a notícia em alto-mar, a bordo da banheira de sua cabine no navio Eugênio C. Chorou convulsivamente, porque adorava o Itamaraty".

Confira o especial sobre o centenário do Vinicius de Moraes

Cerca de um mês depois uma nova coluna de Castello Branco no JB com o título Ainda sobre a cassação de Vinicius de Moraes trouxe outra carta, desta vez da irmã de Vinicius, Laetitia C. de Moraes Vasconcellos. No texto, a irmã do poeta reafirma a existência do comunicado entre o presidente militar e seu ministro, mas situa ela no período que antecedeu a instituição do AI-5, portanto antes de se consumar a cassação. "Segundo o que o próprio Vinicius, meu irmão, relatou à minha irmã Lygia, antes mesmo da edição do AI-5, ele soubera, através de amigos no Itamaraty, que o presidente enviara a famosa nota ao então ministro Magalhães Pinto, vazada nos seguintes termos: 'Demita-se esse vagabundo’".

Segundo aponta o relatório final da CNV, a Comissão de Investigação Sumária foi criada no ministério das Relações Exteriores em 1969, logo após a edição do AI-5 pelo então ministro das Relações Exteriores José Magalhães Pinto, por meio de um memorando secreto enviado para o chefe do Departamento de Administração, o embaixador Manoel Emílio Pereira Guilhon, em que determinava a “a constituição, sob sua presidência, de uma Comissão de Investigação”.

"Segundo atas de reuniões dos dias 3 e 7 de janeiro de 1969, as primeiras gestões foram o envio de circulares-telegráficas às missões diplomáticas e repartições consulares, bem como instruções aos chefes em serviço na Secretaria de Estado, reforçando a necessidade de serem observados os princípios e propósitos do AI-5 e do Ato Complementar nº 39", aponta o relatório da CNV. Um memorando de 15 de janeiro de 1969 enviado pelo ministro ao presidente da comissão recomendava o exame rigoroso de “casos comprovados de 'homossexualismo' de funcionários do Ministério suscetíveis de comprometer o decoro e bom nome da Casa, tendo em vista o possível enquadramento dos indiciados nos dispositivos do Ato Institucional no 5”.

Relembre: 50 anos do Golpe Militar, passo a passo

A carreira diplomática

Após ser aprovado para o Itamaraty em 1943, Vinicius assumiu o primeiro posto diplomático como vice-cônsul em Los Angeles em 1946. Nos anos 1950,  atuou no campo diplomático em Paris e em Roma, onde costumava realizar  encontros na casa do escritor Sérgio Buarque de Holanda. Vinícius foi anistiado (post-mortem) pela Justiça em 1998. A Câmara dos Deputados brasileira aprovou em Fevereiro de 2010 a promoção póstuma do poeta ao cargo de "ministro de primeira classe" do Ministério dos Negócios Estrangeiros - o equivalente a embaixador, que é o cargo mais alto da carreira diplomática. A lei foi publicada no Diário Oficial do dia 22 de junho de 2010.


Fonte: EBC - Todo o conteúdo da EBC está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil exceto quando especificado em contrário e nos conteúdos replicados de outras fontes.


Pra ver tudo que o Música&Poesia postou sobre o poeta Vinicius de Moraes, clique aqui

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Biblioteca Nacional disponibiliza 740 mil obras digitalizadas

Obras raras ao alcance dos dedos

por Ana Saggese Assessoria de Comunicação do MinC

documentos raros, biblioteca nacional
Carta de D. João de 1808 que abre os portos
brasileiros
 é um dos documentos 
disponíveis para consulta (Reprodução)
No dia 28 de janeiro de 1808, Dom João de Bragança, príncipe-regente de Portugal, assinou a carta de Abertura dos Portos às Nações Amigas. O decreto, feito quatro dias depois da chegada da família real no Brasil, marcava o fim do pacto colonial e abria nossos portos às nações amigas para o livre comércio dos produtos brasileiros.
 
Esse fato, estudado nos livros de história, pode ser hoje acessado por qualquer estudante do planeta por meio da internet. E sem custo algum. Essa é apenas uma das muitas surpresas que a Biblioteca Nacional Digital (BNDigital) apresenta entre os mais de 740 mil itens que já foram digitalizados, ou, mais de dez milhões de páginas digitalizadas. Esse trabalho de digitalização começou em 2006 e, a partir de 2008, a BNDigital passou a receber aporte financeiro do MinC.
 
Você também pode ter acesso à primeira edição de Os Lusíadas, de 1572, de Camões; ou a Bíblia de Moguncia, de 1462. E a outras raridades, como a Coleção Thereza Christina Maria, doada à biblioteca pelo próprio Imperador Dom Pedro II. Com partituras, mapas, gravuras e fotos, a coleção é considerada Memória do Mundo pela UNESCO.
 
Para Ângela Monteiro Bettencourt, coordenadora da BNDigital, a digitalização do acervo vai democratizar e preservar os documentos. "É um trabalho para todos os brasileiros se orgulharem," diz Ângela. Os documentos são digitalizados em alta resolução, numa cópia fac-similar perfeita. Depois, a população pode consultá-las à vontade, sem precisar manipular o original e correr o risco de estragá-lo.
 
Com 300 mil acessos por mês, a BNDigital se orgulha de incluir a maior hemeroteca brasileira.


Fonte: Ministério da Cultura - O conteúdo do MinC é vedado ao uso comercial, poderá ser reproduzido desde que citada a fonte, excetuando os casos especificados em contrário e os conteúdos replicados de outras fontes.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Hoje é dia de João do Vale, poeta do Povo

JOÃO DO VALE - Poeta do povo
por Angela Pinho

Semi-analfabeto, cantou a beleza e o sofrimento de sua gente. Maranhense universal, faz parte da santíssima trindade da música nordestina.

Entre suas composições a mais famosa é Carcará
JOÃO DO VALE. Poeta e compositor - Foto AlmanaqueBrasil
O ano é 1953. Na construção em Ipanema, ressoa canção na voz de Marlene: Estrela miúda / Que alumeia o mar / Alumeia terra e mar / Pra meu bem vir me buscar. João vira para o colega: “Sabe quem é o autor? Disfarça e olha aqui: eu.”
“Conversa, neguinho, tá delirando, rapaz? Bota massa, sô.”
O desacreditado rapaz de 19 anos figuraria, ao lado de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, na santíssima trindade da música nordestina.

TIJOLO POR TIJOLO
“Meu nome é João Batista do Vale. Pobre, no Maranhão, ou é Batista ou é Ribamar. Eu saí Batista.” Assim se apresentava. Nasceu em 1934 em Pedreiras, de um casal de agricultores; quinto de oito filhos; só três sobreviveram. Sorridente, pernas tortas, dançava e fazia versos para anunciar os doces da mãe na rua.
Aos 12 anos, muda com a família para São Luís. Vende frutas e compõe para o bumba-meu-boi. Aos 14, foge com um circo para Teresina, Piauí. Como ajudante de caminhão, conhece ritmos de todo o Nordeste. Vai parar em Salvador, depois Teófilo Otoni, Minas: quer ganhar algum no garimpo. Não acha nada, mas chega ao Rio, seu sonho.
Trabalha em construção. Mora nas obras e, à noite, procura artistas para cantar suas músicas. Em 1953, quando Marlene grava Estrela Miúda, deixa de ser pedreiro. Faz duradoura parceria com Luiz Vieira.
No começo dos anos 1960, vai cantar no Zicartola, bar de Cartola e sua mulher, Dona Zica. Lá, em 1964, o convidam a participar do musical Opinião. Marco da luta contra a ditadura, o espetáculo projeta João para o País. Em 1965, Bethânia, substituta de Nara Leão no show, faz de Carcará não só a música mais famosa do compositor como hino contra o regime: Carcará pega, mata e come.

“O NEGÓCIO NÃO É BEM EU”
1942. João está no terceiro ano do primário. Chega a Pedreiras novo coletor de impostos, com o filho. A escola não tem vaga. Expulsam João para dar lugar ao garoto. “Botaram rua com meu nome, me homenageiam, só pra desmanchar o que fizeram. Mas nem Deus querendo esqueço”, diria, anos depois.
João, que sabia ler, não aprendeu a escrever. Mas a experiência lhe daria aguda percepção da realidade, como mostra em Minha HistóriaEnquanto eu ia vender doce / Meus colegas iam estudar / [...] Mas o negócio não é bem eu / É Mané, Pedro e Romão / Que também foi meus colegas / E ficaram no sertão / Não puderam estudar / E nem sabem fazer baião.
Não gostava de chamar suas canções de “música de protesto”. Mas a crítica social é inegável. Sina de CabocloEu sou um pobre caboclo, ganho a vida na enxada / O que eu colho é dividido com quem não plantou nada / [...] Deus até tá ajudando, tá chovendo no sertão / Mas plantar pra dividir, num faço mais isso não.

MUITA GENTE DESCONHECE
No final dos anos 1960, a censura aperta. João volta a Pedreiras. Em 1978, no Rio, organiza o Forró Forrado, ponto de encontro de nordestinos que abriga shows seus e de amigos ilustres - de Chico Buarque à argentina Mercedes Sosa. É Chico, aliás, o responsável pela gravação do segundo lp de João, em 1981, 16 anos depois do primeiro. Muitos não sabiam que era João o autor de sucessos cantados por outros, como O Canto da EmaPisa na FulôNa Asa do Vento: A ciência da abêia, da aranha e a minha / Muita gente desconhece.
Em 1986, sofre derrame cerebral. Deixa a casa simples em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, e volta para Pedreiras. Em 6 de dezembro de 1996, depois de novo derrame, morre, aos 62 anos, o aclamado “poeta do povo”.

SAIBA MAIS 
Pisa na Fulô Mas Não Maltrata o Carcará
, de Márcio Pachoal (Lumiar, 2000).

Fonte: Almanaque Brasil - O Almanaque Brasil está sob uma licença Creative Commons

Carcará - Maria Bethânia interpreta canção de João do Vale

Maria Bethânia cantando a música Carcará na sua estréia nos palcos, em 1965, quando ainda tinha apenas 17 anos de idade. Esse número fez parte do show Opinião, que foi um espetáculo histórico de protesto, do qual também participaram Zé Keti e João do Vale. A cantora Nara Leão fez parte da primeira versão do espetáculo, mas teve que se ausentar e indicou Bethânia pra lhe substituir, quando a baiana ainda era uma desconhecida. No final da música, Bethânia emenda com um texto sobre a migração do povo nordestino para os grandes centros urbanos brasileiros. (fonte: Youtube)

Carcará
Composição: João do Vale/José Cândido

Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Morre, aos 97 anos, o poeta Manoel de Barros

Poeta, escritor Manoel de Barros
MANOEL DE BARROS - Primeiros poemas aos 13 anos
O poeta Manoel de Barros morreu hoje (13), em Campo Grande. Considerado um dos maiores autores da língua portuguesa, ele estava internado desde o último dia 24, no Hospital Proncor, da capital sul-mato-grossense, devido a uma obstrução intestinal. Segundo a assessoria do hospital, o poeta faleceu às 8h05, devido à falência múltipla de órgãos.

Conhecido pela linguagem coloquial – à qual chamava de idioleto manoelês archaico - e por buscar inspiração nos temas mais simples e banais, Barros dizia ser possível resumir sua trajetória de vida em poucas linhas. “Nasci em Cuiabá [à época, 1916, dezembro. Me criei no Pantanal de Corumbá [MS]. Só dei trabalho e angústias pra meus pais. Morei de mendigo e pária em todos os lugares da Bolívia e do Peru. Morei nos lugares mais decadentes por gosto de imitar os lagartos e as pedras. Publiquei dez livros até hoje. Não acredito em nenhum. Me procurei a vida inteira e não me achei – pelo que fui salvo. Sou fazendeiro e criador de gado. Não fui pra sarjeta porque herdei. Gosto de ler e de ouvir música - especialmente Brahms. Estou na categoria de sofrer do moral, porque só faço poesia", escreveu o autor.

Barros começou a esboçar seus primeiros poemas aos 13 anos de idade. Seu primeiro livro, intitulado Poemas, foi publicado em 1937, quando o autor tinha 21 anos. Pouco afeito à política partidária, chegou a integrar o Partido Comunista Brasileiro, mas por pouco tempo. Desde a década de 1950, conciliava a literatura com a gestão da fazenda que herdou dos pais.

Perfeccionista, conquistou os prêmios literários Jabuti (1989 e 2002); Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) (2004); Nestlé (1997 e 2006); Alfonso Guimarães da Biblioteca Nacional (1996) e Nacional de Literatura, concedido pelo Ministério da Cultura ao conjunto de sua obra, em 1998. Em 2000, foi agraciado com o Prêmio Academia Brasileira de Letras, pelo livro Exercício de Ser Criança.

Os governos de Mato Grosso – onde o poeta nasceu, e do Mato Grosso do Sul – onde Barros vivia, decretaram luto oficial de três dias. Em nota, o governador sul-mato-grossense, André Puccinelli, diz que a obra de Barros divulgou as belezas e as potencialidades do estado, “enriquecendo assim, a história da literatura e a cultura do local que ele escolheu para viver ao lado de sua esposa.”

Também em nota, o Ministério da Cultura lamentou a morte do poeta e manifestou solidariedade aos parentes, amigos e leitores de Barros. “Simples, de poesia delicada e repleta de seu imaginário pantaneiro, Manoel de Barros jamais será esquecido – ao contrário do que dizem estes seus versos: "Quando o mundo abandonar o meu olho. Quando o meu olho furado de beleza for esquecido pelo mundo. Que hei de fazer.”

Nas redes sociais, o diretor da Fundação Manoel de Barros, Marcos Henrique Marques, comentou que toda a equipe da instituição está triste, mas continuará a honrar e divulgar a obra do poeta. “O homem Manoel de Barros foi finito como todos nós, mas o poeta e suas obras – pautadas em seu belo sorriso, simplicidade, amor e criatividade, vão permanecer para sempre, gerações após gerações”.

Barros costumava brincar com a importância da poesia: “Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia”. Trechos de seus poemas são frequentemente citados pela perspicácia e bom humor. Desde que foi internado, dois versos, em particular, estão sendo bastante citados na mídia e em redes sociais: “Não preciso do fim para chegar” e “Do lugar onde estou já fui embora”, ambos da obra Livro Sobre Nada, de 1996.

Fonte: EBC 

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Leia Também
Poemas de Manoel de Barros

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Jornal tem fotos digitalizadas e disponibilizadas na rede

Fotos inéditas do Jornal Última Hora estão na internet


Fonte: Núcleo de Comunicação do Arquivo Público do Estado de São Paulo

Grande parte das fotografias ficou guardada em arquivo por muitos anos e não chegou a ser publicada no jornal.

Image
O Arquivo Público do Estado de São Paulo acaba de digitalizar e disponibilizar na internet parte do arquivo fotográfico do jornal Última Hora, um dos mais importantes periódicos do jornalismo brasileiro, que circulou em diversas cidades brasileiras nas décadas de 1950 e 1960. São quase 20 anos de história registrados em 54.600 mil fotografias e 1.200 ilustrações, que podem ser vistas pelo site http://www.arquivoestado.sp.gov.br/uhdigital/

Diferentes momentos da história brasileira foram registrados pelas lentes fotográficas do jornal Última Hora: o suicídio do Presidente Getúlio Vargas, em 1954; as Olimpíadas de Helsinki, em 1952; a estreia de Roberto Carlos na TV Tupi, em 1968. a visita dos Rolling Stones ao Rio de Janeiro, em 1968. Além de nomes que marcaram a música brasileira, como Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Ângela Maria e Chico Buarque e o t eatro, Eva Tudor, Tônia Carreiro, Procópio Ferreira, Grande Otelo e Cacilda Becker.

O tratamento de conservação preventiva e a digitalização dessas imagens é resultado do Projeto Última Hora – Acervo Fotográfico , que consistiu em organizar, conservar, digitalizar, tratar as imagens, produzir instrumentos de pesquisa e disponibilizar na internet este grande volume de fotografias. Este projeto teve início em 2007 no Centro de Acervo Iconográfico e Cartográfico do Arquivo Público do Estado de São Paulo.

A diretora do Centro, Elisabete Savioli , explica que as imagens desse projeto são do Departamento de Arquivo Fotográfico da Última Hora, na forma de negativos flexíveis. “Este tipo de suporte é muito frágil e de fácil deteriorização, o que torna a manipulação destes documentos bastante complicada”, explicou Elisabete. Além disso, para visualizar a imagem no negativo é preciso utilizar instrumentos específicos como lupas e mesas de luz. Leia a íntegra.


Fonte: Banco Cultural - 2008 Copylef

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morre José Saramago

Aos 87 anos, morre o escritor português José Saramago

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil


Brasília – O escritor portugês José Saramago, de 87 anos, morreu hoje (18) em consequência de falência múltipla dos órgãos, depois de um longo período com a saúde fragilizada. Prêmio Nobel de Literatura em 1998, Saramago morreu na Ilha de Lanzarote, uma das Ilhas Canárias, onde vivia desde os anos 90.

A fundação que leva o nome do escritor informou que ele estava acompanhado pela família no momento da morte. A informação foi confirmada pela imprensa portuguesa.

“O escritor morreu acompanhado por sua família, despedindo-se de forma serena e tranquila”, informou a Fundação José Saramago em um breve comunicado de cinco linhas. Segundo a nota, a morte ocorreu às 12h30 – cerca das 8h de Brasília. A notícia está estampada na capa do site da fundação na internet.

De acordo com a imprensa portuguesa, Saramago teve uma noite tranquila, tomou o café da manhã normalmente hoje, mas em seguida começou a passar mal e morreu. A mulher dele, Pilar Del Río, o acompanhava.

No blog do escritor foi postado hoje um trecho de uma entrevista concedida por Saramago em 11 de outubro de 2008 à revista portuguesa Expresso.

“Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objetivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma”.

Edição: Tereza Barbosa

Fonte: AgênciaBrasil - Todo o conteúdo da Agência Brasil está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 2.5. Brasil.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Cultura Livre à disposição de todos

Conheça o projeto da Brasiliana Digital que visa democratizar o acesso cultural disponibilizando para baixar, de forma livre e irrestrita, vasto acervo de livros, documentos, periódicos e manuscritos. Salve a cultura livre!

Recentemente toda obra do poeta Vinícius de Moraes, num total de 15 livros, foi disponibilizada gratuitamente no saite da Biblioteca Brasiliana Digital.


SAIBA MAIS SOBRE A BRASILIANA DIGITAL

A Brasiliana Digital é uma extensão do gesto de generosidade de Guita e José Mindlin de tornar público um acervo único de documentos sobre o Brasil.



quinta-feira, 22 de abril de 2010

Como Fazer uma Rádio Comunitária

UFRGS publica cartilha que ensina como fazer rádio comunitária

Fonte: RITS Rede de Informação do Terceiro Setor

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul [UFRGS], através da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação [Fabico] e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação [PPGCOM], está publicando a cartilha Para fazer Rádio Comunitária com "C" maiúsculo.

A obra é organizada por Ilza Girardi, professora do PPGCOM, e Rodrigo Jacobus, mestrando do programa, e dá sequência a um trabalho de seis anos que já havia publicado a “Cartilha (sem frescura) da Rádio Comunitária”.

A cartilha, que traz um histórico das rádios comunitárias, questões da legislação e fornece informações de como montar uma rádio, está sobre licença Creative Commons e pode ser distribuída gratuitamente sobre a mesma licença, que pode ser conferida na página quatro da obra.

Baixe seu exemplar e redistribua a cartilha, reforçando a importância de obras compartilhadas sem custo, priorizando o acesso livre à informação. A cartilha está disponível aqui para download [em PDF].

Notícia publicada originalmente no sítio da Abong.


Fonte: BancoCultural Copyleft