terça-feira, 18 de setembro de 2007

Novo Disco de Maria Rita

De raiz?
Maria Rita do morro
“A tal da MPB virou uma coisa altamente elitizada”, propõe a cantora Maria Rita. O tema tabu, evitado pela maioria de seus pares, é o norte de lançamento do álbum Samba Meu

por Pedro Alexandre Sanches

“É um dilema para mim, me incomoda essa história de MPB ter se elitizado, de dizerem ‘MPB é música de rico’. Porque fraciona incrivelmente o mercado, e não é verdade, não é realista.”

Ciente da clausura em que vive a outrora orgulhosamente batizada “música popular brasileira”, ela se alia ao que talvez seja um modismo atual, de uma leva de intérpretes identificados com a MPB de extração universitária (como Marisa Monte e Roberta Sá) que abraçaram o samba como veio de expressão.

Maria Rita, no entanto, radicaliza a opção. Mais da metade do repertório de Samba Meu é ocupada por canções compostas por Arlindo Cruz, Serginho Meriti e outros nomes egressos do núcleo conhecido como Fundo de Quintal, geralmente desprezado pela “nata” da MPB e seus admiradores.

A filha de Elis Regina e Cesar Camargo Mariano adiciona ao trio jazzístico testado nos dois discos anteriores farta instrumentação de samba. A produção é de Leandro Sapucahy, um sambista carioca “tradicional” que tocou com Marcelo D2 e no disco de estréia adotou temática e vestimentas do hip-hop.

Os sambas, ao mesmo tempo simples e sofisticados, são quase sempre inéditos (a pungente Trajetória foi gravada em 1997 por Elza Soares, uma sambista “do morro” que há décadas peleja na determinação de cruzar a ponte samba-MPB). Aos sambas de fundo de quintal tipo anos 80, Maria Rita soma uma e outra referência pinçada dos trabalhos de Paulinho da Viola e Gonzaguinha na década de 70.

Outro bloco do disco é dedicado a canções de autores novos, e não necessariamente sambistas. É o caso das duas fortes canções do híbrido compositor Edu Krieger, Novo Amor (gravada simultaneamente por Roberta Sá) e Maria do Socorro. Filho do maestro erudito Edino Krieger, ele acaba de lançar um disco em que coexistem pop, rock, samba e erudição (Novo Amor, um choro, faz pensar de longe em Villa-Lobos).

Outro caso é o da dramática faixa-título, do novato Rodrigo Bittencourt, assim definido por Maria: “É um menino de Bangu, um roqueiro, mais pop. Ele diz que não é sambista”. No entanto, escreveu versos como o meu samba vai te acordar do sono, usados na abertura do CD da moça da MPB que luta para ser popular.


Fonte: CartaCapital (Edição 462 - nas bancas)


Assista aqui a entrevista que Maria Rita deu à TV Estadão sobre o disco "Samba Meu"

Confira abaixo a faixa-título do novo disco de Maria Rita, Samba Meu, cantada pelo próprio autor da música Rodrigo Bittencourt

Samba Meu - Rodrigo Bittencourt

2 comentários:

carla granja disse...

olá meu amigo! cheguei das ferias:) nao entendo pq tens tanto trabalho com o teu blog e tens tao poucos comentarios :( olha vem ao meu receber o abraço k tenho para ti e obrigado a todoss por cuidaem bem do meu blog k tmb é o vosso blog :) bjo espero por ti
carla granja

Yerko Herrera disse...

Também não entendo Carlinha, também não entendo. Mas, vamos lá, "sou brasileiro e não desisto nunca"! Hehehehe ;)!

Continuarei fazendo, acreditando na revolução do acesso à informação e na democratização da cultura!

Cultura Livre, informação pra todos!!!

Obrigado, beijão!