Escolha um hit para Paula Lima por Marco Antonio Barbosa
Paula Lima é uma cantora que realmente coloca a opinião de seus fãs em primeiro lugar. Para provar isso, a intérprete promove, através de seu site (www.paulalima.com.br) uma enquete que decidirá qual será a próxima faixa de trabalho a sair de seu mais recente (e terceiro) álbum solo, Sinceramente.
Os internautas poderão escolher entre "Eu já notei" (de Ana Carolina e Totonho Villeroy) e "Tirou onda" (Acyr Marques, Arlindo Cruz e Maurição). Até 16 de março, a enquete estará no ar; a mais votada vai para a programação das rádios. Para tirar quaisquer dúvidas dos fãs, as músicas podem ser ouvidas abaixo:
Clássica música de Chico Buarque, Cotidiano, na indefectível interpretação de Arnaldo Antunes, ganha aqui animação de Ivan Mola, artista plástico e ilustrador paulistano. As inevitáveis repetições do dia-a-dia não poderiam ser melhor representadas. Vale a pena assistir o Cotidiano deste pobre desenho animado.
Ouça trechos da conversa entre Dona Ivone Lara, Leci Brandão e Teresa Cristina
Confira os áudios ao final do texto
Vozeirão que já na fala se impõe, alta, olhar firme, Dona Ivone Lara chega a causar timidez em quem dela se aproxima. Que o diga a cantora Teresa Cristina. Sorriso largo e ar de menina que o tempo perdoa, ela não disfarça a tietagem:
– Toda vez que eu encontro a Dona Ivone eu fico muito mexida. Imagina a quantidade de gente que não encontra a Dona Ivone e fica assim.
Dona Ivone, sem notar, desfila majestade. Leci Brandão, camiseta da Mangueira a demarcar a origem, jeito de quem guerreia, fica no meio das duas. E fala pelas três.
– Qualquer compositora de MPB, numa reportagem, sai como compositora. Já a gente é sambista.
Três gerações. Três melodias. Três rimas. Ivone, 85 anos, Leci, 62, e Teresa, 38, se reuniram há duas semanas no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, num show chamado Santíssima Trindade, destinado a mostrar as canções das três principais compositoras de samba do Brasil.
No teatro lotado, levaram o público ao delírio. Entoaram os sambas da própria lavra e, ao final, cantaram em capela que Um sorriso negro, um abraço negro/ Traz felicidade. Juntas, mostraram a força dos talentos lapidados pela vida.
Dona Ivone foi enfermeira. Leci, telefonista. Teresa, manicure. Nascidas pobres, mulheres e negras, um dia se deram conta de que a música não as largaria. Ser artista era coisa de outras gentes, pensavam. Mas acabou acontecendo com elas.
Difícil saber o que mais impressiona ao vê-las reunidas: se a vida, o samba ou o apanhado de gerações. No camarim, antes do show, recebem CartaCapital para uma conversa. Desfiam histórias sem fim, fazem perguntas umas às outras e, fala cortada por fala, descortinam o samba, a vida, o Brasil.
Dona Ivone, compositora de primeira grandeza, começa com as histórias que chegam borradas aos livros:
– Meus avós foram escravos. Meu avô foi capataz e minha avó era mucama. Tinha um general que chamava minha avó de mãe. Meu avô era um capataz que não era mau para os irmãos de senzala, pelo contrário. Quando os irmãos faziam qualquer arte, se ele pudesse esconder, ele escondia. Se o patrão queria castigar, ele dava fuga. Meu avô cuidava deles. Quando eu falo na música de curar os ferimentos com o banho de abô, eu tô falando do meu avô.
Teresa lembra da música todinha:
– É... O Axé pra Ianga. Dona Ivone, a senhora não teve vontade de colocar essas histórias num livro, não?
– Eu? De jeito nenhum. Tenho horror a isso. Graças a Deus, vim de ventre livre. Senão, eu ia ser danada.
Teresa, revelação do samba no fim dos anos 90, musa do bairro da Lapa, no Rio, lacrimeja ao falar de Dona Ivone:
– Toda vez que encontro com ela, eu fico muito embasbacada. Acho que, se a gente morasse em outro país, teria escolas de música com o nome da Dona Ivone. Eu não acho que ela não é reconhecida, não, mas deveria ser nome de rua, de colégio...
– Mas quando eu morrer...
Gargalham todas com a provocação. Dona Ivone, nascida em 1922, no bairro de Botafogo, no Rio, é, de fato, compositora já lendária do samba. Parceira de Silas de Oliveira, Hermínio Bello de Carvalho, autora de músicas que todos sabem cantarolar, como Sonho Meu e Alguém Me Avisou, foi a primeira mulher a emplacar um samba-enredo no carnaval carioca, em 1965. Isso sem falar na voz rara.
Graças ao tio, entrou na Ala dos Compositores da Império Serrano. Num meio machista, faz questão de dizer que só vingou ali porque tinha as costas quentes:
– Eu digo que entrei para a Ala dos Compositores porque quem montou a ala foi meu tio. Ele falou: “Ivone vai ser parceira de Silas e não se fala mais nisso”. Aí todo mundo acatou.
História bem diferente teve Leci. Sua porta para o samba foi a Mangueira. Sua madrinha de batismo morava no Morro da Mangueira e era amiga de Dona Zica. O avô desfilou na escola. A mãe trabalhou com Jamelão. Ainda assim, para virar compositora, penou:
– Quando cheguei na reunião da Ala dos Compositores, com Hélio Turco, Nelson Sargento, me perguntaram: “O que você tá fazendo aqui?” Disseram que eu ia ficar um ano fazendo samba de terreiro e, se passasse no teste, aí me aceitavam oficialmente. Minha carteira é de 1972. Em 1974, eu já estava na final do samba-enredo... Mas nunca ganhei. Fui vice-campeã seis vezes!
Teresa Cristina, três décadas depois, não tinha tio que a protegesse, mas tinha música gravada em CD que homenageava a Portela:
– Eu ouço a Leci e não acredito que ela teve de ficar um ano fazendo samba de terreiro. Na Portela, me convidaram. Mas a história dela, na Mangueira, me encoraja a nunca querer fazer samba na Portela. Primeiro, porque o samba-enredo de hoje... Como eu vou compor um samba corrido desse jeito? Tem de agradar a bateria, tem de agradar não sei quem. Está jogada a lenha na fogueira. Leci, comentarista dos carnavais da Globo, pega o fio puxado por Cristina e prossegue:
– Agora existe o empresário do samba. Para poder concorrer, você tem de ter estrutura financeira, distribuir CD na comunidade, dar comida não sei para quem. Dona Ivone também não quer mais saber do carnaval que, tornado negócio como quase tudo, perdeu a espontaneidade que o fez único e grande:
– Você vê samba-enredo às vezes com dez compositores. E isso lá é samba?
Leci atribui os novos rumos à transformação das escolas em palco de aparecidos mil:
– Antes era negócio de quilombo, de cantoria, de morro e favelado, né? Mas, hoje, todo mundo quer sair na Mangueira. Quando entrei na escola, a gente distribuía adereço na avenida, fazia foguinho pra esquentar tamborim e areava panela de feijoada. Mas, depois de se globalizar, o desfile passou a ser um lugar interessante para as pessoas aparecerem. É o tal in e out. Agora é in sair em escola. Então, tem rainha de bateria que é modelo, atriz. As meninas da comunidade ficam fazendo a corte.
Se os novos contornos das escolas incomodam as artistas, mais ainda as incomoda a idéia de que, nestes anos 2000, o samba virou “moda”. Teresa rebate:
– Comecei a cantar samba em 1998 e já tinha esse mesmo papo da moda. Eu nunca vi uma moda durar dez anos! Ele já tava na moda antes. E sempre estará.
Apesar disso, por mistérios da etimologia – e, quem sabe, do preconceito de classe –, samba não é considerado MPB. Por causa disso, Teresa sofre um bocado para abrir brechas nas rádios, por exemplo:
– Na visão de muita gente, MPB é sofisticado e samba não é. Aí tem rádio com perfil de MPB que diz que não pode ter samba para não ficar popular demais. Daí, vou para a rádio de samba, e ouço: “Você é sofisticada demais, aqui é mais pagode, tem de ter mais barulho. Aí dizem que fulana de tal cantava samba no início da carreira, se sofisticou e começou a cantar MPB. Então ela era esculhambada porque cantava samba? E isso tem gente que fala sem nem sequer perceber...
Carmo Lima, produtor do show Santíssima Trindade, observa, porém, que a presença do samba em teatros como o Sesc Vila Mariana indica que o preconceito escasseou. Mas por que ainda são tão raras as mulheres nesse universo? “O samba começou na casa de uma mulher, a Tia Ciata, nos anos 20, onde se reuniam Donga, Pixinguinha, João da Baiana e Heitor dos Prazeres. Mas a mulher, mesmo que soubesse cantar, não podia entrar na roda. Então, é até natural que poucas se aventurem a compor”, avalia.
Compuseram aquelas que não tinham escolha. Não tinham escolha porque, simplesmente, a música sempre transbordou dessas mulheres. Dona Ivone relembra:
– Eu fui criada num colégio interno, onde éramos 300 alunas. Eu tinha um conceito muito bom lá porque sempre gostei de cantar. Eu pertenci ao orfeão artístico, compreendeu? E sinto uma facilidade danada com melodia. Vai saindo assim ... Mas, quando a gente compõe, o que a gente está fazendo, no fundo, é contar a história da nossa vida.
Legenda Foto:Três gerações. No camarim, as compositoras Ivone, Leci e Teresa descortinam a vida, o samba, o Brasil Fonte: CartaCapital Foto: Igor Bier Pessoa
"Isso não é música”!, pragueja quem vê ou ouve Geladeira Metal. Quem não diz nada, nem precisa. Basta olhar para a expressão do rosto: varia entre indignação, riso, pasmaceira, nojo... Se em algum lugar a Geladeira goza de boa reputação, é porque ainda não tocou lá. O “dado concreto” é que ela geralmente não pisa duas vezes no mesmo local.
E isso não é música mesmo. É quase tortura. A dupla formada pelos artistas multimídia low-profile Grilo e Paulinho do Amparo é muito mais performática do que musical, no sentido de que, no que eles compõem, não existe o mínimo de decência em termos de harmonia, melodia ou ritmo. São urros guturais, grunhidos, notas desconexas no teclado e contrabaixo tocados como ou como se fosse heavy metal, ou delicadamente fazendo climas para as letras, estas variando entre cartas de apoio ao programa nuclear da Coréia do Norte, protestos contra a companhia de eletricidade e declarações de amor à Lili, a cachorra de estimação.
As reações são adversas. Por exemplo, durante um programa de TV ao vivo, Grilo botou um sonrisal na boca e simulou um ataque epilético, gerando revolta em uma entrevistada politicamente correta. Pra quem perdeu, o tape foi parar no You Tube , entre alguns outros momentos especiais gravados em DV. Num show mais recente, que ainda não chegou ao popular site de vídeos, Paulinho fez um despacho com um pacote de Elma Chips e uma garrafa de Coca-cola no lugar da galinha preta.
Praticamente ignorados pela imprensa musical (são simplesmente citados quando tocam em alguma festa), o Geladeira Metal continua a tocar seu auto intitulado “jazzy core, ou noise infantil”, com inspiração dadaísta em artistas como o japonês Yamatsuka Eye e o saxofonista americano John Zorn.
Seu mais novo projeto se chama Abaixo o Carnaval de Olinda, um CD-movimento social disseminado por email, onde uma das músicas e capa estão disponíveis lá em cima. Para saber mais sobre o movimento, assim como o projeto "Afunda, Meu Recife", clique aqui.
Áudios O Verdadeiro Hino Oficial do Carnaval de Olinda (1.1 Mb) streamingdownload
Para acabar com o Carnaval da Cidade Alta de Olinda (5.5 Mb) streamingdownload
Marcha De Quarta-Feira De Cinzas (Vinicius de Moraes, Carlos Lyra)
Acabou nosso carnaval Ninguém ouve cantar canções Ninguém passa mais brincando feliz E nos corações Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê É uma gente que nem se vê Que nem se sorri Se beija e se abraça E sai caminhando Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar Mais que nunca é preciso cantar É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem Qualquer dia vai se acabar Todos vão sorrir Voltou a esperança É o povo que dança Contente da vida, feliz a cantar Porque são tantas coisas azuis E há tão grandes promessas de luz Tanto amor para amar de que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver E brincar outros carnavais Com a beleza dos velhos carnavais Que marchas tão lindas E o povo cantando seu canto de paz Seu canto de paz
Todo Carnaval tem seu Fim (Marcelo Camelo)
Todo dia um ninguém josé acorda já deitado Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado Mas o dia insiste em nascer Mas o dia insiste em nascer Pra ver deitar o novo...
Toda rosa é rosa por que assim ela é chamada Toda Bossa é nova e você não liga se é usada Todo o carnaval tem seu fim Todo o carnaval tem seu fim É o fim, é o fim
Deixa eu brincar de ser feliz, Deixa eu pintar o meu nariz
Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco Toda escolha é feita por quem acorda já deitado Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado E pinta o estandarte de azul E põe suas estrelas no azul Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz, Deixa eu pintar o meu nariz
(Ouça e veja a intepretação do Los Hermanos para Todo Carnaval tem seu Fim acima)
Todo Carnaval tem seu Fim - Composição de Marcelo Camelo, vocalista do Los Hermanos, foi gravado pela banda em seu segundo disco, Bloco do Eu Sozinho (2001). Confira a interpretação de Maria Rita para a música do Los Hermanos, em apresentação no Sesc Pinheiros, em São Paulo.
O vídeo dos Novos Baianos, interpretando a música Brasil Pandeiro, foi extraído do antigo Programa MPB Especial, da TV Cultura, no início dos anos 70. Esta atração depois foi rebatizada de Ensaio e é até hoje transmitida pela emissora.
Eu quis um dia, como Schumann, compor Um carnaval todo subjetivo: Um carnaval em que o só motivo Fosse o meu próprio ser interior...
Quando o acabei - a diferença que havia! O de Schumann é um poema cheio de amor, E de frescura, e de mocidade... O meu tinha a morta mortacor Da senilidade e da amargura... – O meu carnaval sem nenhuma alegria!
Carnaval de Ontem e de Hoje (cruz e souza)
Do apartamento de Dora Ouve-se o ruído lá fora Do carnaval que já vem. O samba do morro desce E a gente do morro esquece Do gosto que a vida tem. A Vovó fica alarmada! Que terror esta enxurrada De gente suja e brutal! As mulheres, quase nuas, Homens de saia, nas ruas, — Meu Deus, isto é carnaval?
“No seu tempo”, felizmente, Era tudo diferente À neta ela explica, então: — Gente distinta, educada, Batalhava na calçada Do Jockey, que animação!
O corso era uma beleza!
Que elegância, que riqueza De confeti e serpentinas! Sobre as capotas descidas Moças bonitas, vestidas Das fantasias mais finas.
Nos bailes, que brincadeira! Nem pulos, nem bebedeira, Todos podiam dançar. Mas de outro modo, distinto: Se era “família” o recinto, Ninguém mais podia entrar.
Dançava-se o tempo todo. Brincava-se mesmo a rodo, Sem mal, contente e feliz. E o lança-perfume, eu penso Não era usado no lenço E abusado, no nariz!
Às vezes, um mascarado Chegava, alegre e engraçado, Metido num dominó. Passava, dando os seus trotes, Depois lá ia, aos pinotes, Brincalhão, como ele só!
E a Vovó contava à neta... Dorinha ouvia, bem quieta Mas, de repente diz: - Qual, Vovó, desculpe o que eu digo Mas que chato é o tempo antigo! Meu Deus, isso é Carnaval?
Cachaça Mecânica (erasmo carlos)
Vendeu seu terno, seu relógio e sua alma E até o santo ele vendeu com muita fé
Comprou fiado pra fazer sua mortalha Tomou um gole de cachaça e deu no pé
Mariazinha ainda viu joão no mato Matando um gato pra vestir seu tamborim
E aquela tarde já bem tarde comentava Lá vai um homem se acabar até o fim
João bebeu toda cachaça da cidade Bateu com força em todo bumbo que ele via
Gastou seu bolso mas dançou desesperado Comeu confete , serpentina e a fantasia
Tomou um tombo bem no meio da avenida Desconfiado que outro gole não bebia
Dormiu no tombo e foi pisado pela escola Morreu de samba , de cachaça e de folia
Tanto ele investiu na brincadeira Pra tudo tudo se acabar na terça-feira
Desce (arnaldo antunes)
desce do trono, rainha desce do seu pedestal de que te vale a riqueza sozinha, enquanto é carnaval?
desce do sono, princesa deixa o seu cetro rolar de que adianta haver tanta beleza se não se pode tocar?
hoje você vai ser minha desce do cartão postal não é o altar que te faz mais divina deus também desce do céu
desce das suas alturas desce da nuvem, meu bem porque não deixa de tanta frescura e vem para a rua também?
Sala de recepção (cartola)
Habitada por gente simples e tão pobre Que só tem o sol que a todos cobre Como podes Mangueira cantar?
Pois então saiba que não desejamos mais nada A noite a lua prateada, silenciosa Ouve as nossas canções Bem lá no alto do cruzeiro Onde fazemos nossas orações
Temos orgulho de sermos os primeiros campeões Eu digo e afirmo, que a felicidade aqui mora E as outras escolas até choram Invejando a tua posição Minha Mangueira És a sala de recepção Aqui se abraça o inimigo como se fosse irmão
Pierrot, do Los Hermanos, é faixa do disco de estréia, homônimo, da banda, lançado em 1999. O vídeo foi gravado durante a produção do DVD Los Hermanos Ao Vivo no Cine Íris (2005), porém, não foi incluído no mesmo. Assista aqui no Carnaval do Música&PoesiaBRasileira.
Confiram esta releitura de uma clássica marchinha de carnaval. Transvestida de um viés eletrônico, as imagens que compõem o clipe estão invadidas de símbolos e estereótipos da cultura brasileira.
Um filme sobre um dos principais mestres de bateria de escola de samba do Rio de janeiro que fala sobre música e a sua história de amor. Assista de camarote ao filme Jorjão e entre no ritmo do carnaval com o revolucionário mestre de bateria. Esta folia não acaba na Quarta-Feira de Cinzas.
Ficha Técnica Fotografia Paulo Tiefenthaler Roteiro Paulo Tiefenthaler Edição Paulo Tiefenthaler, Rick Liuzzi Edição de som Ricardo Cutz Montagem Paulo Tiefenthaler, Rick Liuzzi
carnaval inesquecível na cidade alta - mundo livre s/a
Fred Zero Qu4tro e companhia (S/A) mostram o seu inesquecível carnaval em Olinda. A música, Carnaval Inesquecível na Cidade Alta, pertence ao disco Bebadogroove (2005).
Sexto trabalho dos pernambucanos do Mundo Livre S/A, foi lançado em EP (com o intuito de baratear custos e ampliar o acesso do público) e batizado com o pequeno nome de "Bebadogroove Vol. 01 (GarageSambaTransmachine)", título com referência ao disco "Beba do Samba", de Paulinho da Viola.
Se eu fosse um padre(mario quintana) Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões, não falaria em Deus nem no Pecado - muito menos no Anjo Rebelado e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas: nada das suas celestiais promessas ou das suas terríveis maldições... Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos, desses que desde a infância me embalaram e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma ... a um belo poema - ainda que de Deus se aparte - um belo poema sempre leva a Deus!
Dos nossos males(mario quintana)
A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...
Bilhete(mario quintana)
Se tu me amas, ama-me baixinho Não o grites de cima dos telhados Deixa em paz os passarinhos Deixa em paz a mim! Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho, Amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
Festival de João Pessoa abre inscrições para curtas O Cineport permite a participação de produções do Brasil, de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste
SÃO PAULO - A terceira edição do Festival de Cinema em Língua Portuguesa (Cineport) ocorrerá de 4 a 13 de maio, em João Pessoa, e recebe, até 10 de março, inscrições para o prêmio Andorinha Digital, dedicado a filmes de curta-metragem. Segundo a criadora do evento, Mônica Botelho, por causa do aumento significativo de candidatos nos anos anteriores, as inscrições foram antecipadas.
Podem participar produções do Brasil, de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
As inscrições são feitas no site www.festivalcineport.com, onde está o regulamento da competição, que tem também prêmios para longas.
OS PRIMEIROS DISCOS DE CHICO, ELIS E MUTANTES. FINALMENTE
Por muitos anos, a indústria fonográfica brasileira investiu pesado em coletâneas de artistas. Nem sempre cuidadosas, elas freqüentemente reuniam grandes sucessos selecionados a esmo, sem qualquer preocupação quanto à adaptação do projeto gráfico para o novo formato. Mas, recentemente, algumas gravadoras têm demonstrado nova tendência: o relançamento de discos que por muito tempo permaneceram fora de catálogo. É o caso da série Os Primeiros Anos, editada pela Som Livre. Entre os lançamentos, cujos projetos procuram aproximar-se da arte dos velhos bolachões, estão os discos inaugurais das carreiras de Chico Buarque e Elis Regina. A caixinha de Elis vem com seus dois primeiros discos, de 1961 e 1962, quando a futura estrela nacional era conhecida apenas no Rio Grande do Sul. Já a de Chico, com três álbuns lançados originalmente entre 1966 e 1968, revela um compositor um tanto promissor. As caixas são vendidas por cerca de 40 reais cada, preço razoável se comparado ao que se cobra pelos últimos lançamentos. Outra reedição oportuna, da gravadora Universal, é a discografia completa dos Mutantes, fora de catálogo desde 1992. Já não era sem tempo. (RC)
EMBRULHO PRA LEVAR (EP)
Jovem banda porto-alegrense, Apanhador Só encanta com versos de lirismo surpreendente como Estou rouco de saudade de você.
FINO COLETIVO O septeto baseado em Maceió e no Rio estréia em saboroso disco que reverencia o samba com sonoridade contemporânea.
PASSO DE ANJO O projeto reúne 18 músicos para dar tratamento diferenciado ao frevo. Repleto de improvisações, remete ao jazz.
Este é o vídeo clipe da música Fogo no Pavio, do rapper GOG, um dos rappers mais engajados do Brasil e um dos primeiros a usar bases e samplers de música brasileira. Leia mais sobre esse assunto aqui.
Músico Johnny Alf é internado em São Paulo da Folha Online
O cantor, compositor e pianista Johnny Alf, 77, considerado um dos precursores da bossa nova, foi internado nesta terça-feira no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, em São Paulo. A assessoria de imprensa da instituição disse que detalhes sobre o quadro de saúde de Alf seriam divulgados mais tarde.
Como precursor da bossa nova --são 53 de carreira e 47 dedicados ao gênero--, Johnny Alf é aclamado por grandes nomes do movimento, como João Gilberto e Dolores Duran.
Com formação de piano clássico na adolescência, Alf se profissionalizou na noite de Copacabana, em que conheceu e tornou-se amigo de Dolores Duran, João Gilberto e João Donato.
O músico rapidamente tornou-se um nome lendário --suas temporadas na primeira metade dos anos 50 reuniam na platéia ouvintes como Tom Jobim, Sylvia Telles, Baden Powell, Roberto Menescal e Alaíde Costa, entre outros.
Com influências jazzísticas de George Shearing, Cole Porter e Nat King Cole, o piano de Alf influencia legiões de cantores e pianistas não só no Brasil, mas em todo o mundo. "Eu ouvia muito Sarah Vaughan e Nat King Cole, cantava muito o repertório deles na boate. Aí, aprendi a usar o jazz como cobertura na minha música", disse ele à Folha no início de 2006.
Nascido Alfredo José da Silva, no Rio, Johnny Alf veio morar em São Paulo em 1955, onde vive até hoje. Em mais de cinco décadas de carreira, criou célebres composições como "Rapaz de Bem" e "Eu e a Brisa", sua canção mais famosa.
Ex-membro do PCB e um remanescente do Tropicalismo, Jorge Mautner é o criador de canções como “Maracatu Atômico” e “Lágrima Negra”, além de gravar um álbum com Caetano Veloso chamado “Eu não Peço Desculpa” e ter dez livros publicados.
por Rafael Sampaio – Carta Maior
RIO DE JANEIRO - Henrique George Mautner, mais conhecido como Jorge Mautner, iniciou sua carreira artística em 1958, quase por acaso. “Fui artisticamente descoberto na Revista Diálogo, onde textos meus foram publicados por Paulo Bonfim, Guilherme de Almeida e pelo filósofo Vicente Ferreira da Silva”, afirma ele, em entrevista à Carta Maior concedida durante a Bienal de Arte e Cultura da UNE.
“Filiei-me ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1963 e publiquei minha saudação a Brasília, que é o livro Kaos. Antes mesmo da cidade estar pronta, estive por lá, em 1958 e 1959”, afirma Mautner, que segue como um dos mais vigorosos artistas de sua época.
Premiado com o Jabuti de Revelação Literária, em 1962, pelo livro Dança da Chuva e da Morte, Mautner participou do Tropicalismo, movimento artístico tupiniquim capitaneado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Gal Costa, entre outros. Conhecido pela alcunha de “artista maldito”, Mautner inspirou-se nos hippies e no movimento beatnik para criar, escrever e compor.
Autor de dez livros, como Kaos (1963), Narciso em Tarde Cinza (1965), Vigarista Jorge (1965), Fragmentos de Sabonete (1973), Sexo do Crepúsculo (1982) e Floresta Verde Esmeralda (2002), Mautner ainda é poeta, cartunista, violinista, pianista, compositor, artista plástico, cineasta e cantor. Há três meses, ele lançou uma autobiografia, chamada O Filho do Holocausto, na qual conta detalhes de sua vida que até então permaneceram obscuros.
Seu lado mais famoso é o de compositor musical. Mautner é considerado um dos mais gravados compositores em vida no Brasil. Dentre as suas criações, estão as músicas Lágrimas Negras, gravada por Gal Costa; O Rouxinol e Herói das Estrelas, gravadas por Gilberto Gil; e também Maracatu Atômico, que fez história na década de 70 e retornou como sucesso retumbante na voz e na ginga de Chico Science, morto há exatos dez anos em um acidente automobilístico.
Dentre tantas criações de Jorge Mautner, encontra-se o filme O Demiurgo, considerado por Glauber Rocha como “o melhor filme já feito sobre o exílio”. Gravada em Londres em 1970, esta película reúne diversos artistas expulsos do país, como Jards Macalé, Dedé Veloso, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Leilah Assunção, Roberto Aguilar, Sandra Gadelha e o próprio Mautner, em uma trama chamada pelo artista de “chanchada filosófica”.
Hoje, Mautner mantém o Pontão da Cultura do Kaos, que já visitou 22 pontos em cinco estados do país (São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Rio Grande do Norte). As apresentações performáticas de Mautner e Jacobina, montadas com causos, poesias e canções, abordam temas históricos que inspiram novos olhares sobre o mundo. No próximo dia 10 e fevereiro, fará a primeira apresentação do Pontão de Cultura do Kaos de 2007. O evento, aberto ao público, acontecerá às 15h no Instituto Pensarte (Alameda Nothamnn, 1029), e terá a participação do maestro Jacobina e do músico Jean Kuperman.
Carta Maior - O que você acha que está sendo feito de mais importante, em termos de cultura afro-brasileira, no Brasil? Jorge Mautner - A cultura afro-brasileira inaugurou, desde uma nova possibilidade de mundo, uma nova visão, que é algo além da mistura e da miscigenação. É um amálgama, nas palavras de Jorge Caldeira [autor do livro Noel Rosa, de Costas para o Mar], que não foi só feito com a independência de José Bonifácio em 1823, mas foi muito mais.
O amálgama brasileiro é reinterpretado a toda hora. E existe uma absorção dos elementos que compõem esta alquimia, sejam eles indígenas, negros, europeus. Os bantos [grupo étnico africano] logo se misturaram com os índios e inventaram o Cururu [dança típica do Mato Grosso, organizada nas festas de São Benedito], o Cateretê ou Catira [típico do interior de São Paulo e Minas Gerais], e também esse amálgama criou a nossa viola caipira, e o nosso samba, que é antiqüíssimo.
É bom lembrar a obra artística maravilhosa de Abdias Nascimento, que foi homenageado aqui, na Bienal da UNE. E também lembrar que a cultura negra invade tudo. O que é o Rock n’ Roll? O que é Rhythm and Blues?
Veja você: o próprio Pavarotti quer cantar com o Caetano Veloso. Então, hoje em dia, a cultura negra tem uma abrangência enorme. A nossa música, assim como o futebol, tem ginga afro-brasileira. É a manha e a artimanha, e isso me lembra a capoeira, que é uma arte marcial inacreditável.
Muita gente acha que a capoeira é só música e luta, mas não. Há uma linguagem simultânea, tríplice, que mistura a brincadeira, a dança, e a luta também. Ou seja: quando hoje se fala em multiplicidade, em simultaneidade, no mundo digital e quântico, basta olhar para a nossa cultura e vamos ver que isso já existe há muito tempo. Nossa cultura renova-se sempre, apesar de ter raízes antigas. Veja o hip-hop, o funk e o rap.
Quero lembrar, inclusive, que o rap é literatura. Se a letra foi abandonada em outros estilos musicais, como a música eletrônica, com o rap a letra ganha importância. A letra está ligada às crises sociais, mas também às crises existenciais.
Não existe mais essa separação do gênero musical, como quando comecei minha carreira: “eu faço letra de música social” ou “eu produzo música individual”, não, hoje em dia tudo está amalgamado, e o melhor, que é com clareza total.
O Brasil é um gigante que se fingiu de invisível até agora. Mas não dá mais. Ou o mundo brasilifica-se, ou vira nazista. Nós somos a chave para compreender o futuro. Não é só o futebol, a música, as artes... É como já disse: “Jesus de Nazaré, os tambores de candomblé”.
Na França, de onde vem a nata da realeza da Filosofia mundial, há um grupo de jovens que lançarão um livro chamado Teoria Rebelião conosco [do Ponto de Cultura do Kaos]. Estes jovens se intitulam “Os Sem-Filosofia” e estão desesperados com a situação mundial. Eles pedem auxílio aos artistas e intelectuais brasileiros para acabar com a terrível “compartimentação do conhecimento” que vitimou os europeus.
CM - O que dizer do maestro Julio Medaglia [criador do arranjo musical de “Tropicália”, canção de Caetano Veloso], que considera o hip-hop e o rap como “anti-música” por não haver melodia, apenas um ritmo monocórdico? JM – Acho estranho, porque o funk, o rap e o hip-hop são de uma grande sofisticação, porque vão além da música tradicional. Tudo no Brasil começou como o mangue beat, que reúne a dissonância da música eletrônica e o ritmo dos tambores recifenses.
Agora, pense: o rock quando surgiu era considerado pecado, considerado subversivo, mas nunca deixou de ser ouvido pelas pessoas. Indo além: o próprio samba era proibido pelo governo federal, até o início do Estado Novo, por ser altamente subversivo. Na década de 30, no Brasil, você poderia ouvir chorinho, lundu, modinha, mas o samba era um perigo.
Está aí a origem do nome da primeira escola de samba do Rio de Janeiro, “Deixa Falar”, da qual faz parte o músico Luiz Melodia e que hoje se chama Escola de Samba Estácio de Sá.
CM – A propósito do tema “Deixa Falar”, você foi o primeiro artista brasileiro a ser exilado e um dos primeiros a ter sua obra censurada. Conte um pouco dessa época. JM - Eu fui artisticamente descoberto em 1958 na Revista Diálogo, onde textos meus foram publicados por Paulo Bonfim, Guilherme de Almeida e pelo filósofo Vicente Ferreira da Silva. Em 1962, recebi o prêmio Jabuti de Revelação Literária, com Deus da Chuva e da Morte. Eu conto tudo isso numa autobiografia recente, publicada pela editora Agir, chamada O Filho do Holocausto.
Bom, em 1963, eu me filiei ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e publiquei Kaos com K, que para mim é uma saudação para Brasília. Antes mesmo de a cidade ficar pronta, estive por lá, em 1958 e 1959. Na época eu também escrevia uma coluna no jornal Última Hora, chamada de Bilhetes do Kaos. Um ano depois do golpe, em 1965, publiquei dois livros, Narciso em Tarde Cinza e o famoso Vigarista Jorge; por causa deles e por um disco com as músicas Radioatividade e Não, Não, Não eu fui enquadrado na Lei de Segurança Nacional.
Fui exilado para Nova York, depois para o México e depois fiquei sabendo que Caetano Veloso e Gilberto Gil estavam em Londres. Lá, em 1969, eu os encontrei e filmei uma chanchada-filosófica chamada O Demiurgo, que tem vários artistas no elenco, incluindo os dois e eu mesmo.
Caetano e Gil sempre quiseram voltar para o Brasil. Mas o comando da ditadura estava com os militares “linha-dura”, com [Garrastazu] Médici no poder. E os partidos não acreditavam que o regime estivesse chegando ao fim. Então a linha moderada do regime militar deu um sinal de que nós, artistas, poderíamos voltar para acelerar o processo de redemocratização. Então eu, Gil e Caetano chegamos ao Brasil em 1972.
CM – Enquanto você esteve no exílio, o regime militar chegou a monitorar suas atividades? JM– Sim. Havia um sujeito que me procurava a toda hora, pedia meu endereço, e dizia ser meu fã, em Nova York. Eu recebia a visita do companheiro Roberto Schwartz, do PCB, uma vez por mês. Esqueci de dizer, mas fiz parte do Partidão por 30 anos.
Bom, lá nos EUA, eu continuei minhas atividades políticas e reunia-me com os Panteras Negras, com os Students for a Democratic Society e outros grupos. A minha esposa, a Ruth, desconfiava desse sujeito que me seguia, ela dizia haver algo estranho. O sujeito disfarçava bem, porque conhecia a minha produção artística e também tinha uma “bagagem artístico-literária”.
Anos depois, em 1985, eu já estava no Brasil e participei de um show no Rio de Janeiro. O tal sujeito foi me procurar no show para dizer: “Você lembra de mim? Naquela época, eu estava em missão pelo SNI [Serviço Nacional de Inteligência] e acabei virando seu fã”. Foi uma história engraçada. Além desse fato, eu sabia que havia espiões da ditadura seguindo de perto os passos de Gil e de Caetano, em Londres.
CM – Como ex-militante do PCB, qual tua opinião sobre a pauta racial dentro da esquerda brasileira, nos anos 1960? Pergunto isso porque foi tema de um debate ocorrido aqui na Bienal da UNE. JM – O problema é o seguinte: a concepção do Partido era européia, e ele atuava no plano abstrato. Para o Partido, estas questões raciais eram alienadas. Não podia haver etnia, isto era coisa dos fascistas. Então, na esquerda, existia esse preconceito errado, que limitava a nossa atuação. Limitou a tal ponto que alguns setores da esquerda negavam o indivíduo e o desejo de prazer.
Eu vou lembrar aqui o Leon Trotsky que, na véspera de sua morte, nos últimos escritos publicados no México, fez uma autocrítica. Ele assume que errou muito ao menosprezar a importância das etnias, do indivíduo, dos nacionalismos locais e das culturas. Acho que foi o grande erro dele, que era o mais abstrato e internacionalista de todos os revolucionários. Enfim, ele mesmo admitiu isso por escrito.
Não tenho dúvidas de que o turbilhão existencialista, a realidade tão múltipla, a realidade aguda do ser humano, foi negada por tradição. É, de certa forma, uma herança do colonialismo. Existia esse favorecimento da erudição, do militante que é doutor e dos que não são doutores.
Mas acho que tudo isso foi refeito no Brasil, de um jeito ou de outro. Porque aqui é a nação onde há o amálgama da predominância negra na sociedade, incluindo na esquerda. Aqui o candomblé foi reinventado e na África ele é imanentista, geográfico. Por uma genialidade, no Brasil, foram criados os arquétipos muito antes de Carl Gustav Jung [psicanalista suíço].
CM – Mautner, conte para nós sobre seus mais recentes projetos com os Pontos de Cultura. JM – Pois é, tem o Ponto de Cultura do Kaos, onde eu trabalho. E desde março do ano passado estou visitando vários Pontos pelo país todo, viajando para a Amazônia, para Brasília, para São Paulo, para Goiás, para Pernambuco, para Pirinópolis, para Natal...
O primeiro Ponto de Cultura que visitei foi em Belém do Pará, para encontrar o mestre Verepeto, um ícone do carimbó [dança indígena surgida na Ilha de Marajó]. Depois fui para a pequena cidade de Abaetetuba [localizada no Pará], em que fiquei duas semanas para ver os remanescentes de quilombos.
Visitei Pontos de Cultura na zona da mata do Recife, como o terreiro de Xambá [primeiro quilombo urbano de Pernambuco]. Trata-se da única casa de candomblé com uma memória histórica preservada, com lembranças das perseguições sofridas. Há até um museu, em um dos andares da casa. Também na zona da mata, eu conheci muito do maracatu.
É impressionante o que você encontra pelo Brasil afora. Em São Paulo eu encontrei um Ponto de Cultura evangélico, cuja música tradicional é o reggae. Trata-se de uma novidade antropológica sem fronteiras. Neste lugar, Nelson [Jacobina] e eu tocamos música de candomblé, de umbanda, e todos os presentes nos acompanharam e cantaram. Cada Ponto de Cultura vai além da imaginação, o entusiasmo é total e o amor pelo Brasil é absoluto, mas não é xenófobo, é de um otimismo inacreditável.
*Não foi possível ouvir no Internet Explorer, a recomendação é o navegador Opera
As canções por Jorge Mautner
ESTILHAÇOS DE PAIXÃO (Jorge Mautner) Esta canção foi composta em l958. Ela é também uma canção de amor, porém muito atormentada e com saudades precoces de um tempo que "passa depressa demais", é interpretada por mim e por Caetano. Quando a ouço, ou interpreto, ela representa para mim uma saudade em chamas e labaredas de lembranças eternas que me ressuscitam a cada instante. A presença de Caetano a tornou sublime e irresvalável!
OUTROS VIRAM (Gilberto Gil-Jorge Mautner) Esta canção é o cerne poético-filosófico deste disco, celebra a grande importância do Brasil e sua cultura para o mundo. Foi composto em Araras na mesma época em que compusemos "Os Pais". Uma canção é irmã da outra. Aqui celebra-se em tom de plenitude e Graça Divina,o país-continente chamado Brasil,aonde " Humanidade vem renascer..." Foi com muita emoção que a compusemos,eu e Gil,sob noites estreladas da serra.na companhia de sua maravilhosa família,e de sua esposa Flora Gil. Ela nos remete para um neo-Ary Barroso,neo-Assis Valente,as citações proféticas de Whalt Withman, Rabindranath Tagore,são impressionantes por sua veemência e veracidade. É a saudação da amálgama, esta amálgama que no dizer de José Bonifácio em l823 nos diferencia de todos os demais paises. Fala no deslumbramento e admiração que esta amálgama produziu em Theodore Roosevelt e que ele identificou com o melting pot e de como a considerou como sendo de máxima urgência a sua adoção pelos USA, esta miscigenação, amálgama, mistura, melting-pot. Gil a interpreta com majestade democrática, com o enaltecimento e a exaltação que vem como carinhos sem fim brotando lá do fundo do coração!
OS PAIS (Gilberto Gil-Jorge Mautner) Essa canção foi composta por mim e por Gil, tanto a letra quanto a melodia, entre o Natal de 2005 e a festa do ano novo de 2006 em Araras. Ela reflete o ponto central da angústia das decisões: maior liberdade, ou maior repressão?
Gênero Documentário DiretorBidu Queiroz, Cláudio Barroso Ano 2004 Duração 17 min Cor Colorido Bitola 35mm País Brasil
O Manguebeat é um movimento que eclodiu no início dos anos 90 em Pernambuco. E o filme mostra essa história e a trajetória do seu principal protagonista: Chico Science.
O Mundo é uma Cabeça
Ficha Técnica Fotografia Paulo Jacinto Reis (Feijão) Roteiro Cláudio Barroso, Bidu Queiroz Empresa produtora Beluga Produções, Truques Cinematográficos, Neander Filmes Edição de som Carlos Cox Montagem João Maria Araújo Trilha Sonora Chico Science, Otto, Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Mestre Ambrósio, Ortinho Prêmios Os 10 Mais - Escolha do Público no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2005Prêmio Cachaça Cinema Clube no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2005Prêmio Unibanco de Cinema no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2005 Festivais Cine PE 2005
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