sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Festivais Independentes

Para ajudar os 'novos malucos'
por Marco Antonio Barbosa


A Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) aproveitou a Feira Música Brasil para lançar oficialmente seu calendário 2007. A associação (http://www.abrafin.blogger.com.br) congrega hoje 22 eventos realizados em 10 Estados, indo de festivais de grande porte - como a Feira da Música, no Ceará, que tem público anual de 40 mil pessoas - a outros mais modestos, caso do Porto Musical, realizado em Recife (PE) e que atrai 600 pessoas por edição. O presidente da Abrafin, Fabrício Nobre (ele mesmo produtor dos festivais Bananada e Goiânia Noise, ambos no Mato Grosso), anunciou também que a associação vai passar a dar consultoria para outros eventos que queiram seguir os moldes dos festivais já associados. "Vamos ajudar os novos malucos", brinca Fabrício.

Veja agora o calendário 2007 dos festivais da Abrafin:

Fevereiro: Porto Musical (Recife): 07/02 a 11/02; Grito Rock (em 20 cidades pelo Brasil): 10/02 a 24/02; Recbeat (Recife): 17/02 a 20/02. Março: Ruído Festival (Rio de Janeiro): 01/03 a 03/03. Abril: Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe (Belo Horizonte): 04/04 a 07/04; Abril Pro Rock (Recife): 13/04 a 15/04. Maio: Mada (Natal): 03/05 a 05/05; Bananada (Goiânia): 18/05 a 20/05. Junho: Porão do Rock (Brasília): 01/06 a 03/06; Calango (Cuiabá): 08/06 a 10/06. Julho: Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros (Vila de São Jorge, GO), sem data definida; Boom Bahia (Salvador): sem data definida. Agosto: DoSol (Natal): 02/08 a 05/08; Feira da Música (Fortaleza): 15/08 a 18/08; Vaca Amarela (Goiânia): 31/08 a 01/09. Setembro: Jambolada (Uberlândia, MG): 14/09 a 16/09; Varadouro (Rio Branco, AC): sem data definida. Outubro: Demo Sul (Londrina, PR): 20/10 a 22/10; Eletronika (Belo Horizonte): sem data definida. Novembro: Goiânia Noise Festival: 23/11 a 25/11; Senhor Festival (Brasília): 23/11 a 25/11. Dezembro: Algumas Pessoas Tentam te Fuder: segunda semana de dezembro.

Fonte: JornalMusical

Vapor Barato/Flor da Pele

Vapor Barato/Flor da Pele - Gal Costa e Zeca Baleiro

Esta música faz parte do Acústico MTV - Gal Costa, de 1997, na qual Zeca Baleiro é apresentado ao grande público. Gal reinterpreta Vapor Barato, de Jards Macalé e Wally Salomão, gravado por ela na década de 70. No entanto, motivada pela música Flor da Pele, de Baleiro, inspirada em Vapor Barato, onde o cantor maranhense funde as duas canções, Gal resolve intrepretá-la novamente e convida Zeca Baleiro para tal façanha. Assista este vídeo com Vapor Barato/Flor da Pele na integra e veja o quão bela ficou.

Yerko Herrera

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Bebendo, Vida, invento casa, comida

Alcoólicas
de Hilda Hilst

É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.
(Alcoólicas - I)

* * *

Também são cruas e duras as palavras e as caras
Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida
Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos
Vão se fazendo remansos, lentilhas d'água, diamantes
Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos
Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas
De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo
Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas
Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento
Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte
É um rei que nos visita e nos cobre de mirra.
Sussurras: ah, a vida é líquida.
(Alcoólicas - II)

* * *

E bebendo, Vida, recusamos o sólido
O nodoso, a friez-armadilha
De algum rosto sóbrio, certa voz
Que se amplia, certo olhar que condena
O nosso olhar gasoso: então, bebendo?
E respondemos lassas lérias letícias
O lusco das lagartixas, o lustrino
Das quilhas, barcas, gaivotas, drenos
E afasta-se de nós o sólido de fechado cenho.
Rejubilam-se nossas coronárias. Rejubilo-me
Na noite navegada, e rio, rio, e remendo
Meu casaco rosso tecido de açucena.
Se dedutiva e líquida, a Vida é plena.
(Alcoólicas - IV)

* * *

Te amo, Vida, líquida esteira onde me deito
Romã baba alcaçuz, teu trançado rosado
Salpicado de negro, de doçuras e iras.
Te amo, Líquida, descendo escorrida
Pela víscera, e assim esquecendo
Fomes
País
O riso solto
A dentadura etérea
Bola
Miséria.
Bebendo, Vida, invento casa, comida
E um Mais que se agiganta, um Mais
Conquistando um fulcro potente na garganta
Um látego, uma chama, um canto. Amo-me.
Embriagada. Interdita. Ama-me. Sou menos
Quando não sou líquida.


(Alcoólicas - V)

(in Do Desejo - Campinas, SP: Pontes, 1992.)

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Música e Poesia de Baleiro e Hilda


A poesia sonora de Hilda Hilst no baleiro de Zeca
por Tacilda Aquino

Foi por iniciativa de Hilda Hilst (1930 -2004) que Zeca Baleiro se tornou parceiro da poeta paulista. Ao receber uma cópia do primeiro disco do compositor maranhense, Por Onde Andará Stephen Fry? (1997), enviada pelo próprio artista, Hilst ligou, propôs a parceria e mandou um disquete com sua obra poética.Foi no disquete que Baleiro descobriu o livro Júbilo Memória Noviciado da Paixão - escrito pela Hilda quando estava apaixonada platonicamente pelo Júlio de Mesquita Neto (vide as iniciais) - e decidiu musicar os versos do capítulo que dá título ao disco.

Depois de dois anos de trabalho, a gravadora de Zeca Baleiro, Saravá Disco, lançou o CD Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio - com poemas de Hilda Hilst musicados pelo artista maranhense.

O disco, segundo Zeca Baleiro, começou a ser gravado em abril de 2003 e teve aval da escritora e a colaboração do violonista Swami Jr. nos arranjos de base. Para musicar os dez poemas, Baleiro buscou uma sonoridade que se encaixasse nos poemas já em essência muito musicais de Hilst. Instrumentos como harpa, oboé e fagote ajudaram a criar o clima. Para dar mais charme ainda ao disco, Baleiro contou com a adesão de dez cantoras para interpretar as canções. Pela ordem de entrada no CD, o time é formado por Rita Ribeiro, Verônica Sabino, Maria Bethânia, Jussara Silveira, Ângela Ro Ro, Ná Ozzetti, Zélia Duncan, Olívia Byington, Mônica Salmaso e Ângela Maria.

As intérpretes estão à vontade no despudorado universo poético de Hilst. O único deslize é de Ângela Maria, que, por conta de seu estilo naturalmente empostado, ficou meio deslocada. Mas no todo, o trabalho tem bom acabamento melódico, garantido pelo repertório de tom linear que assegura a uniformidade das canções ao mesmo tempo em que conta a história do amor impossível de Ariana e Dionísio. Um dos melhores momentos do disco é a Canção V, interpretada por Angela Ro Ro.
Na época do lançamento do disco, no ano passado, conversei com Zeca Baleiro sobre o trabalho. Confira a entrevista abaixo.

Título: Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio
Artista: Vários
Gravadora: Saravá Discos
Preço médio: 30 reais


Entrevista com Zeca Baleiro

“Gosto do lugar onde estou”

Como foi a sua aproximação com Hilda Hilst?

Quando lancei meu primeiro disco, enviei um exemplar a Hilda. Semanas depois ela me ligou e me convidou a compor com ela, foi surpreendente. Claro que topei. Quando ela me ligou, ela leu um poema curto, de três versos, e pediu pra eu musicar já, ali mesmo. Depois mandou um disquete com toda a sua produção poética e disse: “faça o que você quiser”. Então eu tive o insight de fazer o disco.

Você é um compositor que transita com desenvoltura por diversos gêneros e estilos musicais. Qual foi a maior dificuldade de musicar os poemas?

O trabalho foi difícil porque os poemas não tinham uma métrica de canção, versos ritmados. São versos muito livres e muito densos, não poderia musicar como canções pop, iria ficar inadequado. Tinha que achar um caminho que fosse coerente, por isso embarquei no clima medieval dos poemas, enaltecendo o lirismo dos poemas e a interpretação das cantoras.

Você disse que recebeu um disquete com toda a obra poética de Hilda. Por que escolheu justamente Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé, do livro Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão?

Não sei se escolhi ou se fui escolhido. Quando me dei conta, já estava musicando esses poemas. É curioso, mas não foi uma escolha racional de fato.

Então ela chegou a conhecer essas canções?

Sim, ouviu, aprovou, corrigiu a métrica de uns dois versos lá. Ela gostava de cantarolar a Canção X, dizia ser a sua preferida.

Tinha alguma canção sua que ela gostava especialmente?

Ela dizia adorar Bandeira e Heavy Metal do Senhor.

Quando ela ouviu as canções pensou em alguma cantora para interpretá-las? Sugeriu algum nome?

Sugeriu Bethânia e Gal. Bethânia gravou, mas a Gal estava em Nova York nessa altura, envolvida com outros projetos, e não pôde participar.

Parece que sua decisão de fazer Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé reforça a afirmação de que você é um poeta pós-moderno, multifacetado, difícil de ser rotulado ou definido por uma das infindáveis prateleiras nas lojas de CDs. O que pensa de tudo isso?

Bom, estaria mentindo se dissesse que não fico envaidecido com isso, que considero o maior elogio que um artista possa receber – “difícil de ser rotulado”. Já disse alguém que “se você não pode esclarecer, então confunda!”.

O disco tem uma sonoridade medieval, com instrumentos como harpa, oboé e fagote ajudando a criar o clima que lembra o trabalho de grandes trovadores. Qual sua aposta na obra, falando do ponto de vista comercial?

Não tenho expectativas comerciais com o disco, falando muito francamente. Sei o lugar de cada coisa, e este trabalho não aspira a êxitos comerciais. Mas, pela recepção da crítica, e do público especialmente, ele já é um sucesso.

Um dos grandes chamarizes do disco é o fato de você contar com a adesão de grandes nomes da música nacional. Como foi o convite para essas estrelas gravarem os poemas de Hilda?

Fui chamando conforme a canção me sugeria determinado timbre ou jeito de cantar. Acho que fui feliz nas escolhas. E todas se mostraram bem contentes por participar do projeto.

Nesses anos todos de carreira, você sempre se envolveu em projetos paralelos, como a produção dos primeiros discos de Rita Ribeiro e Ceumar, além de ter lançado o primeiro CD do maranhense Antonio Vieira, aos 82 anos. E acabou lançando o selo Saravá. Como você analisa a música independente feita no Brasil?

Acho que tudo nos aponta o caminho da independência, é uma produção que só cresce e ganha adesões. É o futuro.

Depois de cinco CDs, qual avaliação que você pode fazer sobre sua carreira?

Gosto do lugar onde estou.

Como você vê o nível dos artistas que estão surgindo? Há alguém que você admire mais?

Admiro o trabalho de alguns novos artistas sim – Wado, Kléber Albuquerque e Totonho e os Cabra, entre eles.

De que maneira a perplexidade das pessoas em relação ao futuro político do Brasil pode refletir na produção cultural do País e, principalmente, na sua?

Tudo que acontece ao redor reflete na produção artística contemporânea, a não ser que o sujeito passe uma temporada em Marte. Não sei como essa perplexidade se manifestará, talvez surjam algumas canções perplexas por aí.

Ser popular sem soar popularesco parece mover muito da sua composição. Mas, ao mesmo tempo, suas canções não são muito populares no mainstream. Isso o preocupa de alguma maneira?

Nem um pouco. Não faço músicas nem para o mainstream nem para o underground, faço para o mundo, para quem queira ouvir. Para alguns sou cult, para outros sou pop. Estou no meio de um caminho que me é muito confortável. Quero ser tudo e nada. Apenas isso.

Fonte: OverMundo

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Diretor de Amarelo Manga Produz mais uma Grande Obra


Baixio vence Roterdã
por Leonardo Cruz

Depois de ser o grande vencedor do Festival de Brasília, "Baixio das Bestas" (foto) acaba de ser escolhido melhor filme no Festival de Roterdã, um dos principais festivais de cinema independente da Europa. O filme de Cláudio Assis dividiu o prêmio principal da mostra holandesa com outras três produções: "Love Conquers All", de Tan Chui Mui (Malásia), "The Unpolished", de Pia Marais (Alemanha) e "AFR", de Morten Hartz Kaplers (Dinamarca).

Na avaliação do júri de Roterdã, presidido pela portuguesa Teresa Villaverde, o filme de Assis foi premiado por sua "crueza, energia, força visual e por nos lembrar da falta de opções que alguém tem quando nasce num habitat isolado e desolado. Sem nunca nos deixar esquecer do enorme poder dos elementos da natureza".

Quando foi premiado em Brasília no final do ano passado, "Baixio das Bestas" dividiu o público do festival por apresentar um cinema que acirra tensões, fisica e psicologicamente violento e sem concessões. Quem já viu diz que é o filme mais ousado do diretor de "Amarelo Manga".

"Baixio das Bestas" acompanha a rotina de uma pequena comunidade durante um ciclo de plantio e colheita da cana, com foco numa jovem submetida a exploração sexual e doméstica por seu avô. Tem como personagens secundários jovens ricos e prostitutas da região. O filme deve estrear no Brasil em 11 de maio.


Fonte: Folha Online

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Curta Vinil

Vinil Verde

O premiadíssimo curta-metragem pernambucano Vinil Verde entra em cartaz aqui no blog do Música&Poesia BRasileira. Esta instigante fábula mostra a relação afetuosa entre mãe e filha, focando no conflito que surge ao se transgredir as regras. A transgressão, neste caso, vem acompanhada de curiosidade, prazer, medo, culpa e punição. Segundo o diretor Kleber Mendonça Filho, "Vinil Verde é uma história de amor, mas com elementos do cinema fantástico". Um dos aspectos mais interessantes deste filme é o fato de ele não ter sido filmado, mas, sim, fotografado. Mendonça Filho (co-roteirista, diretor, produtor e fotografo de Vinil Verde) fotografou com negativo 35mm still, montou no computador e posteriormente fez transfer para película. Quem ainda tiver as antigas vitrolinhas, lembre-se: Nunca, mas nunca mesmo, escute o vinil verde!

Yerko Herrera

Sinopse Mãe dá a Filha uma caixa cheia de velhos disquinhos coloridos. A menina pode ouvi-los, exceto o vinil verde.

Assista aqui Vinil Verde

Gênero Ficção
Diretor Kleber Mendonça Filho
Elenco Gabriela Souza, Ivan Soares, Verônica Alves
Ano 2004
Duração 13 min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil

Ficha Técnica

Produção Kleber Mendonça Filho Fotografia Kleber Mendonça Filho Roteiro Kleber Mendonça Filho, Bohdana Smyrnova Produção Executiva Kleber Mendonça Filho, Isabela Cribari, Leo Falcão Montagem Daniel Bandeira, Kleber Mendonça Filho

Curiosidades

Vinil Verde é uma adaptação de uma fábula infantil russa.

O roteiro é de Kleber Mendonça Filho em parceria com Bohdana Smyrnova, cineasta/roteirista ucraniana de Kiev.
Vinil Verde, segundo o diretor, é, indiretamente, uma singela homenagem a um de seus filmes preferidos: "La Jetée", de Chris Marker. No entanto, Mendonça Filho afirma que, tematicamente, não tenha nada a ver. Marker está na lista de agradecimentos.
A Mãe e a Filha no filme são mãe e filha na vida real, Gabriela Souza (filha) e Verônica Alves (Mãe).
O filme foi montado num Mac G4, e fotografado em negativo 35mm still.
O arquivo final para transfer 35mm ficou com 49 GB de seqüências animadas em TIFF.

Prêmios

Melhor direção no Festival de Brasília 2004
Melhor Montagem no Festival de Brasília 2004
Prêmio da Crítica no Festival de Brasília 2004
Menção Honrosa ABD&C no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2004
Os 10 Mais - Escolha do Público no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2004
Prêmio Cachaça Cinema Clube no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2004


Festivais

Festival de Cinema Latino-americano de Toulouse 2005
Festival de Tampere 2005
Festival de Tiradentes 2005
Quinzena dos Realizadores - Festival de Cannes 2005
Cine PE 2005
Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro - Curta Cinema 2004
Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira 2004

Kassin+2

Um tanto Bossa Nova, um tanto Rock and Roll
por Fernanda Paola

O nome Kamal Kassin ainda não é muito conhecido por aqui. Tanto que, entre o lançamento do seu CD no Japão e a edição do disco nessas paragens demorou quase um ano. No entanto, basta perguntar para qualquer artista contemporâneo que produza, de fato, algo interessante na música, como Los Hermanos ou Totonho e os cabra, além dos mais renomados, como Caetano Veloso, sobre de quem se trata que a resposta será certeira: ele é um mais completos artistas da atualidade. Seu grupo, formado pelos músicos Moreno Veloso e Domenico Lancellotti, já lançou dois CDs, Máquina de escrever música (como Moreno + 2), e Sincerely hot (mais eletrônico, sob o nome Domenico + 2). Para entender melhor, o projeto é dos três, mas a cada álbum algum deles assina a idéia principal. Desta vez, é Kassin, em Futurismo. O CD é bem tranqüilo, um tanto bossa nova, um tanto rock and roll. O cuidado com os arranjos e harmonia fica evidente do começo ao fim do álbum. Como produtor, Kassin arrasa. Há participações muito especiais, como de Pedro Sá (da mesma turma), na guitarra e baixo, de João Donato, em "O seu lugar", Adriana Calcanhoto, em "Quando Nara ri" e "Simbióticos", Jorge Mautner e Rodrigo Amarante, em "Ponto final". O grupo carioca Los Hermanos aparece inteiro em "Mensagem". Aliás, vê-se muito de Kassin e banda na estrutura do Los Hermanos (o produtor já trabalhou nos álbuns Ventura e 4). Um CD para ser degustado, sem precipitação, pressa. Muito bom.

Futurismo é um lançamento da PingPong com distribuição da Distribuidora Independente, empresa do Grupo Trama. Preço médio: R$ 23,00


Fonte: Revista Cult

Faroeste Caboclo será filmado

Justiça libera produtora para filmar música "Faroeste Caboclo"
da Folha Online


O vice-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Francisco Peçanha Martins, no exercício da presidência, decidiu nesta quarta-feira que a gravadora Edições Musicais Tapajós Ltda., do Rio de Janeiro, nada poderá fazer para impedir a adaptação cinematográfica da letra de "Faroeste Caboclo", um dos clássico do grupo Legião Urbana, pela produtora Copacabana Filmes.

Segundo Peçanha Martins, nada justifica o pedido de liminar requerido pela Tapajós --para ele, apenas a sentença final do processo decidirá o destino. A gravadora alega que, sendo detentora dos direitos autorais da obra, o espólio de Renato Russo e a Legião Urbana Produções Artísticas não poderiam ter negociado a adaptação sem sua permissão.

O advogado argumentou que, ao saber da negociação, no valor de R$ 90 mil, a gravadora notificou a Copacabana sobre os direitos autorais, advertindo-a de que qualquer adaptação da letra da composição para o gênero roteiro de obra audiovisual dependia da prévia e expressa autorização da requerente.

O advogado que cuida do espólio de Renato Manfredini Júnior e da Legião Urbana Produções Artísticas, no entanto, entraram na Justiça alegando ser seus clientes detentores dos direitos.

Com informações do STJ

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Rap Nacional Cada Vez Mais Brasileiro

Cultura
Menos EUA. Mais Brasil
por Pedro Alexandre Sanches

Uma nova safra do hip-hop abre-se para o samba e para a canção dita “cafona”

O rap está descobrindo o Brasil. Quase 20 anos após o advento dos Racionais MC’s, a temporada mais recente de lançamentos de discos do gênero aponta para uma marcante mudança de comportamento entre os artistas de hip-hop: as bases e os samplers (amostras musicais incluídas dentro dos raps) de temas norte-americanos vão cedendo espaço às referências de música brasileira, que, pela primeira vez, se multiplicam de modo a se aproximar da hegemonia.

O segundo dado de impacto diz respeito a qual é esse Brasil que está sendo descoberto pelos rappers verde-amarelos. A dita MPB, aquela que ao longo das últimas décadas foi se confinando a nichos elitizados governados por uns poucos medalhões, segue encontrando pouca ressonância na abundante leva nova que inclui nomes (às vezes inusitados) como Ca.Ge.Be, GOG, A Família, SNJ, Criolo Doido, Z’África Brasil e Negredo, entre tantos outros.

O rap se reconcilia
com a música brasileira, mas privilegiando seus setores mais marginais, notadamente o samba “de raiz”, os ritmos nordestinos tradicionais e, mais ainda, a música comumente chamada de “cafona” ou “brega”. Entre os samplers escolhidos para dar bases musicais às rimas, referências constantes são Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Roberto Carlos, Celly Campello, Altemar Dutra, Paulinho da Viola, Lindomar Castilho, Zé Ramalho, Paulo Diniz, Zeca Pagodinho, Amado Batista e muitos outros.

Muros altos de preconceito e medo tiveram de ser demolidos para que o gueto do rap passasse a ensaiar a construção de pontes de ligação com o samba ou com a canção não elitizada. A abordagem é ainda hoje ressabiada: muitos artistas começam a conversa creditando a aproximação ao desejo de homenagear os gostos musicais de mães e pais.

É o que demonstra César Sotaque, do grupo Ca.Ge.Be (abreviação de Cada Gênio do Beco), formado por quatro rapazes e uma menina da periferia norte de São Paulo, que estréia com o surpreendente Lado Beco (editado pelo selo Equilíbrio, de KL Jay, um dos Racionais). César explica, levemente constrangido, qual é a base do impactante rap Missão Comprida: “O sampler é de Barros de Alencar. Faz parte da minha infância, minha mãe sempre ouviu muito rádio AM. Não digo que gosto, mas criei um carinho com música brega, jovem guarda. Queremos ter nossa identidade, que é brasileira. O rap tem de assumir a cara nacional. Mais de 80% do CD é de sampler brasileiro, queríamos que fosse tudo”.

Algo parecido diz Gato Preto, do grupo paulista A Família, que reúne integrantes da capital e do interior e estreou em 2006 com o CD Cantando com a Alma: “É difícil os mais jovens conhecerem Altemar Dutra, Bartô Galeno, Paulo Sérgio, mas esse é o pessoal da nossa infância. Era o que nossos pais ouviam em casa, minha mãe cozinhando, com o radinho de pilha ali tocando, o cigarro de palha na boca”.

Baião, coco e embolada também fluem por essas árvores genealógicas, como ilustra Gaspar, do grupo Z’África Brasil, que apresentou há pouco seu segundo álbum, o denso Tem Cor Age, em cujas rimas e melodias são onipresentes Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, Zumbi e Lampião: “A influência nordestina vem da minha família. Meu pai é sanfoneiro do Rio Grande do Norte, depois a família toda migrou para o Ceará, ele está em São Paulo há 40 anos. Antes, o embolador ia para a Praça da Sé com um pandeiro, hoje a gente vai com dois microfones e um DJ. É tudo o mesmo som do canto falado”.

O vínculo materno reaparece na fala de Bastardo, do inspirado e já veterano grupo SNJ (Somos Nós a Justiça). No 100% independente A Esperança É o Alimento da Alma, a banda se abre, pela primeira vez, à citação de Tim Maia e a um sampler de Se Você Pensa, de Roberto Carlos. “O sampler é uma homenagem à minha mãe. Mas ela não gosta, fala que eu estraguei a música dele”, brinca. “É um jeito de a gente conseguir convencer uma pessoa de 40 anos para cima, que gosta de Roberto Carlos e Rita Lee, a escutar rap.”

Vem de Bastardo uma indicação de que sons nativos não chegam ao rap apenas como homenagem a pais e mães: “Sou ‘fãnzão’ de Roberto Carlos. O que eu quero é mostrar sons que curto e não têm nada a ver com rap, mas podem ser usados de um jeito que fique com a nossa cara”.

O que soa como novidade maior é um discurso inédito que começa a reconhecer que há vínculos evolutivos entre a música brasileira e o filhote rebelde hip-hop, já que não é de hoje que rappers se nutrem, sem alarde, dessas fontes (é bom lembrar que Jorge Ben e Tim Maia estiveram desde os primórdios no DNA dos Racionais). Um dos pontos de virada, como vários admitem, foi o esboço de aproximação de nomes de certa visibilidade, como Rappin’ Hood, Marcelo D2 e Xis, com o samba mais consistente e a canção nacional tradicional.

Mas, mais que o carioca D2 e os paulistas Rappin’ Hood e Xis, o desbravador louvado pela maioria dos novos artistas chama-se GOG (codinome de Genival Oliveira Gonçalves). É de Brasília e se movimenta com desenvoltura (embora sempre à margem da mídia) no rap paulista da capital e do interior. No novo CD, Aviso às Gerações..., ele sampleia da black music nacional de Cassiano ao romantismo “cafona” da jovem-guardista Lilian (Sou Rebelde, de 1979, é a base de Sonho Real, um rap sobre o MST).

Pois GOG se aventura por essas praias há tempos. O excelente Tarja Preta, de 2004, apostava na diversidade da música brasileira, liquidificando referências díspares como Elis Regina, Jorge Ben, Wanderléa, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Raul Seixas, Vanusa, Toquinho & Vinicius de Moraes, Toni Tornado, Legião Urbana... O romântico Paulo Sérgio, que iniciou carreira em 1968 como êmulo do “rei do iê-iê-iê” Roberto Carlos e adquiriu contornos de mito popular ao morrer precocemente em 1981, é a redescoberta de GOG que vem sendo ecoada por muitos dos novos grupos. O pernambucano Lenine, outro dos citados por ele em Tarja Preta, foi o primeiro a topar pavimentar a ponte também de cá para lá: em retribuição, convidou o rapper para participar de seu acústico na MTV.

Esse tipo de diversidade também é mote central do paulistano do Grajaú Criolo Doido, que apresenta a estréia-solo Ainda Há Tempo após 18 anos trabalhando com ação social comunitária, rap e circo. Ele cita e sampleia Celly Campello, Baby Consuelo, o samba culto Maior É Deus (de Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro), o mexicano Trini Lopez e, até, temas infantis de Walt Disney para Alice no País das Maravilhas e Os Três Porquinhos. “Uso Disney por ironia. Alice fala deste meu país maravilhoso e tão feliz, cadê esse país?”

Os artistas são unânimes em creditar parte da distância antes guardada ao medo da repressão pelos artistas sampleados. De fato, as colagens são feitas à base da transgressão, sem pedir autorização. O medo estaria diminuindo? “Eu não represento nada para a Disney, ainda não represento nada nem para o rap”, provoca Criolo Doido. “Não represento perigo para a Disney. Até queria que me processassem e tirassem o disco de circulação, quem sabe aí eu chamava a atenção”, ironiza.

Na faixa Voz e Violão,
Criolo Doido explicita outro elemento crucial de diferenciação deste novo momento: o rap tenta, pouco a pouco, se libertar do rótulo de antimusical, aproximando-se também da melodia e de instrumentos tradicionais. Criolo Doido faz uma alegoria para justificar o rompimento de mais esse dogma: “O rap é uma religião fortíssima. Às vezes, a gente tem de ser duro para conquistar o respeito das pessoas, para só depois poder abrir os ouvidos e o coração”.

“É um crescente”, concorda Bastardo, do SNJ, que só no novo CD começou a usar violões, teclados e baixo. “Por todos os lugares do Brasil há grupos que estão não mudando de estilo, mas se encaixando em outros lados da música, na vontade de ser feliz, de progredir”, afirma, expondo o esforço atual do rap em se expandir além dos preceitos de protesto negativista de suas origens.

Isso significaria uma capitulação às críticas renitentes quanto ao “mau humor” desse gênero musical? Mais ou menos. É fato que uma vertente industrial algo suavizada tenta neste exato instante se impor, a partir dos discos das quatro protagonistas do filme Antônia, Negra Li, Cindy, Quelynah e Leilah Moreno. A ala feminina do hip-hop galga o pioneirismo de conquistar seu quinhão de expressão, às vezes fundadas demais no modelo de rhythm’n’blues mercadológico à moda norte-americana.

Num outro pólo, há artistas agressivos e sempre ignorados pela mídia, como Dexter (que lançou de trás das grades o forte Exilado Sim, Preso Não!) e o grupo Facção Central (cujo recente O Espetáculo do Circo dos Horrores, se alterna por temas como MST, guerrilhas, crítica política, situação carcerária etc.). No meio-termo, a politização extrema também rege o trabalho de grupos que procuram distender o rap, como GOG, Z’África Brasil, A Família, Ca.Ge.Be, Inquérito, Face da Morte etc.

Se a grande indústria multinacional se fascina diante das meninas de Antônia (três delas estão sob contrato da Universal), o rap de letras contundentes de vários desses grupos encontra guarida na distribuidora Sky Blue, cujo diretor artístico é Mister Sam, tutor nos anos 70 e 80 de Gretchen, a “rainha do bumbum”. “Já é tradição os caras do hip-hop virem aqui lançar seus discos. O cara grava e traz, a gente lança”, simplifica Mister Sam. Pragmática, a Sky Blue participa do processo pavimentando outra ponte outrora improvável: é ela que faz chegarem às lojas de qualquer shopping mauricinho os discursos mais contundentes da atual música brasileira, invariavelmente egressos das periferias.

Há ainda um ponto a comentar, e César Sotaque é o primeiro a citá-lo, falando pelo Ca.Ge.Be. “A maioria de nós terminou o ensino médio. É importante, e o começo de alguma coisa”, diz, contando que o grupo conduz carreiras paralelas de serralheiro, porteiro, babá, operário etc.

A sede de conhecimento parece estar em voga no rap daqui, no interesse pela história da música e do Brasil, pelos instrumentos musicais, pela literatura nacional (caso do grupo Mzuri Sana, que buscou em Machado de Assis a inspiração para sua Ópera Oblíqua). Caso emblemático é o de um dos grupos-revelação do momento, Inquérito, formado em Hortolândia (interior de São Paulo) e vencedor do Prêmio Hutuz (promovido no Rio pela Cufa, de MV Bill) de melhor rap de 2006, por Pais e Filhos.

Três integrantes do Inquérito cursam faculdade, um deles na Unicamp e dois na PUC de Campinas. “Sempre digo que sou um rapper na universidade, e não um universitário no rap, porque a idéia de fazer faculdade veio bem depois da entrada no rap. Aliás, veio muito do rap, de tanto escutar as letras do GOG. Resolvi fazer algo para a sociedade além do rap, pois no rap não dá para fazer tudo. Prestei vestibular dois anos até conseguir. Hoje posso dar aula para a molecada como voluntário em cursinhos comunitários”, sintetiza Renan. E é complementado pelo parceiro Klandestino: “Aprendemos com pessoas de outro nível social, e eles aprendem com a gente. Acredito que a revolução vai ser escrita, e não armada”. São novas facetas do rap, que o Brasil ainda está por descobrir.


Legenda Foto: Iê-iê-iê. O SNJ transgride sampleando Roberto Carlos (Redação Carta Capital)

Fonte: CartaCapital

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Glauber pra ver




Di-Glauber e Di Cavalcanti di Glauber

ou assista aqui em:
http://www.tempoglauber.com.br/di2.WMV (versão completa, imagem com mais qualidade, áudio um tanto comprometido)

Ficha Técnica

Título Original: Di - Ninguém Assistirá Ao Enterro Da Tua Última Quimera, Somente A Ingratidão, Aquela Pantera, Foi Sua Companheira Inseparável!
Não-ficção, curta-metragem, 35mm, colorido, 480 metros, 18 minutos. Rio de Janeiro, 1977. Companhia produtora: Embrafilme; Distribuição: Embrafilme; 1a exibição: 11 de março de 1977, Cinemateca do MAM, Rio de Janeiro; Lançamento: 11 de junho de 1979, Rio de Janeiro (Roma-Bruni, Rio Sul, Bruni-Copacabana, Bruni-Tijuca); Diretor de produção: Ricardo Moreira; Diretor: Glauber Rocha; Assistente de direção: Ricardo (Pudim) Moreira; Fotógrafos: Mário Carneiro, Nonato Estrela; Montador: Roberto Pires; Música: Pixinguinha (Lamento), Villa-Lobos (trecho de Floresta do Amazonas), Paulinho da Viola, Lamartine Babo (O Teu Cabelo Não Nega), Jorge Ben; Locações: Museu de Arte Moderna, Cemitério São João Batista (Rio de Janeiro); Prêmio: Prêmio Especial do Júri - Festival de Cannes/1977; Outros títulos: Ninguém assistiu ao formidável enterro de sua última quimera; somente a ingratidão, essa pantera, foi sua companheira inseparável; e Di-Glauber.Locutor: Glauber Rocha; Textos: Vinícius de Morais (Balada do Di Cavalcanti), Augusto dos Anjos (trecho de Versos Íntimos), Frederico de Moraes (trecho de artigo sobre Di Cavalcanti), Edison Brenner (anúncio da morte de Di)

Elenco

Glauber Rocha (Locutor)
Joel Barcelos
Marina Montini
Antonio Pitanga

Obs: A exibição do filme está interditada pela justiça desde 1979, quando da conceção de liminar pela 7a. Vara Cível, ao mandado de segurança impetrado pela filha do pintor, Elizabeth Di Cavalcanti.


COMENTÁRIO
"A morte é um tema festivo pros mexicanos, e qualquer protestante essencialista como eu não a considera tragedya . . Em Terra em Transe o poeta Paulo Martins recitava que convivemos com a morte...etc... dentro dela a carne se devora - e o cangaceiro Corisco, em Deus e o Diabo na Terra do Sol, morre profetizando a ressurreição do sertão no mar que vira sertão que vira mar...
Matei muitos personagens? Eles morreram por conta própria, engendrados e sacrificados por suas próprias contradições: cada massacre dialético que enceno e monto se autodefine na síntese fílmica, e do expurgo sobram as metáforas vitais.
As armas de fogo, facas e lanças são os objetos mortais usados por meus personagens, mas a rainha Soledad bebe simbolicamente veneno no final de Cabeças Cortadas e os mercenários de O Leão de Sete Cabeças são enforcados. Em Câncer, Antônio Pitanga estrangula Hugo Carvana, assim como Carvana se suicida em Terra em Transe. Em Claro foi usado um canhão para matar um mercenário no Vietnam e dois personagens morrem afogados em Barravento, além das multidões incalculáveis massacradas por Sebastião, Corisco, Diaz, etc.
Filmar meu amigo Di morto é um ato de humor modernista-surrealista que se permite entre artistas renascentes: Fênix/Di nunca morreu. No caso o filme é uma celebração que liberta o morto de sua hipócrita-trágica condição. A Festa, o Quarup - a ressurreição que transcende a burocracia do cemitério. Por que enterrar as pessoas com lágrimas e flores comerciais? Meu filme, cujo título, dado por Alex Viany, é Di-Glauber, expõe duas fases do ritual: o velório no Museu de Arte Moderna e o sepultamento no Cemitério São João Batista. É assim que sepultamos nossos mortos.
Chocado pela tristeza de um ato que deveria ser festivo em todos os casos (e sobretudo no caso de um gênio popular como Emiliano di Cavalcanti) projetei o Ritual Alternativo; Meu Funeral Poético, como Di gostaria que fosse, lui. . . o símbolo da Vida...
No campo metafórico transpsicanalítico materializo a vitória de São Jorge sobre o Dragão. E, no caso de uma produção independente, por falta de tempo e dinheiro, e dada a urgência do trabalho, eu interpreto São Jorge (desdobrado em Joel Barcelos e Antônio Pitanga) e Di-O Dragão. Mas curiosamente Eu Sou Orfeu Negro (Pitanga) e Marina Montini, dublemente Eurídice (musa de Di), é a Morte. Meus flash-backs são meu espelho e o espelho ocupa a segunda parte do filme, inspirado pelo Reflexos do Baile, de Antônio Callado, e Mayra, de Darcy Ribeiro. Celebrando Di recupero o seu cadáver, e o filme, que não é didático, contribui para perpetuar a mensagem do Grande Pintor e do Grande Pajé Tupan Ará, Babaraúna Ponta-de-Lança Africano, Glória da Raça Brazyleira!
A descoberta poética do final do século será a materialização da Eternidade."


Di (Das) Mortes, GlauberRocha, texto mimeografado, distribuído na sessão do filme em 11 de março de 1977 na Cinemateca do MAM.


Fonte: TempoGlauber


Curiosidades

- A idéia do filme surgiu de uma proposta mútua de homenagens entre o artista plástico e o diretor: Di Cavalcanti teria dito que pintaria Glauber se o diretor morresse antes dele. E que gostaria que o amigo filmasse seus funerais, caso contrário.

- No dia 27 de outubro de 1976, Glauber, que havia acabado de vir da Europa, bateu à porta do fotógrafo Mário Carneiro chamando-o para registrar o velório de Di Cavalcanti.

- Teve uma primeira exibição em 11 de março de 1977, Cinemateca do MAM, Rio de Janeiro.

- O lançamento foi em 11 de junho de 1979, Rio de Janeiro (Roma-Bruni, Rio Sul, Bruni-Copacabana, Bruni-Tijuca).

- Músicas de Pixinguinha "Lamento", Villa-Lobos (trecho de Floresta do Amazonas), Paulinho da Viola, Lamartine Babo "O Teu Cabelo Não Nega", Jorge Ben.

- Locações no Museu de Arte Moderna, Cemitério São João Batista (Rio de Janeiro).

- Título original: Ninguém Assistirá Ao Enterro Da Tua Última Quimera, Somente A Ingratidão, Aquela Pantera, Foi Sua Companheira Inseparável!, o título internacional é Di Cavalcanti e tambem é conhecido como Di-Glauber e Di Cavalcanti di Glauber.

; Textos de Vinícius de Morais (Balada do Di Cavalcanti), Augusto dos Anjos (trecho de Versos Íntimos), Frederico de Moraes (trecho de artigo sobre Di Cavalcanti), Edison Brenner (anúncio da morte de Di).

- Glauber Rocha finalizou seu filme, e no ano seguinte foi premiado no Festival de Cannes, cujo júri era presidido pelo cineasta Roberto Rosselini, amigo de Di Cavalcanti.

- A exibição do filme foi interditada pela justiça desde 1979, quando da conceção de liminar pela 7a. Vara Cível, ao mandado de segurança impetrado pela filha do pintor, Elizabeth Di Cavalcanti.

- De acordo com uma reportagem publicada no jornal O Globo do dia 12 de junho de 1979, dia seguinte à proibição, Di chegou a passar nas sessões das 14h e 16h em alguns cinemas da cidade. Mas às 18h, o oficial de Justiça Walter Coelho Fanti e o advogado de Elizabeth Di Cavalcanti, Eduardo Mattar, chegaram ao cinema Rio Sul, onde haveria projeção com a presença de Glauber e convidados. As latas com o filme foram lacradas e recolhidas ao Museu da Imagem e do Som.

- Chegou a ser exibido duas vezes na televisão, na TVE do Rio, antes de sua proibição, e na Bandeirantes, num especial sobre o diretor, que foi ao ar depois de sua morte.

- Mais de 20 anos depois de ter sua exibição proibida através de uma liminar, o filme pode voltar a ser exibido. Não porque tenha sido liberado, enfim, pela Justiça. Mas simplesmente porque nunca esteve legalmente impedido. O advogado José Mauro Gnaspini defendeu uma tese de mestrado sobre direito autoral na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Segundo Gnaspini - que reconstituiu a ação a partir de fragmentos espalhados por escritórios de advocacia do Rio, pois o processo havia desaparecido do Arquivo Público da cidade - não existem fundamentos jurídicos para a interdição e o filme pode ser liberado, imediatamente, para exibições.

- O filme nunca chegou realmente a ser proibido. A ação ocorreu só contra a Embrafilme. Glauber, que tinha direito inalienável sobre a obra, não sofreu um processo.


Fonte: AdoroCinema

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Documentário sobre Bezerra da Silva

» Coruja

Assista aqui o documentário

Coruja
Gênero Documentário
Diretor
Márcia Derraik, Simplício Neto
Elenco
Bezerra da Silva e seus compositores
Ano 2001
Duração 15 min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil


O filme mostra a relação de Bezerra da Silva com seus compositores, anônimos garimpados por ele "onde a coruja dorme", nos morros cariocas e na baixada fluminense. Daí surgem sambas feitos por trabalhadores, crônicas cáusticas mas bem-humoradas de gente simples que mora na favela e conta seu dia-a-dia nas músicas.


Ficha Técnica

Fotografia
Mauro Pinheiro Jr. Roteiro Márcia Derraik, Simplício Neto Edição Leonardo Domingues Som Direto Pedro Moreira, Pedro Moreira, Luis Eduardo "Boom", Luís Eduardo Boom Trilha original Bezerra da Silva


Prêmios

Melhor Curta - Júri Popular no Festival do Rio BR 2001
Melhor Curta - Prêmio da Crítica no Festival do Rio BR 2001Prêmio de roteiro Riofilme no Concurso de Roteiros RioFilme 1998
Melhor Curta no Festival de Cinema Brasileiro de Miami 2001
Melhor Documentário em Curta-metragem no Festival de Cuiabá 2001
Prêmio Especial do Júri no Festival de Gramado 2001
Troféu Cine Mambembe no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2001
Melhor Documentário no Vitória Cine Vídeo 2001Melhor Fotografia no Vitória Cine Vídeo 2001


Festivais

9º International Short Film Festival in Drama 2003
Festival de Cinema Luso-brasileiro de Santa Maria da Feira 2002
Festival de São Petersburgo 2002
Festival Internacional de Curtas Metragens de Bilbao 2002
Festival Internacional de Rotterdam 2002
Grande Prêmio Brasil de Cinema 2002Projeto Curta nas Telas 2002
Cine Ceará 2003Curta-se: Festival de Curtas-Metragens de Sergipe 2003
Festival de Curtas de Belo Horizonte 2001
Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro - Curta Cinema 2001


Fonte: PortaCurtas

Deu na CartaCapital

Cultura
A madrinha do rap

por Pedro Alexandre Sanches

Os sambas mais engajados de Leci Brandão saem do anonimato e dialogam com a produção das novas gerações

Em 1974, ela era apadrinhada por Cartola. Nestes anos 2000, vê-se transformada numa madrinha simbólica de artistas como Mano Brown e Seu Jorge. “Mulher negra de origem humilde”, como gosta de se autodefinir, Leci Brandão puxou a Cartola no que diz respeito à lealdade ao samba, nos últimos 40 anos. Em tempos recentes, no entanto, parece mais próxima do que nunca dos rappers, pela atuação não só musical, mas também social e política, que ela exerce em letras de samba ou integrando o conselho da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, instituída pelo governo Lula.

O ponto de partida e o ponto de chegada convivem dentro dela, e hoje estão mais visíveis também para o público. A nem sempre lembrada ligação com Cartola, por exemplo, volta à tona na reedição em DVD, pela gravadora Trama, de um programa da série MPB Especial. Entrevistado e dirigido por Fernando Faro, Cartola cantava e apresentava uma moça de jeito tímido e inseguro, que batucava uma caixa de fósforos e, de quando em quando, cantava uns sambas que ela mesma havia feito. Era Leci Brandão.

“Nós dois éramos recém-contratados da (gravadora independente) Marcus Pereira, que transou o programa e shows que fizemos juntos pelo Brasil”, relembra a partida para uma carreira nacional, apoiada por um sambista de 66 anos, cujo nome, até então, nunca constara do topo de um disco. A própria Leci já compunha fazia uma década, primeiramente no anonimato e depois na Mangueira, onde seria descoberta pelo jornalista Sérgio Cabral.

“O pessoal gostava muito das minhas letras, porque eu era considerada pelos intelectuais da zona sul do Rio ‘a negrinha magrinha da Mangueira que faz música de protesto’”, evoca. Embora pertença à mesma geração de Chico Buarque, Elis Regina e Gilberto Gil, sua chegada ao cenário musical foi bem mais demorada. Enquanto eclodiam festivais de MPB e atos institucionais, ela trabalhava como telefonista, operária numa fábrica de cartuchos e auxiliar na Universidade Gama Filho, onde, agraciada com uma bolsa de estudos, viria a iniciar um curso de direito.

“Eu não era ligada a essa coisa de ditadura. Sabia que tinha havido uma revolução, tudo bem, que meu pai era bem da direita, gostava de Carlos Lacerda e tal. Uma das coisas que dona Paulina Gama Filho disse, quando me falou da bolsa, foi ‘nunca converse com meu pai, não deixe transparecer nada dessas suas idéias, porque lá eles são o inverso disso’.”

É que, mesmo sem entender o que acontecia, ela já era militante. “O protesto que eu fazia era o do cidadão que andava de trem, pobre, suburbano, negro. Fazia parte da minha vida, minha mãe era servente de escola, morei muitos anos em fundos de escola pública. Foi talvez por isso que, quando assinei contrato, fiz uma promessa a mim mesma de que ia fazer da minha arte uma forma de defender as pessoas, as comunidades, o meu povo.”

Compor protestos lhe causou dificuldades desde o início na Mangueira. Galgando desde 1971 a posição incomum de mulher com carteirinha da ala de compositores da escola, foi seis vezes finalista de concursos para escolher o samba-enredo anual. Não venceu nenhuma. Seria pelo fato de ser mulher? “Não sei. Não, acho que era porque minhas letras sempre tinham um recadinho político no meio.”

Exemplifica um desses “recadinhos” rejeitados: “Para um enredo chamado Coisas Nossas, escrevi eu sei, Brasil, que o mundo anda brigando pelas ruas/ mas as coisas que são suas vou mostrar nesta canção/ um índio amigo vive alertando, estão matando sua humana condição. O enredo tinha a ver com Petróleo, tinha a Petrobras por trás. E a minha letra não elogiava a Petrobras”.

Foi logo parar na multinacional PolyGram, em que seguiu sublinhando temas sociais até ser inscrita, pela gravadora, no festival MPB 80, da Globo, com Essa Tal Criatura. Ganhava projeção nacional pela primeira vez, mas os holofotes tiveram o efeito de ressaltar a veia de protesto. Apresentou sambas fortes como Zé do Caroço e Deixa, Deixa para o repertório de 1981, recusado pela PolyGram. “Pedi rescisão do contrato, e não conseguia mais gravadora. Fiquei cinco anos na geladeira.”

Os sambas de teores politizados só viriam à tona em 1985, pela gravadora nacional Copacabana, entre futuros clássicos do pagode “de raiz” como Isto É Fundo de Quintal e Papai Vadiou. E só seriam notados a partir de 2000, quando Zé do Caroço virou sucesso comercial com o grupo pagodeiro Revelação.

O samba que denuncia as condições precárias no Morro do Pau da Bandeira só chegou recentemente às classes mais intelectualizadas, pela voz de Seu Jorge, que, no trecho na hora que a televisão brasileira/ distrai toda gente com a sua novela, substituiu “distrai” por “destrói”. Leci aprova a provocação, mesmo sendo figura freqüente nas coberturas carnavalescas da Globo, como comentarista dos desfiles.

Ela sabe que ficou estigmatizada pelo hábito de narrar, ao vivo, os nomes de todos os membros das comunidades que vê passando pela telinha. Mas não arreda pé. “Sei que falam ‘lá vem a Leci Comunidade’ e que programas de tevê não me chamam porque acham que só falo disso. Mandavam cartas falando que sou uma chata que só fica falando nomes que ninguém quer saber, ou que eu não falava os nomes das celebridades que passavam. Mas desses não tinha que ser eu a falar. Por alguns segundos, na tevê, havia alguém tratando bem aquelas outras pessoas”, diz.

Cumprido o percurso até o ponto atual, há as recorrentes homenagens de rappers como Racionais e Rappin’ Hood a Leci, e também dela a eles (como em Pro Mano Brown, de 1999). Essas culminam agora no CD e DVD Canções Afirmativas, em que Leci canta com convidados como Alcione, Jorge Aragão, Paula Lima e... Mano Brown. O líder dos Racionais quis gravar outra das rejeitadas 30 anos atrás, Deixa, Deixa, cuja letra diz deixa ele curtir, deixa ele tocar e sapatear ou deixa ele escrever, deixa ele cantar, deixa discursar, para então concluir que é melhor do que ele sacar de uma arma pra nos matar.

É a idéia defendida hoje por movimentos e núcleos como hip-hop, funk carioca, Olodum, Timbalada ou AfroReggae, de que cultura e arte podem ser instrumentos para resgatar jovens periféricos da violência. Leci já falava nisso todo dia, desde quando avisava que está nascendo um novo líder no Morro do Pau da Bandeira. Sob seu canto quase silencioso, fermentavam-se vozes como as de Mano Brown e MV Bill, que hoje ela apóia com entusiasmo:

“Na ditadura, os compositores intelectuais faziam protesto, porque aquilo estava atingindo seus pares. Mas aconteceram e acontecem coisas bem piores no País e não vejo mais ninguém fazendo nada, a não ser a juventude negra que faz hip-hop. Tem gente que acha que música é para a gente se deleitar, mas acho que você não tem de ir ao público só para ele aplaudir, comprar seu CD, colocar você na parada”.

O ponto de partida, nota-se, é o de chegada: “Na condição de mulher negra de origem humilde, tenho de ser fiel aos meus referenciais. Se vou a rádio, tevê e jornal e tenho portas abertas para falar, por que não continuar batalhando contra o preconceito, pelo direito da mulher, pela igualdade racial?”

Esse é o projeto que ela cumpre até hoje, assinalando críticas à mídia “classe A” que simula não percebê-la, mas também formulando uma autocrítica a Leci Brandão: “Sei que estou um pouco diferente daquela Leci dos anos 80. Eu era mais dura, incisiva. Estava tendo muita complicação para conseguir entrar, então o que fiz? Passei a cantar as mesmas coisas que cantava, mas com o rosto mais suave, com mais sutileza, com mais sorriso. E passei a atingir muito mais gente”.

Coincidência ou não, é um processo que Cartola (1908-1980) não teve tempo de conhecer, e é o aprendizado vivido por Mano Brown, MV Bill, Nega Gizza, Negra Li, Seu Jorge e outros cantores de protesto (e de festa). Dona Leci está bem ali, pairando entre pagodes paulistas, bois-bumbá paraenses, afro-reggaes baianos e as rampas do Planalto Central do Brasil.
Fonte: CartaCapital

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Almanaque Brasil em Creative Commons



Logotipo criado pelo artista gráfico Elifas Andreato

por Mariana Albanese

Em 1938, à frente do departamento municipal de cultura de São Paulo, Mário de Andrade idealizou uma Missão de Pesquisas Folclóricas, que tinha por objetivo "mostrar o Brasil aos brasileiros". Ela partiu do Porto de Santos em direção ao nordeste, e por seis meses registrou nossas músicas tradicionais, que corriam o risco de desaparecer. O material colhido pode ser visto e ouvido no Centro Cultural São Paulo. Pode-se dizer que o Almanaque Brasil é uma espécie de Missão. Revista distribuída nos vôos da TAM, em abril ela completará oito anos de existência como armazém da nossa cultura popular.

No Almanaque escrevemos sobre questões brasileiras, apuradas a partir de livros, sites e conhecimentos de outros brasileiros. Logo, não podemos negar a ninguém o direito de fazer o mesmo utilizando nossa publicação, tampouco de reproduzir nossos textos. A idéia de “propriedade particular, não entre”, já estava há muito descartada. Por exemplo: jamais puniríamos uma professora se descobríssemos que ela xerocou Almanaques para seus alunos. Mas era preciso oficializar essa posição, e foi o que fizemos em novembro. Desde então, o seguinte aviso pode ser lido em nosso expediente:

O Almanaque Brasil está sob licença Creative Commons. A cópia e reprodução de seu conteúdo são autorizadas para uso não-comercial, desde que dado o devido crédito à publicação e aos autores. Não estão incluídas nessa licença obras de terceiros. Para reprodução com fins comerciais, entre em contato com a Andreato Comunicação e Cultura.

Fonte: OverMundo

sábado, 20 de janeiro de 2007

CD Criado e Liberado pela Galera do EstúdioLivre


por criscabello

Música de Ponto é uma coletânea de músicas produzidas durante oficinas realizadas pela Cultura Digital juntamente com os Pontos de Cultura entre 2005 e 2006. Esta é uma pequena amostra do trabalho com a diversidade cultural, apropriação das ferramentas de comunicação e fortalecimento de uma rede autônoma entre diversos pontos do Brasil.


Todas as faixas foram produzidas coletivamente em software livre e estão licenciadas em Creative Commons. Você pode baixar, copiar, remixar e redistribuir estas músicas livremente.

Softwares utilizados: Ardour, Jack, Alsa, Hydrogen, Zynaddsubfx, PD, e outros...Muitas outras músicas foram produzidas nesses encontros e a seleção para este CD foi difícil e subjetiva, como qualquer seleção.

Veja as páginas das oficinas para obter para mais informações, ver e baixar vídeos, fotos e outras músicas produzidas nestes Encontros.Produzido por: Cristiano Scabello, Christian Osyo, Renato Cortez e Suriam

Capa: Roberto Winter

Fonte: OverMundo

Documentário mostra trajetória dos 103 anos de Barbosa Lima Sobrinho


"Cidadão do Brasil" é o documentário sobre a vida do jornalista, escritor e político, dirigido por Fernando Barbosa Lima, seu filho.


Da Agência Carta Maior




O 110º aniversário de nascimento de Barbosa Lima Sobrinho será comemorado com a exibição de um documentário biográfico, dirigido por Fernando Barbosa Lima, seu filho. O ilustre jornalista nasceu em 22 de janeiro de 1897 e morreu em 16 de julho de 2000.

Os conflitos e instabilidades políticas do século XX são o pano de fundo do documentário que apresenta a trajetória de vida do jornalista, escritor e político Barbosa Lima Sobrinho. Em um passeio pela História recente do Brasil, a produção relembra os 103 anos de vida do pernambucano, que teve atuação marcante em episódios decisivos para os rumos políticos tomados pelo país.

Formado pela Faculdade de Direito do Recife, Barbosa Lima Sobrinho não tardou a descobrir sua paixão pela jornalismo. Ainda na cidade natal, colaborou com o Diário de Pernambuco e o Jornal do Recife, entre outros órgãos de imprensa. Com a chegada ao Rio de Janeiro, em 1921, integrou o quadro de repórteres do Jornal do Brasil, empresa para a qual trabalhou por mais de 80 anos. Sempre preocupado com os problemas brasileiros, entrou para a vida política em 1935, quando foi eleito deputado federal. A partir daí, dedicou sua carreira à defesa dos interesses nacionais, ressaltando a importância da reforma agrária e da criação da Petrobras – questões que pautaram textos incisivos, publicados freqüentemente em sua coluna no JB.

Nos conturbados anos da Ditadura Militar, o jornalista transformou a ABI – órgão que presidiu por diversas vezes – em uma trincheira na luta pelos direitos humanos. Sua atuação em favor da liberdade de expressão, aliada aos mais de 5000 artigos que escreveu, valeram-lhe o título de “Jornalista do Século”, concedido pela Revista Imprensa. Para mobilizar a sociedade civil, Barbosa Lima Sobrinho e o amigo Ulysses Guimarães – que lançaram “anticandidaturas” à eleição de 1974 – aventuraram-se em uma excursão pelo Brasil, em defesa da restauração do Estado de Direito. À alegria das eleições diretas, seguiu-se a decepção do governo Collor, e Sobrinho foi escolhido para assinar o impeachment do presidente.

Na década de 90, a militância política do jornalista foi mais forte do que o desgaste físico causado pela idade e Barbosa Lima Sobrinho continuou a defender os ideais nacionalistas nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso. As críticas às privatizações das empresas estatais só cessaram em 2000, quando o político não resistiu ao peso de 103 anos de vida.

Dirigido por Fernando Barbosa Lima, filho do jornalista, o documentário Barbosa Lima Sobrinho - Cidadão do Brasil, apresentado pelo Canal Brasil e pela TV Cultura, conta com apresentação da atriz Fernanda Montenegro. Participações do político em entrevistas e programas de televisão formam um rico panorama das idéias que defendeu durante a vida. Depoimentos de amigos e parceiros de trabalho, como os políticos Miguel Arraes, Leonel Brizola e Mário Covas, os escritores Zuenir Ventura e Antônio Houaiss, os jornalistas Ancelmo Gois, Hélio Fernandes e Milton Temer, além da esposa de Barbosa Lima Sobrinho, dona Maria José.

Serviço:
CANAL BRASIL
Segunda-feira, 22 de janeiro, às 18h30
terça-feira, 23 de janeiro, às 10h

TV CULTURA
terça-feira, 23 de janeiro, às 20h

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Francisco Petrônio morre aos 83 anos em São Paulo


Cantor, "a voz de veludo do Brasil", estava com infecção abdominal

SÃO PAULO - Morreu na madrugada desta sexta-feira, aos 83 anos, no Hospital Santa Paula, Francisco Petrônio, "a voz de veludo do Brasil". O cantor estava internado desde domingo por causa de uma infecção abdominal. Petrônio será velado a partir das 11 horas no cemitério do Araçá.

Francisco Petrônio, nascido em São Paulo, gravou 54 discos. O mais recente, No Palco com Francisco Petrônio, foi lançado em maio de 2005. Ele ficou famoso interpretando o bolero Agora, mas estourou com a canção Baile da Saudade, lançada em 1964. Outros sucessos foram Castiguei e Segredo.

O cantor também trabalhou na televisão. Em 1966, criou o programa Baile da Saudade, na Rede Globo, aproveitando a boa receptividade da música que levava o mesmo nome. Passou depois por muitas outras emissoras, como Bandeirantes, Record, Cultura e Gazeta.

Fonte: Estadão


Ouça aqui canções interpretadas Francisco Petrônio

Fascinação
Noche de Ronda
O Grande Baile da Saudade

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Poesias de Glauber Rocha




Poema do Amor

Tudo talvez se defina
na conspiração
da poesya e
da infecção,
estou no começo da vida
mas não sei se a saúde resiste
o mundo profetiza guerra global
e corta o mistério da existência
nos projetando nos braços vitais
revolucionando o prazer, essência.
Junho, 1981.


Mestre de Minas

Drumond me aprendo
Removendo pedras em Roma
Subo escadas
Tropeço
Telefono necessidades
Dou Peço
Outros continentes me esperam
Há tempo para plantar colher
Anarquizar pelo plantão inesperado
Cair
Erguer
O tempo é pouco pra tamanha paixão
A máquina do mundo não me pega
Ganhei perdi meu dia
Despedi sorrindo a velha agonia.

Roma, 8 de setembro de 1973


1 9 2 2

meu povo é triste
de pau perado
é um povo mole
de zés perado

meu povo é doce
malandro sensual
é um povo gostoso
dançarino musical

meu povo é mestiço
linguarudo fofoqueiro
é um povo inteligente,
ignorante e condoreiro

meu povo é grande
no litoral e sertão
é um povo ah! meu povo
é povo revolução

Havana, setembro de 1972.


Desejo

Queria você profundamente aberta
Num beijapaixonado sem memória e futuro

Queria
prazer desintegrado no infinitamor de nossos corpos desconhecidos

Queria um rio negro
como branco
contando a Vytoria
De uma tragycomedia morta

Queria o maramoroso
De tua pele viva
E a poesia da madrugada

Borges para ouvir

*por Sérgio Rodrigues

O site da Harvard University Press oferece gratuitamente
arquivos de áudio com trechos de duas das seis palestras proferidas na universidade americana por Jorge Luis Borges em 1967-68, no ciclo Norton Lectures, sob o título This craft of verse. Para melhor temperar o acepipe, a HUP avisa que só recentemente as gravações foram descobertas nos arquivos da universidade. A qualidade do som é muito boa.

Ali podemos constatar tanto o conhecido talento dramático do escritor argentino, com seu histrionismo contido, quanto um surpreendente – em autor famoso por sua anglofilia – sotaque carregado. Em resumo: imperdível para borgianos e divertido para curiosos em geral.

Quem se interessar pelo áudio completo das palestras pode comprar o CD no próprio site. As conferências de Borges no ciclo Norton foram publicadas no Brasil como “Esse ofício do verso” (Companhia das Letras, 2000).

Via El Boomeran(g).
*do Blog Todoprosa http://todoprosa.nominimo.com.br

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

I Festival de Curtas-Metragens de Direitos Humanos "Entre Todos"

O evento, aberto a realizadores profissionais, iniciantes e amadores, difunde os direitos humanos no âmbito cultural. O Festival de curtas-metragens é promovido pela Comissão Municipal de Direitos Humanos, órgão da Prefeitura de São Paulo. A iniciativa inédita objetiva difundir e refletir sobre direitos fundamentais da pessoa mediante a produção audiovisual. Para isso são propostos seis blocos temáticos: "Origem e Deslocamentos", "Mundo Interior", "TecnoCultura", "Núcleos e Nichos", "Cotidiano" e "O Lugar do Corpo". Serão selecionados 30 curtas-metragens, proporcionalmente distribuídos nas categorias citadas com duração de no máximo 15 minutos. A premiação em dinheiro será concedida para três trabalhos. O júri é composto pela cineasta Ana Carolina (presidente), do advogado ligado à área de direitos humanos Eduardo Szazi e do diretor do SescSP, Danilo Santos de Miranda, entre outros. Na organização do Festival "Entre Todos", a Comissão Municipal de Direitos Humanos é assessorada pela FespSP - Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Como parte da filosofia do Festival "Entre Todos" serão promovidos debates relacionados aos seis blocos temáticos. Simultaneamente, ações culturais ligadas a dança, música, circo entre outras farão parte de uma mostra paralela. Ocorrerão também projeções itinerantes por toda a cidade de São Paulo.

Inscrições: até 30/3 pelo site www.entretodos.com.br. A seleção será feita a partir de cópias dos trabalhos em VHS ou DVD, sendo aceitos trabalhos realizados originalmente em qualquer formato incluindo vídeos feitos por câmeras em celulares e câmeras digitais, e em película 16 mm e 35 mm. Mais informações pelo tel.: 11 3106-0030 e e-mail xcontrera@prefeitura.sp.gov.br.

pesquisa: Bruno Terribas e Thiago Domenici (seção Para Ler)
Fonte: CarosAmigos

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Cassete Caranguejo

A nossa fita K7 vai tocar nos próximos dias somente bandas e artistas pernambucanos. O fervilhão cultural pernambucano está aqui representado por uma pequena diversidade de estilos frente ao gigantesco panorama musical que este estado possui. Abaixo a lista de bandas com suas respectivas canções que tocarão aqui no blog. As músicas serão executadas de forma aleatória.

Chico Science e Nação Zumbi -

Mormaço - diversas versões

Cordel do Fogo Encantado -

Tlank!
O Sinal Ficou Verde
Pedra e Bala
Ela Disse Assim


Jorge Cabeleira -

Mormaço
Rock do Diabo


Lenine -

Relampiano

Mestre Ambrósio -

Esperança (na mata eu tenho)
Semen
Usina
Chama Maria
Trupe (queima carvão)
Pé-de-calçada


Mombojó -

O mais Vendido
Realismo Convincente


Mundo Livre S/A -

O outro mundo de Chicão Xucuru
Dogville, Coleiras e Bombeiros
Musa da Ilha Grande
Caiu a Ficha
Laura Bush tem um Senhor Problema
Carnaval Inesquecível na Cidade Alta
Rios, Pontes e Overdrives


Otto -

Dias de Janeiro

Sheik Tosado -

"Baiao de Viramundo: Tribute to Luiz Gonzaga - Assum Preto"