terça-feira, 3 de junho de 2008

A Revolução Cultural provém da Cultura Livre

Centros, Periferias e a Propriedade Intelectual
por
Ronaldo Lemos (publicado no Overmundo)

Kode9 tocando seu dubstep
Em 2006, o DJ inglês Kode9 lançou um álbum que serve de boa trilha sonora para o tempo presente. Batizado de “Memories of the Future”, ele retrata o estágio atual do dubstep, estilo de música eletrônica surgido nas periferias de Londres há alguns anos. Com batidas muito lentas e graves marcantes, o dubstep vem crescendo globalmente sem alarde. E com ele, a perplexidade sobre como se dança o novo estilo, já que à primeira audição isso parece impossível.

Curiosamente, o dubstep não desafia apenas as formas urbanas de dançar. Disseminado primordialmente através de rádios piratas e da circulação dos chamados mixtapes (cd´s caseiros distribuídos pelos próprios dj´s), o estilo faz repensar a idéia de “periferia”, já que nesse caso estamos falando da periferia de Londres. A palavra-chave para isso é a tecnologia digital. As periferias globais estão cada vez mais apresentado um denominador comum no modo como vêm se apropriando da tecnologia digital para produzir sua própria cultura e novas formas de economia da cultura. Esse talvez seja o fenômeno social mais significativo desse começo de século, com conseqüências jurídicas, políticas e econômicas.

Do ponto de vista jurídico, já é conhecido o debate em torno dos “commons”. Trata-se de uma percepção global crescente de que a tecnologia permite desatar nós no que tange ao acesso à informação, cultura e conhecimento. Simultaneamente, as estruturas formais de outros tempos, como a propriedade intelectual, caminham no sentido de criar critérios de restrição cada vez maiores ao acesso, em busca de reproduzir no mundo virtual as diferentes formas de escassez que se evaporam. Uma das ferramentas para a manutenção e resgate dos “commons” é a utilização de licenças voluntárias, pelas quais autores e criadores em todo mundo sinalizam para a sociedade que, para o seu trabalho, aplicam-se regras diferentes, mais abertas, mais claras e flexíveis. Um dos exemplos dessas ferramentas são as licenças do Creative Commons: um instrumento pelo qual cada criador cria um pacto social diferente com relação ao regime da propriedade intelectual aplicado à sua obra. Dessa forma, trata-se da criação de um commons legal, baseado na utilização do próprio sistema do direito para através de licenças jurídicas reconstituir a liberdade de acesso para determinadas obras.

No entanto, o dubstep, acompanhado de outros fenômenos periféricos como o Kuduro em Angola, o Kwaito na África do Sul, o Tecnobrega em Belém do Pará, a Champeta na Colômbia, o Funk carioca, o cinema Nigeriano e outros, guardam pouca ou nenhuma relação com a prática do commons legal. E a razão para isso é que apesar da idéia de commons poder ser universal, o aspecto do “jurídico”não o é. Graças à apropriação da tecnologia, cenas culturais inteiras estão surgindo em circunstâncias sociais nas quais a idéia de “propriedade intelectual”, do ponto de vista de sua efetividade, simplesmente não se aplica. São lugares em que a propriedade intelectual não produz efeitos, por ser desconhecida, inexeqüível ou simplesmente irrelevante. Essa situação gera um outro tipo de commons. Não aquele que resulta da aplicação voluntária de uma licença jurídica sobre uma obra protegida pelo direito da propriedade intelectual, mas sim de uma situação fática em que simplesmente o direito da propriedade intelectual não se faz presente. Trata-se assim de um commons social, em contraste com o commons legal.

Perceba-se que o commons social não se configura na forma de uma dicotomia que pode ser resolvida em termos do século passado: norte versus sul; ricos versus pobres; centro versus periferia. Os commons sociais estão presentes tanto nos países pobres quanto ricos, tanto no norte quanto no sul, no centro assim como na periferia. O dubstep e o mercado de mixtapes em Nova Iorque são os primeiros exemplos. A indústria de cinema da Nigéria, surgida no começo dos anos 90, em um contexto em que a mera idéia de aplicação da propriedade intelectual inexistia, é outro. A Nigéria lança 1200 filmes por ano enquanto os EUA lançam 600, a Índia 900 e o Brasil 50. A ausência de um sistema efetivo de propriedade intelectual não impediu que a Nigéria se transformasse na terceira maior indústria de cinema no mundo, faturando mais de 200 milhões de dólares anuais e gerando 1 milhão de empregos (de acordo com dados da revista The Economist). A crença de que a propriedade intelectual seria, então, o único incentivo possível para a criação intelectual, crença essa amplamente disseminada tanto pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual quanto pela indústria cultural norte-americana, fica abalada. Fica cada vez mais visível a possibilidade de que diferentes formas de economia da cultura possam emergir dos commons, sejam eles legais ou sociais.

É claro que a reação a esse fenômeno, que apenas começa a se tornar visível, dá-se de diversas maneiras. Um exemplo é a crítica à qualidade das músicas periféricas, muitas vezes consideradas "de mau gosto". Da mesma forma, ela aparece também quanto aos filmes produzidos na Nigéria, que não seriam “cinema”, mas uma categoria audiovisual "menor". Esse é um dos impactos políticos do fenômeno. A própria definição do que é ou não cinema deixa de ser uma questâo semântica e se torna uma questão política em nossos tempos. Um exemplo disso é que da definição de "cinema", depende, por exemplo, para que tipo de produção audiovisual se abrirão as portas dos diferentes incentivos culturais. Do ponto de vista substantivo, vale lembrar o que Henri Langlois, fundador da Cinemateca Francesa, escreveu no fim da década de 60: o verdadeiro cinema surgiria apenas quando as periferias globais começassem a se apropriar dos meios de realização audiovisual, passando a contar suas próprias estórias e a produzir sua própria imagem.

O debate sobre “bom” e “ruim”, de qualquer forma, esvai-se na constatação de que, independente de qualquer busca por uma qualidade substantiva, não existe mais uma classe de pessoas (elites, críticos, intelectuais, centro ou simplesmente “pessoas de bom-gosto”) à qual é possível recorrer para se determinar o que é bom ou não. A descentralização do gosto acompanha a descentralização da produção cultural, do acesso à cultura e das economias da cultura.

Por fim, ainda sobre os commons sociais, desde o minuto em que o Napster foi lançado, surgiu no âmbito da propriedade intelectual um fenômeno de globalização da informalidade. O desrespeito à propriedade intelectual, antes visto como atributo dos países pobres ou em desenvolvimento, passou a ser uma prática global. Tanto camelôs das periferias de Manaus quanto estudantes universitários norte-americanos guardam em comum um semelhante desprezo à lei. Em outras palavras, o predicado de “pirata” migrou dos países em desenvolvimento para os países desenvolvidos, onde cresceu e se multiplicou. Em 2007, o Canadá recebeu o título de décimo país pirata do mundo, passando a figurar do lado de países como a China, a Índia e outros, ainda que praticamente não exista um camelô vendendo produtos piratas no país. Assim, do YouTube ao Emule, diversas iniciativas empresariais globais de distribuição de conteúdo digital passam a caminhar muito próximas à fronteira entre o legal e o ilegal, da mesma forma como uma metrópole sul-asiática. No entanto, o olhar sobre esses fenômenos continua matizado. Ao olhar para o YouTube, vemos primeiro a inovação e depois a ilegalidade. Ao olhar para as periferias (e seus fenômenos criativos), vemos primeiro a questão da informalidade e somente então a inovação. Isso quando ela chega a ser efetivamente vista.

Se é possível almejar uma contribuição para as memórias do futuro, talvez seja uma expectativa de mudança desse olhar. Costurar na mesma linha o cinema nigeriano, o YouTube, o dubstep, o tecnobrega, o Kuduro, os camelôs e o Emule. Enxergando a inovação em todos, à luz da constatação de que os fatos mudaram. Sem olhares novos, não há como haver novas formas imaginação.

Texto publicado originalmente no catálogo do evento Memória do Futuro, do Instituto Itaú Cultural


Fonte: OverMundo

terça-feira, 27 de maio de 2008

Neruda versão Tango

Me Gustas Cuando Callas - Adriana Varela


O Poema 15 (Me Gustas Cuando Callas) de Pablo Neruda, que foi posteriormente musicado pelo também chileno Victor Jara, ganha aqui uma versão tango na voz da argentina Adriana Varela.

Poema 15
Pablo Neruda


Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A de Sempre, crônica de Drummond

A de sempre

Carlos Drummond de Andrade


— Até beber cerveja ficou difícil — queixa-se.

— O preço?

— Não. A variedade. O embaras du choix.

— Mas se você já estava acostumado com uma...

— E as novas que aparecem? Em cada Estado surge uma fábrica, se não surgem duas. Cada qual oferecendo diversas qualidades. Você senta no bar de sua eleição, um velho bar onde até as cadeiras conhecem o seu corpo, a sua maneira de sentar e de beber. Pede uma cervejinha, simplesmente. Não precisa dizer o nome. Aquela que há anos o garçom lhe traz sem necessidade de perguntar, pois há anos você optou por uma das duas marcas tradicionais, e daí não sai. Bem, você pede a cervejinha inominada, e o garçom não se mexe. Fica olhando pra sua cara, à espera de definição. Você olha para cara dele, como quem diz: Quê que há, rapaz? Então ele emite um som: Qual? Você pensa que não ouviu direito, franze a testa, num esforço de captação: qual o quê? Qual a marca, doutor? Temos essa, aquela, aquela outra, mais outra, e outra, e outras mais. . Desfia o rosário, e você de boca aberta: Como? Ele está pensando que eu vou beber elas todas? Acha que sou principiante em busca de aventura? Quer me gozar? Nada disso. O garçom explica, meio encabulado, que a casa dispõe de 12 marcas de cerveja nacional, fora as estrangeiras, sofisticadas, e ele tem ordem de cantar os nomes pra freguesia. Até pra mim, Leovigil? pergunto. Bem, o patrão disse que eu tenho de oferecer as marcas pra todo mundo, as novas cervejas têm de ser promovidas. Não mandou abrir exceção pra ninguém, eu é que, em atenção ao doutor, fiquei calado, esperando a dica... Não quis forçar a barra, desculpe.

— E aí?

— Aí eu disse que não havia o que desculpar, ordens são ordens e eu não sou de infringir regulamentos. Os regulamentos é que infringem a minha paz, freqüentemente. Mas para não dar o braço a torcer, nem me declarar vencido pela competição das cervejas, concluí: Leovigil, traga a de sempre.

— Não quis dizer o nome?

— Não. Minha marca de cerveja — "minha garrafa", digamos assim, pois a individualidade começa pela garrafa — passou a chamar-se "a de sempre". Não gosto de mudar as estruturas sem justa causa, nem me interessa dançar de provador de cerveja, entende?

— Mas que custa experimentar, homem de Deus?

— Só por experimentar, acho frívolo. Os moços, sim, não encontraram ainda sua definição, em matéria de cerveja e de entendimento do mundo. Saltam de uma para outra fruição, tomam pileques de ideologias coloridas, do vermelho ao negro, passando pelo róseo, pelo alaranjado e pelo furta-cor. Mas depois de certa idade, e de certa experiência de bebedor, você já sabe o que quer, ou antes, o que não quer. Principalmente o que não quer. E é isso que os outros querem que você queira. Tá compreendendo?

— Mais ou menos.

— Na verdade, não há muitas espécies de cerveja, no mundo das idéias. Mas os rótulos perturbam. Uns aparecem com mulher nua, insinuando que o gosto é mais capitoso. Bem, até agora não vi rótulo de cerveja mostrando mulher com tudo de fora, mas deve haver. Mulher se oferecendo está em tudo que é produto industrial, por que não estaria nos sistemas de organização social, como bonificação?

— Você está divagando.

— Estou. Divagar é uma forma de transformar pensamentos em nuvem ou em fumaça de cigarro, fazendo com que eles circulem por aí.

— Ou se percam.

— E se percam. Exatamente. 0 importante não é beber cerveja, é ter a ilusão de que nossa cerveja é a única que presta.

Sujeito mais conservador! Ou sábio, quem sabe?


Texto extraído do livro “De notícias & não notícias faz-se a crônica”, Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1974, pág. 137.


Fonte: Releituras

Prosa de Vinicius de Moraes

A mulher e a sombra (Vinicius de Moraes)

Tentei, um dia, descrever o mistério da aurora marítima.


Às cinco da manhã a angústia se veste de branco
E fica como louca, sentada
espiando o mar...
Eu a vira, essa aurora. Não havia cor nem som no mundo. Essa aurora, era a pura ausência. A ânsia de prendê-la, de compreendê-la, desde então me perseguiu. Era o que mais me faltava à Poesia:


E um grande túmulo veio
Se desvendando no mar...

Mas sempre em vão. Quem era ela de tão perfeita, de tão natural e de tão íntima que se me dava inteira e não me via; que me amava, ignorando-me a existência?


És tu, aurora?
Vejo-te nua
Teus olhos cegos
Se abrem, que frio!
Brilham na treva
Teus seios tímidos...

O desespero inútil das soluções... Nunca a verdade extrema da falta absoluta de tudo, daquele vácuo de Poesia:


Desfazendo-se em lágrimas azuis
Em mistério nascia a madrugada...

Lembrava uma mulher me olhando do fundo da treva:


Alguém que me espia do fundo da noite
Com olhos imóveis brilhando na noite
Me quer.

E fora essa a única verdade conseguida. A aurora é uma mulher que surge da noite, de qualquer noite – essa treva que adormece os homens e os faz tristes. Só a sua claridade é amiga e reveladora. Ao poeta mais pobre não seria dado desvendá-la em sua humildade extrema. O poeta Carlos, maior, mais simples, a revelaria em sua pulcritude, a aurora que unifica a expressão dos seres, dá a tudo o mesmo silêncio e faz bela a miséria da vida:


Aurora,
entretanto eu te diviso, ainda tímida,
inexperiente das luzes
que vais acender
e dos bens que repartirás com todos os homens.


Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
Adivinho-te que sobes,
vapor róseo, expulsando a treva noturna.
O triste mundo facista se decompõe
ao contato de teus dedos,
teus dedos frios, que ainda não se modelaram
mas que avançam na escuridão como um sinal verde e peremptório.
Minha
fadiga encontrará em ti o seu termo,
minha carne estremece na certeza de tua
vinda.
O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes se enlaçam,
os
corpos hirtos adquirem uma fluidez,
uma inocência, um perdão simples e
macio...
Havemos de amanhecer. O mundo
se tinge com as tintas da
antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir
tuas pálidas faces, aurora.

A aurora dos que sofrem, a única aurora. Aquela mesma que eu vira um dia, mas cujo segredo não soubera revelar. Uma mulher que surge da sombra...
Bem haja aquele que envolveu sua poesia da luz piedosa e tímida da aurora!

Fonte: Saite Oficial Vinicius de Moraes

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Novo dia, sigo pensando em você

O Bonde do Dom - Marisa Monte

O Bonde do Dom, canção de Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, pertence ao álbum Universo ao meu Redor.

O Bonde do Dom (versão 2) - Marisa Monte

Dirigido por Katia Lund, esta é a segunda versão do videoclipe de O Bonde do Dom, de Marisa Monte.


O BONDE DO DOM
(Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Marisa Monte)

Novo dia, sigo pensando em você
Fico tão leve que não levo padecer
Trabalho em samba e não posso reclamar
Vivo cantando só para te tocar

Todo dia, vivo pensando em casar
Juntar as rimas como um pobre popular
Subi na vida com você em meu altar
Sigo tocando só para te cantar

É o Bonde do Dom que me leva
Os anjos que me carregam
Os automóveis que me cercam
Os santos que me projetam

Nas asas do bem desse mundo
Carrego um quintal lá no fundo
A água do mar me bebe
A sede de ti prossegue

Frases de Nelson Rodrigues II

Seleção feita a partir do livro: Flor de Obsessão - As 1000 melhores frases de Nelson Rodrigues - seleção e organização de Ruy Castro - Companhia das letras

"No dia em que a criatura humana perder a capacidade de admirar,
cairá de quatro, para sempre. O mal de todos nós, a nossa crise,
a nossa doença, é que admiramos pouco, admiramos de menos"

"O adulto não existe. O homem é o menino perene."

"A perfeita solidão há de ter pelo menos a presença
numerosa de um amigo real."

"Trair um amor é uma impossibilidade.
Mesmo com outra mulher, é o ser amado que estamos possuindo."


"Qualquer amor há de sofrer uma perseguição assassina.
Somos impotentes do sentimento e não perdoamos o amor alheio.
Por isso, não deixe ninguém saber que você ama."

"O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros.
Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda."


"Cada um nós morre uma única e escassa vez.
Só o ator é reincidente.
O ator ou a atriz pode morrer todas as noites e duas vezes às quintas,
sábados e domingos, com vesperais a preços reduzidos."

"No Brasil, há platéia para tudo e o brasileiro é, por vocação, platéia.
Se um camelô vende caneta-tinteiro, junta gente;
se morre um cachorro atropelado, junta gente; e se,
passa um batalhão, nós vamos atrás.
O brasileiro tem uma alma de cachorro de batalhão."


"Invejo a burrice, porque é eterna."

"Só o cinismo redime um casamento.
É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata."


"Não admito censura nem de Jesus Cristo."

"Ou o sujeito é crítico ou é inteligente."

"Meus diálogos são realmente pobres.
Só eu sei o trabalho que me dá empobrece-los."

"Dinheiro compra tudo. Até amor verdadeiro."

"A família é o inferno de todos nós."

"A fome é mansa e casta. Quem não come não ama, nem odeia."

"O homem não nasceu para ser grande.
Um mínimo de grandeza já o desumaniza."

"Deus me livre de ser inteligente."

"O jovem só pode ser levado a sério quando fica velho."

"Acho a liberdade mais importante que o pão."

"Não reparem que eu misture os tratamentos de "tu" e "você".
Não acredito em brasileiro sem erro de concordância."

"Toda mulher gosta de apanhar. O homem é que não gosta de bater."

"Todo óbvio é ululante."

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta."

"Uma das coisas mais terríveis é quando alguém me telefona dizendo que leu minha crônica e que morreu de rir. Fico numa tristeza mortal. Sempre falo sério.
Se sou engraçado, é à revelia de mim mesmo."

"A platéia só é respeitosa quando não está entendendo nada."

"O torturador tem câncer na alma."

"No ano 2010, o Brasil será maior que os Estados Unidos,
a Rússia, e qualquer outro. O Brasil é que dirá a grande Palavra Nova."


"Toda unanimidade é burra.
Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar."

"Eu disse, certa vez, que toda unanimidade é burra. Nem todas, porém.
De cinqüenta em cinqüenta anos, aparece uma unanimidade cujo julgamento é preciso, inapelável, eterno, como o Juízo Final."


"Com sorte, você atravessa o mundo.
Sem sorte não atravessa a rua"

"Se a vida lhe der as costas, passe a mão na bunda dela"


Fonte: CCSP


Leia também Frases de Nelson Rodrigues

Chico Buarque premiado em Cuba

CD “Carioca” de Chico Buarque recebe prêmio internacional Cubadisco-2008
Havana, 20 maio (acn) O CD “Carioca” do cantor e compositor brasileiro Chico Buarque e mais quatro discos internacionais lançados nos últimos dois anos, receberam o Prêmio Internacional da Feira Cubadisco-2008, que atualmente se celebra em Havana.


O Chico partilhou o Prêmio outorgado pela primeira vez, por um júri composto por especialistas internacionais, com “Techarí”, do grupo espanhol Olhos de Bruxo, “Navega”, da caboverdiana Mayra Andrade e a coleção “Gravações inéditas do teatro da Zarzuela”, auspiciado pela Fundação Autor.

“Carioca” (da Biscoito Fino) é reflexo da íntima e intensa relação do renomado artista brasileiro com a Cidade Maravilhosa, com a qual o unem laços que vão além da simples questão geográfica. Não se pode esquecer que Buarque é considerado a ponte entre a Velha Guarda do samba e a atual geração de clássicos da MPB e mesmo sendo esse um gênero nascido na Bahia, não há expressão musical mais representativa para a outrora capital brasileira.

Por sua vez “Tecahrí”, terceiro disco do conjunto espanhol, mistura impressões do jazz e o hip-hop, temperados com um toque de cubania ao estilo de um dos mais importantes pianistas jovens de Cuba, Robertico Carcassés. Aqui se sentem os ares impressos por London Asian Dud Foundation, o rap à maneira africana do senegalês Daara J, o flamenco pelo consagrado Pepe Habichuela, a copla de Martírio e a guitarrística de Kiko Veneno.

Já “Navega” (Sony-BMG), é uma mostra do talento vocal e contribuições de Mayra Andrade aos gêneros tradicionais caboverdianos.

Finalmente “Gravações inéditas do teatro da Zarzuela”, está composta por um álbum de quatro CDs e um livro, que viram a luz com motivo das celebrações pelo 150 aniversário do Teatro da Zazuela de Madri.

Cubadisco-2008, que oficialmente começou nesta noite de sábado, está dedicado à cultura africana e a influência de sua Diáspora, nas culturas americanas.
Conheça mais sobre Mayra Andrade nos linques a seguir:

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Pra nós todo Amor do Mundo

Morena - Los Hermanos

Clipe da sexta música do quarto disco do Los Hermanos.

morena
(marcelo camelo)

é, morena, tá tudo bem
sereno é quem tem a paz de estar em paz com deus
pode rir agora que o fio da maldade se enrola

pra nós todo amor do mundo
pra eles o outro lado
eu digo malmequer
ninguém escapa ao peso de viver assim: ser assim

eu não, prefiro assim com você, juntinho
sem caber de imaginar
até o fim raiar

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Obra do pintor Victor Meirelles catalogada para internet

Memória e Documentação
Obras do artista Victor Meirelles serão catalogadas em um banco de dados e imagens


por Patrícia Saldanha para o saite do MinC

A obra do pintor catarinense Victor Meirelles, um dos mais expressivos artistas plásticos brasileiros do Século XIX, será catalogada no Brasil e também no exterior. Uma iniciativa do Museu Victor Meirelles (MVM), em Florianópolis, vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura (Iphan/MinC).

Trata-se do projeto Victor Meirelles: Memória e Documentação que está sob a coordenação-geral de Lourdes Rosseto, diretora do museu, e coordenação-executiva de Maria Inez Turazzi, historiadora do Museu Imperial.

A ação tem por objetivo a pesquisa, a preservação e a promoção da obra completa do artista, para a elaboração de um Banco de Dados e Imagens. “A idéia é criarmos um instrumento de pesquisa na Internet, que facilite o estudo da obra de Victor Meirelles e da pintura do Século XIX”, explicou a coordenadora do projeto em Santa Catarina, Letícia Bauer.

A catalogação teve início em março deste ano e o prazo de conclusão está previsto para setembro de 2009. Com um custo orçado em R$ 396 mil, na fase inicial, recebeu o patrocínio da Petrobras e apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O banco de dados ficará disponível no site do MVM: http://www.museuvictormeirelles.org.br/.


Parcerias

O projeto será realizado em parceria com duas instituições detentoras das maiores coleções do artista, o Museu Imperial (em Petrópolis) e o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Após a conclusão dos trabalhos de catalogação, a partir de 2010, será realizado um seminário e uma exposição das obras selecionadas de Victor Meirelles, que dialogem com os resultados obtidos na pesquisa. Na conclusão do projeto haverá o lançamento de material didático e cultural sobre o artista e sua obra.

Uma equipe de historiadores, conservadores, documentalistas, web designers, técnicos em informática e estagiários irão buscar informações sobre a obra de Victor Meirelles em instituições públicas e privadas no Brasil e nos países onde ele estudou e trabalhou - Portugal (Ilha dos Açores), Países Baixos, Itália e França - e também junto ao público em geral. O projeto de memória e catalogação faz parte dos esforços de modernização do museu, junto com outras iniciativas que a instituição vem desenvolvendo, como o projeto de Reabilitação, Ampliação e Revitalização do Largo Victor Meirelles (onde a casa está localizada).

As pessoas podem participar do projeto enviando informações sobre o artista e suas obras pelo telefone (48) 3222-0692, projetovm@museuvictormeirelles.org.br
e museu.victor.meirelles@iphan.gov.br.

Fontes: Comunicação Social/MinC, Sites do Iphan e do MVM


ESTUDO PARA BATALHA DOS GUARARAPES: FELIPE CAMARÃO, circa 1874/1878 - Óleo sobre tela - 73 x 59,4 cm - Fotógrafo: Eduardo Marques

CABEÇA DE MULHER, sem data Óleo sobre tela - 54,5 x 45,5 cm - Fotógrafo: Eduardo Marques

Imagens Fonte: MVM

sábado, 10 de maio de 2008

Para todas as Mães

Diversas canções para homenagear todas as Mães. Músicas Dia das Mães, música para mãe

Minha Mãe - Djavan


Minha Mãe
Djavan


O descampado se via
E eu de esperar
Tava morta
Com jeito de agonia
Eu me encostava na porta
A disfarçar a barriga
Dos risos da fantasia
Fingindo ter
Nos meus olhos
Um sol que nunca podia
Via passar procissões
E os velhos nos caramanchões
ê, ê
Via passar esses dias
Como se fossem dobrados
Ardia em mim
Esse filho
Como se fosse pecado
Filho do pecado


Mãe - Gal Costa (Caetano Veloso) clique no linque para ouvir

Mãe
Caetano Veloso


Palavras, calas, nada fiz
Estou tão infeliz
Falasses, desses, visses, não
Imensa solidão

Eu sou um rei que não tem fim
E brilhas dentro aqui
Guitarras, salas, vento, chão
Que dor no coração

Cidades, mares, povo, rio
Ninguém me tem amor
Cigarras, camas, colos, ninhos
Um pouco de calor

Eu sou um homem tão sozinho
Mas brilhas no que sou
E o meu caminho e o teu caminho
É um nem vais, nem vou

Meninos, ondas, becos, mãe
E, só porque não estás
És para mim e nada mais
Na boca das manhãs

Sou triste, quase um bicho triste
E brilhas mesmo assim
Eu canto, grito, corro, rio
E nunca chego a ti


Coração de Luto - Teixeirinha


Coração de Luto
Teixeirinha


O maior golpe do mundo
Que eu tive na minha vida
Foi quando com nove anos
Perdi minha mãe querida

Morreu queimada no fogo
Morte triste, dolorida
Que fez a minha mãezinha
Dar o adeus da despedida

Vinha vindo da escola
Quando de longe avistei
O rancho que nós morava
Cheio de gente encontrei

Antes que alguém me dissesse
Eu logo imaginei
Que o caso era de morte
Da mãezinha que eu amei

Seguiu num carro de boi
Aquele preto caixão
Ao lado eu ia chorando
A triste separação

Ao chegar no campo santo
Foi maior a exclamação
Taparam com terra fria
Minha mãe do coração

Dali eu saí chorando
Por mãos de estranhos levado
Mas não levou nem dois meses
No mundo fui atirado

Com a morte da minha mãe
Fiquei desorientado
Com nove anos apenas
Por este mundo jogado

Passei fome, passei frio
Por este mundo perdido
Quando mamãe era viva
Me disse: filho querido

Pra não roubar, não matar
Não ferir, sem ser ferido
Descanse em paz, minha mãe
Eu cumprirei seu pedido

O que me resta na mente
Minha mãezinha é teu vulto
Recebas uma oração
Desse filho que é teu fruto

Que dentro do peito traz
O seu sentimento oculto
Desde nove anos tenho
O meu coração de luto.


Desculpa Mãe - Facção Central


Desculpa Mãe
Facção Central


Mãe...
Não dei valor pro teu sonho, sua luta.
Diploma na minha mão, sorriso, formatura.
Não fui seu orgulho. Diretor de empresa.
Virei ladrão com a faca que mata com frieza.
Não mereci sua lágrima no rosto.
Quando chorava vendo a panela sem almoço.
Vendo a laje cheia de goteira ou a fruta podre
que era obrigada a catar na feira.
Enquanto você juntava aposentadoria, esmola pra
não ter despesa.
Eu tava no bar, jogando bilhar, bebendo conhaque.
Bêbado eu era o ladrão de traca escopeta.
Com a mãe implorando comida, na porta da igreja.
Todo natal você sozinha, eu na balada.
Bancando vinho, farinha pras mina da quebrada.
Desculpa mãe pela dor de me ver fumando pedra, pela
glock na gaveta, pelo gambé pulando a janela.

Desculpa mãe...
Por te impedir de sorrir...
Desculpa mãe...
Por tantas noites em claro, triste sem dormir...
Desculpa mãe...
Pra te pedir perdão infelizmente é tarde...
É tarde...
Desculpa mãe...
Só restou a lágrima e a dor da saudade.

Quantas vezes no presídio, me visitou.
No domingo, bolachas, cigarro, nunca faltou.
Vinha de madrugada, sacola pesada.
Pra ser revistada pelos porcos na entrada.
Rebelião, você no portão.
Temendo minha morte.
Sendo pisoteada pelos cavalos do choque.
Eu prometi que dessa vez tomava jeito.
Tô regenerado. Ouvi seus conselho.
Uma semana depois, eu na cocaína.
Cala boca velha, sai da minha vida.
Eu vô chera, roba, seqüestra.
Não atravessa meu caminho se não vô te mata.
Sai pra enquadra o mercado da esquina.
Troquei com segurança, tomei um na barriga.
Polícia me perseguindo.
Eu quase pra morre, quando uma porta se
abriu pra eu me esconder.

Os gambé vigiando o pronto socorro.
Eu na cama delirando quase morto.
Ferimento ardendo, coçando, infeccionado.
A solução foi farmacêutico do bairro.
Que só veio por você com certeza.
A heroína que pediu esmola no busão com
a receita.
Deu comida na boca, comprou todos remédio.
Sonhou com o emprego.
Mas o diabo me quis descarregando o ferro.
Aí eu dei soco, chute, bati com tanto ódio.
Preciso fumá. Vai mãe, dá o relógio.
Velha, doente, desafiando a madrugada.
De porta em porta. Alguém viu me filho?
Eu tô preocupada.
Fim de semana foi farinha curtição.
Só cheguei hoje; de prêmio te encontrei
nesse caixão.
O vizinho ligou, que foi ataque cardíaco
Morreu na rua atrás da merda do seu filho.


Mamãe, Coragem - Caetano Veloso


Mamãe coragem
Caetano Veloso/Torquato Neto


Mamãe, mamãe, não chore
A vida é assim mesmo
Eu fui embora
Mamãe, mamãe, não chore
Eu nunca mais vou voltar por aí
Mamãe, mamãe, não chore
A vida é assim mesmo
Eu quero mesmo é isto aqui

Mamãe, mamãe, não chore
Pegue uns panos pra lavar
Leia um romance
Veja as contas do mercado

Pague as prestações
Ser mãe
É desdobrar fibra por fibra
Os corações dos filhos
Seja feliz
Seja feliz

Mamãe, mamãe, não chore
Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz
Mamãe, seja feliz
Mamãe, mamãe, não chore
Não chore nunca mais, não adianta
Eu tenho um beijo preso na garganta

Eu tenho um jeito de quem não se espanta
(Braço de ouro vale 10 milhões)
Eu tenho corações fora peito
Mamãe, não chore
Não tem jeito
Pegue uns panos pra lavar
Leia um romance
Leia "Alzira morta virgem"
"O grande industrial"

Eu por aqui vou indo muito bem
De vez em quando brinco Carnaval

E vou vivendo assim: felicidade
Na cidade que eu plantei pra mim
E que não tem mais fim
Não tem mais fim
Não tem mais fim


Mãe (Mãe Solteira) - Tom Zé clique no linque para ouvir

Mãe (Mãe Solteira)
Tom Zé/Elton Medeiros


Cada passo
Cada lágrima somada
Cada ponto do tricô
Seu silêncio de aranha
Vomitando paciência
Prá tecer o seu destino

Cada beijo irresponsável
Cada marca do ciúme
Cada noite de perdão
O futuro na esquina
E a clareza repentina
De estar na solidão

Os vizinhos e parentes
A sociedade atenta
A moral com suas lentes
Com desesperada calma
Sua dor calada e muda
Cada ânsia foi juntando

Preparando a armadilha
Teias, linhas e agulhas
Tudo contra a solidão
Prá poder trazer um filho
Cuja mãe são seus pavores
E o pai sua coragem

Dorme dorme
Meu pecado
Minha culpa
Minha salvação


Detentos do Rap - Amor só de Mãe



Amor só de Mãe
Detentos do Rap


Vai vendo,quando estou no veneno preciso de uma idéia não vejo ninguém.
Familiares,parceiros só pensam no que convém,não cai e ai ladrão sei muito bem quem foi por,mim só deus sabe o que eu
Passei meu amor é de mãe só...penso assim.
São vários os patifes que apertam minha mão me chamam de irmão,mas viram as costas quando a necessidade bate no meu portão eu sempre,corri pelo certo não sou Deus pra ser todo correto,não abaixo a cabeça pro meu desafeto,se é vem...pensamento é concreto.
Lamento se a inveja foi mais forte do que a sensatez.
Detentos agora e pra sempre...a bola da vez eu sim,vi, corri e fiz por onde o barato virar,dificuldades eu passei mas eu resisti as artilharias que por ...sinal cuzão foi fracas demais.
Eu acreditei,eu acredito que a moral não se ganha se faz, corre atrás pois não vou,dá asa...pro inimigo,viveu mas não viverás pra ficar no nosso ritmo.
Quem é sabe o que eu falo não quer ser,pois já é de fato não faz o barato de embalo,não vive e nem corre atrás de status
Parceiro só Deus nele é a única confiança e nela é o único amor é a fonte desde criança.
Não temo pois em algum lugar sei,que Deus ''tá'' olhando por mim,e você que abraçou o mundão que nada fez por ti.
Fim de ano ali dentro guardado,castelo é só champanhe... guarda pra você vagabundo...
O amor é só de mãe...
- alô!
- alô, filho? é a mãe, onde é que ''cê'' ta?
- oh mãe, to fazendo um corre com os parceiros que foi preso no assalto ali.
- assalto? e você como é que ''cê'' ta?
- to bem mãe...ai nóis foi fazer um corre com a mãe do parceiro ali,entendeu?
-Mais é o seguinte, caiu no esquecimento, mais ai, ta preso,
Mas não ta morto não...ta preso, mas não ta morto não,
Entendeu?
- ta bom filho, Deus te acompanhe.
Dominou sem visita, e o resto da grana a policia deu o bote, seus parceiros da cena veio por você entraram em choque.
Três anos se passou e a loira tingida trabalha no 12,que valor que isso tem agora já matou pela vaca e nos dias de hoje,seus filhos estão jogados,de aviãozinho na amargura,que que você quer pra ele,a mesma tabela ou a mesma loucura !?
Truta agora percebe as pessoas que você deu valor,enquanto aquela que merece,implorava pelo seu amor.
Do que adiantou as noitadas com as vagabundas que só queriam
Dinheiro,quantos mil reais na cena mas é só ela que ''ta'' sofrendo.
Bandido reflita na idéia,raciocina,porque o caminho é
constante,sem liberdade e sem aliado mas com amor que é de mãe.
- Na vida do crime eu me entreguei e pra sobreviver eu tive que matar...e lagrimas de mãe...fiz rolar.
- Saiba filho que eu te perdoei...e pra te ver feliz eu tive que chorar,só não quero lamentar...quero te ver voltar.
È foda saber que já maguo que mais te amava,por mais que respeitado no crime vagabundo,agora se sente um nada parceiro.
O Mundo da volta e é sempre ela que vai te ajudar,por mais que a gente fale de irmão,é só nela que dá pra confiar.
Compartilha a tristeza e alegria pois ninguém é tão fiel assim e eu sei o que ela pedi pra ela,é porque jamais vai querer pra ti,entende agora vagabundo,porque o amor é só de mãe?
Viva por ela de o valor naquela frase ''Deus te acompanhe'' Ai dentro quem manda seu jumbo,esta sempre presente em dia de visita,quem desmaiou e quase morreu de enfarte,com a noticia.
Desamparada chicote estralando,dentro da prisão e a tropa choque invadindo e só ela com o coração na mão,sabendo que quem não senta pra aprender jamais ficara de pé para ensinar e que o crime ele é o que é,mas ele jamais vai admitir as falhas.
Ela pede a Deus que sempre te ilumine e que te
acompanhe,o exemplo é pra você vagabundo e o amor é só de mãe.
- Não me lamentei quando até matei,vendo lagrimas de mãe que fiz rolar...
- Mas só eu sei,tudo o que eu passei,quando pra vida do
crime tive que voltar.

- Meu filho ? dia 15 de outubro de 93,lembro como se fosse ontem...
Favela cercada,minha casa invadida pensei até que era um assalto...Mas não,de repente eu vi o nome do meu filho sendo gritado,o policia invadiu minha casa,levou meu filho lá pra fora...Mataram ele,jogaram uma ''pá''de droga em cima,depois disso minha vida mudou completamente.
- Meu filho eu perdi em 92 no massacre do carandiru,não apresentaraum o documento,nem o corpo no IML.
Desde o dia do massacre.
- Meu filho? meu filho é um jovem...Jovem preso em uma cadeira de rodas,pro resto da vida.
Toda mãe sabe,tampa o sol com a peneira...E eu fui mais uma.



Angélica - Chico Buarque

Chico interpretando Angélica, canção composta para Zuzu Angel.

Angélica
Miltinho/Chico Buarque


Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar

Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar

Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Programa Dor de Cotovelo

Quem já não teve ciúme de alguém?! Esta sensação desgraçada perturba todos os envolvidos, tanto aquele que o sente, quanto aquele alvo deste sentimento algoz. Alguns o consideram zelo amoroso, uma prova de amor. Outros chamam de doença, paranóia, ou mera insegurança. Tanto faz, o que interessa é que a dor de cotovelo já foi capaz de produzir belas canções, principalmente dentro da música brasileira. É sobre este tema que trata o programa Contando Música, da Rádio Câmara, que foi ao ar neste último três de maio. A atração, além de traçar um breve panorama sobre o ciúme dentro da nossa música, apresenta canções de nomes como Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Rita Lee, Ultraje a Rigor, entre outros. O programa, dividido em dois blocos, pode ser ouvido e baixado nos atalhos a seguir:

Ouça (ambos arquivos de áudio são do tipo wma*)

Ciúme - bloco 01 (16'08'')

Ciúme - bloco 02 (18'23'')


Os dois blocos do programa sobre Ciúme, do Contando Música da Rádio Câmara, estão disponíveis pra download em três opções: wma estéreo, mp3 estéreo e mp3 mono. Eleja o de sua preferência. Para copiar o arquivo, clique com o botão direito do mouse e escolha a opção "salvar destino como", informando a pasta do seu computador em que o arquivo deverá ser gravado.

Baixe completo bloco 01


Baixe completo bloco 02

No saite da Rádio Câmara pode-se ouvir a rádio ao vivo e o acervo completo de programas gravados. Acesse aqui.

*WMA é um formato de arquivo de áudio do Windows Media Player, da Microsoft, programa este disponível gratuitamente para download. No entanto, o Música&Poesia recomenda o Media Player Classic, que, além de ser programa de código aberto, gratuito, é muito menor que o programa da Microsoft. Também serve como player de DVD, suporta legendas AVI, formatos QuickTime, RealVideo, WMV, entre outros.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Não sou Anjo Nenhum, Conto

Não sou anjo nenhum
Samara Leonel

Foi a primeira frase que ela me disse. "Não sou anjo nenhum e jamais disse que era." Modo estranho de começar um depoimento. Depoimento, de resto, todo estranho. Por isso agora, expediente acabado, escrevo neste quarto de hotel. Para tirar de dentro e dormir. Desintoxicar

Não era um anjo, mas era verdade que demorou na vida para conhecer o pecado. Foi mais, mesmo, quando conheceu o homem. Antes, seus pecados eram a preguiça – para a qual logo não sobrou muito tempo, filha que era de uma família de pescadores. E um tiquinho de gula, quando a mãe fazia doce, que ela adorava. O resto não conhecia, não. Cresceu reta na vida de sol e trabalho, igreja aos domingos, aprender a rezar para que o pai e os irmãos sempre voltassem do mar. Mas um dia ele chegou.

Luxúria, diria eu; ela usou "desejo". E cobiça. Quando aquele homem de pele clara e cabelos louros chegou, ela só tinha quinze anos, mas o quis de imediato. Ela nem sabia bem pra quê, foi descobrir direito depois, mas queria. Queria a voz dele, aquele sotaque que raspava nos erres e que amolecia suas pernas, queria os braços fortes, e mais tarde, quando descobriu que os olhos dele eram verde-água e não escuros como o de toda gente, quis aqueles olhos para ela também. E desde o dia que o viu, só o queria mais ver. Mais e mais. Entrou numa consumição.

Até a mãe a deixou um dia sem trabalhar, porque a encontrou com febre. Mas a febre só fazia aumentar... À tarde disse que estava bem e pediu para ir à venda. Foi nesse dia que ela se fez notar – daí, para ele cair na sedução fácil da carne virgem que se oferecia, foi um pulo, questão de dias. Poucos dias.

Ela já tinha ouvido falar que ele tinha uma mulher, branca como ele. Mas não importava, nada importava. Era atrás dela que ele ia – e atrás das dunas de areia branca ela descobriu para que mais o queria. Descobriu que também queria o peso daquele homem entre suas coxas, que queria seu hálito e o roçar daquele cabelo fino no seu rosto. Tudo isso é comum na vida de todo mundo, mas o olho brilhante daquela menina dizendo "eu descobri o céu...", sem vergonha nenhuma, numa sala só de homens, é coisa que mexe com a gente.

A família, por sorte, era muito quieta, não gostavam de fofocas e a mãe não ia muito prosear na vila. Mas a mulher do gringo, não. Começou a assuntar, a querer saber, a seguir o marido. E, para desespero dela, o homem começou a se apavorar. Não aparecia a encontro marcado, propunha lugares cada vez mais ermos. "Por que não larga dela de uma vez e fica comigo? Porque tem tanto medo? O que te prende a essa mulher?" Ela perguntava, cada vez mais irada, e ele ria nervoso, dizia que eram coisas que ela não entenderia... Até que chegou o dia que ele não apareceu mais e mandou recado para ela, que eles deviam esperar a mulher se acalmar. "Até quando?" Ele nunca respondeu.

Ela chorou, chorou, chorou uma noite inteira no quintal, alegando para a mãe que estava com falta de ar e ia sair do quarto. A mãe estava tão cansada que nem perguntou. Procurava o gringo por tudo, mas ele desviava dela.

Até aquela tarde. Ela chegou em casa da venda e estava tudo parado, estranho. Ela sentiu um arrepio. Quando entrou, na sala de chão batido, a gringa olhou para ela com ar de vencedora. Levantou e saiu, nem se despediu da mãe ou lhe dirigiu a palavra. O rosto da mãe estava lavado de vergonha. Aquele dia ela apanhou da mãe, até o pai chegar. Então apanhou do pai, até ele se cansar. Eles não falavam, não xingavam, só batiam. Gente quieta. Dava para ver que ela falava sem ódio deles. Deles.

Ela disse que foi nessa noite que ela aprendeu a odiar a gringa, de quem antes só tinha raiva. Um ódio feio, grande, descomunal. Daí em diante ela perdeu a expressão e voltou a ter a cara que tinha no começo do depoimento.

A partir daquele dia ficou meio que presa na casa dos pais, sem muita chance de saída. Na cidade inteira chamavam ela de "a puta do gringo" – faziam em voz alta o que antes cochichavam. Para a família era vergonha grande, era filha de nunca mais casar. Mas ouviu um moleque comentar com um irmão que os gringos iam embora. Foi demais para ela. Passou aquela noite inteirinha pensando, olhando pro teto. Sem uma lágrima. Fugiu enquanto a mãe lavava roupa, com a faca de abrir peixe. Se esgueirando pela cidade, entrou na casa dos gringos pela janela e estripou a mulher branca como se fizesse isso de pequena.

Nos descreveu o modo como a derrubou com um golpe de licoreira e cada um dos doze golpes como se fosse ontem. Sem emoção, sem nojo, sem alegria.

Quando alguém disse, irônico, que ela não parecia se arrepender, ela não demonstrou vergonha. "Só lamento ter terminado de me separar do gringo para sempre. Mas ela tinha que morrer. Quando me trouxeram pra cá, sabia que estava perdida pra sempre. Daqui ninguém sai. Nem ninguém me visita, nem ele, nem mesmo minha mãe. Estou aqui há quanto? Três anos? Mas matava, matava ela de novo. E ainda mais devagar. Maldita."

Quando ela disse “maldita”, seu olho quase brilhou e me deu medo. Não, ela não era nem um anjo. Mas naquela determinação metálica, tinha algo nela que ia além do humano.



Samara Leonel é jornalista e mestranda em literatura japonesa. Acredita que as histórias estão aí pelo mundo, prontas para ser colhidas por aqueles que se permitem o exercício de se abrir para elas. Acredita também que as palavras podem mudar o mundo e as pessoas.

Fonte: LeMondeDiplomatique

A edição eletrônica de Le Monde Diplomatique é regida pelos princípios do conhecimento compartilhado (copyleft), que visam estimular a ampla circulação de idéias e produtos culturais. A leitura e reprodução dos textos é livre, no caso de publicações não-comerciais. A única exceção são os artigos da edição mensal mais recente, acessíveis no menu lateral esquerdo do site. A citação da fonte é bem-vinda. Mais informações sobre as licenças de conhecimento compartilhado podem ser obtidas na página brasileira da Creative Commons.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Vídeo de Porém, poema de Sérgio Vaz

Há alguns dias atrás foi postado aqui algumas poesias de Sérgio Vaz, e esta postagem teve uma repercussão bem positiva. Confessando desconhecer o poeta, a maioria dos que comentaram afirmam ter gostado muito do que leram. Nessa ânsia de conhecer mais sobre este artista que emana do povo, aqui vai um vídeo produzido para divulgar os versos de Porém, poema de Sérgio Vaz.

Porém - Sérgio Vaz

Belíssimo poemaclipe de Porém, emotiva poesia de Sérgio Vaz.


Porém
Sérgio Vaz


Queria ter vivido melhor,
Porém a mediocridade sempre me foi farta e generosa
Nos caminhos que escolhi para viver.

Queria ter sido mais alegre,
Porém a tristeza sempre foi companheira fiel
Nos dias intermináveis de abandono.

Queria ter amado mais as pessoas que conheci
Ou que fingi conhecer,
Porém na maioria das vezes, eu também não me conhecia.

Queria ter andado mais livre,
Porém, algemado à ignorância, perdi muito tempo
Tentando voar sem sequer saber andar.

Queria ter lido mais livros,
Porém, analfabeto de ousadia, passei muitos anos
Enxergando pelos olhos adormecido de outras pessoas.

Também queria ter escritos mais poemas
Do que bilhetes pedindo desculpas,
Porém, as palavras sempre me vieram como culpa
E não como estrelas.

Queria ter roubado mais beijos e abraços
Das meninas que andavam desprotegidas,
Protegidas pela magia da infância,
Porém, cresci muito cedo, e a timidez sempre me foi
Uma lei muito severa a ser cumprida.

Queria ter pensado menos no futuro,
Porém, o passado simples nunca foi o melhor presente
E a eternidade sempre me pareceu coisa de gente que tem preguiça de viver.

Queria ter sido um homem mais humilde
Porém, a vaidade e a ganância sempre me cercaram
De mimos e coisas que até hoje não sei para que serviram.

Queria ter pregado mais a paz,
Porém, como um covarde, gastei muita munição tentando atingir amigos e
desconhecidos que não usavam coletes à prova de balas nem blindados no
coração.

Queria ter sido mais forte,
Porém rir dos vencidos e bajular os mais ricos
Sempre me pareceu o caminho mais curto
Para o esconderijo secreto das minhas fraquezas.

Queria ter dito mais a verdade,
Porém a mentira sempre foi moeda de troca
Para comprar o respeito e a admiração das pessoas fúteis
De almas vazias.

Queria que o mundo fosse mais justo
Porém, avarento de nascença, fui o primeiro a esconder o sol na palma da
mão, antes que o vizinho o fizesse.

E mesquinho por vocação escondi as noites com lua
Para que os poetas não a cortejassem.

Queria ter dito mais besteiras,
Porém fui desses idiotas amantes das proparoxítonas
E sujeito oculto nos bate-papos de botecos de esquinas,
Onde a vida não acontece por decreto.

Queria ter colhido mais flores,
Porém o medo de espinhos afugentou a primavera.

E outono que sempre fui,
plantei inverno quando a terra pedia verão.

Hoje queria ter acordado mais cedo,
Porém temo que pra mim
Seja tarde demais.



* O poeta Sérgio Vaz fundou a Cooperifa em 2000, com o objetivo de envolver artistas da periferia em atividades como exposições de fotografia e performances teatrais em lugares que, segundo ele, são os verdadeiros centros culturais da periferia, como praças, bares e galpões. Ao final de 2002, começaram os saraus da Cooperifa, numa fábrica abandonada em Taboão da Serra, município de São Paulo; hoje, acontecem no bar de José Cláudio Rosa, o Zé Batidão, em Piraporinha. (Fonte: PortalLiteral)

Getz e Gilberto se estranharam em gravação de clássico da Bossa

Curiosidades que envolveram o antológico disco de Stan Getz e João Gilberto, publicado na coluna Você Sabia da revista Almanaque Brasil.

TROPEÇOS NA MELODIA

Em fins de 1962, músicos brasileiros apresentam a bossa-nova no Carnegie Hall, em Nova York. Dias depois, o produtor Creed Taylor, dono da gravadora Verve, acerta a gravação de um disco reunindo Tom Jobim, João Gilberto e o norte-americano Stan Getz, famoso saxofonista de jazz. No mesmo ano, Getz havia lançado Jazz Samba ao lado do guitarrista Charlie Byrd, que lhe apresentara o ritmo brasileiro.

A gravação de Getz/Gilberto levou dois dias: 18 e 19 de março de 1963, nos Estados Unidos. No disco com Byrd, o saxofonista gravara Samba de uma Nota Só, tropeçando feio na melodia do refrão. João e Tom tocaram a canção para mostrar-lhe como deveria ser, mas Getz continuava sem “pegá-la”. “Tom, diga a esse gringo que ele é um burro”, disse João. “Stan, o João está dizendo que o sonho dele sempre foi gravar com você”, repassou Jobim, em tradução livre. “Engraçado. Pelo tom de voz, não parece que é isto o que ele está dizendo...”, observou Getz.

Quanto mais aos sussurros João Gilberto queria cantar, mais Getz insistia em soprar como se tivesse foles gigantes no lugar de pulmões ou como se o microfone fosse surdo, descreve o escritor Ruy Castro. João Gilberto também acusou Getz de reequalizar o disco para deixar seu saxofone ainda mais evidente.

Mais um acontecimento fora dos planos: Astrud Gilberto, esposa de João, queria cantar Garota de Ipanema em inglês, dividindo a faixa com o marido, que cantaria em português. A experiência deu tão certo que Taylor pediu para repetirem a fórmula em Corcovado.
O disco ficou quase um ano na gaveta do dono da gravadora. A faixa escolhida para antecipar seu lançamento foi Garota de Ipanema. Como a gravação era um tanto longa para tocar nas rádios, Taylor simplesmente limou o vocal de João Gilberto. E foi um sucesso. A música puxou o disco, que vendeu milhões, levou prêmios Grammy e virou clássico da música mundial. (RC)


SAIBA MAIS
Chega de Saudade – A história e as histórias da Bossa Nova, de Ruy Castro (Companhia das Letras, 1990).


Fonte: AlmanaqueBrasil

O Almanaque Brasil está sob licença Creative Commons. A cópia e reprodução de seu conteúdo são autorizadas para uso não-comercial, desde que dado o devido crédito à publicação e aos autores.


Corcovado - João Gilberto, Astrud Gilberto e Stan Getz

Astrud e Joao Gilberto/Stan Getz


Garota de Ipanema - João Gilberto, Tom Jobim, Astrud Gilberto e Stan Getz

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Entenda o que é Copyleft

O símbolo de copyleft é um "c" invertido
Aqui vai a reprodução de um artigo bem interessante publicado na revista online Grito Magazine, de autoria de Rafael Rez Oliveira (Wally), intitulado Para entender o Copyleft. Wally faz uma breve e esclarecedora explicação sobre o que seria o tal do copyleft, que, em tese, é o oposto ao copyright e também uma das alternativas para a democratização do acesso à informação e cultura. Vale ressaltar que o Música&Poesia fomenta e é totalmente a favor do copyleft, do creative commons, do domínio público, da informação colaborativa e de todos outros meios e licenças que estimulam a Cultura Livre. Este blogue dá sempre prioridade para a informação e cultura que provenham de veículos e artistas que igualmente acreditam na liberdade e no conhecimento compartilhado. O próprio Música&Poesia está licenciado sob uma licença creative commons, que permite copiar, distribuir, exibir e executar a obra e também criar obras derivadas; sob as seguintes condições: que se dê crédito ao autor original, que o utilizador não utilize esta obra para fins comerciais e se alterar, transformar, ou criar outra obra com base nesta, só poderá distribuir a obra resultante através de uma licença idêntica a esta. Isso tudo para que o conhecimento siga e se perpetue livremente.
Yerko Herrera

Para entender o Copyleft
por Rafael Wally


A natureza do copyleft é ainda controversa para a maior parte das pessoas. O conceito não tem uma definição única, ainda carrega muita ideologia e como toda ideologia, depende um pouco da "paixão" de quem a abraçou e da adesão de novos simpatizantes.

Não é fácil querer subverter na cabeça do mundo todo o conceito de copyright, tão natural dentro do pensamento monetarista e individualista que toma conta da sociedade há décadas. Nem é simples divulgar algo que vai contra os principais interesses da maior parte das empresas do mundo todo, uma vez que os royalties - fruto direto do copyright - financiam corporações nos quatro cantos do planeta.

Mas... (e tem sempre um mas) quando o desafio vale a luta, só desiste quem realmente não acreditava.

Um dos aspectos positivos do copyleft é a capacidade de formar comunidades em torno dos mais diversos temas. O conhecimento é compartilhado dentro das comunidades, mas não é escondido por elas. Pode ser acessado por qualquer um que abrace a causa ou ainda que se interesse em ficar melhor informado. E justamente por este motivo o copyleft ganhou a simpatia e se tornou a causa de muitos pensadores, estudantes, profissionais e acadêmicos que se interessam pela informação livre, nas mais diversas áreas do conhecimento.

O problema é quando o copyleft é distorcido de seu objetivo inicial - tornar a informação livre e acessível ao maior número de pessoas - e transformado em informação restrita novamente, sendo vendida sem crédito aos seus autores e rendendo lucros a quem não mexeu uma palhaon para compartilhar idéias e conceitos.

Mas peraí... copyleft não é livre? Porque citar o autor (ou a fonte)? A chave do entendimento pode estar nesta simples dúvida, que acomete a todos no primeiro contato com a idéia do copyleft. Informação livre, conhecimento livre, divulgação livre, mas vindos de algum lugar. Alguém pensou primeiro, depois pesquisou, discutiu, reuniu dados, cruzou informações e gerou conhecimento. Portanto é autor da obra. Seja um simples texto ou até um livro, tudo que tem autor tem fonte. E no ambiente digital e hipertextual (internet, para ser mais claro), tem link.

O cerne está na fonte (e no link). Quem é autor pode abrir mão de lucro direto vendendo a obra, mas não abre mão da reputação. É ela quem garante ao autor o reconhecimento de seu trabalho e leva à contratação para aplicar seu conhecimento: uma consultoria, uma pesquisa direcionada, um artigo, um treinamento, aula, curso, palestra ou qualquer forma de trabalho que traga indiretamente o retorno pelo copyleft praticado.

Isto não significa que praticar copyleft seja procurar fama. Se for entendido assim, não foi entendido.

O copyleft é, acima de tudo, o domínio público do conhecimento.

"Os investimentos em conhecimento geram os melhores dividendos."
(Benjamim Franklin)


Leia também:

O poder transformador da informação livre

Para saber mais sobre Copyleft:

Sobre copyleft e reputação:Marketing Hacker. Vide livro homônimo do mesmo autor, Hernani Dimantas.

Lawrence Lessig e o Direito Autoral, por Michael Stanton:http://www.estadao.com.br/tecnologia/coluna/stanton/2002/fev/17/21.htm

O que é copyleft? O Projeto GNU e a Fundação para o Software Livre:http://www.gnu.org/copyleft/copyleft.pt.html

Rafael Rez Oliveira (Wally) Arquiteto de Informação, é responsável pelo marketing da Lógica Digital e consultor de usabilidade da Interactis. Editor do Grito Magazine, escreve também para os portais WebInsider, VIRAweb, EconomiaBr.net e iMasters. Mantém o Blog: Ex Vertebrum.

Fonte: Grito - Grito.com.br Informação livre. Permitida reprodução dos conteúdos exclusivos desde que citada a fonte.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sérgio Vaz, o poeta da Periferia

Abaixo algumas poesias do poeta Sérgio Vaz, poeta da periferia e idealizador da Cooperifa.


Musa

Ai de mim
Quando tu passas
Com teus lábios
Fazendo pirraças,
Teus seios pequenos
Apontados pra lua,
Meus pêlos eretos
Te querendo nua!
Ai de mim
Que no cansaço da noite
Te imagino em meus braços,
Atada nos beijos,
Solta em desejos
De afoita emoção!
Delírio de gozo
Que esvazio na palma da mão.


Liberdade

Não quero que me tenhas,
Nem eu a ti.
Te quero livre,
A mim também.
Furta o brilho do sol.
Eu, o frescor da lua.
Leva sorriso ao vento.
Eu, pernas na rua.
Serás manhã.
Eu, entardecer.
Seremos maçãs
No pecado de viver.


De Todos os Hinos

De todos os hinos
Entoados em louvor às revoluções
Nos campos de batalhas,
Nenhum, por mais belo que seja
Tem a força das canções de ninar
Cantada no colo das mães.


Espermatozóides

Gandhi
Hitler
Zumbi
Willian Simmons
Che Guevara
ACM
Marilene Felinto
Vera Loyola
Leci Brandão
Sandy
Renato Russo
Júnior
Padre Jaime
Edir Macedo
GOG
KLB
Heloísa Helena
Tiazinha
Lula
Maluf
José Arbex Jr.
Paulo Coelho
Zilda Arns
Hebe
Racionais MC's
Harmonia do Samba
Draúzio Varella
Ivo Pitangui

Meu Deus!
Como os espermatozóides
são contraditórios.


Estrelas Cadentes

No universo,
Os deuses,
Em forma de estrelas,
Brincavam de esconde-esconde
Feito crianças mágicas.
Aqui, na terra,
Algumas pessoas
(sérias mortais),
Julgavam-no estrelas cadentes.
Faziam pedidos
De esperança, futuro melhor,
E até casamento...
Mal sabiam que era apenas brincadeira.


Anjo Torto

Ao longo do tempo
Tenho descoberto em você
A vontade de viver.
Soprando aos seus ouvidos
Todas as minhas vontades.
Devorando cada momento
Com fome de liberdade.
Troquei minhas raízes
Por duas asas invisíveis.
Tenho voado ao seu redor
Como um anjo irresponsável,
Não para velar o seu sono,
Mas para assistir ao seu despertar.


Palco

Seguem os meninos
Deslizando na avenida.
Vendem dropes na caixinha de papel,
Tentando um papel
No palco desta vida.
Em cada esquina,
Uma platéia diferente
Bate palmas e não sente
Que este ato não termina.
No asfalto,
Cenas fortes
No frágil nu do corpo.
Vestem lágrimas
Maquiadas de sorrisos
Que desbotam na luz fria da noite:
Bastidores da verdade.
Seguem os meninos
No palco da vida,
Representando o verdadeiro
Papel.


Sérgio Vaz por Eduardo Toledo
A poesia na vida de Sérgio Vaz sempre foi constante e presente. Nem por isso o acompanha desde moleque. Começou a escrever com vinte anos e hoje, aos trinta e nove, continua viciado e assume esse vício com prazer.
As poesias de Sérgio Vaz muitas vezes são duras, lembram, quase sempre, as letras do rap, ritmo tão difundido e admirado nos guetos. Outras vezes é aveluda, doce, quase melada. Quase sempre, porém, sua poesia é uma bandeira a favor do inconformismo, um soco no estômago dos indiferentes. Mas uma marca que é própria de Sérgio Vaz é que sempre sua poesia é verdadeira.
Sérgio Vaz chega a ser ingênuo porque acredita de verdade nas suas utopias (palavra tão pecaminosa nos dias de hoje). É talvez por isso que tantas pessoas se identificam com suas poesias e com o seu jeito de ver a vida.
Acreditar. Essa é uma palavra que deveríamos aplicar com mais freqüência em nossas vidas. O trabalho de Sérgio Vaz só existe porque ele acredita no que faz e escreve. É por gente como ele que ainda tenho certeza que a realidade pode não ser como queremos, mas o nosso mundo é como o fazemos.
Quem é Sérgio Vaz
Ele é autor dos livros Subindo a ladeira mora a noite, A margem do vento, Pensamentos vadios e A poesia dos deuses inferiores; todos eles publicados independentemente, com o apoio da Cooperifa e da Faculdade Taboão da Serra. Criou o projeto "Poesia contra a violência", foi curador do livro O rastilho da pólvora, antologia poética do sarau 43 poetas e participou do seminário "Arte na periferia" (literatura, música e cinema), em parceria com o Itaú Cultural. Ele escreveu na revista Literatura marginal, criada pela Caros Amigos e participou do livro Hip-Hop a lápis. Recebeu o Prêmio Heróis Invisíveis, dado pelo jornalista Gilberto Dimenstein. Muito próximo do movimento hip-hop, Sérgio também teve participação poética nos cds dos grupos Sabedoria de vida, GOG, 509-e e grupo 2ho.

Além disso tudo, Sérgio realiza, todas quartas-feiras, o sarau da Cooperifa, movimento de resistência cultural que vem aumentando cada vez mais. Cerca de 500 pessoas se reúnem no bar do Zé Batidão, para recitar textos e poemas. Por seu caráter revolucionário, o projeto repercurtiu nacionalmente e apareceu tanto nas telinhas quanto na mídia impressa (Folha de São Paulo e outros jornais).
Fonte poemas, texto de Eduardo Toledo e imagem: Sérgio Vaz saite oficial
Fonte "quem é Sérgio Vaz": LeiaLivro