SONETO MINISTERIAL [942]
Glauco Mattoso - Ouça»
Trancada a pauta, nada mais se vota,
enquanto novo acordo não costura
comadre com compadre e não se jura
que vale uma palavra mais que a nota.
Da noite para o dia, ninguém nota
o pacto que, na véspera, fervura
causara no Congresso, e a sinecura
retoma o ramerrão e cobra a cota.
Só serve um regimento a quem protela
"devidas providências" ou apressa
"medidas de interesse" da panela.
Se explodem as denúncias, interessa
mostrar serviço e investigar quem zela,
mas sendo alguém da Casa, o caso cessa.
Da Coluna Porca Miséria! de Glauco Mattoso
Fonte: CarosAmigos
segunda-feira, 19 de março de 2007
Leia e Ouça Poema de Glauco Mattoso
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sábado, 17 de março de 2007
Curta Waltel
Descobrindo Waltel
Ainda não conhece Waltel Branco? É um dos maiores músicos do Brasil! Antene-se com esse curta incrível!
Documentário sobre a incrível e desconhecida trajetória do maestro Waltel Branco.
Com Ed Motta, Roberto Menescal, Sérgio Ricardo, Waltel Branco, Sérgio Cabral, Hermínio Bello de Carvalho, Durval Ferreira, Dom Salvador, Ricardo III
Assista Descobrindo Waltel aqui
Diretor Alessandro Gamo
Elenco Dom Salvador, Durval Ferreira, Ed Motta, Hermínio Bello de Carvalho, Ricardo III, Roberto Menescal, Sérgio Cabral, Sérgio Ricardo, Waltel Branco
Ano 2005
Duração 15 min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil
Ficha Técnica
Fotografia Adilson Ruiz Roteiro Alessandro Gamo Som Direto Marcos de Paula Nogueira Empresa produtora Alessandro Gamo, Pioli Produções Edição de som Fernando Fonini Produção Executiva Alessandro Gamo Montagem Fernando Severo, Fernando Fonini Música Waltel Branco Informações cedidas por Kinoforum
Prêmios
Os 10 Mais - Escolha do Público no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2005
Prêmio Unibanco de Cinema no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2005
Festivais
Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro - Curta Cinema 2005
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quinta-feira, 15 de março de 2007
O Dia em que Suassuna enfrentou os Caranguejos com Cérebro
Ariano Suassuna e o movimento Manguebit
por Anna Paula de Oliveira*
Especial para o Jornal MusicalEm janeiro de 1995, o escritor Ariano Suassuna tomou posse do cargo de Secretário de Cultura do estado de Pernambuco. Sua proposta para a política cultural do governo Miguel Arraes previa o apoio às manifestações populares tradicionais e o financiamento de espetáculos que tivessem essas manifestações como referência. Suassuna programou ainda a criação de vários grupos artísticos e contou com a colaboração de antigos aliados do Movimento Armorial, formado por ele na década de 1970 com o intuito de fundar uma arte erudita baseada na estética popular. Os critérios que deveriam ser adotados pela Secretaria iam ao encontro das intenções armoriais e foram explicitados no polêmico Projeto cultural Pernambuco-Brasil (CEPE Editora, 1995), de autoria de Suassuna. O projeto determinava que, para obter a adesão da Secretaria de Cultura, o artista e o espetáculo deveriam se enquadrar no que o Secretário entendia como "expressão popular" (tradicional, nacional e autêntica), ou se inspirar nela para criar uma arte comprometida com a cultura local.
Ao mesmo tempo, uma nova movimentação, pop e urbana, tomava conta da capital pernambucana. Uma reunião de jovens artistas e produtores atuantes nas mais diversas áreas e empenhados em agitar a vida cultural da cidade. Tratava-se dos mangueboys e manguegirls, inventores do Manguebit, que apresentaram suas propostas no release intitulado Caranguejos com cérebro, impresso no encarte do CD Da lama ao caos (Sony Music, 1994), primeiro álbum da banda Chico Science & Nação Zumbi (na foto acima, o líder do grupo, que completou em fevereiro 10 anos de morte). Este texto compara a fertilidade dos manguezais com a riqueza cultural encontrada na cidade do Recife, alerta para as condições de degradação social e ecológica na qual se encontrava a "quarta pior cidade do mundo pra se viver", e prescreve um choque de energia criativa para recuperar a auto-estima de seus moradores.
O Manguebit havia iniciado sua história no início dos anos 90, e os homens-caranguejos começaram a botar as patinhas pra fora do Recife ainda em meados da década. Em 1994, as principais bandas da cena gravaram seus primeiros álbuns e estavam sendo requisitadas no Sudeste do país e no exterior. Chico e a Nação entoavam um maracatu envenenado por guitarras elétricas e efeitos eletrônicos e isso fez com que o Secretário Estadual de Cultura (na foto ao lado) manifestasse seu desconforto com o que ouvia. "No que uma coisa ruim como o rock pode valorizar uma coisa boa como o maracatu?", dizia Suassuna (Cadernos de Literatura Brasileira, Instituto Moreira Salles, 2000). O escritor já alertava, não iria dispensar a verba reservada à Secretaria aos projetos do Mangue. "Eu não vou dar apoio a um movimento que já tem apoio de outras coisas, deixando de lado a cultura popular, que está aí se acabando" (Diário de Pernambuco, 09/07/1995). Sua postura armorial não toleraria um maracatu profanado, deturpado, desviado da "pureza original" e rendido aos apelos da indústria da cultura.
Quando se evoca o armorial, a imagem que vem à tona é a de uma arte movida pelo propósito de garantir a sobrevivência das tradições. Seus promotores se guiaram pelo ideal sistematizado por Suassuna no manifesto de 1974 - intitulado O movimento Armorial -, que consistia em propor uma estética nacional autônoma. Neste manifesto Suassuna defende que as formas da cultura popular tradicional - como a poética da literatura de cordel, as imagens que ilustram os folhetos e a sonoridade dos instrumentos que acompanham sua leitura -, deveriam orientar a criação de uma linguagem tipicamente brasileira. Só assim a arte conseguiria expressar nossa memória cultural e contribuiria para a construção de uma nação independente. Por isso o programa da Secretaria previa o fomento e a valorização das tradições populares e da arte erudita inspirada nestas tradições.
Essa afirmação de uma cultura nacional é reconhecida como uma das principais tendências da arte produzida no Brasil até os anos 60. No caso do Movimento Armorial, as representações nacionais identificadas nas criações populares do sertão nordestino unem-se às referências da cultura clássica européia para gerar uma obra peculiar. Partindo dessa idéia, Ariano Suassuna concebe o Quinteto Armorial como expressão musical de seus princípios estéticos.
O Quinteto era composto por artistas de formação acadêmica e tinha a intenção de criar uma música de câmara marcada pela melodia dos ponteios, loas e cantigas populares. Originalmente os músicos do grupo utilizaram instrumentos eruditos, logo substituídos, por sugestão de Suassuna, pelos instrumentos populares, mais apropriados para reproduzir a sonoridade que ele buscava. Com a pesquisa de instrumentos e de timbre, a intenção do Quinteto parecia ser de aproximar-se da "essência" da musicalidade popular, e não de realizar experimentalismos modernos (abaixo, à direita, a bandeira do movimento)
Entretanto, o contexto contemporâneo apresenta novas formas de diálogo entre as diversas matrizes culturais que compõem nossa sociedade. Em se tratando de música, as colagens sonoras, as intervenções eletrônicas e as misturas de gênero são algumas das configurações assumidas por este intercâmbio. A experiência urbana e a tecnologia musical ofereceram às bandas do Manguebit a possibilidade de citar performances pré-gravadas, reproduzir trechos musicais ou sonoridades características de variadas expressões e ambiências, adotar entoações, utilizar falas, sinais ou ruídos capturados no cotidiano da cidade.
O Mangue absorve e reprocessa a arte das revistas em quadrinhos, os recursos estéticos e políticos do hip-hop, as estratégias publicitária do punk, as possibilidades da tecnologia musical, o colorido das roupas compradas nas feiras, a inventividade dos pregões de camelô, a força do maracatu, a malícia e a ironia das emboladas, tudo a favor uma arte pop criativa. E é com esta movimentação que o político Ariano Suassuna se depara ao tentar por em prática, na capital pernambucana, um projeto cultural descontextualizado.
Pensando na cidade do Recife, podemos afirmar que o hardcore é tão tradutor da sua experiência cultural quanto o maracatu ou a embolada. Pensando nas grandes cidades do Terceiro Mundo, vemos crescer, entre jovens artistas, mais marcadamente entre os dedicados à música, a necessidade de expressar uma arte pop autônoma, neste caso, criada pela apropriação da música "estrangeira" e pela fusão desta sonoridade com os ritmos tradicionais locais. Esta outra realidade exige a inauguração de uma nova sensibilidade política, que consiga apreender melhor a multiplicidade e a complexidade das culturas contemporâneas.
Por um outro caminho, Ariano Suassuna fundou seu programa na oposição entre sertão e litoral e valorizou o interior do Nordeste como espaço de manifestação da cultura popular mais "autêntica". Para Suassuna, as tradições sertanejas guardam as raízes mais profundas da nossa identidade cultural, por se encontrarem supostamente livres da "influência perniciosa" da cultura de massas que impera nos centros urbanos. Mesmo assim, a região metropolitana abriga manifestações por ele reconhecidas como legítimas, como o maracatu, por exemplo. E o programa da Secretaria Estadual de Cultura para a cidade do Recife consistia principalmente em apoiar a perpetuação destes folguedos em seus moldes tradicionais, livrando-os da ameaça de extinção que a indústria cultural apresentava. Daí a resistência do escritor em aceitar uma música que segundo ele descaracterizava as "expressões originais do povo brasileiro", contaminando o maracatu com rock e o rap, e transformando-o em mais um dos produtos da cultura industrial.
Sendo que, ao contrário do que previa Suassuna, o Manguebit despertou o interesse da juventude para as manifestações populares tradicionais dentro e fora de Pernambuco, além de chamar atenção da imprensa cultural e do público de música pop para as antigas agremiações de maracatu. Subverteu a idéia de um Nordeste puramente agrário e arcaico, afirmando a multiplicidade de formas culturais atuantes em uma cidade periférica como Recife. Expressou a coexistência entre tradição e modernidade e se apropriou da vitalidade das manifestações populares.O termo Manguebit nasceu justamente do interesse de seus fundadores em exprimir a convivência cotidiana entre o local e o global na capital pernambucana. Os manguezais são imagem marcante na paisagem recifense, e o mangue representa a fertilidade cultural da cidade na metáfora criada pelos "caranguejos com cérebro". Já o bit, simboliza a tecnologia que, manipulada pelos mangueboys, trabalhou em prol da inventividade artística. A imprensa acabou rebatizando esta movimentação cultural como Manguebeat, o que alterou o sentido original do termo. O "beat" reduz a experiência do Mangue à sua expressão musical e define esta música como um gênero ou um ritmo único. Sendo que a proposta inicial foi de fundar uma cena cultural que permitisse a manifestação dos mais diversos campos e estilos de arte, e não de delimitar um formato estético no qual os participantes teriam que se enquadrar. Diferente de muitos dos movimentos culturais que conhecemos, que se caracterizam por alguma forma peculiar de expressão, o Manguebit distinguiu-se pela pluralidade da arte que produzia e por sua proximidade crítica com a indústria cultural. (Na foto acima, a banda Devotos do Ódio, representante do hardcore pernambucano que ganhou projeção com o advento do Manguebit.)
Como foi visto, ao mesmo tempo em que surgem novas experiências na música pop, cresce, em todo o Brasil, um movimento forte de afirmação de "raízes" que defende a preservação das expressões tradicionais da cultura popular. Não estamos querendo negar aqui que as verbas públicas destinadas à cultura devem privilegiar as expressões que não se adequam aos moldes do mercado e que, portanto, não conseguem se sustentar sem o apoio do Estado. Sabemos também da importância da valorização do popular como alternativa à cultura hegemônica. O que o Manguebit pôs em questão, no estado de Pernambuco, foi os critérios adotados pela Secretaria Estadual de Cultura, que se basearam unicamente na tradição quando deviam atentar para a representatividade social das manifestações culturais. Hoje em dia tornou-se importante que as políticas direcionadas para os centros urbanos levem em consideração tanto a pluralidade e os hibridismos presentes nas cidades quanto a condição massiva da produção cultural. Mais do que lutar contra a proliferação dos meios modernos de criação e difusão de arte, deve-se buscar a democratização do acesso a estes veículos.
Passada mais de uma década da criação do Manguebit, podemos dizer que a experiência também foi válida na medida em que estimulou a criação de programas de rádio e televisão, produtoras de vídeo e cinema, festivais, selos e gravadoras independentes, cooperativas de moda, sites, revistas e fanzines. Os mangueboys movimentaram a vida cultural do Recife e deram visibilidade às mais variadas manifestações, tanto tradicionais quanto pop. Com o passar do tempo e o surgimento de novas gerações de artistas, a idéia de uma cooperativa cultural identificada como Manguebit foi se diluindo, o que é natural e até desejável. Esperamos, agora, que esta inquietação se perpetue como atitude.
*Doutoranda em Letras e autora da dissertação de mestrado O encontro do Velho do Pastoril com Mateus na Manguetown ou As tradições populares revisitadas por Ariano Suassuna e Chico Science.
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Ministro Gilberto Gil é saudado como um dos grandes fomentadores da Cultura Livre
Em matéria publicada na edição do último domingo, 11 de março, o jornal norte-americano New York Times explora a relevância da ação política e social do Ministro da Cultura Gilberto Gil pela defesa da flexibilização dos direitos autorais. Na entrevista, Gil afirma: "Minha visão pessoal é de que a cultura digital carrega consigo uma nova noção sobre a propriedade intelectual, e que esta nova cultura de compartilhamento pode e deve abastecer as políticas governamentais".
Uma das primeiras ações de seu mandato -- a aliança do Ministério com o então recém-fundado Creative Commons -- é destacada no artigo como tendo sido fundamental para fomentar a idéia de livre circulação da cultura. Lawrence Lessig, fundador do Creative Commons, diz que "Gil nos fez pensar sobre que tipo de liberdade era necessária para a música".
Nas palavras do próprio ministro, "(...) o artista não precisa mais transferir a administração de seus direitos para uma entidade chamada gravadora, estúdio ou editora. Ele pode fazê-lo por si próprio".
A reportagem, assinada pelo correspondente do NYT no Brasil Larry Rohter, apresenta também, dentre outros, o depoimento de John Perry Barlow, músico e co-fundador da ONG Electronic Frontier Foundation (EFF): "Ele [Gil] é um ponta-de-lança. Ele vem desde sempre refletindo sobre questões de propriedade intelectual e captura de forma clara a relevância de tudo isso. Mas ele também está em posição singular para implementar suas idéias".
O artigo (versão integral em inglês) pode ser lido aqui.
Fonte: CreativeCommons BR
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segunda-feira, 12 de março de 2007
Na Cola do Bush - Latinos Unidos
por Yerko Herrera
Seguindo o roteiro do Imperador George W. Bush pela América Latina que, após o Brasil, passou pelo Uruguai, Colômbia, Guatemala e México, o Música&Poesia traz para protestar um representante de cada país latino-americano em que o presidente estadunidense pisou. Conheça abaixo nossos hermanos.
Do México: Molotov
Frijolero - Molotov
Frijolero é a sexta faixa do quarto disco, intitulado Dance and Dense Denso (2003), da banda mexicana Molotov. Misturando rap, rock, punk, hardcore ao som folclórico mexicano e a ritmos latinos, o Molotov têm constante em suas letras a crítica social, o humor sarcástico e a iconoclastia. O grupo consegue mesclar como poucos os comentários sociais e o tom satírico em seus álbuns.
Apesar da música Frijolero já ter uns quatro anos, não poderia soar mais atual, principalmente agora, com a recente aprovação pelo Congresso norte-americano da construção de uma barreira na fronteira sul dos EUA.
Letra Frijolero - Molotov
Ya estoy hasta la madre de que me pongan sombrero, escucha entonces cuando digo: No me llames frijolero.
Y aunque exista algún respeto, y no metamos las narices. Nunca inflamos la moneda, haciendo guerra a otros países./ Te pagamos con petróleo o intereses, nuestra deuda. Mientras tanto no sabemos quién se queda con la feria./ Aunque nos hagan la fama de que somos vendedores. De la droga que sembramos, ustedes son consumidores./ Don´t call me gringo, You fuckin´ beaner. Stay on your side of that goddamn river. Don´t call me gringo, You beaner./ No me llames beaner, Mr. Puñetero. Te sacaré un susto por racista y culero. No me llames frijolero, Pinche gringo puñetero. (Chingao’)/ Now I wish I had a dime for every single time I´ve gotten stared down for being in the wrong side of town./ And a rich man I´d be if I had that kind of chips. Lately I wanna smack the mouths of these racists./ Podrás imaginarte desde afuera, ser un Mexicano cruzando la frontera, pensando en tu familia mientras que pasas, dejando todo lo que tú conoces atrás./ Tuvieras tú que esquivar las balas de unos cuantos gringos rancheros. ¿Les seguirás diciendo: “good for nothing wetback” si tuvieras tú que empezar de cero?/ Now why don´t you look down to where your feet is planted. That U.S. soil that makes you take shit for granted. If not for Santa Ana, just to let you know that where your feet are planted would be Mexico. ¡Correcto!
Da Guatemala: Ricardo Arjona
Si el Norte Fuera el Sur - Ricardo Arjona
Si el Norte Fuera el Sur, do álbum homônimo (1996), é a crítica bem-humorada do cantor e compositor guatemalteca Ricardo Arjona, onde ele tenta imaginar como seria o mundo se os pólos se invertessem e os ricos fôssemos nós, os latino-americanos.
Com uma dezena de discos lançados, Arjona é um dos cantores de maior destaque e reconhecimento de língua hispana. Poeta do cotidiano, o guatemalteco tem o dom de sintetizar em sua obra situações e sentimentos de maneira simples com melodias elaboradas. Apesar do romantismo de grande parte de suas canções, Ricardo Arjona não deve ser confundido com outros cantores latinos do gênero, pois, embora tenha um certo apelo pop em grande parte de suas composições, ele não esquece de sua origem na pobre Guatemala, compondo volta e meia letras de conteúdo crítico e sempre tratando manter uma certa postura livre.
O disco Si el Norte Fuera el Sur, considerado por alguns como o melhor de sua carreira, foi gravado de forma independente. Arjona, além de compor todas músicas, tocou quase todos os instrumentos deste disco, que viria a receber apoio da Sony, na distribuição e divulgação, somente após o êxito do lançamento do Si el Norte Fuera el Sur.
Letra Si el Norte Fuera el Sur - Ricardo Arjona
El Norte y sus McDonald's basketball y rock'n roll/ Sus topless sus Madonas y el abdomen de Stallone/ Intelectuales del bronceado, eruditos del supermercado/ Tienen todo pero nada lo han pagado
Con 18 eres un niño para un trago en algun bar/ Pero ya eres todo un hombre pa' la guerra y pa' matar/ Viva Vietnam y que viva Forrest Gump/ Viva Wall Street y que viva Donald Trump/ Viva el Seven Eleven
Polvean su nariz y usan jeringa en los bolsillos/ Viajan con marihuana para entender la situacion/ De este juez del planeta que lanza una invitacion/ Cortaselo a tu marido y ganaras reputacion
Las barras y las estrellas se adueñan de mi bandera/ Y nuestra libertad no es otra cosa que una ramera/ Y si la deuda externa nos robo la primavera/ Al diablo la geografia se acabaron las fronteras
Si el Norte fuera el Sur/ serian los Sioux los marjinados/ Ser moreno y chaparrito seria el look mas cotizado/ Marcos seria el Rambo Mexicano/ Y Cindy Crawford la Menchu de mis paisanos/ Reagan seria Somoza/ Fidel seria un atleta corriendo bolsas por Wall Street/ Y el Che haria hamburguesas al estilo double meat/ Los Yankees de mojados a Tijuana/ Y las balsas de Miami a la Habana, si el Norte fuera el Sur
Seriamos igual o tal vez un poco peor/ Con las Malvinas por Groenlandia/ Y en Guatemala un Disneylandia/ Y un Simon Bolivar rompiendo su secreto/ Ahi les va el 187, fuera los Yankees por decreto
Las barras y las estrellas se adueñan de mi bandera/ Y nuestra libertad no es otra cosa que una ramera/ Y si la deuda externa nos robo la primavera/ Al diablo la geografia se acabaron las fronteras
Si el Norte fuera el Sur, seria la misma porqueria/ Yo cantaria un rap y esta cancion no existiria
Da Colômbia: La Pestilencia
Pacifista - La Pestilencia
Pacifista é um dos temas do quinto disco, Productos Desaparecidos (2005), dos colombianos da banda La Pestilencia. Com vinte anos de estrada, La Pestilencia é o grupo de maior renome do cenário rock colombiano. Mantendo um estilo punk rock dos anos 80, a banda tem influências do heavy metal e do hardcore, sem deixar de agregar no decorrer dos anos diversas vertentes do rock pesado a sua música. Surgida na Colômbia da era Pablo Escobar - aquela de duas faces, a do narcotráfico e a do brilhante futebol colombiano, La Pestilencia sempre manteve uma postura contestadora e politizada. Desde 2001 a banda está radicada em Los Angeles (EUA), firmando-se cada vez mais como grande expoente do rock latino.
Letra Pacifista (Musica: Juan Gomez Letra: Dilson Diaz)
El mundo avanza bajo Su signo/ El mundo cae en el dominio/ Con sU$ reglas doble moral/ En sus palabras maldad/ País en guerra que vuelve a votar/ Por ese cerdo, por ese cerdo/ Que somete al mundo/ Que somete al mundo Y con intereses debemos pagar/ Cuanto más vamos a soportar/ A ese maricon que a su guerra/ Envía a los hombres (x3)/ Una sonrisa de triunfalismo/ Vida prospera para sus hijos/ Afuera a bombardear/ Y con su guerra a reconquistar/ El nuevo mundo, El nuevo mundo/ Que resignado esta, a seguir odiando/ Oyendo mandatos banderas en las tumbas/ E inocentes llorar
Do Uruguai: Kato
SoyLent Verde - Kato
SoyLent Verde música que compõe o disco de estréia da uruguaia Kato, lançado em 2003 sob o mesmo nome da banda. O grupo surgiu em 2000 trás a dissolução do bem sucedido El Peyote Asesino, banda uruguaia de maior sucesso nos anos 90 na América Latina. Kato foi fundada pelo vocalista L.Mental (ex-Peyote), que trouxe a frente de seu novo projeto uma das mais promissoras e ousadas misturas de ritmos, que engloba desde elementos musicais da região do Rio da Prata (tango, milonga e candombe) até o rapcore e funk metal, passando pelo trip hop e eletrônico até chegar no metal contemporâneo aliado a sons autóctones. Mas, essencialmente, são uma banda eclética de rock. Entretanto, a contundência de suas letras e a mestiçagem musical, não foram suficientes para conseguir manter a efervescente banda no raquítico mercado rock do Uruguai e, em 2002, os integrantes do Kato, optaram por migrar para Espanha, onde residem atualmente.
Resenhas: Yerko Herrera
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domingo, 11 de março de 2007
Curta Os EUA Invadem o Brasil
O Dia em que o Brasil foi Invadido
Sinopse
Animação de recortes, que mostra a hipotética invasão do Brasil pelos EUA, com o objetivo de tomar posse dos recursos naturais do país. A elite das forças especiais do exército americano irá liderar a invasão. Só um país será o vencedor.
Gênero Animação
Diretor Abel Filho
Duração 9'45''
Ano 2006
Cor Colorido
País Brasil
Ficha Técnica
Roteiro Abel Filho, Luiz Ataíde Pesquisa de Imagens e Edição Abel Filho Produção e Animação Abel Filho Trilha Sonora Hugo Oliveira Efeitos Sonoros Abel Filho, Hugo Oliveira Captação de Áudio Linduarte Júnior, Leonardo Medeiros
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sexta-feira, 9 de março de 2007
Para George Dáblio Bush
Primeira da série de manifestações a visita do presidente estadunidense ao Brasil e América Latina.
Ninguém Regula a América - O Rappa e Sepultura
Ninguém Regula a América é resultado do inusitado encontro de duas bandas musicalmente bem distintas: O Rappa e Sepultura. O videoclipe foi lançado na MTV brasileira um mês antes dos atentados às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001.
A música denuncia a postura mais extremista, cheia de arrogância, além disso, mais agressiva, que os EUA passaram a ter em 2001 com o Governo de George W. Bush, de tendência ultraconservadora e fundamentalista, e que só veio a piorar depois do ataque ao WTC.
Composição de Marcelo Yuka - artista ícone da luta por justiça social, responsável pela maioria das letras d'O Rappa. Yuka que, após divergências, se desligou do grupo carioca, desde 2004 lidera a banda o F.UR.T.O (Frente Urbana de Trabalhos Organizados).
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quinta-feira, 8 de março de 2007
Mais Elis Neste Dia Delas
Marília Gabriela entrevista Elis Regina
Em 1979 Marília Gabriela entrevistou para o Jornal Hoje, da Rede Globo, Elis Regina. Nesta entrevista a Pimentinha disse que uma raiva de sua vida era "ter 1,53 m de altura". Elis também confidenciou a música que, naquele momento, não lhe saia da cabeça, "ultimamente eu tenho acordado muito com o O Bêbado e a Equilibrista na cabeça".
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Para Todas as Mulheres
Ser Mulher ...
Gilka Machado
Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida; a liberdade e o amor;
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor;
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um senhor...
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...
Ser mulher, e, oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!
Publicado no livro Cristais partidos (1915).
In: MACHADO, Gilka. Poesias completas. Apres. Eros Volúsia Machado. Rio de Janeiro: L. Christiano: FUNARJ, 1991, p. 106.
Mulher da vida, minha irmã
Cora Coralina
Mulher da Vida, minha Irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades e
carrega a carga pesada dos mais
torpes sinônimos,
apelidos e apodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à-toa.
Mulher da Vida, minha irmã.
Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
Desprotegidas e exploradas.
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.
Necessárias fisiologicamente.
Indestrutíveis.
Sobreviventes.
Possuídas e infamadas sempre por
aqueles que um dia as lançaram na vida.
Marcadas. Contaminadas,
Escorchadas. Discriminadas.
Nenhum direito lhes assiste.
Nenhum estatuto ou norma as protege.
Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,
pisadas, maltratadas e renascidas.
Flor sombria, sementeira espinhal
gerada nos viveiros da miséria, da
pobreza e do abandono,
enraizada em todos os quadrantes da Terra.
Um dia, numa cidade longínqua, essa
mulher corria perseguida pelos homens que
a tinham maculado. Aflita, ouvindo o
tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras,
ela encontrou-se com a Justiça.
A Justiça estendeu sua destra poderosa e
lançou o repto milenar:
“Aquele que estiver sem pecado
atire a primeira pedra”.
As pedras caíram
e os cobradores deram s costas.
O Justo falou então a palavra de eqüidade:
“Ninguém te condenou, mulher...
nem eu te condeno”.
A Justiça pesou a falta pelo peso
do sacrifício e este excedeu àquela.
Vilipendiada, esmagada.
Possuída e enxovalhada,
ela é a muralha que há milênios detém
as urgências brutais do homem para que
na sociedade possam coexistir a inocência,
a castidade e a virtude.
Na fragilidade de sua carne maculada
esbarra a exigência impiedosa do macho.
Sem cobertura de leis
e sem proteção legal,
ela atravessa a vida ultrajada
e imprescindível, pisoteada, explorada,
nem a sociedade a dispensa
nem lhe reconhece direitos
nem lhe dá proteção.
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,
que um homem a tome pela mão,
a levante, e diga: minha companheira.
Mulher da Vida, minha irmã.
No fim dos tempos.
No dia da Grande Justiça
do Grande Juiz.
Serás remida e lavada
de toda condenação.
E o juiz da Grande Justiça
a vestirá de branco em
novo batismo de purificação.
Limpará as máculas de sua vida
humilhada e sacrificada
para que a Família Humana
possa subsistir sempre,
estrutura sólida e indestrurível
da sociedade,
de todos os povos,
de todos os tempos.
Mulher da Vida, minha irmã.
Declarou-lhe Jesus:
“Em verdade vos digo
que publicanos e meretrizes
vos precedem no Reino de Deus”.
Evangelho de São Mateus 21, ver.31.
Poesia dedicada, por Coralina, ao Ano Internacional da Mulher em 1975.
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quarta-feira, 7 de março de 2007
Tarsila do Amaral - Vida e Obra
Amaral, Tarsila do (1886 - 1973)
Auto-Retrato I, 1924
Tarsila do Amaral (Capivari SP 1886 - São Paulo SP 1973). Pintora, desenhista. Estuda escultura com William Zadig (1884 - 1952) e com Mantovani, em 1916, na capital paulista. No ano seguinte tem aulas de pintura e desenho com Pedro Alexandrino (1856 - 1942), onde conhece Anita Malfatti (1889 - 1964). Ambas têm aulas com o pintor Georg Elpons (1865 - 1939). Em 1920 viaja para Paris e estuda na Académie Julian e com Emile Renard (1850 - 1930). Ao retornar ao Brasil forma em 1922, em São Paulo, o Grupo dos Cinco, com Anita Malfatti, Mário de Andrade (1893 - 1945), Menotti del Picchia (1892 - 1988) e Oswald de Andrade (1890 - 1954). Em 1923, novamente em Paris, freqüenta o ateliê de André Lhote (1885 - 1962), Albert Gleizes (1881 - 1953) e Fernand Léger (1881 - 1955). Entra em contato como o poeta Blaise Cendrars (1887 - 1961), que a apresenta a Constantin Brancusi (1876 - 1957), Vollard, Jean Cocteau (1889 - 1963), Erik Satie, entre outros. No ano seguinte, já no Brasil, com Oswald de Andrade, Olívia Guedes Penteado (1872 - 1934), Mário de Andrade e outros, acompanha o poeta Blaise Cendrars em viagem às cidades históricas de Minas Gerais. Realiza uma série de trabalhos baseados em esboços feitos durante a viagem. Nesse período, inicia a chamada fase pau-brasil, em que mergulha na temática nacional. Em 1925 ilustra o livro de poemas Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, publicado em Paris. Em 1928, pinta Abaporu, tela que inspira o movimento antropofágico, desencadeado por Oswald de Andrade e Raul Bopp (1898 - 1984). Em 1933, após viagem à União Soviética, inicia uma fase voltada para temas sociais com as obras Operários e 2ª Classe. Em 1936 colabora como cronista de arte no Diário de São Paulo. A convite da Comissão do IV Centenário de São Paulo faz, em 1954, o painel Procissão do Santíssimo e, em 1956, entrega O Batizado de Macunaíma, sobre a obra de Mário de Andrade, para a Livraria Martins Editora. A retrospectiva Tarsila: 50 Anos de Pintura, organizada pela crítica de arte Aracy Amaral e apresentada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ e no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP, em 1969, ajuda a consolidar a importância da artista.
Curtas-metragens do mundo inteiro em www.outrocine.blogspot.com - Outro jeito de ver cinema
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terça-feira, 6 de março de 2007
Vou Vivendo do meu Jeito
Nesta semana da Mulher a homenagem de hoje vai pra todas estas mulheres marginalizadas ao extremo. Elas são mães, filhas, irmãs, amantes, mulheres, chefes de família, mas, que agüentam dia-a-dia as agruras de ser o que são. Dão vida, prazer, amor, afago. No entanto, quando se quer ofender alguém ao sumo são as primeiras a ser citadas, elas e sua prole. Vivem uma vida nada fácil, sobrevivendo de maneira difícil. Porém, somente elas, e ninguém mais, sabem a dor e a delícia de ser o que são.
Prostituta - Nega Gizza
Clipe de Prostituta, canção de Nega Gizza, uma das primeiras rappers brasileiras a romper o preconceito do universo masculino do rap e a tornar-se conhecida nacionalmente. Irmã de MV Bill, Gizza retrata em suas letras a problemática não só da mulher de periferia, mas, de todas as mulheres.
Vídeo dirigido por Kátia Lund que, entre outros trabalhos, co-dirigiu com João Moreira Salles o denso documentário Notícias de uma Guerra Particular. Também assinou a direção de Cidade de Deus ao lado de Fernando Meirelles.
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segunda-feira, 5 de março de 2007
Domingo Documentário sobre Elis
TV Cultura exibe neste domingo documentário "Elis, que saudade..."
Neste domingo (11), A TV Cultura presta sua homenagem ao sexo feminino pela figura de uma das mais ilustres personalidades do país: Elis Regina.
A emissora exibirá, a partir das 21h, como parte da programação o documentário "Elis, Que Saudade...". O vídeo traz trechos da última entrevista da cantora para a televisão.
Entre o material selecionado, trechos de shows e entrevistas da cantora nos programas MPB Especial (1973), Vox Populi (1978) e Jogo da Verdade (gravado 13 dias antes de sua morte, em 1982).
Durante o bate-papo, Elis fala de sua vida, amigos, da realidade de artista no Brasil e da relação que mantinha com suas gravadoras.
A cantora ainda interpreta, entre outras composições, "Canção da América" e "Maria, Maria", de Milton Nascimento; "Alô, Alô Marciano", de Rita Lee e Roberto de Carvalho; "Gracias a La Vida", de Violeta Parra; e "Querelas do Brasil", de Mauricio Tapajós e Aldir Blanc.
Fonte: Folha Online
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Conheça a Poetisa Leila Míccolis
Biografia

Leila Miccolis (Rio de Janeiro RJ 1947). Formou-se bacharel em Direito no Rio de Janeiro RJ, em 1969. Na época, já havia publicado os livros de poesia Gaveta da Solidão (1965) e Trovas que a Vida Rimou (1967). Nas décadas seguintes, produziu poemas, romances, ensaios, comédias e roteiros para televisão. Entre 1975 e 1993 teve poemas publicados em várias antologias, entre as quais 26 Poetas Hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda. Participou de atividades com grupos feministas e homossexuais, através dos jornais Lampião e Auê, entre 1979 e 1981. Fundou, nas décadas de 1980 e 1990, as editoras Trote e Blocos. Em 1997 publicou o livro de haicais Estalos, em co-autoria com Urhacy Faustino, e Sangue Cenográfico, este sendo a neunião de todos seus livros até 1997 exceto o De 4 (1990), com prefácios de Ignácio Loyola Brandão, Heloisa Buarque de Hollanda, Gilberto Mendonça Teles e Nélida Piñon. Ignácio, no prefácio diz: "Nenhum poeta brasileiro me toca tanto, me reserva uma emoção, uma agressão, me apunhala, me deixa com vergonha das coisas que os homens fazem. Tem vezes que seus textos me lembram a crueldade com que Dalton Trevisan, na prosa, trata seus personagens". Sua obra poética inclui os livros Mercado de Escravas (1984), Só Se For a Dois (1990) e Sob o Céu de Maricá (1999), entre outros. A poesia de Leila Míccolis é de tendência contemporânea e tematiza, com freqüência, a condição feminina.
CONTATOS/INFLUÊNCIAS
Influência da Musica Popular Brasileira
Convivência com Paulo Leminski, Paulo Véras, Ana Cristina César, Wally Salomão, Tarvinho Paes, Tereza Tinoco, Silvan Paezzo, Wilson Aguiar Filho, José Louzeiro, Izabel Câmara, Glauco Mattoso, Cacaso (Antonio Carlos Lucena), Eunice Arruda, Cláudio Willer, Norma Bengell, Caique Ferreira, Alice Ruiz, Ulisses Tavares, Touchê, Ona Gaia, Jorge Mautner, Hermínio Bello de Carvalho, Maria Amélia Mello, Gilberto Mendonça Telles, Herbert Daniel, Sylvio Back, Moacy Cirne, Milton Gonçalves, Paulo Jacob, Rose Marie Muraro, Pedro Lyra, Luli e Luciana, Aguinaldo Silva, Liane dos Santos, Antonio Candengue, José Silvério Trevisan, Neide Archanjo, Severino do Ramo, Nélida Peñon, Heloísa Buarque de Hollanda, Ignácio de Loyola Branão, Carlos Nejar, Heloneida Studart, Caio Fernando Abreu.
A Seco
Tem coisas que a gente só diz de porre,
se não o outro corre;
mas passada a bebedeira,
a gente acha que fez besteira,
não devia ter falado,
que se expôs adoidado,
à toa e foi tolice.
Finge-se então que se esquece o que disse,
culpa-se a carência, a demência, a embriaguez,
responsáveis por tamanha estupidez.
E é aceitando este estranho cabedal
que quando se volta ao "estado normal",
cada vez mais sós, na defensiva,
corroídos morremos de cirrose afetiva.
In: MÍCCOLIS, Leila. O bom filho a casa torra. Seleção de textos Urhacy Faustino. São Paulo: Edicon; Rio de Janeiro: Blocos, 1992. p.27
Feitos um para o Outro
"Ele fala de cianureto
e ela sonha com formicida
vão viver sob o mesmo teto
até que alguém decida"
(Chico Buarque de Hollanda)
Você quebra a mobília
eu desconto na filha...
E entre talhos e cortes
praticamos o esporte
de apostar, a vintém,
quem, dos dois, mata quem...
In: MÍCCOLIS, Leila. O bom filho a casa torra. Seleção de textos Urhacy Faustino. São Paulo: Edicon; Rio de Janeiro: Blocos, 1992. p.18
Crescimento (Ciclo Infantil)
Hoje faço oito anos
e aproveito pra ser terrível,
enquanto posso matar pássaros
ou afogar gatinhos.
Depois vão proibir minhas maldades
e me restringir
aos filmes de guerra.
In: MÍCCOLIS, Leila. O bom filho a casa torra. Seleção de textos Urhacy Faustino. São Paulo: Edicon; Rio de Janeiro: Blocos, 1992. p.24
Diferença (Ciclo Infantil)
Meu mundo é violento e com razão:
na rua se eu apanho, é covardia,
em casa se eu apanho, é educação.
In: MÍCCOLIS, Leila. O bom filho a casa torra. Seleção de textos Urhacy Faustino. São Paulo: Edicon; Rio de Janeiro: Blocos, 1992. p.25
Poema ao Mais Recente Amor
Estar entre teus pêlos e dedos,
entre tua densidade,
neste transpirar sob medida
aos teus gemidos.
Estar entre teus trópicos,
entre o teu desejo e o meu prazer,
beber parte dos teus líquens e teus rios,
percorrendo-te da foz até a origem,
e pura a cada amor partir mais virgem.
In: MÍCCOLIS, Leila. SACIEDADE dos poetas vivos. Org. Urhacy Faustino e Leila Míccolis. Rio de Janeiro: Blocos, 1993. v.4, p.59
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domingo, 4 de março de 2007
Poesias Cecília Meireles
Cecília Meireles, em desenho de Apard Szènes
Minha esperança perdeu seu nome...
Fechei meu sonho, para chamá-la.
A tristeza transfigurou-me
como o luar que entra numa sala.
O último passo do destino
parará sem forma funesta,
e a noite oscilará como um dourado sino
derramando flores de festa.
Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando
nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.
E um campo de estrelas irá brotando
atrás das lembranças ardentes.
Fio
No fio da respiração,
rola a minha vida monótona,
rola o peso do meu coração.
Tu não vês o jogo perdendo-se
como as palavras de uma canção.
Passas longe, entre nuvens rápidas,
com tantas estrelas na mão...
— Para que serve o fio trêmulo
em que rola o meu coração?
Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?
Serenata
Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
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Texto de Cecília Meireles
Cecília Meireles
Terminado o Carnaval, eis que nos encontramos com os seus melancólicos despojos: pelas ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas são uns tristes esqueletos de madeira; oscilam no ar farrapos de ornamentos sem sentido, magros, amarelos e encarnados, batidos pelo vento, enrodilhados em suas cordas; torres coloridas, como desmesurados brinquedos, sustentam-se de pé, intrusas, anômalas, entre as árvores e os postes. Acabou-se o artifício, desmanchou-se a mágica, volta-se à realidade.
À chamada realidade. Pois, por detrás disto que aparentamos ser, leva cada um de nós a preocupação de um desejo oculto, de uma vocação ou de um capricho que apenas o Carnaval permite que se manifestem com toda a sua força, por um ano inteiro contida.
Somos um povo muito variado e mesmo contraditório: o que para alguns parecerá defeito é, para outros, encanto. Quem diria que tantas pessoas bem comportadas, e aparentemente elegantes e finas, alimentam, durante trezentos dias do ano, o modesto sonho de serem ursos, macacos, onças, gatos e outros bichos? Quem diria que há tantas vocações para índios e escravas gregas, neste país de letrados e de liberdade?
Por outro lado, neste chamado país subdesenvolvido, quem poderia imaginar que há tantos reis e imperadores, princesas das Mil e Uma Noites, soberanos fantásticos, banhados em esplendores que, se não são propriamente das minas de Golconda, resultam, afinal, mais caros: pois se as gemas verdadeiras têm valor por toda a vida, estas, de preço não desprezível, se destinam a durar somente algumas horas.
Neste país tão avançado e liberal — segundo dizem — há milhares de corações imperiais, milhares de sonhos profundamente comprimidos mas que explodem, no Carnaval, com suas anquinhas e casacas, cartolas e coroas, mantos roçagantes (espanejemos o adjetivo), cetros, luvas e outros acessórios.
Aliás, em matéria de reinados, vamos do Rei do Chumbo ao da Voz, passando pelo dos Cabritos e dos Parafusos: como se pode ver no catálogo telefônico. Temos impérios vários, príncipes, imperatrizes, princesas, em etiquetas de roupa e em rótulos de bebidas. É o nosso sonho de grandeza, a nossa compensação, a valorização que damos aos nossos próprios méritos...
Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas...?
"Ved de quán poco valor
Son las cosas tras que andamos
Y corremos..."
dizia Jorge Manrique. E no século XV! E falando de coisas de verdade! Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval...
Texto extraído do livro "Quatro Vozes", Editora Record - Rio de Janeiro, 1998, pág. 93.
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sábado, 3 de março de 2007
Curta Mulheres
Este curta-metragem é parte da homenagem (iniciada no dia primeiro de março) do Música&Poesia às mulheres, que, comemoram, no dia oito deste mês, o Dia Internacional da Mulher. Até essa data toda a manifestação aqui no blog será dedicada somente à Elas: músicas, poesias, livros, curtas, clipes, artigos, notícias... Toda a rica produção feita por este lindo ser ou em sua homenagem.
Assista Três Mulheres Cegas aqui
Gênero Documentário
Diretor Roberto Berliner
Ano 1997
Duração 3 min
Cor Colorido
Bitola 16mm
País Brasil
Co-produção TvZero, TVE Brasil Edição Piu Gomes Direção de Arte Raul Mourão Som Paulo Ricardo Nunes Direção de produção Rodrigo Lamounier Assistente de Direção Andrea Roscoe Produção Executiva Renato Pereira Direção de Fotografia Jacques Cheuiche Colaborador Especial Paola Vieira, Danielle Hoover, Noaldo Ney, Lula Queiroga
Prêmios
Menção Especial do Juri no Mostra Internacional do Filme Etnográfico/RJ 1998
Sol de Prata no Rio Cine 1997
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Resenha sobre trilha de Antônia
Antônia - Trilha sonora do filme e da minissérie - Vários (Som Livre)
por Marco Antonio Barbosa
Antônia, o filme de Tata Amaral, é simpático, bem intencionado e eficaz como cinema. Antônia - o grupo de black music formado pelas personagens que Negra Li, Cindy, Leilah Moreno e Quelynah interpretam no filme - é menos que isso. O mesmo mal que afetou os recentes discos solo de suas integrantes no mundo "real" também contamina o trabalho do conjunto: apego excessivo a fórmulas fáceis importadas da música negra norte-americana. Não se trata aqui de fazer críticas às cantoras, que são talentosas e acabam invertendo a velha máxima sobre "o todo que é maior que a soma de suas partes". Nem à interessante premissa, digamos, sociológica que o grupo fictício representa: a que a força da música pode representar uma saída digna para as dificuldades da vida nas comunidades pobres dos centros urbanos. O problema é justamente que, descolado do filme, o som de Antônia perde força, ficando até mesmo difícil justificar a própria "existência" do grupo (que não existe fora do filme... ainda). Talvez por sacar isso antecipadamente, a produção do filme optou por um formato híbrido para o CD com a triha sonora do longa. Há cinco canções inéditas gravadas pelo grupo, mais um punhado de faixas retiradas dos álbuns solos das cantoras e - aí está o pulo do gato - um pequeno mas precioso espaço para a real cena hip hop paulistana, sem dúvida a mais produtiva do Brasil e que até merecia mais destaque.
A escolha do cover de "Killing me softly with his song" (standard black americano, aqui decalcada da versão feita por Lauryn Hill) denuncia o tipo de música negra no qual Antonia (o grupo) está interessado: aquela macia, de baixos teores, deliberadamente feita para agradar as FMs, com pouco ou nada a ver com a dureza das favelas. Hip hop, r'n'b, funk e soul, devidamente diluídos, emolduram as canções inéditas creditadas ao grupo, como "Antônia", "Flow" e "Quanto você quer". O panorama não muda quase nada nas músicas solo das garotas, que não se desviam da cartilha acertada para as faixas do grupo. O destaque solitário é "Compaixão", lançada anteriormente por Negra Li em seu (não mais que mediano) disco solo Negra livre. Os esforços das outras três nem chegam perto. Antonia, o disco, só se justifica plenamente por dar voz a rimadores bons como Black Gero (que comparece com sua "Brasilândia city Bronx") e Thaíde (o veterano pontifica na agitada "Riscando o ragga"). E pela inclusão de um representante real da soul music brasileira legítima, Hyldon, que comparece com seu clássico de 1975, "Na sombra de uma árvore". Ah, se as meninas tivessem o velho Hyldon como modelo, em vez de Lauryn Hill, que diferença não faria... No fim das contas, Antônia traz música que soará muito melhor ouvida no cinema do que no CD-player de casa.
Fonte: JornalMusical
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Pela Janela do Quarto
Esquadros - Adriana Calcanhoto
Vídeo com a música Esquadros, de Adriana Calcanhoto, uma das raras cantoras brasileiras que transita sem problemas entre o pop e o cult.
Não sei precisar se é um clipe oficial da canção, porém, por ser muito interessante e com boa qualidade está postado aqui no Música&Poesia. As imagens traduzem bem a impressão de um voyeur olhando o tempo todo pela janela, quem sabe, de seu quarto.
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quinta-feira, 1 de março de 2007
Baixe Livro Completo - Florbela Espanca
Livro da poetisa portuguesa Florbela Espanca completo pra Download
Livro de Mágoas (1919)
ESTE LIVRO ...
Este livro é de mágoas. Desgraçados
Que no mundo passais, chorai ao lê-lo!
Somente a vossa dor de Torturados
Pode, talvez, senti-lo ... e compreendê-lo.
Este livro é para vós. Abençoados
Os que o sentirem , sem ser bom nem belo!
Bíblia de tristes ... Ó Desventurados,
Que a vossa imensa dor se acalme ao vê-lo!
Livro de Mágoas ... Dores ... Ansiedades!
Livro de Sombras ... Névoas e Saudades!
Vai pelo mundo ... (Trouxe-o no meu seio ...)
Irmãos na Dor, os olhos rasos de água,
Chorai comigo a minha imensa mágoa,
Lendo o meu livro só de mágoas cheio! ...
ESPANCA, Florbela. Sonetos. Amadora, Portugal : Bertrand, 1978.
Baixe Livro de Mágoas em . pdf
Fonte: DomínioPúblico
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Breve Biografia de Florbela Espanca
Florbela Espanca
(1897-1930)
Poetisa portuguesa, natural de Vila Viçosa (Alentejo). Nasceu filha ilegítima de João Maria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo, criada de servir (como se dizia na época), que morreu com apenas 36 anos, «de uma doença que ninguém entendeu», mas que veio designada na certidão de óbito como nevrose. Registada como filha de pai incógnito, foi todavia educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira. Note-se como curiosidade que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa, por altura da inauguração do seu busto, em Évora, e por insistência de um grupo de florbelianos, a perfilhou.
Estudou no liceu de Évora, mas só depois do seu casamento (1913) com Alberto Moutinho concluiu, em 1917, a secção de Letras do Curso dos Liceus. Em Outubro desse mesmo ano matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que passou a frequentar. Na capital, contactou com outros poetas da época e com o grupo de mulheres escritoras que então procurava impor-se. Colaborou em jornais e revistas, entre os quais o Portugal Feminino. Em 1919, quando frequentava o terceiro ano de Direito, publicou a sua primeira obra poética, Livro de Mágoas. Em 1921, divorciou-se de Alberto Moutinho, de quem vivia separada havia alguns anos, e voltou a casar, no Porto, com o oficial de artilharia António Guimarães. Nesse ano também o seu pai se divorciou, para casar, no ano seguinte, com Henriqueta Almeida. Em 1923, publicou o Livro de Sóror Saudade. Em 1925, Florbela casou-se, pela terceira vez, com o médico Mário Laje, em Matosinhos.
Os casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas, em geral, e a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem Florbela estava ligada por fortes laços afectivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra. Em Dezembro de 1930, agravados os problemas de saúde, sobretudo de ordem psicológica, Florbela morreu em Matosinhos, tendo sido apresentada como causa da morte, oficialmente, um «edema pulmonar».
Postumamente foram publicadas as obras Charneca em Flor (1930), Cartas de Florbela Espanca, por Guido Battelli (1930), Juvenília (1930), As Marcas do Destino (1931, contos), Cartas de Florbela Espanca, por Azinhal Botelho e José Emídio Amaro (1949) e Diário do Último Ano Seguido De Um Poema Sem Título, com prefácio de Natália Correia (1981). O livro de contos Dominó Preto ou Dominó Negro, várias vezes anunciado (1931, 1967), seria publicado em 1982.
A poesia de Florbela caracteriza-se pela recorrência dos temas do sofrimento, da solidão, do desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito. A veemência passional da sua linguagem, marcadamente pessoal, centrada nas suas próprias frustrações e anseios, é de um sensualismo muitas vezes erótico. Simultaneamente, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas, transbordando a convulsão interior da poetisa para a natureza.
Florbela Espanca não se ligou claramente a qualquer movimento literário. Está mais perto do neo-romantismo e de certos poetas de fim-de-século, portugueses e estrangeiros, que da revolução dos modernistas, a que foi alheia. Pelo carácter confessional, sentimental, da sua poesia, segue a linha de António Nobre, facto reconhecido pela poetisa. Por outro lado, a técnica do soneto, que a celebrizou, é, sobretudo, influência de Antero de Quental e, mais longinquamente, de Camões.
Poetisa de excessos, cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina (em que alguns críticos encontram dom-joanismo no feminino). A sua poesia, mesmo pecando por vezes por algum convencionalismo, tem suscitado interesse contínuo de leitores e investigadores. É tida como a grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX.
Fonte: www.astormentas.com
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