quinta-feira, 12 de abril de 2007

Conheça a Música de Zé Cafofinho, Ouça Algumas Faixas e Baixe o CD Completo

A estréia do malandro nostálgico Zé Cafofinho
por Dafne Sampaio


O currículo musical de Tiago Andrade, auto-intitulado recentemente de Zé Cafofinho, é longo, profundamente pernambucano e totalmente independente. Além de ter integrado bandas como Songo, Variant, Originais do Sample e Punk Reggae Parque, o músico participou de discos do Eddie, Bonsucesso Samba Clube e Mombojó. Agora é sua vez de estrear solo com o projeto Zé Cafofinho e Suas Correntes no excelente disco Um pé na meia, outro de fora (independente, 2007).

Cantor e compositor, além de multiinstrumentista (viola de arco, bandolim e corneta), Zé Cafofinho veste sua capa de malandro nostálgico e observa, entre ironias e poesias, as mudanças geográfico-sociais de Olinda e Recife. Em “Meio de transporte” afirma que “Quando eu era criança / Olinda era azul; Recife, laranja / Hoje tudo colorido e opaco / Fosco, envernizado, frotado / Barra-forte circular”, enquanto em “Campo Grande” se defronta com revelações como as dos versos “Naquela esquina cruzei com meu passado / E sei agora que aqui é meu lugar / (...) Pois foi andando por essa rua outro dia / Que decidi que pra trás não vou olhar”.

Mas não é por causa de um baque ou outro que Cafofinho vai perder a pose e em “Marimbondo” se coloca malandramente, mesmo sendo um bom malandro: “Vai se casar / E diz por aí / Da tua água não beberei / Mas, depois de duas cervejas / Fica logo doida e vem atrás / Não sei por que / Depois de lameada / Da minha água quer beber / Me deixe em paz / Não faz assim comigo, não / Olha lá o que tu faz / Metendo a mão em casa / de marimbondo”. E a música de Zé Cafofinho, como é que ela é? Como em toda música pernambucana pós-manguebit a tarefa de rotular é das mais difíceis. Sambas estranhos, atravessados, misturam-se com ska, dub, regionalismos, jazz e muitas outras bossas; tudo gravado e mixado em Recife. As treze faixas do disco trazem ainda ótimas canções como “Espinhos”, “Mucica” e “No vento”.

Como se não bastasse ser mais um ótimo nome a sair de Pernambuco, Zé Cafofinho traz um bocado de convidados que servem como atestado de qualidade, todos conterrâneos: Pupillo (Nação Zumbi), Marcelo Machado e Chiquinho (Mombojó), China (Del Rey), Bactéria (Mundo Livre), Hugo Gila (Academia da Berlinda e Variant), Berna Vieira (Bonsucesso Samba Clube), Rapha B. (Variant e Bonsucesso Samba Clube) e João Carlos (Orquestra Sinfônica de Recife). A banda fixa, as Correntes de Zé Cafofinho, é formada por Cláudio Negrão (violões e baixo), Felipe Gomes (cavaquinho e banjo) e Márcio Oliveira (trompete).


Fonte: Gafieiras

Ouça quatro faixas do CD Um Pé na Meia, Outro de Fora


Baixe completo o disco de estréia de Zé Cafofinho aqui

O arquivo zipado contém as treze faixas de Um Pé na Meia, Outro de Fora em mp3.

01 - Mucica
02 - Meio de Transporte
03 - Nunca mais Eu
04 - Campo Grande
05 - Conceição
06 - Marimbondo
07 - Cabotagem
08 - Perto
09 - No Vento
10 - Canela
11 - Espinhos
12 - Xango br
13 - Enquanto o Cinza Ofusca


Este álbum está sob uma licença Creative Commons - Atribuição-Uso Não-Comercial-Compatilhamento pela mesma licença 2.5 Brasil. Leia a licença e suas atribuições aqui.

O arquivo encontra-se hospedado no sítio EstúdioLivre.org

Misturar bossa, rap, jazz e samba é a proposta de Tita Lima

Tita Lima estréia com '11:11'
por Tárik de Souza

O futurista Tata Aeroplano, da banda Jumbo Elektro, o trombonista Bocato, e os produtores e protagonistas eletrônicos Apolo 9 e Kassin participam de 11:11, disco de estréia da paulistana Tita Lima, filha do produtor Liminha. O CD saiu primeiro nos EUA, no começo do ano, misturando bossa, rap, jazz e samba. A cantora que já dividiu palco com João Donato, Akil (do Jurassic 5) e até Dorival Caymmi emplacou sua composição “A conta do samba” numa coletânea de Gilles Peterson, da BBC londrina. Dia 17, Tita Lima faz seu primeiro show no Rio, no Estrela da Lapa, ao lado de Kassin, Flu e do produtor Carlos Eduardo Miranda, no papel de DJ da noite.

Fonte: JornalMusical

Ouça algumas faixas do CD de estréia de Tita Lima no MySpace

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Amanhã é dia de Celebrar a Música Livre em Porto Alegre

Criei, Tive Como! 2007 Anuncia Show de Abertura do Fisl 8.0
2º Festival Multimídia de Cultura Livre do Brasil reúne representantes de todo o país em Porto Alegre, entre os dias 12 e 14 de abril

Música, criação compartilhada, cinema, vídeos, programas de TV e de rádios comunitárias. Todas as artes digitais, produzidas com o software livre, farão parte do Criei, Tive Como! - Segundo Festival Multimídia de Cultura Livre do Brasil, que acontece entre os dias 12 e 14 de abril, em Porto Alegre, RS, simultaneamente ao 8º Fórum Internacional Software Livre.



Mombojó, DJ Dolores e Bataclã no show de abertura

O show deste ano é de alto poder combustível. A festa, que acontece no dia 12 de abril, às 20h, no Teatro do Sesi, em Porto Alegre, será aberta pelas guitarras, scratches, rap, samba e jovem guarda do grupo Bataclã FC de Porto Alegre, que apóia o software livre. A festa também será embalada pelas guitarras, computadores e cavaquinhos da banda pernambucana Mombojó, uma das primeiras no país a aderir à tendência de se fazer música com produção e distribuição independentes, e a disponibilizar em seu site o download gratuito de suas criações, e arquivos de faixas sob a licença Creative Commons.

O DJ Dolores também apresentará sua fusão de música eletrônica com ritmos regionais do Nordeste. E, para completar, estarão no palco os DJs Lucio K, do Rio de Janeiro, e JC, da África do Sul, vencedores do primeiro concurso Overmix de música eletrônica, promovido pelo Overmixter, através do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e do Overmundo, em parceria com o ccMixter/África do Sul. O ingresso é gratuito.


Fonte: SoftwareLivre.org

Assista Animação: O Amor é Filme

Conheça uma das animações finalistas do Anima Mundi 2006, O Amor é Filme, de Ivan Mola. O Anima Mundi, Festival Internacional de Animação do Brasil, este ano comemora sua décima quinta edição.

O Amor é Filme!
Ivan Mola / 2006 / Brasil/Brazil

Clipe da musica do grupo Cordel do Fogo Encantado, em gravura e cordel animado.


Assista aqui




Ou veja com uma qualidade inferior pelo YouTube

Livro Noite na Taverna de Álvares de Azevedo Completo pra Download

Noite na Taverna

De publicação póstuma, esse livro é uma série de narrativas fantásticas, contadas por um grupo de amigos à roda de uma mesa de taverna. Mais do que pelos elementos romanescos e satânicos que a condimentam (violentação, corrupção, incesto, adultério, necrofilia, traição, antropofagia, assassinatos por vingança ou amor), a obra impõe-se pela estrutura: um narrador em terceira pessoa introduz o cenário, as personagens, a situação, e praticamente desaparece, dando lugar a outros narradores - as próprias personagens, que em primeira pessoa contam, uma a uma, episódios de suas vidas aventureiras.

Na última narrativa, a presença física (na roda dos moços) de personagens mencionadas em uma narrativa anterior faz com que todo o ambiente fantástico e irreal dos contos se legitime como verídico.

Noite na Taverna, escrita em tom bastante emotivo, antecipa em vários aspectos a narração da prosa moderna: a liberdade cênica, a dupla narração e suas confluências, a mistura do real ao fantástico conferem atualidade à obra, apesar de toda a atmosfera byroniana.

Fonte:
VirtualBooks

Baixe aqui Noite na Taverna completo - arquivo em .pdf




TRECHO

…
Ele saiu, ela começou a despir-se. Eu vi uma por uma caírem as roupas brilhantes, as
flores e as jóias— desatarem-se-lhe as trancas luzidias e negras—e depois
aparecia no véu branco do roupão transparente como as estátuas de ninfas
meio-nuas, com as formas desenhadas pela túnica repassada da água do banho.

O que vi—foi o que sonhara e muito, o que vos todos, pobres insanos,
idealizastes um dia como a visão dos amores sobre o corpo da vendida! Eram os
seios alvos e velados de azul, trêmulos de desejo, a cabeça perdida entre a
chuva de cabelos negros—os lábios arquejantes —o corpo todo palpitante—era a
languidez do desalinho, quando o corpo da beleza mais se enche de beleza, e como
uma rosa que abre molhada de sereno, mais se expande, mais patenteia suas cores.

O narcótico era fortíssimo: uma sofreguidão febril lhe abria os beiços:
extenuada e lânguida, caída no leito, com as pálpebras pálidas, os braços soltos
e sem forca— parecia beijar uma sombra.

…………………………………………………………………………………………………………

Ergui-a do leito, carreguei-a com suas roupas diáfanas, suas formas cetinosas, os cabelos soltos
úmidos ainda de perfume, seus seios ainda quentes…

Corri com ela pelos corredores desertos, passei pelo pátio—a ultima porta estava cerrada: abri-a.
Na rua estava um carro de viagem: os cavalos nitriam e escumavam de
impaciência. Entrei com ela dentro do carro. Partimos.
Era tempo. Uma hora depois amanhecia.


(...)




Fonte: DomínioPúblico

terça-feira, 10 de abril de 2007

Poemas de Álvares de Azevedo

Álvares de Azevedo (1831 - 1852)

Biografia
Manuel Antônio Álvares de Azevedo (São Paulo SP, 1831 - Rio de Janeiro RJ, 1852). Cursou Letras no Imperial Colégio de D. Pedro II, no Rio de Janeiro, e em 1848 matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo. Nos anos seguintes, redigiu os poemas do romance A Noite na Taverna, o drama Macário e ensaios literários sobre Bocage, George Sand e Musset. Em 1849, discursou na sessão acadêmica comemorativa do aniversário da criação dos cursos jurídicos no Brasil. Três anos depois faleceria, sem chegar a concluir a faculdade. Sua obra, que abrange também os poemas da Lira dos Vinte Anos e a prosa do Livro de Fra Gondicário, foi reunida e publicada em 1942. Álvares de Azevedo é um dos principais nomes da segunda geração do romantismo brasileiro. Seus poemas, impregnados do spleen de românticos como Byron e Musset, tratam principalmente da morte e do amor, este freqüentemente idealizado. Outro traço importante da poesia de Álvares de Azevedo, segundo o crítico Antônio Cândido, é "o gosto pelo prosaísmo e o humor, que formam a vertente para nós mais moderna do Romantismo".


Se Eu Morresse Amanhã

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Publicado no livro Poesias de Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1853). Poema integrante da série Poesias Diversas.

In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.1



Soneto [Pálida à luz da lâmpada sombria]

Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! O seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!

Publicado no livro Poesias de Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1853).

In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biográficas por Antônio Soares Amora. Org. rev. e notas por Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1949. p.568.



Lembrança de Morrer

No more! o never more!
SHELLEY.


Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
— Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh'alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade — é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos — bem poucos — e que não zombavam
Quando, em noite de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo....
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nelas
— Foi poeta — sonhou — e amou na vida.—

Sombras do vale, noites da montanha
Que minh'alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d'aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua prantear-me a lousa!

Publicado no livro Poesias de Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1853). Poema integrante da série Primeira Parte.


In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.1


Um Cadáver de Poeta

Levem ao túmulo aquele que parece um cadáver! Tu
não pesaste sobre a terra: a terra te seja leve!
L. UHLAND.


I

De tanta inspiração e tanta vida
Que os nervos convulsivos inflamava
E ardia sem conforto...
O que resta? uma sombra esvaecida,
Um triste que sem mãe agonizava...
Resta um poeta morto!

Morrer! e resvalar na sepultura,
Frias na fronte as ilusões — no peito
Quebrado o coração!
Nem saudades levar da vida impura
Onde arquejou de fome... sem um leito!
Em treva e solidão!

Tu foste como o sol; tu parecias
Ter na aurora da vida a eternidade
Na larga fronte escrita...
Porém não voltarás como surgias!
Apagou-se teu sol da mocidade
Numa treva maldita!

Tua estrela mentiu. E do fadário
De tua vida a página primeira
Na tumba se rasgou...
Pobre gênio de Deus, nem um sudário!
Nem túmulo nem cruz! como a caveira
Que um lobo devorou!...

II

Morreu um trovador — morreu de fome.
Acharam-no deitado no caminho:
Tão doce era o semblante! Sobre os lábios
Flutuava-lhe um riso esperançoso.
E o morto parecia adormecido.
Ninguém ao peito recostou-lhe a fronte
Nas horas da agonia! Nem um beijo
Em boca de mulher! nem mão amiga
Fechou ao trovador os tristes olhos!
Ninguém chorou por ele... No seu peito
Não havia colar nem bolsa d'oiro;
Tinha até seu punhal um férreo punho...
Pobretão! não valia a sepultura!

Todos o viam e passavam todos.
Contudo era bem morto desde a aurora.
Ninguém lançou-lhe junto ao corpo imóvel
Um ceitil para a cova!... nem sudário!

O mundo tem razão, sisudo pensa,
E a turba tem um cérebro sublime!
De que vale um poeta — um pobre louco
Que leva os dias a sonhar — insano
Amante de utopias e virtudes
E, num tempo sem Deus, ainda crente?

(...)

Publicado no livro Poesias de Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1853). Poema integrante da série Segunda Parte.
In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.1

NOTA: Poema composto de 7 partes



Minha Desgraça

Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco....

Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro....
Eu sei.... O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro....

Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito assim blasfema,
E' ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.

Publicado no livro Poesias de Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1853). Poema integrante da série Segunda Parte.

In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.1


Fonte: ItaúCultural


Curtas do mundo inteiro em www.outrocine.blogspot.com - Outro jeito de ver cinema

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Ouça Música de Torquato Neto e Jards Macalé

Algumas semanas atrás, mais precisamente no dia 21 de março do presente ano, coloquei aqui no Música&Poesia BRasileira uma postagem com o título Esses Anjos Malucos, trazendo uma série de poemas sobre, quem sabe, o mesmo anjo, porém, descrito nos mais diversos pontos de vista. Para Drummond o dito ser celestial seria um anjo torto, já Adélia Prado retruca com seu anjo esbelto, Chico o acusa de anjo safado, e na versão de Torquato Neto e Jards Macalé trata-se de um anjo louco muito louco.

Coincidentemente, no dia 30 de março, Paulo Roberto Pires, em sua coluna Tocatudo do site no mínimo, escolhe como música da semana ‘Let’s play that’, de Torquato e Macalé, que fala sobre seu anjo muito louco. Leia abaixo a reprodução do texto de Pires e ouça por completo a música Let’s play that gravada 35 anos atrás.

por Yerko Herrera.


Música da semana: ‘Let’s play that’

O ano era 1972. Jards Anet da Silva batizou com seu nome artístico, “Jards Macalé”, seu disco de estréia em carreira solo. Era ele no violão, o guitar hero Lanny Gordin no baixo e Tutty Moreno na batera. Dez faixas e, dentre elas, uma obra-prima, este Let’s play that.

Seu parceiro, Torquato Neto, também escolheu aquele ano para sair de cena, em novembro, no dia seguinte de completar 28 anos. Em tudo e por tudo, este disco e esta música são uma memória incandescente desta parceria, destes dois artistas notáveis e da prolongada ressaca, único desdobramento democrático da ditadura, acometendo caretas, engajados e desbundados como esta dupla de letrista e compositor.

O clima sufocante do disco, que tem pérolas como “Mal secreto”, “Movimento dos barcos” e “Hotel das estrelas”, encontra uma espécie resumo nesta canção, que recria o “Poema de sete faces” de Drummond com seu anjo torto (aqui “muito louco”) e cita Sousâdrade (”desafinar o coro dos contentes”) para manter acesa a rebeldia e a viagem num momento em que nem uma nem outra eram exatamente bem vistas.

Mas o grande barato de “Let’s play that” era a combinação de um poeta inspirado com um músico tão inspirado quanto pirado, de técnica espantosa no violão e, até hoje, dono de uma das interpretações mais viscerais que conheço. Macalé não é brincadeira não.

Passados 35 anos desta gravação, ninguém ousou reafazê-la - pelo menos que eu saiba. E fica mesmo difícil, pois cmo eu mesmo escrevi aqui, o macalismo é um culto paradoxal, que não é herdeiro de ninguém nem deixa sucessores. Let’s play that.

Let’s play that (1972)

Quando eu nasci
Um anjo louco muito louco
Veio ler a minha mão

Não era um anjo barroco
Era um anjo muito louco, torto
Com asas de avião

Eis que esse anjo me disse
Apertando a minha mão
Com um sorriso entre dentes

Vai bicho desafinar
O coro dos contentes
Vai bicho desafinar
O coro dos contentes
Let’s play that



Texto Música da semana: ‘Let’s play that’ , por Paulo Roberto Pires para o site no mínimo

Ouça aqui Let’s play that de Torquato Neto e Jards Macalé

Conheça mais sobre o precursor do Choro

Ilustres Brasileiros

ERNESTO NAZARETH
ERUDITO POPULAR



Quando o samba ainda nem tinha subido o morro, o tango brasileiro descia para o asfalto pelas mãos hábeis deste grande pianista. Compunha músicas eruditas que caíam na graça popular. Ao lado de Chiquinha Gonzaga e Antônio Calado, é considerado o precursor de um gênero bem brasileiro: o choro. Para Villa-Lobos, era a encarnação da nossa alma musical.

Em fevereiro de 1934, Ernesto Nazareth saiu escondido da colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro. Estava internado para tratar-se de um distúrbio nervoso causado pela sífilis. A outro interno, disse que iria para casa. Foi encontrado três dias depois, morto, na Cachoeira dos Ciganos, localizada em uma floresta próxima. Os jornais da época, romanticamente, noticiaram que estava sentado com os braços estendidos como se tocasse piano. Surdo e doente, não havia se recuperado da morte da filha Maria de Lourdes, em 1918, e da esposa Teodora, no ano seguinte.
O acontecimento daquele fevereiro de 1934, às vésperas do carnaval, não ganhou muito destaque. No entanto, o lugar de Nazareth na História estava assegurado. Foi o maior compositor de tangos brasileiros, gênero que mais adiante tomaria a forma do choro.
Ernesto Júlio Nazareth nasceu no Morro do Nheco (hoje Morro do Pinto) em 20 de março de 1863. Aprendeu a tocar piano com a mãe, morta quando ele tinha dez anos. Ainda na infância, sofreu uma queda que lhe trouxe complicações auditivas. Nada que o impedisse de compor vida afora. A primeira música, uma polca-lundu chamada Você Bem Sabe, foi escrita aos 14 anos. Dedicou ao pai, que lhe possibilitara seguir com os estudos do instrumento.

Casou-se aos 23 anos e logo foi dar aulas de piano para sustentar a família. Trabalhou também como pianista-demonstrador em diversas casas, como a Vieira Machado e Cia., Mozart e Carlos Gomes. Como não havia toca-discos, os interessados em comprar determinada partitura pediam a ele que a executasse, para ver se gostavam da música. Também vendia as suas, embora fosse extremamente severo com quem as interpretava. Costumava dizer: “Duas coisas dão-me imenso prazer: uma pessoa a ouvir-me com reverência e um pianista desconcertado ao tentar transpor alguma dificuldade encontrada em minha música!”. Autor de peças essencialmente instrumentais, fazia canções para serem escutadas, não dançadas, como afirmou certa vez. Se o público não prestasse atenção, parava de tocar. Em 1902, no mesmo ano em que foi feito o primeiro registro fonográfico no País, teve sua composição Está Chumbado gravada pela Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, sob regência de Anacleto de Medeiros. Anos mais tarde ganharia fama ao piano da sala de espera do cinema Odeon — para o qual rendeu uma homenagem no tango que leva o nome da sala.


AMBIÇÕES DE CHOPIN
Por toda a vida renegou o maxixe, dizendo que era “ritmo menor”, mas sua música tinha muitos elementos do gênero musical. Apesar de aclamado popularmente, era compositor erudito, com ambições de Chopin. E fazia questão de sê-lo. Para os críticos, foi essa a dualidade de Nazareth: suas músicas faziam sucesso entre a classe média e alta que podia comprar partituras e tinha piano, mas não lhe apetecia a idéia de fazer sucesso em festas, por exemplo. Preferia as reuniões familiares. Em 1926, Mário de Andrade proferiu uma palestra sobre ele na Sociedade de Cultura Artística de São Paulo: “Por todos esses caracteres e excelências, a riqueza rítmica, a falta de vocalidade, a celularidade, o pianístico muito feito de execução difícil, a obra de Ernesto Nazareth se distancia da produção geral congênere. (...) Posso lhes garantir que não estou fazendo nenhuma afirmativa sentimental, não. É a convicção desassombrada de quem desde muito observa a obra dele”.


EMOÇÕES VIVAS
Em maio de 1930 compôs sua última música, Resignação. Ainda se apresentaria em Porto Alegre, partindo depois para Montevidéu, onde teve uma crise nervosa. De volta ao Rio, foi internado na Fundação Gaffrée & Guinle, dentro do Hospício D. Pedro II. Depois foi levado para a colônia Juliano Moreira. Deixou 212 composições, sendo polcas, valsas e tangos. Entre elas os sucessos Escovado, de 1905, e Apanhei-te, Cavaquinho!, de 1914. Sobre Nazareth, disse Villa-Lobos: “É a verdadeira encarnação da alma musical brasileira; ele transmite, na sua índole admirável, as emoções vivas de um determinado povo, cujo caráter apresenta tipicamente na sua música”.

SAIBA MAIS
Ernesto Nazareth, Pianeiro do Brasil, de Haroldo Costa (Novas Direções, 2005).

O Almanaque Brasil está sob licença Creative Commons. A cópia e reprodução de seu conteúdo são autorizadas para uso não-comercial, desde que dado o devido crédito à publicação e aos autores.

sábado, 7 de abril de 2007

Curta Gilberto Gil divagando em Afinação da Interioridade

Afinação da Interioridade


Sinopse
Entre o pensamento e o discurso, o atual Ministro da Cultura divaga sobre a percepção sensorial do simulacro canavalizante pós-tropicalista provocada por acordes e arpejos.
Direção Roberto Berliner
Gênero Experimental
Formato Vídeo (MiniDV)
Ano Produção 2001
Origem BRASIL, RIO DE JANEIRO - RJ
Coloração Cor
Duração 1'30''
Fotografia Jacques Cheuiche, Paulo Violeta e Renato Carlos
Edição de Som Leonardo Domingues
Produtora TV ZERO Produção Executiva Renato Pereira Assistente de Produção Rodrigo Letier, Carolina Condé Finalização Samantha Martins, Sancho Corá, Rogério Boechat
Prêmios
Melhor vídeo no Festival do Minuto 2001
Melhor direção de vídeo documentário no Festival Latino de Campo Grande 2002
Melhor documentário em vídeo no Festival Latino de Campo Grande 2002
Melhor roteiro de vídeo documentário no Festival Latino de Campo Grande 2002

Festivais
Festival do Rio BR 2002
Mostra Curta Cinema do Rio de Janeiro 2002
É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários 2002
Festival de curtas de São Carlos 2002
Mostra do Filme Livre 2003

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Baixe CD Completo da banda paulista The Dead Rocks

Conheça mais a banda de surf-music The Dead Rocks. Ouça dois de seus discos e baixe completo o mais recente.
Veja vídeo do The Dead Rocks tocando Preciso me Encontrar e As Rosas não Falam em versão surf-music algumas postagens abaixo, ou clique aqui.

Biografia

THE DEAD ROCKS começou em 2002. Formada por Johnny Crash (guitarra), Marky Wildstone (bateria) e Billie the Tiki (baixo), lançou em 2005 o CD International Brazilian Surfs pela Monstro Discos e um split em vinil pela Mondo77 Records.

O CD International Brazilian Surfs foi indicado Melhor Álbum Instrumental pela Revista Dynamite além de ter sido indicado melhor disco do ano por importantes jornalistas como Lúcio RIbeiro (Folha de São Paulo). Também recebeu quatro estrelas do guru da surf music mundial Phill Dirt, do site americano Reverb Central, o mais importante do gênero.

The Dead Rocks realizou uma turnê de 30 shows na Europa em 2005, tocando na França, Alemanha, Itália e Bélgica. No início de 2006 a banda se apresentou em 7 importantes cidades do sul do Brasil, incluindo Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.

Participou também de importantes festivais de rock como o Festival Bananada em Goiânia em 2005 e 2006, o Ruído Festival em 2006, no Rio de Janeiro e o Primeiro Campeonato Mineiro de Surf em 2004 e 2005, em Belo Horizonte.
Recentemente passaram a ser patrocinados pela fábrica americana de guitarras DiPinto Guitars (Dick Dale, White Stripes, Los Straitjackets) e entraram em estúdio para registras cinco novas composições que serão lançadas em um vinil de sete polegadas, pela Monstro Discos ainda no primeiro semestre desse ano. Uma nova turnê internacional já está sendo produzida e os shows não param.


Fonte: http://www.deadrocks.com.br


2005 - International Brazilian Surfs (cd/monstro discos)



Ouça no player abaixo. Destaque para as versões de Preciso me Encontrar, Green Sleeves, As Rosas não Falam e El Condor Pasa.

01-Themme For Rock is Dead
02-Banana Hit
03-Crash, Crash and Crash Again
04-Beach's Bitch
05-Dead Can Surf
06-Preciso me Encontrar
07-Guaxo
08-BH-MG
09-Green Sleeves
10-Super Ant Monster
11-Unhead Rider
12-Maui's Sunset
13-Love You
14-Don't Push the Button
15-Surfing in the Kane
16-As Rosas não falam
17-El Condor Pasa
18-Billie Buggy
19-Speaker Stone

2006 - Tiki Twist (7inch/monstro)

Download do álbum COMPLETO (arquivo .zip)








Tiki Twist
El Bongo
Center of the Universe
L'espion Invible en Vacances

Fonte disco: http://www.deadrocks.com.br

Ambos discos estão sob uma licença Creative Commons

Cartola Canta em Dois Vídeos

Alvorada - Cartola

Musical de Cartola gravado em 1974, no programa MPB Especial (atual Ensaio) produzido pela TV Cultura, e parte integral de DVD já à venda.


Peito Vazio - Cartola

Peito Vazio, de Cartola, gravado em programa da TV Cultura.

Série de Discos Raros são Relançados

Vandré de volta às prateleiras
por Pedro Alexandre Sanches

Em mais uma etapa da série Clássicos Odeon, dez novos títulos raros do catálogo hoje pertencente à multinacional EMI voltam à tona, em preços ditos populares. Destaque especial, desta vez, é o disco Canto Geral, de 1968, o último trabalho de Geraldo Vandré antes de ser abatido pela radicalização da ditadura brasileira (e pela sua própria radicalização). Em seara aparentemente mais descompromissada, mas nem por isso menos rebelde, reaparece o álbum Quero Voltar pra Bahia, de 1970, de Paulo Diniz – a canção-título se referia, subliminarmente, ao exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil em Londres, que Diniz cantava na primeira pessoa, mesmo sendo pernambucano.

Outras raridades de quilate compõem a nova lista. Amor de Gente Moça, de Sylvia Telles, tornou-se disco pioneiro de bossa nova ao reunir, ainda em 1959, 12 canções compostas por Tom Jobim. O Compositor e o Cantor (1965) e Viola Enluarada (1968) recuperam mais dois trabalhos da fase bossa nova de Marcos Valle. A cantora Claudia, que rivalizava com Elis Regina no início dos anos 70, comparece com Jesus Cristo (1971), cujo carro-chefe era a canção homônima de Roberto e Erasmo Carlos. E ressurge a estréia-solo da compositora Sueli Costa, de 1975, apoiada em valor bem mais artístico que comercial.


Fonte: CartaCapital

Estréia hoje Cartola

Tempos idos, nunca esquecidos
por Ana Paula Sousa

Ele nasceu Angenor, mas sempre pensou que se chamasse Agenor. Foi só no dia do casamento que Angenor de Oliveira (1908-1980) se deu conta do “n” metido pelo escrivão. Achou graça no som nasalado e até queria que começassem a chamá-lo assim. Mas não tinha mais jeito: Agenor, em todo canto, era só Cartola.

As anedotas da vida, as histórias de um Rio de Janeiro que cheira a idílio e o talento que a pobreza não podou estão alinhavados, feito notas que viram música, no documentário Cartola, que estréia nos cinemas na sexta-feira 6. Dirigido por Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, o filme não só faz jus à memória do genial compositor mangueirense como abre um rico baú de imagens da cultura brasileira.

Há Ismael Silva em close, João da Baiana numa mesa de bar, Donga e seu samba Pelo Telefone, no programa da Hebe, Xangô da Mangueira a dizer que “compositor do nosso tempo não vendia música”, Heitor dos Prazeres cantando, Moreira da Silva descrevendo “meninas que pareciam mariposas rodando nas lâmpadas”, Madame Satã tecendo loas à boemia e Aracy de Almeida espetando o machismo.

E há, sobretudo, o Cartola e seus óculos escuros. É emocionante ouvi-lo entoar Está chegando o momento de irmos pro altar, ao lado de uma dona Zica de olhar derretido. É histórico ver Paulinho da Viola a acompanhá-lo em Vais chorar, vais sofrer. E o que dizer da cena em que canta Ainda é cedo, amor/ Mal começaste a conhecer a vida ao lado do pai?

“Hesitei algum tempo se começaria estas memórias pelo começo ou pelo fim, se pelo meu nascimento ou pela minha morte”, diz a voz, em off, logo na abertura do filme. A primeira imagem é de seu enterro. O homem que “ia à feira e só voltava três dias depois” e que “com 17 anos, ganhou mulher, filha e sogro”, disse e fez: A sorrir/ eu pretendo/ levar a vida (numa parceria com Elton Medeiros, figura-chave do filme). É essa aura que os diretores souberam captar.


Fonte: CartaCapital

quinta-feira, 5 de abril de 2007

CONTRA-INDÚSTRIA: A nova Música Independente

Capa do livro CONTRA-INDÚSTRIA
Muito se discute sobre música independente no país hoje em dia. Porém, a distância que se observa na prática entre músicos amadores (sem pretensão profissional) e artistas auto-produores profissionais é enorme. Motivados em diminuir essa distância, e também em criar um material que se voltasse somente para a música independente (o que é extramamente raro), os compositores Estrela Leminski e Téo Ruiz publicaram o livro CONTRA-INDÚSTRIA em 2006, pela editora miniera Selo Editorial, fruto de uma ampla pesquisa da dulpa sobre o tema reunindo aspectos históricos, discussões, novas tendências e também uma nova terminologia que se adequasse ao discurso atual desses artistas auto-produtores profissionais de hoje, independentes por opção, que não estão ligados a nenhum tipo de estrutura industrial. Sem pragmatismos e maniqueísmos, o livro traz dados oficiais e embasamento para mostrar que os artistas independentes já saíram há tempos da condição de "marginais" para se tornarem situação dentro da música brasileira.

Segue o resumo que está na orelha do livro:

O conceito de MPB como uma instituição se mostra muito mais apropriado nos dias de hoje, pois não envolve mais somente estilos musicais, mas também reúne aspectos sociais, históricos e culturais da sociedade brasileira. As grandes gravadoras foram se firmando no Brasil ao longo do século XX ligadas ao desenvolvimento tecnológico do fonograma (música gravada). Com o avanço técnico das gravações, expansão e massificação dos meios de comunicação e com a grande qualidade e diversidade da música brasileira, as grandes gravadoras (majors) atingiram o grande público, principalmente a partir dos anos 50, e instalaram um monopólio de toda a cadeia de produção musical. A Música Independente surge em meio a crises do setor e insatisfação de alguns artistas das majors, e teve sua grande expansão a partir dos anos 80 com a vanguarda paulistana. A atitude do Faça Você Mesmo, já presente no Punk, começa então a fazer parte da MPB. O artista independente de hoje não corresponde mais a imagem de amador e marginal que adquiriu ao longo principalmente dos anos 70 e 80. Há algum tempo esses artistas produzem seu próprio trabalho com extrema qualidade e competência, e aproveitam alternativas de produção já existentes assim como propõe novos caminhos. As Leis de Incentivo à Cultura, mesmo com defeitos, constituíram uma importante ferramenta de trabalhos independentes de altíssima qualidade, e até hoje é uma alternativa de produção. O alto custo do monopólio das grandes gravadoras através de compras dos meios de comunicação (jabá), a escassez de novidades, trabalhos apelativos e as novas alternativas independentes são as prováveis causas da crise instaurada em todo setor fonográfico mundial. Devido à nova configuração da Música Independente e a adequação de seu discurso, a Contra-Indústria se configura como o expoente dos artistas independentes do Brasil.

Mais informações sobre o livro, os autores e como adquirir, entre no site
www.musicaderuiz.art.br
por Téo Ruiz para o OverMundo

Rock Caipira é proposta de banda paranaense

Charme Chulo apresenta seu rock caipira
por Marco Antonio Barbosa


Formado em 2003 em Curitiba, o grupo Charme Chulo vem sendo apontado como uma das boas promessas do rock sulista desde o lançamento de seu primeiro EP, Você sabe muito bem onde eu estou (2004). A banda ganhou maior visibildade depois de participar do segundo Curitiba Pop Festival, em 2005. O quarteto agora coloca na praça seu primeiro álbum, que leva apenas o nome do grupo como título. Produzido pelo vocalista do grupo catarinense Pipodélica, Eduardo Xuxu, o disco refina a mescla de influências do pop britânico dos anos 80 com a música interiorana paranaense, um som que o CC prefere chamar de "rock caipira". O resultado é vigoroso, completado pelo visual da banda e o uso de instrumentos como a tradicional viola de cordas de aço. O álbum sai pelo selo Volumeone em parceria com a gravadora goiana Fósforo Records; já nesta sexta (dia 6) o quarteto cai na estrada, fazendo show de lançamento em São Paulo no CB Bar, na capital do Estado. Mais informações sobre a turnê e o disco: www.charmechulo.com.br.

Fonte: JornalMusical

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Ouça por completo disco de João Donato

O Instituto Memória Musical Brasileira (IMMUB), que é uma Organização Não Governamental, sem fins lucrativos, sediada no Rio de Janeiro e voltada para a pesquisa, preservação e divulgação da Música Popular Brasileira, já faz um tempo anda organizando em seu site uma Discografia Básica da Música Brasileira. A cada semana coloca em exibição um disco diferente para que os internautas votem e opinem se ele merece fazer parte dessa seleção. Esta semana o álbum na, digamos, berlinda, é Quem é Quem, de João Donato.

Os discos que já fazem parte da discografia básica são: "Vinicius e Caymmi no Zum Zum" (Dorival Caymmi, Quarteto em Cy e Vinícius de Moraes), com 95,83% dos votos, entrou."Expresso 2222" (Gilberto Gil), com 95,65% dos votos, entrou."Você ainda não ouviu nada!" (Sérgio Mendes & Bossa Rio), com 81,82% dos votos, entrou."Krig-Ha, Bandolo!" (Raul Seixas), com 57,50% dos votos negativos, não entrou."Elis & Tom" (Elis Regina e Tom Jobim), com 96% dos votos, entrou.

Leia o que o IMMUB escreveu sobre João Donato, e a opinião de alguns jornalistas sobre o mesmo, logo abaixo. Abaixo também o disco na integra pra ouvir.

"QUEM É QUEM"
João Donato
(1973) Odeon SMOFB 3785

Pianista e compositor já renomado, no ano de 1973 João Donato aceitou a sugestão do cantor Agostinho dos Santos e gravou seu primeiro disco de músicas com letra. Em Quem é quem, suas melodias ganhavam poesias de Paulo César Pinheiro, João Carlos Pádua, Geraldo Carneiro, Lysias Ênio e Marcos Valle. Embora tenha fornecido ao repertório a música “Cala boca menino”, exclusivamente sua, Dorival Caymmi não fez parte do time de parceiros. Foi por pouco. Mas esta história quem conta é o próprio Donato. Com a palavra:

“Comecei a fazer letra com um monte de gente. Eu ia gravar instrumental dentro de alguns dias e o Agostinho dos Santos falou: ‘Vai gravar tocando piano de novo? Todo mundo já ouviu isso. Se fosse você, eu gravaria cantando’. Como foi uma resolução apressada, colocamos quatro ou cinco letristas. Tinha uma semana para arrumar letras para 12 músicas. Tinha mais de uma pessoa fazendo letras para a mesma música, sem saber! Eu mandava as fitas para todo mundo e chegavam letras diferentes para a mesma música. Meu irmão (Lysias Ênio) fez a letra para "Até quem sabe" e o Dorival Caymmi tinha feito também. Quando ele leu a letra do Lysias, disse: 'Vou rasgar a minha, a dele está melhor'. E rasgou. Eu não devia ter deixado, devia ter ficado com a letra dele e feito outra música em cima (risos).” (João Donato)


Lia Baron



OUÇA AQUI - QUEM É QUEM, de João Donato

1. Chorou Chorou
(João Donato / Paulo César Pinheiro)

2. Terremoto
(João Donato / Paulo César Pinheiro)

3. Amazonas
(João Donato)

4. Fim de Sonho
(João Donato / João Carlos Pádua)

5. A Rã
(João Donato)

6. Ahiê
(João Donato / Paulo César Pinheiro)

7. Cala Boca Menino
(Dorival Caymmi)

8. Nãna das Águas
(João Donato / Geraldo Carneiro)

9. Me Deixa
(João Donato / Geraldo Carneiro)

10. Até Quem Sabe
(João Donato / Lysias Ênio)

11. Mentiras
(João Donato / Lysias Ênio)
Participação: Nana Caymmi

12. Cadê Jodel
(João Donato / Marcos Valle)


Marcio Pinheiro (Zero Hora):
Depois de ter atravessado os anos 60 vivendo na Califórnia, João Donato estava com saudades do Brasil. O cachê conseguido com os discos A bad Donato e Donato/Deodato (com participações de Airto Moreira, Randy Brecker e Ray Barreto) seria usado para pagar a passagem de volta. Chegou ao país como um nome das "internas" da bossa nova. Era um músico dos músicos, respeitado pelos seus pares mas pouco conhecido pelo público. Da convivência com o cantor Agostinho dos Santos, um grande incentivador de seu trabalho, nasceu a idéia de colocar letras nas suas músicas ("Senão ninguém cantava, ninguém gravava", lembra Donato). Assim surgiu Quem é quem, disco que trazia a novidade de ter no repertório músicas com letras cantadas pelo próprio compositor, com destaque para “Até quem sabe” e “Mentiras” (as duas com Lysias Ênio) e “Chorou, chorou” (com Paulo César Pinheiro).
Revigorado pela temporada americana, João Donato se sentia também mais seguro para dar às inspiradas melodias e letras os arranjos que pela primeira vez eram todos assinados por ele. Donato confessa que, na época, lembrava muito do seu amigo, o maestro Laércio de Freitas, um de seus principais incentivadores. "Ficava na dúvida sobre uma frase musical e perguntava: Laércio, é melhor isso ou isso? Ele respondia simplesmente: Acredita!". (S)

Tárik de Souza (Jornal Musical):
De volta ao país, após longa temporada nos EUA, o pianista e compositor João Donato, um dos fundadores da bossa nova, encontrou o ambiente musical totalmente mudado. O disco Quem é quem, de 1973, é sua brilhante tentativa de aclimatação. Fã declarado, o cantor Agostinho dos Santos reclamou que não tinha como cantar as composições do astro do disco – temas instrumentais sem letra, como os que os jazzistas escreviam. Marcos Valle, o produtor do disco, convocou então Paulo Cesar Pinheiro ("Chorou, chorou", "Terremoto", "Ahiê"), Geraldo Carneiro ("Nana das águas", "Me deixa") e o irmão de Donato, Lysias Ênio, que se projetaria como letrista a partir da balada clássica "Até quem sabe", incluída no repertório junto com "Mentiras", onde entra a arrasadora Nana Caymmi. O pai dela, Dorival Caymmi, forneceu uma inesperada cantiga de capoeira ("Cala boca menino") e o próprio Marcos dividiu "Cadê Jodel?" com Donato, que estreou como cantor e ainda dedilhou um piano elétrico, hoje bem mais moderno que na época. Completam a festa para os ouvidos, orquestrações dos maestros Gaya, Ian Guest, Laércio de Freitas, Dori Caymmi e do próprio Donato. (S)

Carlos Calado (jornalista):
Não fosse o cantor Agostinho dos Santos, Quem é quem dificilmente seria o mesmo divisor de águas na carreira de João Donato. No final de 1972, o pianista acreano já se preparava para gravar mais um disco instrumental, quando Agostinho despertou sua atenção para um detalhe prático: se suas composições tivessem letras, elas também poderiam ser gravadas por cantores. Donato não pensou duas vezes: saiu atrás de letristas, como Paulo César Pinheiro, Geraldo Carneiro ou seu irmão Lysias Enio, para transformar seus temas instrumentais em canções.
Claro que, num mundo ideal, um criador de melodias tão preciosas nem precisaria recorrer a esse recurso, mas foi dessa forma que a obra de Donato começou a atingir um público mais amplo. Em várias composições incluídas em Quem é quem, como “Amazonas”, “A rã”, “Ahiê” ou “Até quem sabe”, ele prova ser um mestre na arte de extrair beleza da simplicidade. (S)

Marco Antonio Barbosa (Jornal Musical):
Donato sempre foi aventureiro. Gravitou em torno dos fundadores da bossa nova, tocou jazz e ritmos latinos nos EUA, preconizou a fusão de sons brasileiros com o suingue elétrico vindo da black music gringa. Mas só botou a cara na janela mesmo com este Quem é quem, no qual assumia sua voz e iniciava uma das mais frutíferas usinas de composição da MPB. Sucessos como "A rã", "Amazonas" e "Até quem sabe" provaram a acertada decisão de Donato de trilhar o caminho do cantor-compositor (ainda que ele tivesse certa hesitação no começo). De balanço sutil e irresistível, o disco combina muito bem a voz frágil (mas não desprovida de charme) de João com arranjos elegantes construídos ao redor de seu piano. Começava mais uma aventura na longa estrada de Donato. (S)

Vá até o site do IMMUB para votar no disco de João Donato

Cartola Versão Surf-Music

Ouça esta versão que a banda paulista The Dead Rocks, um dos maiores grupos nacionais de surf-music, fez para dois clássicos do samba. Neste vídeo eles começam tocando Preciso me Encontrar, canção do falecido sambista carioca Candeia, imortalizada na voz de Cartola. Em seguida emendam com As Rosas não Falam, do próprio Cartola. Apesar de surf-music e samba não terem nada a ver, a versão ficou muito boa. Vale conferir!

Preciso me Encontrar (Candeia) / As Rosas não Falam (Cartola) - The Dead Rocks


Dica: Dê um pause na rádio do blog para apreciar melhor o vídeo

terça-feira, 3 de abril de 2007

Cartola ganha Documentário

O filme que mostra a vida de um dos maiores compositores e sambistas que o Brasil já teve estréia no circuito comercial, em todo território nacional, na próxima sexta-feira.

Documentário mostra a trajetória do compositor Cartola, o mestre do samba melancólico cultuado por diferentes gerações de músicos e intérpretes
Por Ricardo Calil


Foto Cafi
Angenor de Oliveira, o Cartola

O cinema brasileiro sempre buscou parte de sua energia na música popular. Das chanchadas da Atlântida, que levaram para as telas os sucessos do rádio e do carnaval, a Rio Zona Norte (1955), em que Nelson Pereira dos Santos retratou os dramas de um compositor de sambas e ajudou a abrir o caminho para o Cinema Novo. De Vinicius (2005), documentário nacional mais visto em todos os tempos, a 2 Filhos de Francisco (2005), maior sucesso da chamada fase de "retomada".

Nessa longa e muitas vezes bem-sucedida relação, Cartola, documentário sobre o sambista carioca Angenor de Oliveira (1908-1980), promete ocupar posição de destaque. Realizado pelos pernambucanos Lírio Ferreira e Hilton Lacerda (respectivamente diretor e roteirista de Baile Perfumado e Árido Movie), o filme defende a idéia de que Cartola foi uma figura-síntese da música popular brasileira do século 20, ao protagonizar momentos fundamentais de sua história e fazer a ponte entre diferentes gerações e movimentos


Fonte: Bravo!Online


Assista aos trailers do documentário:

Trailer 01


Trailer 04


Trailer 05


Poemas Inéditos de Ferreira Gullar

Cinco poemas inéditos do autor de "A luta corporal"
FERREIRA GULLAR

O duplo

Foi-se formando
a meu lado
um outro
que é mais Gullar do que eu

que se apossou do que vi
do que fiz
do que era meu

e pelo país
flutua
livre da morte
e do morto

pelas ruas da cidade
vejo-o passar
com meu rosto

mas sem o peso
do corpo
que sou eu
culpado e pouco



Uma aranha

ela surgiu não sei de onde
quando abri o Dicionário de Filosofia
de José Ferrater Mora
(no verbete Descartes, René;) mi-
núscula
com suas muitas perninhas
quase invisíveis
cruzou a página 1 305 como se flutuasse
(uma esfera de ar
viva)
e foi postar-se no alto
no limite entre o texto e a margem branca
enquanto eu
fascinado
indagava:
como pode residir
insuspeitado
nestas encardidas páginas
– em minha casa, afinal de contas –
um tal ser
mínimo mas vivo
consciente de si
(e como eu
parte do século XXI)
e que agora parece observar-me
tão espantado quanto estou
com este nosso inesperado encontro?



Repouso

pouso o rosto
na mesa

que
alívio
ser apenas
tato

só o
macio
contato

o corpo
corpo
defeso
dos esplendores
da vida



Acidente na sala

movo a perna esquerda
de mau jeito
e a cabeça do fêmur
atrita
no osso da bacia
sofro um tranco

e me ouço
perguntar:
aconteceu comigo
ou com meu osso?

e outra pergunta:
eu sou meu osso?
ou sou somente a mente
que a ele não se junta?

e outra:
se osso não pergunta,
quem pergunta?
alguém que não é osso
(nem carne)
em mim habita?
alguém que nunca ouço
a não ser quando
em meu corpo
um osso com outro osso atrita?



Perplexidades

a parte mais efêmera
de mim
é esta consciência de que existo

e todo o existir consiste nisto

é estranho!
e mais estranho
ainda
me é sabê-lo
e saber
que esta consciência dura menos
que um fio de meu cabelo

e mais estranho ainda
que sabê-lo
é que
enquanto dura me é dado
o infinito universo constelado
de quatrilhões e quatrilhões de estrelas
sendo que umas poucas delas
posso vê-las
fulgindo no presente do passado
Fonte: RevistaPiauí
Postagem sugerida por Wagner Paz Machado

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Livro Completo de Fernando Pessoa pra Baixar


Baixe aqui o Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa.

Trecho

10.
"Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância - irmãos siameses que não estão pegados."

Fonte: DomínioPúblico

Bernardo Soares
Bernardo Soares é um tipo particular dentre os heterônimos do poeta e escritor português Fernando Pessoa. É o autor do Livro do Desassossego, escrito em forma de fragmentos. Apesar de fragmentário, o livro é considerado uma das obras fundadoras da ficção portuguesa no séc. XX, ao encenar na linguagem categorias várias que vão desde o pragmatismo da condição humana até o absurdo da própria literatura. Bernardo Soares é, dentro da ficção de seu próprio livro, um simples ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa.

A instância da ficção que se desenvolve no livro é insignificante, porque trata-se de uma "autobiografia sem factos", como o próprio Fernando Pessoa situa o livro. Dessa forma, o que interessa na prosa fragmentária que Bernardo Soares desenvolve é a dramaticidade das reflexões humanas que vêm à tona na insistência de uma escrita que se reconhece inviável, inútil e imperfeita, à beira do tédio, do trágico e da indiferença estética. Por essa razão, diversos fragmentos do livro são investigações íntimas das sensações provocadas pelo anonimato, pela cotidianeidade da vida comum e todo o "universo" da baixa de Lisboa.

O fato de Fernando Pessoa considerar (em cartas e anotaçoes pessoais) Bernardo Soares um semi-heterônimo faz pensar na maior proximidade de temperamento entre Pessoa e Soares. A crítica especializada tem procurado demonstrar que é exatamente esse jogo de máscaras operado por Bernardo Soares, entre a heteronimia e a semi-heteronimia, o que permite pensar como ainda mais relativo o estatuto de ortônimo que Fernando Pessoa confere a si mesmo quando escreve em nome de sua própria personalidade literária. Nesse sentido, para alguns, o jogo heteronímico ganha em complexidade e Pessoa logra o êxito da construção de si mesmo como o mais instigante mito literário português na Modernidade.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.