domingo, 10 de junho de 2007

Entrevista com ex-guerrilheiro retratado no filme Caparaó

Divulgação
Araken e a guerrilha esquecida de Caparaó
por Brunna Rosa


O Brasil em plena ditadura militar sofreu uma tentativa de “Sierra Maestra” e poucos sabem. Em Cuba, a região montanhosa no sudoeste do país foi o palco das primeiras ações armadas do grupo rebelde liderado por Fidel Castro, em 1959. No Brasil, o alto da Serra do Caparaó, na divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais, em agosto de 1966, um grupo formado em sua maioria por ex-militares expulsos pelo regime, se instalou para desencadear o início de uma grande reação nacional contra o novo regime.

A guerrilha patrocinada pelo presidente cubano Fidel Castro e organizada por Leonel Brizola durante o seu exílio no Uruguai não chegou a ser deflagrada. Os guerrilheiros, abatidos pelo ambiente inóspito e pela falta de estímulo diante da falta de enfrentamento armado na região, sofreram desistências e desconfiança dos camponeses da região. Em 1º de abril de 1967 os guerrilheiros que sobraram foram capturados numa emboscada organizada pela Polícia Militar mineira.

Para reprimir o movimento, que já não existia mais, o governo militar utilizou três mil homens, uma das maiores operações militares realizadas no país.

A luta destes combatentes estava praticamente esquecida. Em 1980, o jornalista Gilson Rebello escreveu o livro "Guerrilha da Caparaó”, publicado pela Editora Alfa e Ômega. Agora, 17 anos depois, duas obras rememoram-na, em meios diferentes entre si: “Caparaó: a primeira guerrilha contra a ditadura”, resultado de quase dez anos de trabalho do jornalista José Caldas da Costa, e “Caparaó”, documentário de Flávio Frederico, vencedor do Festival É Tudo Verdade de 2006.

Durante o documentário de Frederico, o jornalista Flávio Tavares resume o erro da guerrilha: “Eles cometeram o erro, fundamental na época, que era pegar a revolução cubana como exemplo pronto e acabado. Se faz o desembarque sai do iate Granma e começa a revolução contra as tropas de [Fulgêncio] Batista. Mas, não tinha tropa de Batista em Caparaó. A opressão era invisível em Caparaó.”

Um dos guerrilheiros, Araken Vaz Galvão, de 71 anos, era sargento do Exército quando foi expulso, em 1964, logo após o golpe militar. Aliou-se a Leonel Brizola e foi preso em Porto Alegre. Anos depois, foi novamente preso quando participava da guerrilha na Serra do Caparaó. Por telefone, no Morro de São Paulo, ao sul de Salvador, ele concedeu a entrevista à Fórum. Confira.


FÓRUM- Como surgiu a idéia da guerrilha de Caparaó?

ARAKEN VAZ GALVÃO - Mais importe do que a localização, já que tem que ser sempre em local inóspito, foi a motivação psicológica e social. Éramos sargentos novos e não podíamos ficar imunes à efervescência da geração a que pertencíamos. Tentamos de alguma forma mostrar a insensatez e o absurdo que foi a derrubada do governo Jango. Mas o lugar escolhido tinha também o objetivo de ser próximo do eixo-Rio, com ligação de mineiro de ferro de Minas e com as duas estradas, BR 101 e a BR 116 que são consideradas vitais para ligar o norte ao sul. Antes de Caparaó iríamos tentar em Porto Alegre.
Fui conversar com o Brizola, nos reunimos e ele insistia muito na possibilidade de levante. Então se acertou que nós o ajudaríamos em um possível levante no Rio Grande do Sul. Enquanto isso ele nos forneceria recursos para montar uma frente guerrilheira. Começamos a fazer uniformes, comprar armas. Levei um tiro e tivemos que deixar as coisas esfriarem e começamos a organização de um novo levante. Na véspera, um dos capitães da companhia, na madrugada, tem uma disenteria nervosa, e conta ao coronel-comandante que vai participar de um levante no dia seguinte. Porto Alegre ficou em pânico, e inviabilizou o levante. Voltamos ao Uruguai para conversar com Brizola e o convencemos a viabilizar uma guerrilha rural.


FÓRUM- O que faltou para a guerrilha de Caparaó dar certo?

ARAKEN GALVÃO - A teoria do foco, que foi uma influência da revolução cubana em toda a América Latina, estava equivocada. Deu certo em Cuba, mas não em outros lugares. Hoje, já com 71 anos, chego a conclusão de que é muito difícil se transplantar experiências históricas. A um descontentamento social e que determinados homens tem a perspicácia de se inserir e insuflar as massas leais. Tem sido assim na história brasileira como a revolução praieira de Pernambuco. Havia um descontentamento e nós tínhamos mais entusiasmo do que ideologia, não podíamos ver esta realidade. Eu, por exemplo, quando fui preso, em vez de ter um manual de guerrilha, tinha um livro do Millor Fernandes. Tínhamos muito daquele espírito dos anos 60, aquele sonho utópico e a liberdade ao alcance da mão.


FÓRUM- Houve uma limpeza dentro do exército logo após o golpe?

ARAKEN GALVÃO - Houve. Só no Rio de Janeiro quase 500 sargentos foram expulsos. Tenho uma foto de uma manifestação que fizemos na avenida Rio Branco, dois mil sargentos fardados em passeata. Os homens encarregados em reprimir as passeatas estavam fazendo passeata! A cidade toda parou para olhar. Fui expulso do exército com o AI-2 [Ato Institucional número 2].


FÓRUM- O senhor foi preso?

ARAKEN GALVÃO - Eu tinha ficado preso, com a história do tiro, e fiquei quase um ano. Naquela época, não tinha o AI-5 e minha mãe conseguiu um habeas corpus, e saí da prisão, que ficava na Ilha das Pedras Brancas. De lá, fui ao Uruguai, onde me contatei com o Brizola, Neiva Moreira,Paulo Schilling, que era o grupo que estava lá. Eu estava muito ruim de saúde, me recuperei e voltei. Fui a Caparaó, e fiquei preso por quase um ano de nossa guerrilha. Fui condenado a 13 anos, depois diminuíram a pena devido a apelações. Fiquei preso três anos e meio na fortaleza de Santa Cruz [em Niterói, no Rio de Janeiro].Tinha pedido para ficar preso lá por uma fafarrona da juventude. Na fortaleza de Santa Cruz tinham sido presos as maiores figuras da República, e eu queria pisar daquele chão. Fiquei muito doente e me trouxeram à Policlínica do Rio de Janeiro. Certo dia, a caminho da Policlínica, falei que queria ir ao banheiro. Eles pararam em um bar que tinha uma porta nos fundos. Saí pelos fundos, peguei um táxi e vim para o Largo do Machado [Zona Sul do Rio de Janeiro] e tomei um chopp, o primeiro depois de longos anos. Em seguida, entrei na embaixada do Uruguai, que ficava na rua Arthur Bernardes. Como estava na embaixada, o asilo diplomático foi concedido, mas para sair do país eu precisava de um documento chamado salvo-conduto, uma prerrogativa para quem quer fugir do país de origem. O governo brasileiro falou que ia me deixar lá até cumprir a pena máxima. Fiquei um ano na embaixada do Uruguai, quando conseguiram me levar para Montevidéu. Naquele momento, estava convencido de que processo da luta armada não era o caminho correto.


FÓRUM- E quanto à história do tiro? Tanto no livro quanto no documentário, a versão é de que o senhor teria sido baleado com dois tiros por sua esposa...

ARAKEN GALVÃO -Prefiro não comentar. É uma coisa pessoal que muitos ficam comentando que fui namorar na praia... Muitos comentários cretinos. Ficam falando que sai para namorar e levei os tiros da minha mulher.


FÓRUM- E o Brizola?

ARAKEN GALVÃO –Xi, a história é longa. Tínhamos um movimento político chamado Movimentos dos Sargentos, do qual eu era um dos líderes. Fui o subcomandante do Caparaó. Então tínhamos ligação com o Brizola através do Paulo Schilling, que ainda está vivo, mas muito doente. Ele dirigia um órgão chamado Frente de Mobilização Popular, organização que fazia reunião com todos os setores da sociedade. Nessas reuniões, conheci muita gente, estava inserido na política brasileira. A impressão pessoal de conhecer o Brizola, conviver com ele, dormir na casa dele rende outra história, quem sabe uma outra hora...

FÓRUM- Atualmente o que o senhor faz?

ARAKEN GALVÃO – Sou aposentado pelo exército. Atualmente moro no interior da Bahia e, com minha esposa, decidimos criar uma fundação cultural. Compramos uma casa, já construímos a parte de baixo. Terá biblioteca, auditório, galeria para artistas da região com cerâmica popular do nordeste e videoteca.


Fonte: Revista Fórum - Outro mundo em debate

Assista ao trailer do documentário Caparaó aqui

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Três clipes de Seu Jorge

Cirandar - Seu Jorge e Velha Guarda da Mangueira

Apresentação de Seu Jorge com a Velha Guarda da Mangueira interpretando "Cirandar". Este show faz parte do documentário "Moro no Brasil", de Mika Kaurismäki.


Carolina - Seu Jorge

O videoclipe da música Carolina (Seu Jorge) teve trechos gravados na Estudantina, tradicional reduto da boemia e gafieira carioca.


Cotidiano - Seu Jorge e Marcelinho da Lua

Clássico de Chico Buarque revisado por Seu Jorge e o DJ Marcelinho da Lua.

Aniversário do Mané Galinha

O cantor, compositor e ator Seu Jorge comemora aniversário no dia de hoje. Leia abaixo um pouco sobre o músico.


Biografia - Seu Jorge (Jorge Mário da Silva)
8/6/1970 Rio de Janeiro, RJ

Foi criado no bairro Gogó da Ema, em Belford Roxo.

Primo do cantor e compositor Dudu Nobre.

Aos 16 anos trabalhou como contínuo e ainda como descascador de batatas no bar de uma tia, no centro da cidade, local onde acontecia um pagode com vários sambistas de primeira, como Zeca Pagodinho, entre outros. Aos 19 anos passou a morar na rua, onde ficou por três anos. Logo depois, morou por quatro anos em um teatro na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Na época, ao lado de Gabriel Moura, participou como ator e músico do grupo de teatro Tuerj, comandado por Antônio Pedro e Anselmo Vasconcelos.

O apelido de "Seu Jorge" lhe foi dado por Marcelo Yuka, ex-baterista do grupo O Rappa.

Como ator participou do filme "The life aquatic", do diretor americano Wes Anderson, no qual atuou ao lado de Bill Murray, Anjelica Huston, Willem Da e Jeff Goldblum. Participou dos filmes "Cidade de Deus" (2002) e "Casa de areia", de Andrucha Waddington, no ano de 2004.


Dados Artísticos
Apareceu inicialmente no grupo Farofa Carioca, formado em 1997 no Rio de Janeiro. Com uma linguagem híbrida, o grupo misturava influências de vários gêneros, entre eles o choro, samba, xote e ritmos estrangeiros como o hip hop e o reggae. No ano seguinte, ainda fazendo parte do grupo Farofa Carioca, lançou o disco "Moro no Brasil", no qual foram incluídas várias composições de autoria: "A carne" (c/ Marcelo Yuca e Ulisses Cappelletti), "Menino da Central" (c/ Wallace Jefferson e Maury Santana), além da faixa-título "Moro no Brasil", de sua autoria em parceria com Gabriel Moura, Wallace Jefferson e Jovi Joviniano. Por essa época trabalhou com o coreógrafo Ivaldo Bertazzo no espetáculo "Mãe Gentil - Folias Guanabaras" e ainda fez participações nos filmes "Moro no Brasil", de Mika Kaurismaki e no documentário "Sambatown", de Jodele Lacher (com Nelson Sargento, Rui Ipanema e Claudinho do Cavaco). No ano de 1999 afastou-se do grupo para seguir carreira solo. Neste mesmo ano, a gravadora rescindiu o contrato com a banda.

Em 2000 o grupo Farofa Carioca participou do CD "Soul brasileiro", da gravadora Universal Music, disco no qual foi incluída a faixa "A lei da bala", de sua autoria em parceria com Gabriel Moura, Jovi Joviniano e Sandrinho. Por essa época participou de excursões do grupo Planet Hemp no Japão e nos Estados Unidos, gravou um CD de voz e violão para o mercado europeu (com os produtores da boate francesa Favela Chic), participou do disco "Favela Chic", coletânea que reuniu diversos artistas brasileiros que se apresentaram na boite francesa.

Participou também da montagem de "Othelo" (Shakespeare), na qual atuou no papel principal, dirigido por Antônio Pedro, atuou em um episódio de "Os Normais", da Rede Globo e começou a gravar seu primeiro disco solo nos estúdios do vocalista do grupo Marcelo D2.

No ano de 2001 participou como ator (interpretando o personagem Mané Galinha) no filme "Cidade de Deus" de Kátia Lund e Fernando Meirelles, baseado no romance homônimo de Paulo Lins, filme para o qual também compôs a música de fechamento. Neste mesmo ano, pela gravadora Regata Music, lançou o CD "Samba esporte fino". O disco contou com as participações de Carlos Dafé na faixa "De alegria raiou o dia" (Carlos Dafé e Dom Mita), William Magalhães (teclados), pastoras da Velha-Guarda da Mangueira, DJs Rodrigo Nuts e Zé Gonzales e Dudu Nobre. Foram incluídas neste CD "Samba que nem Rita a Dora" (Luiz Carlos da Vila e Jane), "Pequinês e pitbull" (Gabriel Moura, Lula Aranha e Jovi Joviniano) "Mangueira" (anteriormente gravada por Paula Lima), "O samba taí" (Seu Jorge e Pell), "Carolina" e "Chega no swingue". Ainda em 2001, participou ao lado de Elza Soares, DJ Dolores e a Orquestra de Cordas de Pernambuco de um musical.

No ano de 2002, ao lado de Nina Becker, Rodrigo Amarante, Thalma de Freitas e Moreno Veloso, e os músicos Bidu Cordeiro (trombone), Max Glamour (flugel), Felipe Pinaud (flauta), Bartolo (guitarra), Nelson Jacobina (guitarra), Rubinho Jacobina (teclado), Berna (sampler) e Kassin (baixo), integrou a Orchestra Imperial, fazendo diversas apresentações no Ballroom, no Rio de Janeiro e participou do disco "Tranqüilo", do DJ Marcelinho da Lua, CD no qual interpretou em dueto com o rapper a faixa "Cotidiano", de Chico Buarque. Neste mesmo ano, a convite de João Bosco, participou do CD "Malabaristas do sinal vermelho", no qual interpertou a faixa "Cinema cidade" (João Bosco e Francisco Bosco). Ainda em 2002, Elza Soares regravou de sua autoria "A carne" (c/ Marcelo Yuca e Ulisses Cappelletti) no CD "Do cóccix até o pescoço". Neste mesmo ano, participou como convidado especial de Marina Machado e Markus Ribas em show no Teatro Rival BR, no "Projeto Conexão Telemig Celular de Música". Participou também, ao lado de outros artistas, participou do documentário sobre o samba "Moro no Brasil", do cineasta finlandês radicado no Brasil Mika Kaurismaki.

Em 2003, voltou a apresentar-se no Ballroom integrando a Orchestra Imperial. Participou do "Projeto Rio Quintas de Verdade nas Quintas de janeiro", na Marina da Glória, dividindo o show com Luiz Melodia e, ao lado de Pedro Luís e A Parede, foi o anfitrião do "Projeto Skol Rio 2003", no Jockey Club Brasileiro, no qual o trio recebeu como convidados Lenine, Luiz Melodia, Jorge Vercilo e Cláudio Zoli. Neste mesmo ano, com Jorge Aragão, J. Smidt, Bangalafumenga e Discípulos de Jorge, participou do show "Salve Jorge", apresentado no Armazém do Rio, no Cais do Porto do Rio de Janeiro. Durante o ano de 2003 manteve um projeto de música no bar Buxixo, em Vila Isabel, no qual recebia toda segunda-feira diversos convidados e ainda participou do disco de Ana Carolina, no qual interpretou em dueto com a parceira a faixa "O beat da beata". Entre suas diversas intérpretes está Paula Lima em "Tive razão" e "Gafieira". Participou do filme "The life aquatic", de Wes Anderson (filmado em Roma), no qual fez o papel de um mergulhador (Pelé dos Santos) da equipe de Steve Zissou (Bill Murray) um oceanógrafo documentarista, um tipo "à la Jacques Cousteau". Neste mesmo ano, ao lado de Dona Ivone Lara, Wilson Moreira, Elton Medeiros, Cristina Buarque, Monarco, Velha-Guarda da Portela, Elza Soares, Teresa Cristina, Mart'nália, Cristina Buarque, Nilze Carvalho, Renato Braz e Walter Alfaiate, entre outros, participou do CD "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes", lançado pela gravadora Deckdisc.

Em 2004 lançou pelo selo francês Naïve o CD "Cru", que vendeu cerca de 30 mil cópias na França, disco de ouro naquele país.

No ano de 2005 apresentou com grande sucesso na França. Também foi uma das principais atrações do MIDEM (Mercado Internacional do Disco e Edição Musical). Fez cerca de 50 shows na Europa, entre eles, "Festival de Montreux", e na Inglaterra no "Royal Festival Hall" e "Festival La Línea", que promove anualmente a música latino-americana em Londres. Seu disco "Cru", lançado pelo selo Ether Music, vendeu 50 mil cópias na Europa e alcançou o oitavo lugar na lista dos dez melhores CDs de fevereiro da revista "Observer Monthly Music" e o jornal britânico "Daily Telegraph" o classificou com o título de "O homem mais cool do mundo no momento". Neste mesmo ano o disco "Cru" foi lançado nos Estados Unidos pelo selo Six Degrees, da cantora Bebel Gilberto. Neste mesmo ano fez turnê pelos Estados Unidos, Portugal e Inglaterra.

No ano de 2006 lançou "Live at Montreux 2005", o segundo DVD da carreira. Gravado no importasnte festival suíço, incluiu no trabalho o samba-rock "Coqueiro verde" (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), "Depois que o Ilê passar", samba-reggae composto por Miltão em tributo ao bloco afro-baiano Ilê Aiyê e ainda sucessos de carreira como "Tive razão", "Mania de peitão" e "São Gonça".

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Disco Completo da banda O Cumbuca

O Cumbuca - Conheça e Baixe o álbum

O Música&Poesia tem o prazer de apresentar outro grande achado: o primeiro e único disco da banda O Cumbuca. Este grupo, criado na Bahia, infelizmente, encerrou suas atividades em 2003. Pouco tempo de existência, porém, o suficiente para um disco, com doze faixas, que certamente deixou sua marca.

O projeto foi criado pelo guitarrista Gilberto Monte e o vocalista Vince de Mira. Fruto disso nasceu o único álbum, Cidade de São Camaleão. O CD deixa evidente a diversidade de influências e a criatividade musical da banda baiana. A crítica da época classificou o estilo d'O Cumbuca como Afro Rock e Ijexá Funk. Uma revista semanal de circulação nacional publicou que a banda misturava som pesado com os batuques dos afoxés.

O som deste extinto grupo baiano pode ser conferido no tocador abaixo. O Música&Poesia também disponibiliza o álbum completo Cidade de São Camaleão para baixar. O arquivo zipado contém 12 músicas em mp3.
Y.H.

Baixe aqui disco completo O Cumbuca (zipado)


Cidade de São Camaleão - O Cumbuca


O Cumbuca era formado por:
Charles Veiga - baixo
Gilberto Monte - guitarra e sampler
Mamá e Cacá - percussão
Nairo Elo - bateria
Vince de Mira - voz e violão

Músicas de Cidade de São Camaleão
  • devagar de mocoió
  • sinhô decomputadô
  • coração de caçuá
  • inclassificáveis
  • já é hora de sair
  • carnavale
  • frente a igreja de santana
  • cores maternais
  • cidade de são camaleão
  • nêgo agorô
  • manda lavar
  • que despele

Todas as músicas do disco Cidade de São Camaleão estão sob uma licença Creative Commons - Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil

As canções foram baixadas separadamente do saite Eletrocooperativa e reagrupadas, em arquivo zipado, para facilitar o download, pelo blogue Música&PoesiaBRasileira

Fonte das músicas: Eletrocooperativa

terça-feira, 5 de junho de 2007

Assista Documentário sobre Erasmo Carlos

Documentário sobre a vida e a obra de Erasmo Carlos, dirigido por Marcelo Fróes e editado em março de 2002. Vídeo em duas partes. Depoimentos de Rita Lee, Gilberto Gil, Marina Lima, Wanderléa, Adriana Calcanhotto, entre outros.

Erasmo Carlos - Documentário (parte I)


Erasmo Carlos - Documentário (parte II)

Tremendão faz 66 anos

Aniversário de Erasmo Carlos

O dia de hoje marca a data do sexagésimo sexto aniversário de Erasmo Carlos. Também conhecido como Tremendão, o cantor figura entre os maiores compositores da música brasileira. Ao lado de Roberto Carlos formou dupla na autoria de diversas canções memoráveis. Abaixo um pouco mais sobre o nosso amigo, o nosso camaradinha... Erasmo Carlos!

Erasmo Carlos (Erasmo Esteves)
5/6/1941 Rio de Janeiro, RJ

Biografia
Cantor. Compositor.

Criado no bairro carioca da Tijuca, estudou nos tradicionais colégios Batista e Lafayette.

Começou a se interessar por música em 1957, quando o rock começou a penetrar no Brasil.

Na Rua do Matoso, conheceu Roberto Carlos, Jorge Ben e Tim Maia, que lhe ensinou os primeiros acordes de violão. Fundou com eles o grupo amador The Sputiniks.

Dados Artísticos
Com a saída de Tim Maia, o grupo The Sputniks passou a se chamar The Snakes. Em 1961, gravou no vocal do grupo The Snakes, em 78 rpm, o beguine "Para sempre", de Marcucci, Di Angelis e Paulo Murilo e o fox-rock "Namorando", de Carlos Imperial, selo Mocambo. Ainda com o grupo, lançou, no ano seguinte, pela Columbia, o LP "Só twist", apresentando-se, empresariado por Carlos Imperial, em programas de rádio e TV. Fez aparições nos programas "Os brotos comandam", que ia ao ar na Rádio Guanabara e na TV Continental. No mesmo período cantou no programa "Festival de brotos", na Rádio Tupi.

Em 1962 teve sua primeira composição gravada, "Eu quero twist", parceria com Carlos Imperial e registrada por Agnaldo Rayol na Copacabana. Nesse mesmo ano, por curto período, chegou a cantar também para o grupo Renato e Seus Blue Caps, chegando a gravar um LP com o conjunto no qual interpretou entre outras, "Estrelinha", uma versão de Paulo Murilo para "Little star", de Venosa e Picone e "O lobo mau', versão de Hamilton di Giorgio para "The wanderer", de Earnest Maresca.

Partiu para a carreira solo em 1964. Pela RGE, gravadora em que permaneceria até 1968, lançou grandes sucessos no período da Jovem Guarda.

Uma das parcerias mais profícuas e duradouras da música brasileira, a sua com Roberto Carlos, começou já no seu primeiro disco, um compacto simples, com a música "Terror dos namorados". Ainda em 1964 obteve o primeiro grande sucesso com "Festa de arromba", também parceria com Roberto Carlos.

Em 1965 estreou na TV Record de São Paulo, juntamente com Roberto Carlos e Wanderléa, aquele que se tornou um dos programas musicais de maior sucesso da televisão brasileira, "Jovem Guarda". Durante quatro anos o programa alcançou popularidade máxima nas tardes de domingo. Nessa época ganhou o apelido de Tremendão. Com Roberto Carlos compôs "Quero que vá tudo pro inferno", um dos hinos do movimento. No mesmo ano, lançou seu primeiro LP, "A pescaria", que contava com o já sucesso "Festa de arromba", além da música título, também em parceria com Roberto Carlos. No ano seguinte, gravou o LP "Você me acende", cujos destaques foram a música título, sua versão para "You turn me on", de Ian Whitcomb, "A carta", de Raul Sampaio e Benil Santos e outro sucesso em parceria com o Rei, "Gatinha manhosa".

Em 1967, lançou dois LPs, "O Tremendão" e "Erasmo Carlos", emplacando nas paradas de sucesso "Vem quente que eu estou fervendo", de Carlos Imperial e Eduardo Araújo, e "O Tremendão", composição de Marcos Roberto e Dóri Edson, em sua homenagem.

O ano seguinte marcou sua estréia como ator no filme "Roberto Carlos em ritmo de aventura". No mesmo ano lançou LP pela RGE, com destaque para a canção "Para os diabos os conselhos de vocês", de Nenéo e Carlos Imperial e "Não quero nem saber", de Tim Maia.

Ainda como ator atuou também nos filmes "Roberto Carlos e o diamante cor-de rosa" (1969), "A 300 quilômetros por hora" (1970), dirigidos por Roberto Faria, e "Os machões" (1971), com direção de Reginaldo Farias. Sua atuação em "Os machões" lhe valeu o Troféu Coruja de Ouro de melhor ator coadjuvante. A partir de 1970 passou a gravar pela Philips, na qual permaneceria por dez anos.

Nessa década fundou a Companhia Paulista do Rock, que contava, entre outros, com os ex-Mutantes Sérgio Dias e Liminha. No mesmo ano obteve grande sucesso em seu último disco pela RGE com as músicas "Sentado à beira do caminho", "Preciso ficar nu para chamar sua atenção" e "Coqueiro verde", parcerias com Roberto Carlos. "Sentado à beira do caminho" foi um dos maiores êxitos de sua carreira. Em 1971 gravou o primeiro LP na Philips, com destaque para o grande sucesso "De noite na cama", de Caetano Veloso.

Em 1974 lançou com sucesso o LP "Projeto salva Terra", em que se destacaram as músicas "Cachaça mecânica" e "Sou uma criança não entendo nada", ambas em parceria com Roberto Carlos.

Em 1976 lançou com sucesso "A banda dos contentes", música título em parceria com Roberto Carlos, assim como "Filho único", dois grandes hits daquele ano. O disco apresentou também as gravações de "Paralelas", de Belchior e "Queremos saber", de Gilberto Gil.

Em 1980 gravou o LP "Erasmo Carlos convida", que contou com a participação de inúmeros nomes da música popular brasileira cantando em dueto com ele. Estiveram presentes, entre outros, Gal Costa, em "Detalhes", Nara Leão em "Café da manhã", Maria Bethânia em "Cavalgada", e Rita Lee em "Minha fama de mau", todas em parceira com Roberto Carlos.

Em 1981 assinou com a Polydor e lançou "Mulher", disco que traria dois sucessos: a música título, parceria com sua mulher, Narinha, e "Pega na mentira", parceria com Roberto Carlos.

Em 1989 lançou o disco "Sou uma criança - Erasmo ao vivo", com regravações de antigos sucessos. Na década de 1990 participou do CD "Casa da bossa", com Nana Caymmi, e dos "Songbooks" de Marcos Vale e de Sérgio Sampaio.

Em 1997, foi homenageado, juntamente com Roberto Carlos, pelo conjunto de sua obra no XVII Prêmio Shell para MPB. Na ocasião, realizou show no Teatro João Caetano.

Em agosto de 2000 foi internado com problemas cardíacos, ficando três dias na UTI. Em 2001, depois de quase dez anos longe das gravações, lançou o CD "Pra falar de amor", o primeiro pelo selo Abril Music. Do disco destacaram-se as seguintes canções: "Mais um na multidão", parceria com Carlinhos Brown e Marisa Monte, que gravou a música com ele; "O impossível", de Kiko Zambianchi e a música título, autoria de Marcelo Camelo, do grupo de rock "Los Hermanos", além de "Vida blues", de sua autoria e que fora escolhida para fazer parte da trilha sonora da novela "Roque Santeiro" da TV Globo, em 1975, censurada pelo regime militar. No mesmo ano apresentou show de lançamento do CD no Canecão no Rio de Janeiro.

Em 2002, em comemoração aos seus 40 anos de carreira, lançou pela Abril Music o CD duplo "Erasmo Carlos ao vivo". O disco, gravado em setembro do ano anterior em São Paulo, traz sucessos como "O terror dos namorados", de seu primeiro disco, "É proibido fumar", "Festa de arromba", "Cachaça mecânica", "Meu mar", "Vida blue" e "O impossível", que contou com a participação de Kiko Zambianchi, entre outras. No mesmo ano, participou do Plaza Summer Festival em Niterói, apresentando-se ao lado de Léo Maia, filho adotivo de Tim Maia. Ainda em 2002 apresentou-se no Canecão, no Rio de Janeiro, no projeto Concertos MP-BR, ao lado de Wanderléa e Zélia Duncan, interpretando, entre outras, "Mais um na multidão", "Minha fama de mau" e "Mesmo que seja eu".

Em 2003, juntamente com Dado Villa-Lobos, ex-Legião Urbana, foi convidado por Frejat a se apresentar em seu show no Canecão, cantando com o roqueiro a música "Paz, nunca mais". Em dezembro do mesmo ano, foi calorosamente aplaudido de pé ao apresentar-se no Maracanãzinho durante a gravação do programa especial de fim de ano de Roberto Carlos, com quem cantou a música "É preciso saber viver", além de interpretar sozinho seu sucesso "Pega na mentira". Também no mesmo ano, foi o homenageado na décima edição do Prêmio Multishow de Música.

Em 2004, lançou o CD "Santa música", com 12 composições inéditas e apenas suas, sem a tradicional parceria com Roberto Carlos. Em seu primeiro disco na gravadora Indie Records contou com as participações de Marcelo Sussekind e Rick Ferreira nas guitarras, Liminha no baixo e Renato Massa na bateria. O disco teve como destaque as músicas "Dois em um", "Tim", uma homenagem a Tim Maia, "Lero lero", "Calma baby", "Santamúsica" e "Fantasias". Nesse ano, lançou na casa de shows Canecão, o CD "Santa música", depois de três anos sem fazer apresentações nesse local. Esse show mistura antigos sucessos com novas composições, com destaque para a música título, "Tim", composta em homenagem ao cantor Tim Maia e "No olho do furacão", que fala da guerra do Iraque, todas de sua autoria. Acontece também uma homenagem a Cássia Eller na canção "Born to cry", com versão sua. Entre seus sucesso, estão presentes "Gatinha manhosa", "Sentado à beira o caminho", "Mesmo que seja eu", "Parei na contramão", "Minha fama de mau" e "Mais um na multidão".

Em 2005, participou de diversos eventos e shows comemorativos dos 40 anos da Jovem Guarda, o projeto "Festa de arromba- 40 anos da Jovem Guarda", apresentado durante todo o mês de agosto, no Teatro II do CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), no Rio de Janeiro, passando também por Brasília e São Paulo, no qual fez dupla com Wanderléa, em temporada de 3 dias, alternada com outros expoentes da Jovem Guarda, que também se apresentaram em duplas, como Jerry Adriani e Waldirene, Golden Boys e Vanusa,Wanderley Cardoso e Martinha. Nesse ano, Erasmo participou, em São Paulo, das gravações de CD e DVD ao vivo, ao lado de Wanderléa, The Fevers, Golden Boys e outros expoentes da Jovem Guarda. Em setembro do mesmo ano, lançou a caixa "Erasmo Carlos - O Tremendão", que resgata os seis discos que gravou entre 1964 a 1969, no auge da Jovem Guarda e que são os primeiros álbuns lançados em sua carreira. Entre eles, "A pescaria" (1965), "Você me acende" (1966), "O Tremendão"(1967), "Erasmo"(1968) e "Erasmo Carlos e os Tremendões"(1970). O lançamento foi realizado no palco da loja de discos Modern Sound, em Copacabana, no Rio de Janeiro, com um pocket-show que antecedeu a uma coletiva de imprensa. No show, Erasmo foi acompanhado pelo ex-guitarrista de Raul Seixas, Rick Ferreira, o ex-baixista da banda Black Rio Jamil Jones, o ex-pianista de Bethânia, José Lourenço e Rui Mota, ex-bateirista dos Mutantes. A caixa traz raridades como "Johnny Furacão", o outro lado do compacto simples de "Sentado à beira do caminho", de 1969 e que não saiu em nenhum outro disco de Erasmo. Também raridade, pela primeira vez em CD, é "Amor doente", cujo tema era o sucesso alcançado, na época, junto ao público feminino, pelas séries Bem Casey e Dr. Kildare. Na ocasião, Erasmo, que se manteve compondo desde o início de sua carreira, e com duas músicas inéditas uma em homenagem a Fernanda Montenegro e outra "As mulheres da Mangueira", para um CD em andamento de produção pela cantora Rosemary, com Chico Buarque, Caetano Veloso e outros, tendo a escola como tema, declarou: Olho para trás e vejo minha obra com orgulho. Eram músicas espontâneas, retratam bem a época e vão ficar. As novas gravações do Skank, Titãs e Kid Abelha vão mantendo o frescor delas. Também em 2005, a banda de rock Jota Quest gravou e lançou o clip "Além do horizonte" composição de Roberto e Erasmo de 1975. Em 2006, integrou a caixa "Jovem Guarda", lançada pela EMI, que registrou diversos expoentes que atuaram naquele movimento. No mesmo ano, apresentou, juntamente com Wanderléa e o conjunto The Fevers, o show, rememorando o movimento, no Canecão (Rio de Janeiro).

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

Erasmo com grandes convidados em disco novo

Tremendão de turma nova
Erasmo (re)atualiza sua rica obra com convidados: Chico Buarque, Milton Nascimento, Djavan, Zeca Pagodinho, Los Hermanos e Skank.

por Edson Wander

Vinte e sete anos atrás, Erasmo Carlos colocou suas canções a serviço de estabelecidos e noviços nomes da música popular brasileiro. De estabelecidos à epoca, Erasmo Carlos Convida I teve duetos dele com Gal Costa, Tim Maia, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Maria Bethânia e os novatos eram As Frenéticas e A Cor do Som. Agora, o "Tremendão" inverte a equação e completa o giro pelos estabelecidos (alguns já desde a primeira versão) e novatos da MPB ao rock tupiniquim. Estão em Erasmo Carlos Convida II (Indie Records) Chico Buarque, Milton Nascimento, Djavan, de um lado, e Zeca Pagodinho, Los Hermanos e Skank, de outro.

Erasmo Carlos é um sujeito muito esperto e evitou obviedades, ainda que na seleção das 12 faixas estejam alguns dos grandes sucessos dele com o parceiro Roberto, como Cama e Mesa (tranformado num "fundo de quintal" com Zeca Pagodinho), O Portão (com Kid Abelha) e Emoções, com Milton Nascimento. Mas o álbum passa longe das coletâneas revisionistas caça-níqueis. Primeiro porque o Tremendão vem compondo e gravando (e bem) coisas novas e, portanto, não precisaria lançar mão agora de um "revival" puro e simples.

Mesmo porque o cantor e compositor já vem fazendo isso num projeto especial com remanescentes da turma da jovem guarda. Depois, o novo coletivo reviu os arranjos de todas as músicas, com produção entregue ao talentoso Mu Carvalho, ex-A Cor do Som que participou da primeira versão. Alguns dos arranjos foram feitos pelos próprios convidados, o que ajudou a dar nova cara a grandes hits da dupla Erasmo e Roberto.

Se Chico Buarque e Milton Nascimento, bastiões da MPB, não entraram na primeira edição eles estão aqui. Com Chico, a romântica Olha tomou feição de bossa-nova à moda de João Gilberto. Milton Nascimento e grupo botaram um molho jazzístico na talvez única obviedade do repertório e Djavan brilha no romantismo derramado mas nada piegas de De Tanto Amor. Mas o pulo do gato ainda não está nessas releituras mais famosas. Erasmo convidou gente nova para rever alguns de seus lados B, músicas contagiantes que só os mais fãs conhecem porque não viraram hits radiofônicos. O Skank deu uma bela repaginada em A Banda dos Contentes, um blues-rock com cara de iê-iê-iê escondido no LP homônimo do Tremendão, de 1976.

Outra dessas ótimas raridades refeitas tem com o Los Hermanos em Sábado Morto, um rockão soturno do LP Sonhos e Memórias (1972). Lulu Santos no samba-rock Coqueiro Verde e Adriana Calcanhoto em Ilegal, Imoral ou Engorda rendem outros bons momentos de um disco que reatualiza a obra magistral de um criador da música popular brasileiro que não parou no tempo, diferente do que fez o parceiro dele (você sabe quem...). Com a nova releitura, o Tremendão anuncia um livro para o ano que vem em que vai relembrar passagens importantes da carreira. E diz, cheio de dedos, esperar que os escritos não tenham o mesmo destino da malfadada biografia não-autorizada do "Rei".

Erasmo Carlos Convida II
Erasmo Carlos
Gravadora: Indie Records
Preço: R$ 25,00


Fonte: AgênciaCartaMaior

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segunda-feira, 4 de junho de 2007

Curta Morreste-me

Produzido do outro lado do Atlântico, Morreste-me é um filme impregnado de lirismo. Este curta português foi montado em cima de vídeos captados com um celular. O que podia ser uma deficiência foi usado com extrema destreza. A textura da câmera do telefone móvel confere uma aura especial a esta produção lusitana. Com uma bela trilha sonora, Morreste-me tem texto baseado em poesias do poeta português José Tolentino Mendonça. Confira abaixo o curta-metragem.
Y.H.

Morreste-me


Sinopse
Este vídeo foi feito com um aparelho celular, que capturou momentos íntimos, pessoais e humanos. Homenagem a todos aqueles que partiram, mas cuja partida nos tornou mais próximos.

Gênero Ficção
Diretor
Joana Rão / Carlos Gomes
Duração
8'30''
Cor Colorido
Bitola
Vídeo
País
Portugal
Texto baseado em poemas de José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Ouça Drummond Recitando seus Poemas II

Carlos Drummond de Andrade por Carlos Drummond de Andrade

Sinta a emoção do poeta interpretando seus próprios poemas. Esse projeto de resgate cultural é parte do conteúdo do saite Memória Viva.

Mãos dadas - ouça

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Mundo grande -
ouça

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.


José -
ouça

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Fonte: MemóriaViva

Livro Completo de Aluísio Azevedo

O Cortiço

O Cortiço é um livro de autoria de Aluísio Azevedo e foi publicado em 1890.

É um marco do Naturalismo no Brasil, onde os personagens principais são os moradores de um cortiço no Rio de Janeiro, precursor das favelas, onde moram os excluídos, o lixo humano, os humildes, a ralé, todos aqueles que não se misturavam com a burguesia, e todos eles possuindo os seus problemas e vícios, decorrentes do meio em que vivem.

O autor descreve a sociedade brasileira da época, formada pelos portugueses, os burgueses, os negros e os mulatos, pessoas querendo mais e mais dinheiro e poder, pensando em si só, ao mesmo tempo em que presenciam a miséria, ou mesmo a simplicidade de outros.

Essa obra de Aluísio Azevedo tem dois elementos importantes: primeiro, o extensivo uso de zoomorfismo; e, segundo, cria um microcosmo (Que é o cortiço do título). O cortiço também é ostensivamente personificado no decorrer da obra, sendo muitas vezes tratado como um único personagem ("Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.", capítulo III).

Foi a primeira obra a expor um relacionamento lésbico.


Baixe O Cortiço aqui (arquivo pdf)

Sumário do Enredo

O romance não se concentra em um personagem apenas, mas no início, a ação está mais ou menos centrada no português João Romão, ganancioso e avarento comerciante que consegue enganar uma escrava trabalhadeira chamada Bertoleza (Aluísio várias vezes menciona o conceito racista de que Bertoleza era submissiva e trabalhadeira por ser negra), conseguindo assim, uma empregada que trabalhava de graça. João Romão privava-se de todo o luxo, e só gastava dinheiro em coisas que faziam-no ganhar mais dinheiro. Foi assim que ele começou a comprar terreno e construiu o Cortiço.

Miranda, vizinho rico de Romão, e também português, que vivia no luxo, começa a questionar o modo que conseguiu a riqueza, (Se casou com uma mulher rica, e eles se odeiam mutuamente) e a invejar João Romão, enriquecendo por conta própria. João Romão, que continua enriquecendo, constrói uma pedreira, e contrata o português Jerônimo para supervisionar os trabalhadores.

O que se segue é a transformação de Jerônimo, de um português forte, trabalhador e honesto em um brasileiro malandro e preguiçoso, (Seguindo os preceitos naturalistas de que o meio determina o homem) graças à sua atração por Rita Baiana, uma mulata que morava no cortiço. Jerônimo briga com Firmo, namorado de Baiana, é esfaqueado e vai para o hospital. Quando sai, chama uns amigos e vai ao cortiço vizinho, o "Cabeça-de-Gato", onde mata Firmo a pauladas.

Enquanto isso, João Romão começa a invejar Miranda, que acaba de conseguir um título de nobreza. E, quando o cortiço é destruído por um incêndio, ele o reconstrói, mas desta vez, para a classe média, ao invés da ralé que morava lá antes. Depois, ele começa a comprar coisas caras e se interessa em se casar com a filha de Miranda, para se tornar nobre também. Mas há um problema: Bertoleza.

E João Romão arma um plano para se livrar dela. Ele avisa ao dono dela (Pois ele havia forjado a carta de alforria) de seu paradeiro, esperando que ele a pegasse de volta. Mas, quando o dono dela vem buscá-la, ela se mata, abrindo a barriga com a mesma faca com que cortava peixe.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Imagens meramente ilustrativas

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Giberto Gil ampliou a compreensão das políticas culturais

Na era Gilberto Gil, as políticas culturais alcançam visão antropológica da Cultura

Acadêmicos aprovam políticas do ministro da Cultura e afirmam que o governo pela primeira vez abriu espaço para o conhecimento universitário na gestão do setor. Pesquisadores, reunidos no III Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, temem, no entanto, pela não manutenção e não continuidade de políticas.

Carlos Gustavo Yoda*

Depois de anos da gestão do setor ser comandada apenas pela lógica neoliberal, a eleição de Lula e a nomeação do tropicalista Gilberto Gil para o Ministério da Cultura ampliaram a compreensão das políticas culturais no Brasil. Comunicólogos, historiadores, antropólogos, economistas, sociólogos, cientistas políticos e outros acadêmicos envolvidos com a Cultura estiveram reunidos entre os dias 23 e 25 de maio em Salvador (BA), para o III Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (III Enecult) e aprovaram as políticas do ministro Gil.

O presidente da Fundação Biblioteca Nacional e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Muniz Sodré, afirma que qualquer política cultural tem que rever os conceitos básicos de cultura e compreender sua complexidade. “Entender sobre o que se fala é o primeiro passo. Repensar e resignificar tudo deve ser o segundo”, pontua.

Professor de Ciências da Informação e da Comunicação da Univesité Paris, Armand Mattelart lembra que foi em 1982, no México, quando pela primeira vez se reivindicou a noção antropológica de cultura. Anita Simis, da Universidade do Estado de São Paulo, afirma que o papel do Estado não é o de dizer o que é cultura ou como ela tem que ser. Mas o Estado tem a função de regular mecanismos para ajustar o desenvolvimento da cultura, garantindo a autonomia democrática. Política Cultural em um universo de diversidade cultural é isso. Diversidade representa também a questão de classe.

A pesquisadora paulista acredita que somente na gestão do ministro Gilberto Gil é que passamos a ter uma política cultural. “Além disso, a questão da diversidade foi assumida enquanto chave para a elaboração de uma política cultural diferenciada. Sem voltar para os preceitos do estado desenvolvimentista, o Estado voltou a ter um papel a cumprir, no desenvolvimento econômico, no setor cultural, na regulação de economias da cultura, de árbitro, de legislador”, entende Anita Simis.

O secretário da Cultura da Bahia, Márcio Meirelles, empossado no começo do ano (leia entrevista exclusiva com este repóter na Carta Maior), acredita que ousar é prerrogativa de quem governa: “Se não tivéssemos o Gil, ainda estaríamos falando que a cultura é um bom negócio”.

Albino Rubim, coordenador do Enecult diz, contudo, que é preciso radicalizar mais. “Tivemos três tradições na história da gestão de política cultural no Brasil: a da ausência, a do autoritarismo e a da estabilidade. O Gil parte para o enfrentamento, mas com uma série de limitações”, enfatiza. Rubim, como a maioria de seus colegas acadêmicos, considerou falha a atuação do Ministério na apresentação da Ancinav. Eles consideram que as necessárias mudanças na regulação do audiovisual podem atrasar dez anos com a ofensiva da mídia contra a regulação da comunicação.

Políticas Perenes
O professor Rubim, da Universidade Federal da Bahia, afirma ainda não ser possível realizar uma avaliação completa das ações do MinC: “Não é simples avaliar políticas culturais. É preciso trabalhar toda a complexidade e continuidade das ações”.

A historiadora Lia Calabre, da Fundação Casa de Rui Barbosa, diz ser difícil analisar os impactos de políticas culturais como causa e efeito. “O desafio é montar projetos que não se desmanchem com o advento de um novo governo. E a manutenção da política é tão mais intensa quanto for a sua relação com a sociedade”, diz a pesquisadora.

Calabre ainda espera uma visão inter-relacionada entre outros setores do governo e da universidade com a cultura. Mas considera que o Ministério conquistou espaço fundamental dentro do governo: “A gestão atual do Minc realizou avanços significativos no sentido de colocar a cultura dentro da agenda política do governo, fez com que ela deixasse de ter um papel praticamente decorativo entre as políticas governamentais. Porém, novas questões colocam-se. O grande desafio é transformar esse complexo de ações em políticas que possam ter alguma garantia de continuidade nas próximas décadas”.

Isaura Botelho, da Fundação Memorial da América Latina e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, avalia que o Ministério da Cultura deu início a um intenso processo de discussão e reorganização do papel do Estado na área cultural. “Houve um grande investimento no sentido de recuperação de seu orçamento e a discussão de mecanismos que possibilitassem uma melhor distribuição de seus poucos recursos em relação ao equilíbrio regional voltou a ser uma preocupação”, considera.

Botelho afirma que esta é a primeira vez que o MinC abre espaço para o pensamento acadêmico na avaliação de políticas e dos números da cultura, em parceria com o IBGE. “Embora seja cedo para apostarmos no que ficará desta gestão, registro, pelo menos, a consistência do que vem sendo proposto e implementado. A aposta é consolidar a cultura como a base de expressão do próprio indivíduo e de conjuntos de indivíduos, como ferramenta mais decisiva para a construção e o exercício da cidadania”, conclui a pesquisadora.

* A reportagem do 100canais, parceiro da Carta Maior, acompanhou o III Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, entres os dias 23 e 25 de maio, a convite da organização do evento.


Fonte: CartaMaior

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quarta-feira, 30 de maio de 2007

Crônica de Stanislaw Ponte Preta

Fábula dos Dois Leões
Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto)

Diz que eram dois leões que fugiram do Jardim Zoológico. Na hora da fuga cada um tomou um rumo, para despistar os perseguidores. Um dos leões foi para as matas da Tijuca e outro foi para o centro da cidade. Procuraram os leões de todo jeito mas ninguém encontrou. Tinham sumido, que nem o leite.

Vai daí, depois de uma semana, para surpresa geral, o leão que voltou foi justamente o que fugira para as matas da Tijuca. Voltou magro, faminto e alquebrado. Foi preciso pedir a um deputado do PTB que arranjasse vaga para ele no Jardim Zoológico outra vez, porque ninguém via vantagem em reintegrar um leão tão carcomido assim. E, como deputado do PTB arranja sempre colocação para quem não interessa colocar, o leão foi reconduzido à sua jaula.

Passaram-se oito meses e ninguém mais se lembrava do leão que fugira para o centro da cidade quando, lá um dia, o bruto foi recapturado. Voltou para o Jardim Zoológico gordo, sadio, vendendo saúde. Apresentava aquele ar próspero do Augusto Frederico Schmidt que, para certas coisas, também é leão.

Mal ficaram juntos de novo, o leão que fugira para as florestas da Tijuca disse pro coleguinha: — Puxa, rapaz, como é que você conseguiu ficar na cidade esse tempo todo e ainda voltar com essa saúde? Eu, que fugi para as matas da Tijuca, tive que pedir arreglo, porque quase não encontrava o que comer, como é então que você... vá, diz como foi.

O outro leão então explicou: — Eu meti os peitos e fui me esconder numa repartição pública. Cada dia eu comia um funcionário e ninguém dava por falta dele.

— E por que voltou pra cá? Tinham acabado os funcionários?

— Nada disso. O que não acaba no Brasil é funcionário público. É que eu cometi um erro gravíssimo. Comi o diretor, idem um chefe de seção, funcionários diversos, ninguém dava por falta. No dia em que eu comi o cara que servia o cafezinho... me apanharam.

Texto extraído do livro “Primo Altamirando e Elas”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1961, pág. 153.

Conheça e vida e a obra de Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) visitando "
Biografias".

Fonte: Releituras

Quem não reage, rasteja - O cinema de Cláudio Assis

Poesia em estado bruto
por Ana Paula Sousa


Protagonista Quem é Cláudio Assis, o mais atacado e bajulado cineasta do momento

Transgressor. Cláudio Assis (foto OGlobo)
À entrada do Espaço Unibanco de Cinema, em São Paulo, Cláudio Assis contempla, sozinho, o cartaz de Baixio das Bestas. Sobre o que matutava, é impossível dizer. Apesar de frases barulhentas e palavrões saltarem de sua boca feito pipoca das velhas panelas, não é simples decifrá-lo.

Assis, 46 anos, o mais atacado e bajulado cineasta brasileiro do momento, fala com tamanha verve que deixa o interlocutor atarantado. Quando não raivoso. Exatamente o mesmo efeito causado por Baixio das Bestas, em cartaz desde o dia 11, alvo de análises mil.

Dois dos melhores críticos de cinema do País, Inácio Araújo (da Folha de S.Paulo) e Luiz Zanin (do Estadão), se entusiasmaram nos respectivos blogs. “Nem sei o que dizer do filme (...). Este me parece o mais duro, mais cruel, mais conseqüente, mais infernal, mais belo dos filmes, brasileiros ou não, que entraram em cartaz ultimamente”, anotou Araújo. “Esse grande filme exige um espectador à sua altura, comovido e lúcido”, constatou Zanin.

Esta repórter viu o filme no Festival de Brasília, em novembro de 2006, e saiu da sala indignada. A sensação era de que Assis, mais do que denunciar a violência na Zona da Mata pernambucana, explorava visualmente a tragédia. As imagens pareciam perversão, cheiravam a misoginia. Difícil separar o que corria pela tela da personalidade agressiva que exibira durante uma entrevista, em 2002, sobre Amarelo Manga, seu primeiro longa-metragem. Ao mesmo tempo, era evidente a força que brotava da tela.

Houve gente que levou a ligação entre autor e obra a extremos. Na revista Piauí, um texto não assinado tachou o filme de “repulsivo, estúpido, abjeto”. O jornalista fantasma almoçou com o diretor e chocou-se: “Demonstrou os modos (estudadamente) mal-educados de um púbere mimado, pois almoçou sem tirar o boné e pontuou todas as frases com palavrões (...) Como era de se prever (em se tratando de um pernambucano macho paca) adorou o prato de carne crua”.

O preconceito embutido no texto realimentou, na internet, as discussões sobre o trabalho do cineasta. No cenário de mornidão da cultura brasileira, em que filmes vão e vêm sem que ninguém os note e autores sorriem para ficar bem na foto do jornal, Assis parece um agente desestabilizador. Pela postura e pela estética.

Ele já ameaçou bater num detrator do curta-metragem Texas Hotel (1999) e insultou Hector Babenco durante um prêmio porque o diretor de Carandiru falou mal de Lula. Foi também um dos que compraram a briga a favor da criação da Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav), atacada pelas pontas fortes da indústria de cinema e tevê.

Não por acaso, vive a dar entrevistas. “Teve uma época em que todo repórter, quando precisava de alguém para falar mal de coisas do cinema brasileiro, ligava pra mim. Acho que o chefe dizia: ‘Aquele Cláudio dá frase boa’. Agora até que passou”, diz, num raro momento em que deixa antever certo incômodo com o papel que lhe cabe. “Mas agora estou falando adoidado porque em filme de baixo orçamento você tem de aproveitar a mídia espontânea. Qualquer frase que saia, tá valendo.”

A julgar pelo que foi publicado e pelo conteúdo da primeira hora da conversa com CartaCapital, no café do Espaço Unibanco de Cinema, Assis repete frase quase como quem aperta a tecla play. “Não tenho rabo preso.” “Não faço concessão.” “O Brasil tem mania de rotular.” “Meu cinema é plugado no social.” Uma delas virou slogan: “Quem não reage, rasteja”. Ele também costuma usar a expressão “oxe” antes de uma negação.

“Oxe, eu não faço filme para ser polêmico. Ninguém é somente uma coisa. Você acha, sinceramente, que tem algo polêmico no que falo?”, pergunta, e em seguida responde. “Não tem. Só que muitos outros não falam. Mas jornalista me entrevista para falar da minha obra ou pra ver se eu uso boné? Ficar falando que eu como não sei de que jeito ou que eu bebo é reacionário, desnecessário.”

Como de discreto Assis não tem nada, freqüentadores do cinema esticavam os olhos sobre a mesa durante a entrevista. Alguns se manifestavam: “É isso aí, Cláudio! Muito bom”. Outro veio dizer que Baixio das Bestas era o único filme brasileiro de 2007 merecedor de atenção.

Apesar de perturbador, o filme é de uma plasticidade rara. Tem também cenas oníricas, como as do bloco de maracatu avançando como avançaria um vulcão. Há ainda a metáfora de um fosso sendo infinitamente cavado. Mas, e a sordidez? E o retrato de homens e mulheres tratados como seres perversos? E a violência sexual mostrada de forma bruta?

“Meu filme não é violento”, rebate. “Você pode dizer que é forte, contundente. Ele mostra coisas que a classe média não quer ver. Violento é o Bush, é o programa de tevê que bota a polícia matando adolescentes ao vivo. Eu estou mostrando uma realidade do sertão de Pernambuco. Não é chocante o que acontece no cultivo da cana? Mostrar isso é violento? Pena que as pessoas pensem assim. Aquele filme Irreversível é cult porque tem uns minutos de estupro. Aí tem os Tarantinos da vida. Eles são cult. Eu sou violento.”

Assis ataca o cinema nacional, lamenta que cineastas brasileiros sonhem com o Oscar (“Um quer filmar lá, outro quer concorrer a uma vaga pra concorrer a uma vaga para poder perder em Hollywood”) e diz que votou em Lula porque “tucano quer ser faisão”.

O cineasta gosta de contar que é pobre. A mãe era professora primária e o pai trabalhava numa usina de asfalto no Departamento de Estradas e Rodagem (DER). Mais velho de quatro irmãos, vendeu de tudo para ajudar em casa: biscuit, porta-toalha, porta-escova de dente, jogada milionária, carnê do Silvio Santos e livro. Foi também operário e cozinheiro de panelão no DER.

Do pai, herdou a mania por filmes. Passava a cartilha escolar para a filha do bilheteiro do Cine Caruaru e, em troca, entrava no cinema de graça. Aos 16 anos, com amigos do grupo de teatro da cidade, abriu um cineclube. “A gente botou tanta gente lá dentro que o dono do cinema mandou acabar com a sessão. Aí a gente teve de ir para um colégio.”

Assis rebobina rápido a vida. Dos 16, salta para os 20 anos, quando foi fazer faculdade (jamais concluída) e movimento estudantil no Recife. À época, correu periferias exibindo filmes como Braços Cruzados, Máquinas Paradas, de Leon Hirzman. “Teve um momento em que eu disse: não faço mais nada que não seja arte em movimento.” Vieram então os curtas-metragens feitos por paixão, os documentários televisivos e os vídeos institucionais feitos para o bolso. Tinha virado diretor.

“Sempre tive vontade de fazer arte. Quer dizer, nem sabia que era arte. Mas quando era pequeno, eu ficava na piscina e, quando passava um avião, pensava: quero ser como esse avião”, diz, deixando antever os sonhos que a rispidez cobre.

Depois de duas horas de conversa, é mais fácil adivinhar Assis e Baixio das Bestas. Ele repisa a certeza de que está contribuindo para uma tomada de consciência e declama versos da própria lavra (Homens velhos estão rindo/ Morrendo dia a dia/ Com seus sorrisos banguelos/ Que mais parecem agonia...).

Por que a agressão, a vida meio marginal? “Você tem de abrir portas. Ninguém dá oportunidade pra ninguém, meu bem. Eu já me senti invadindo uma festa. Nego olha pra mim, mas eu digo: ‘Eu vou na sua festa, vou tomar seu uísque’. Vivemos numa sociedade exclusivista. Você tá pensando que é fácil?”

Casado com Julia Moraes, neta de Vinicius de Moraes, Assis, que vive entre o Rio e Olinda, tem um filho de 3 anos e outro de 18. Diz que sonha com uma vida um pouco mais fácil para eles e deixa o olhar perder-se. “Se pensar muito, você fica melancólico. Você vai morrendo um pouco a cada dia que vê o quanto é difícil mostrar um filme. O jornalista também não pode ser o jornalista que ele quer. Aí todo mundo sofre. Que dignidade é essa que dizem que eu não tenho? Onde está essa dignidade que eu não sei? Na demagogia? No fim, é como diz o poeta: ‘Quem tem o mel, dá o mel. Quem tem o fel, dá o fel. Quem nada tem, nada dá’.”

Fonte: CartaCapital

terça-feira, 29 de maio de 2007

Ouça Drummond Recitando seus Poemas I

Escute Carlos Drummond de Andrade por ele mesmo

O Música&Poesia, a partir de hoje, irá postar diversas poesias de Drummond lidas pelo próprio. Este exemplar projeto de resgate faz parte do conteúdo do saite Memória Viva.

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.


Infância - Ouça

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.


Quadrilha -
Ouça

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


Confidência do Itabirano -
Ouça

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

Fonte: MemóriaViva

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Paulo Autran Interpreta Fernando Pessoa e Luis Fernando Veríssimo

Ouça a leitura de Paulo Autran para a poesia Pecado Original, de Fernando Pessoa, e para a crônica Regininha ou os três dias do condor, de Luis Fernando Veríssimo.

De Fernando Pessoa, Pecado Original

De Luis Fernando Veríssimo, Regininha ou os três dias do condor

Paulo Autran interpretando textos da cultura lusófona pode ser acompanhado de segunda a sexta às 2h17, 9h57, 17h17 e 22h17, na BandNews FM.

A BandNews FM é transmitida em São Paulo (96,9), Rio de Janeiro (94,9), Porto Alegre (99,3), Belo Horizonte (89,5), Salvador (99,1) e Curitiba (96,3).

Fonte: BandNewsFM

Curta Nanquim

Curta a Viagem Surreal desta Produção


Nanquim é um filme experimental, realizado no Mato Grosso do Sul, que nos remete a uma experiência surreal. No curta, de Maurício Copetti, as tintas ganham formas não percebidas pela crueza do dia-a-dia. Nanquim por todos os lados: na escrita, desenho, pintura, tatuagem. Esta produção aguça nossa percepção sensorial. Imagem, som, forma, música, luz, pintura... O abstrato dando vida a um poema visual, onde o antigo e moderno se confundem.
Y.H.

Sinopse
Uma imersão onírica no mundo das formas.

NANQUIM


Gênero Ficção
Diretor Maurício Copetti
Elenco Bianca Machado, Buba Marques, Rubem Dario e Tatiana Santiago
Ano 2005
Duração 17 min
Cor P&B
Bitola Vídeo
País Brasil

Ficha Técnica
Produção Mauricio Copetti de Moura Fotografia Hélio Camerieri Roteiro Mauricio Copetti e Lucas Bicca Direção de Arte Dagô Pedroso Câmera Hélio Camerieri e Mauricio Copetti Edição Mauricio Copetti Edição de Som Leo Copetti Produção Executiva Mauricio Copetti

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Você já ouviu falar de Silvia Machete?

Silvia, voz e molejo
por Fábio Rodrigues

Você já ouviu falar de Silvia Machete? Pois eu só ouvi recentemente. E fiquei surpreso. Primeiro, porque a moça é rodada. No bom sentido. Há doze anos morando fora do país, ela já mostrou seu trabalho musical/performático por dois anos em Nova York, além de ter se apresentado em países como França, Bélgica, Alemanha, Dinamarca, Espanha, Holanda, Itália, Israel, Austrália e Nova Zelândia. Depois, porque ela é dona de uma voz suave, agradável e cheia de molejo, molejo que se espalha pelo corpo.

A voz, que remete um pouco à de Marisa Monte, pode ser ouvida no belo CD que ela acaba de lançar, com o fabuloso título de “Bomb of love, música safada para corações românticos”. Nele, Silvia mistura composições próprias como a deliciosa “2 hot 2 b romantic” e releituras bem espertas de gente como Roberto e Erasmo Carlos (“Gente aberta”), Sergio Sampaio (“Foi ela”), e Guns & Roses (“Sweet child of mine”). O resultado, saboroso, mescla algo da chamada new bossa com um clima mais pop. Já o molejo, você descobre no fim da nota.

Agora, um pouco de história para situar: Silvia saiu do Brasil para estudar Civilização Francesa na Sorbonne. Largou a universidade, que já era outra, formada em artes circenses, uma troca bem interessante. E foi para as ruas mostrar o que aprendeu. Ganhou prêmios em festivais de artistas de rua na Holanda e na França, mudou para Nova York e subiu no palco. Críticas elogiosas no New York Times e na revista Time Out e recomendação do Village Voice depois, ela recolheu o time e veio para o Brasil preparar o disco.

Juntou-se com um time de feras formado por Nelson Jacobina (guitarra), Domenico Lancellotti (bateria), Stephane San Juan (percussão), Rodrigo Bartolo (baixo), Rubinho Jacobina (teclados) e Tiago Schardong (trompete) e preparou sua bomba de amor. Ou melhor, suas canções safadas para corações românticos.

Silvia estava prontinha para mostrar sua performance no palco. Mas um problema de saúde retardou a estréia um pouco. Já, já, ela está por aí. A propósito: antes que alguém estranhe o termo performance, ou ache que ele está aqui apenas como um modismo velho e bobo, vale a pena dar uma olhada no sítio de Silvia para ver o que ela faz no palco e ainda ouvir duas das músicas do CD.

Fonte:
TocaTudo

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Animação com Ziriguidum



O Música&Poesia apresenta a animação em 3D Ziriguidum, de Gabriel Prezoto. O videoclipe faz uma crítica bem-humorada ao gravíssimo problema de violência que nosso país vive. A música tema Samba do Ziriguidum, na interpretação dos Novos Baianos, incentiva uma mulata de fartas carnes a sambar alegremente sem perceber o que acontece a sua volta.

Sinopse Ziriguidum é uma caricatura da situação Brasileira. Samba, miséria, violência e carnaval. Somos brasileiros, estamos no mesmo lugar, mas cada um têm uma visão.

Abaixo Ziriguidum em duas resoluções

Ziriguidum - maior resolução
Ziriguidum - menor resolução

Ficha Técnica
Gênero Animação
Roteiro, modelagem, luz, textura, animação Gabriel Prezoto
Arte Conceito Marcatti
Música Samba do Ziriguidum (Jadir de Castro/Luiz Bittencourt) - Novos Baianos
Duração 2'30''
Ano 2005
País Brasil

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Segundo CD do Canastra encartado em revista

Outracoisa traz o novo disco do Canastra

A “Revista do Lobão” chega ao número 20 com fôlego de adolescente, boas pautas e o segundo disco da banda-sensação Canastra, Chega de falsas promessas (L&C Editora, 2007). No cardápio jornalístico da Outracoisa, uma boa conversa com Kid Vinil, os bastidores do prograna Alto-falante (Rede Minas), um perfil do guitarrista Pedro Sá, o disco Futurismo de Kassin + 2, uma matéria sobre músicos que estão se aventurando na literatura (Rogério Skylab e Bruno Medina, por exemplo), um debate sobre o destino do videoclipe, rock em salas de aula universitárias, o futuro do Mombojó, etc. e tal.

Já o disco que vem encartado nesta edição, Chega de falsas promessas, é uma excelente amostra de como o grupo liderado por Renato Martins (ex-Acabou La Tequila) conquistou o público e a imprensa do Rio de Janeiro, além des festivais de rock espalhados pelo país, com seus shows movimentados, letras bem humoradas e uma salada sonora que une rockabilly, jazz dos anos 1920, samba, música country e big bands gafieirísticas. Produzido pela dupla dinâmica Berna Ceppas e Kassin, o segundo disco do
Canastra traz músicas deliciosas como “Pomo-de-Adão”, “Motivo chacota”, “Dallas”, “Quando sim quer dizer não” e “Dois dedos de conhaque”, e participações de figuras como o lendário Lafayette e a cantora Nina Becker (Orquestra Imperial). Além de Renato, o Canastra é formado por Fernando Oliveira (guitarras, banjo e trompete), Marco Serragrande (trombone), Marcelo Magdaleno (saxes, gaita e percussão), Edu Villamaior (baixo acústicos e vocais) e Marcelo Callado (bateria e percussão), músicos vindos das bandas Big Trep e Carne de Segunda.

Detalhes irônicos: este disco é fruto da vitória do Canastra no Festival Oi Tem Peixe na Rede em 2005. O vencedor gravaria e lançaria um disco pela multinacional Sony BMG, mas após o resultado a conversa mudou de tom. Segundo relatos dos próprios integrantes do Canastra em matéria na revista, a gravadora já estava de olho nos paulistas do Luxúria, grupo que pegou o segundo lugar e lançou seu disco de estréia em 2006 pela Sony. No meio dessa bagunça, Lobão, o dono da revista que está lançando o Canastra, também assinou com a Sony e gravou o Acústico MTV.


Fonte: Gafieiras

Ouça abaixo algumas músicas do álbum de estréia do Canastra disponíveis no saite TramaVirtual

terça-feira, 22 de maio de 2007

Algumas do Mário Lago

Ai, que saudades da Amélia
(Ataulfo Alves e Mário Lago)

Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz
Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai, meu Deus, que saudade da Amélia
Aquilo sim é que era mulher

Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
Quando me via contrariado
Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!"
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade


Atire a primeira pedra
(Ataulfo Alves e Mário Lago)

Covarde sei que me podem chamar
Porque não calo no peito essa dor
Atire a primeira pedra, ai, ai, ai
Aquele que não sofreu por amor
Eu sei que vão censurar meu proceder
Eu sei, mulher
Que você mesma vai dizer
Que eu voltei pra me humilhar
É, mas não faz mal
Você pode até sorrir
Perdão foi feito pra gente pedir


Devolve
(Mário Lago)

Devolve toda a tranqüilidade
Toda a felicidade
Que eu te dei e que perdi
Devolve todos os sonhos loucos
Que eu construí aos poucos
E te ofereci
Devolve, eu peço, por favor
Aquele imenso amor
Que nos teus braços esqueci
Devolve, que eu te devolvo ainda
Esta saudade infinda
Que eu tenho de ti


Enquanto houver saudade
(Custódio Mesquita e Mário Lago)

Não posso acreditar
Que algumas vezes
Não lembres com vontade de chorar
Daqueles deliciosos quatro meses
Vividos sem sentir e sem pensar

Não posso acreditar
Que hoje não sintas
Saudade dessa história singular
Escrita com as mais suaves tintas
Que existem pra escrever o verbo ama

Enquanto houver saudade
Pensarás em mim
Pois a felicidade
Não se esquece assim
O amor passa mas deixa
Sempre a recordação
De um beijo ou de uma queixa
No coração


Fracasso
(Mário Lago)

Relembro sem saudade o nosso amor
O nosso último beijo e último abraço
Porque só me ficou da história desse amor
A história dolorosa de um fracasso
Fracasso, por te querer assim como quis
Fracasso, por não saber fazer-te feliz
Fracasso, por te amar como a nenhuma outra amei
Chorar o que já chorei, fracasso eu sei
Fracasso, por compreender que devo esquecer
Fracasso, porque já sei que não esquecerei
Fracasso, fracasso, fracasso, fracasso afinal
Por querer tanto bem e me fazer tanto mal


Leva o meu coração que ele é teu
(Mário Lago e Roberto Martins)

Leva meu coração que ele é teu
Leva que está pesando em meu peito
Pesa mais que a saudade
Do nosso amor que morreu
Pois não te vendo a meu lado
Meu coração não é meu
Mas tem cuidado, por Deus
Com meu coração
Não deixes o pobrezinho
Sem proteção
Talvez um dia eu te esqueça
Alguém me vire a cabeça
Pra amar de novo eu preciso do coração


Salve a preguiça meu pai
(Mário Lago)

Com meus pés, não vou
Venha me buscar
Mas só vou de colo
Pra não me cansar
O meu passo faz caminho
Mas se alguém não se agradou
Pra mudar vai dar trabalho
Com meus pés, não vou
Espinho não me amedronta
Nem pedra vai me assustar
Quem quer que eu saia da estrada
Venha me buscar
Com meus pés, não vou
Venha me buscar
Mas só vou de colo
Pra não me cansar
Oi, com meus pés não vou
Venha me buscar
Mas só vou de colo
Pra não me cansar
Com tristeza não me abalo
Com ameaça não me amolo
Pra brigar não tenho força
Mas só vou de colo
Quem quer, caminhe comigo
Vai ver que é bom de se andar
Quem não quiser me carregue
Pra eu não me cansar
(Salve a preguiça, meu pai
A preguiça é nossa
Já o português dizia que
O índio era preguiçoso
Porque não queria trabalhar pra ele
E se metia no meio do mato
Salve a preguiça, meu pai!)


Número um
(Mário Lago e Benedito Lacerda)

Passaste hoje ao meu lado
Vaidosa, de braço dado
Com outro que te encontrou
E eu relembrei comovido
O velho amor esquecido
Que o meu destino arruinou
Chegaste na minha vida
Cansada, desiludida
Triste, mendiga de amor
E eu, pobre, com sacrifício
Fiz um céu do teu suplício
Pus risos na tua dor
Mostrei-te um novo caminho
Onde com muito carinho
Levei-te numa ilusão
Tudo porém foi inútil
Eras no fundo uma fútil
E foste de mão em mão
Satisfaz tua vaidade
Muda de dono à vontade
Isso em mulher é comum
Não guardo frios rancores
Pois entre os teus mil amores
Eu sou o número um


Nada além
(Custódio Mesquita e Mário Lago)

Ouça aqui Nada Além (necessário Real Player)

Nada além
Nada além de uma ilusão
Chega bem
E é demais para o meu coração
Acreditando em tudo que o amor
Mentindo sempre diz
E vou vivendo assim feliz
Na ilusão de ser feliz
Se o amor
Só nos causa sofrimento e dor
É melhor
Bem melhor a ilusão do amor
Eu não quero e não peço
Para o meu coração
Nada além de uma linda ilusão


Fonte: MPBNet