segunda-feira, 26 de maio de 2014
Revista Fórum entrevista o poeta Sérgio Vaz
Postado por
Yerko Herrera
às
01:31
0
comentários
Marcadores: Entrevista, Poesia
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Jornal tem fotos digitalizadas e disponibilizadas na rede
| Fotos inéditas do Jornal Última Hora estão na internet |
| Fonte: Núcleo de Comunicação do Arquivo Público do Estado de São Paulo | |
Grande parte das fotografias ficou guardada em arquivo por muitos anos e não chegou a ser publicada no jornal. O Arquivo Público do Estado de São Paulo acaba de digitalizar e disponibilizar na internet parte do arquivo fotográfico do jornal Última Hora, um dos mais importantes periódicos do jornalismo brasileiro, que circulou em diversas cidades brasileiras nas décadas de 1950 e 1960. São quase 20 anos de história registrados em 54.600 mil fotografias e 1.200 ilustrações, que podem ser vistas pelo site http://www.arquivoestado.sp.gov.br/uhdigital/ Diferentes momentos da história brasileira foram registrados pelas lentes fotográficas do jornal Última Hora: o suicídio do Presidente Getúlio Vargas, em 1954; as Olimpíadas de Helsinki, em 1952; a estreia de Roberto Carlos na TV Tupi, em 1968. a visita dos Rolling Stones ao Rio de Janeiro, em 1968. Além de nomes que marcaram a música brasileira, como Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Ângela Maria e Chico Buarque e o t eatro, Eva Tudor, Tônia Carreiro, Procópio Ferreira, Grande Otelo e Cacilda Becker. O tratamento de conservação preventiva e a digitalização dessas imagens é resultado do Projeto Última Hora – Acervo Fotográfico , que consistiu em organizar, conservar, digitalizar, tratar as imagens, produzir instrumentos de pesquisa e disponibilizar na internet este grande volume de fotografias. Este projeto teve início em 2007 no Centro de Acervo Iconográfico e Cartográfico do Arquivo Público do Estado de São Paulo. A diretora do Centro, Elisabete Savioli , explica que as imagens desse projeto são do Departamento de Arquivo Fotográfico da Última Hora, na forma de negativos flexíveis. “Este tipo de suporte é muito frágil e de fácil deteriorização, o que torna a manipulação destes documentos bastante complicada”, explicou Elisabete. Além disso, para visualizar a imagem no negativo é preciso utilizar instrumentos específicos como lupas e mesas de luz. Leia a íntegra. Fonte: Banco Cultural - 2008 Copylef |
Postado por
Yerko Herrera
às
00:17
4
comentários
Marcadores: Notícia
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Curta Experimental
Um mergulho na história do movimento concretista de São Paulo a partir de fragmentos da obra do poeta Augusto de Campos. Uma colagem de cenas raras revela o longo rastro cúmplice entre a poesia concreta e o cinema experimental.
Hi-Fi
Gênero Experimental
Diretor Ivan Cardoso
Elenco Carlos Imperial, Clarice Piovesan, Cristiny Nazareth, Decio Pignatari, Felipe Falcão, Haroldo de Campos, Helena Lustosa, José Lino Grunewald, Man Ray, Marcel Duchamp, Nina de Pádua, Orson Welles, René Clair, Rogéria, Sandro Solviati, Satã, Sydney Greenstreet, Wilson Grey
Ano 1999
Duração 8 min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil
Ficha Técnica
Produção Topázio Filmes Fotografia Ivan Cardoso, Eduardo Viveiros Roteiro Ivan Cardoso, Augusto de Campos Trilha Sonora Augusto de Campos, Cid Campos
Todas as informações e dados são do sítio PortaCurtas
Mais curtas em www.outrocine.blogspot.com - Outro jeito de ver cinema
Postado por
Yerko Herrera
às
01:04
2
comentários
Marcadores: Curta-metragem
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Morre José Saramago
Aos 87 anos, morre o escritor português José Saramago
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O escritor portugês José Saramago, de 87 anos, morreu hoje (18) em consequência de falência múltipla dos órgãos, depois de um longo período com a saúde fragilizada. Prêmio Nobel de Literatura em 1998, Saramago morreu na Ilha de Lanzarote, uma das Ilhas Canárias, onde vivia desde os anos 90.
A fundação que leva o nome do escritor informou que ele estava acompanhado pela família no momento da morte. A informação foi confirmada pela imprensa portuguesa.
“O escritor morreu acompanhado por sua família, despedindo-se de forma serena e tranquila”, informou a Fundação José Saramago em um breve comunicado de cinco linhas. Segundo a nota, a morte ocorreu às 12h30 – cerca das 8h de Brasília. A notícia está estampada na capa do site da fundação na internet.
De acordo com a imprensa portuguesa, Saramago teve uma noite tranquila, tomou o café da manhã normalmente hoje, mas em seguida começou a passar mal e morreu. A mulher dele, Pilar Del Río, o acompanhava.
No blog do escritor foi postado hoje um trecho de uma entrevista concedida por Saramago em 11 de outubro de 2008 à revista portuguesa Expresso.
“Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objetivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma”.
Edição: Tereza Barbosa
Fonte: AgênciaBrasil - Todo o conteúdo da Agência Brasil está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 2.5. Brasil.
Postado por
Yerko Herrera
às
18:02
1 comentários
Marcadores: Notícia
terça-feira, 11 de maio de 2010
Curta sobre Clarice Lispector
Clarice Lispector, a menina ucraniana, descobriu no Recife a felicidade clandestina que fez dela uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos. (PortaCurtas)
Clandestina Felicidade
Sinopse
Fragmentos de infância, descoberta do mundo pelo olhar curioso, perplexo e profundo da criança-escritora Clarice Lispector.
Gênero Ficção
Diretor Beto Normal, Marcelo Gomes
Elenco Luisa Phebo, Nathalia Corinthia, Luci Alcântara
Ano 1998
Duração 15 min
Cor P&B
Bitola 35mm
País Brasil
Ficha Técnica
Produção Alcir Lacerda Fotografia Jane Malaquias Roteiro Beto Normal e Marcelo Gomes Edição Vânia Debs Som Direto Márcio Câmara Direção de Arte Liz Donovan Trilha original Fred 04 e DJ Dolores
Fonte: PortaCurtas
Mais Clarice Lispector
Conto de Clarice Lispector
Clarice Lispector, Escritora “Indigesta”
Conto de Clarice Lispector II
Conto de Clarice Lispector III
Poesias de Clarice Lispector
Curtas do mundo inteiro no OutroCine
http://outrocine.blogspot.com - Mostra permanente de cinema
Postado por
Yerko Herrera
às
18:51
5
comentários
Marcadores: Curta-metragem
sábado, 8 de maio de 2010
Clássica Infantil de Vinícius e Toquinho em Animação
A Casa, composição de Vinícius de Moraes e Toquinho, virou animação nas mãos do diretor Andrés Lieban.
A Casa
Sinopse
Ao som da famosa canção de Vinícius e Toquinho, um mímico se diverte construindo uma casa que só é visível para quem acredita na história.
Gênero Animação
Diretor Andrés Lieban
Ano 2004
Duração 3 min
Cor Colorido
Bitola Vídeo
País Brasil
Ficha Técnica
Produção Fernando Faro Roteiro Andrés Lieban Animação Andrés Lieban Empresa produtora Laboratório de Desenhos, Editora Delta Produção Executiva André Koogan Breitman Finalização Proview Produções Música Sincronizada Vinicius de Moraes Interpretação musical Boca Livre
Prêmios
Melhor Trilha Sonora no Anima Mundi 2004
Premier Internacional no Film Festival of the World 2004
Festivais
Festival Internacional de Cinema Infantil 2004
Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis 2005
Fonte: PortaCurtas
Mais curtas no OutroCine - Mostra Permanente de Cinema
Postado por
Yerko Herrera
às
08:57
2
comentários
Marcadores: Animação, Curta-metragem
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Cultura Livre à disposição de todos
Conheça o projeto da Brasiliana Digital que visa democratizar o acesso cultural disponibilizando para baixar, de forma livre e irrestrita, vasto acervo de livros, documentos, periódicos e manuscritos. Salve a cultura livre!
Recentemente toda obra do poeta Vinícius de Moraes, num total de 15 livros, foi disponibilizada gratuitamente no saite da Biblioteca Brasiliana Digital.
A Brasiliana Digital é uma extensão do gesto de generosidade de Guita e José Mindlin de tornar público um acervo único de documentos sobre o Brasil.
Postado por
Yerko Herrera
às
22:09
2
comentários
terça-feira, 27 de abril de 2010
Perder Liberta
Publicado inicialmente no livro PALAVRA DESORDEM, ed. Iluminuras (2002).
Tira a asa - 2002
Publicado inicialmente no livro PALAVRA DESORDEM, ed. Iluminuras (2002).
Publicado no livro “2 ou + corpos no mesmo espaço” (ed. Perspectiva).
Seja o que for - 2002
|
Publicado inicialmente no livro PALAVRA DESORDEM, ed. Iluminuras (2002).
Publicado no livro “2 ou + corpos no mesmo espaço” (ed. Perspectiva)
Fonte: Arnaldo Antunes
Outras
Poemas Visuais de Arnaldo Antunes
Postado por
Yerko Herrera
às
00:44
3
comentários
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Como Fazer uma Rádio Comunitária
UFRGS publica cartilha que ensina como fazer rádio comunitária
Fonte: RITS Rede de Informação do Terceiro Setor
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul [UFRGS], através da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação [Fabico] e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação [PPGCOM], está publicando a cartilha Para fazer Rádio Comunitária com "C" maiúsculo.
A obra é organizada por Ilza Girardi, professora do PPGCOM, e Rodrigo Jacobus, mestrando do programa, e dá sequência a um trabalho de seis anos que já havia publicado a “Cartilha (sem frescura) da Rádio Comunitária”.
A cartilha, que traz um histórico das rádios comunitárias, questões da legislação e fornece informações de como montar uma rádio, está sobre licença Creative Commons e pode ser distribuída gratuitamente sobre a mesma licença, que pode ser conferida na página quatro da obra.
Baixe seu exemplar e redistribua a cartilha, reforçando a importância de obras compartilhadas sem custo, priorizando o acesso livre à informação. A cartilha está disponível aqui para download [em PDF].
Notícia publicada originalmente no sítio da Abong.
Postado por
Yerko Herrera
às
20:40
0
comentários
Marcadores: Livro Completo, Notícia
quarta-feira, 21 de abril de 2010
O Tiradentes em Animação
Tiradentes - O Descartável
A animação Tiradentes - O Descartável conta de maneira bem-humorada a trajetória que levou à forca José da Silva Xavier, o Tiradentes. Este curta foi desenvolvido por Rodrigo Araújo, historiador e cartunista.
Tiradentes - O Descartável
Sinopse
Curta de animação do Barão do Pirapora de Piedade-SP, tratando um pouco da vida de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes e a Inconfidência Mineira.
Gênero Animação
Diretor Rodrigo Araújo
Ano 2008
Duração 5'30''
Cor Colorido
País Brasil
Fonte Imagem: PiraporaPictures
Mais curtas em http://outrocine.blogspot.com - Mostra permanente de cinema
Postado por
Yerko Herrera
às
10:35
2
comentários
Marcadores: Animação, Curta-metragem
terça-feira, 20 de abril de 2010
Poemas Manuel Bandeira
Quatro poesias de Manuel Bandeira.
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
— Respire.
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
O menino doente
O menino dorme.
Para que o menino
Durma sossegado,
Sentada ao seu lado
A mãezinha canta:
— "Dodói, vai-te embora!
"Deixa o meu filhinho,
"Dorme . . . dorme . . . meu . . ."
Morta de fadiga,
Ela adormeceu.
Então, no ombro dela,
Um vulto de santa,
Na mesma cantiga,
Na mesma voz dela,
Se debruça e canta:
— "Dorme, meu amor.
"Dorme, meu benzinho . . . "
E o menino dorme.
Noite morta
Noite morta.
Junto ao poste de iluminação
Os sapos engolem mosquitos.
Ninguém passa na estrada.
Nem um bêbado.
No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras.
Sombras de todos os que passaram.
Os que ainda vivem e os que já morreram.
O córrego chora.
A voz da noite . . .
(Não desta noite, mas de outra maior.)
Petrópolis, 1921
O último poema
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Fonte: Jornal de Poesia
Mais
Poesias de Manuel Bandeira
Postado por
Yerko Herrera
às
20:40
0
comentários
Marcadores: Poesia
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Pequena Epifania
pequena epifania
Eu homem, desaparecendo com objetos. Garrafas quebradas, avisto uma cortina balançada de vento, toco tua boca e as manchas no colchão velho improvisado em que fingimos dormir. Tu mulher, tanta mulher em ti, teu cheiro incomum que inunda o pequeno espaço onde te acaricio na rua de mão única. Cansada, negra, lívida e negra, desaparecida nos objetos, sorriso largo - rareando - estufada daquela beleza que atinge mulheres alheias ao tempo, mulheres de qualquer rua, mulheres do pequeno espaço da rua em que posso te acariciar.
Raquel Leão Luz
Fonte: http://tenhomedodevirginiawoolf.blogspot.com
Postado por
Yerko Herrera
às
00:57
6
comentários
Marcadores: Crônica
segunda-feira, 29 de março de 2010
Renato Russo, Nosso Irmão mais Velho
No dia 27 de março Renato Russo, poeta e líder da banda Legião Urbana, completaria 50 anos. Vítima da aids, teve a vida interrompida precocemente, mas, sua obra se perpetua. A seguir, texto do jornalista Wagner Machado escrito exclusivamente para o Música&Poesia.
Nosso irmão mais velho
por Wagner Machado

Creio não ser exagero afirmar que este momento, a primeira vez que ouvi Legião, marca o rito de transição da minha infância para a adolescência. Era 1988, o Brasil saíra recentemente do longo e triste período que se iniciara em 31 de março de 1964 para terminar duas décadas depois. O rock nacional efervescia com as tantas bandas surgidas na primeira metade daquela década. Entre as quais despontava a Legião Urbana do Renato Russo, que traduzia, com suas letras fortes e diretas e seu som sujo e sentido, a ânsia de uma geração que chegava a um momento histórico em que havia muitos motivos por que lutar, mas não havia mais um inimigo claro e declarado, uma luta perplexa e vaga, como perplexo e vago era o negro João de Santo Cristo, protagonista de Faroeste Caboclo, que vê sua vida transformada num inferno em Brasília porque queria fazer um patético pedido ao presidente, ajudar toda essa gente que só faz sofrer.
No ano seguinte ao meu primeiro contato com a banda brasiliense do Renato Russo, a Legião lança o disco “As Quatro Estações”, que consolidou meu gosto pela música e minha desconfiança e aversão a tudo o que é rotulável. Porque “As Quatro Estações” era um grande disco de rock, mas era reducionismo demais chamar aquilo de rock. Porque ali havia ecos do punk brasileiro irritado e rebelde ao mesmo tempo em que havia um lirismo tão triste e tão franco. Tinha guitarra distorcida, mas tinha piano. Falava em drogas, em violência, mas citava Camões e textos bíblicos. E as letras de Renato feriam e tocavam, a mim e à minha geração, tão perdida e tão sôfrega.
Renato fazia letras um tanto pobres sob o aspecto da construção poética, mas – ou talvez por isso mesmo – tão bonitas e altissonantes, como se soubesse – e creio que sabia – o que cada um de nós sentia, melhor que nós até. Não tem nada de elaborado no rude verso “parece cocaína mas é só tristeza”, não tem rima rica, métrica precisa e nem acuidade vocabular, mas era a perfeita e dolorida tradução do que sentíamos naquele justo momento. E quem disse isso de forma tão direta e bonita quanto Renato Russo?
Renato Russo era um cara triste, mas sua tristeza era em nada comparável a essas bandas babacas de hoje que ganham grana vendendo melancolia barata e plástica. Era uma tristeza não-egoísta, solidária, abrangente, uma tristeza pelo destino de todos nós, pela opressão, pela ignorância, pela mediocridade, por este país tão rico e tão injusto, e tão hipócrita. Também não era uma tristeza autoindulgente, mas antes uma tristeza autocrítica, convidando à reflexão mas também à ação.
Renato Russo foi o irmão mais velho da minha geração. Liderava a maior banda de rock do meu país. Naquela época, as bandas do primeiro time do rock nacional (Titãs, Paralamas, Barão, Ira! e tantas outras) lotavam ginásios, vendiam milhões de cópias de discos e realmente faziam a cabeça da minha geração. Mas Renato jamais se deixou seduzir pelo lado podre da fama. Não permitiu transformar-se em star superexposto nos meios de comunicação, não aceitou tornar-se um escravo de si mesmo nem da sua imagem. Jamais deixou que jogassem seu trabalho e sua personalidade na vala comum do circo midiático. Não precisava da mídia, pois sabia falar diretamente conosco.
Em um dia qualquer de 1996, chego em casa de volta da aula, e pela MTV recebo a notícia da morte de Renato Russo, vítima da aids. Estávamos desamparados. É tão estranho, cantou ele, os bons morrem jovens. E há tempos são os jovens que adoecem. Penso que há pessoas que precisam mesmo morrer ainda jovens. É o caso de Che Guevara, de Camus, de Glauber Rocha. E de Renato Russo. Pessoas que não suportam viver neste mundo tão mesquinho e tão medíocre. Não suportam amar uma humanidade que a cada dia esquece mais um pouco o que é amor. Precisam partir pra longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita.
Wagner Machado é jornalista, atualmente trabalha na redação do portal Terra. Siga o Wagner pelo Twitter
Foto de Ricardo Castro sob uma licença Creative Commons - Alguns Direitos Reservados
Postado por
Yerko Herrera
às
18:36
4
comentários
Marcadores: Crônica
quinta-feira, 11 de março de 2010
Jards Macalé - Movimento dos Barcos
Recentemente foi lançado o documentário Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal, homenagem justa para este gênio da nossa música. Macalé sempre esteve tachado equivocadamente como "maldito", adjetivo que, parece, nunca lhe agradou. Neste regresso do Música&Poesia uma linda música de Jards Macalé: Movimento dos Barcos. Composição em parceria com Capinan, presente no disco Jards Macalé, de 1972.
Movimento dos Barcos - Jards Macalé
Movimento dos barcos
Jards Macalé e Capinan
Estou cansado e você também
Vou sair sem abrir a porta
E não voltar nunca mais
Desculpe a paz que eu lhe roubei
E o futuro esperado que eu não dei
É impossível levar um barco sem temporais
E suportar a vida como um momento além do cais
Que passa ao largo do nosso corpo
Não quero ficar dando adeus
As coisas passando, eu quero
É passar com elas, eu quero
E não deixar nada mais
Do que as cinzas de um cigarro
E a marca de um abraço no seu corpo
Não, não sou eu quem vai ficar no porto
Chorando, não
Lamentando o eterno movimento
Movimento dos barcos, movimento
Fonte letra: MPBnet
Trailer Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal
Conheça mais sobre Jards Macalé
Leia também
Waly Salomão no cinema
Estou Cansado
Filme registra desejo de Waly Salomão realizado
Jards Macalé em entrevista
Ando tão à Flor da Pele
Clipe de Vapor Barato
Baixe Disco Completo da banda Numismata
Ouça Música de Torquato Neto e Jards Macalé
Confira a Entrevista que Jards Macalé deu ao Gafieiras
Esses Anjos Malucos
Vapor Barato/Flor da Pele
Postado por
Yerko Herrera
às
02:33
4
comentários
Marcadores: Trailer, Videoclipe
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Poesias de Vinicius
Poemas de Vinicius de Moraes em homenagem as postagens do blogue Cultura e Ciência do Brasil.
A ausente
Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranqüilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...
A brusca poesia da mulher amada
Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente...
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor – oh, a mulher amada é como a fonte!
A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?
Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios
E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...
Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias
Pousada no fundo estará a estrela, e mais além.
Rio de Janeiro, 1938
A brusca poesia da mulher amada (II)
A mulher amada carrega o cetro, o seu fastígio
É máximo. A mulher amada é aquela que aponta para a noite
E de cujo seio surge a aurora. A mulher amada
É quem traça a curva do horizonte e dá linha ao movimento dos
astros.
Não há solidão sem que sobrevenha a mulher amada
Em seu acúmen. A mulher amada é o padrão índigo da cúpula
E o elemento verde antagônico. A mulher amada
É o tempo passado no tempo presente no tempo futuro
No sem tempo. A mulher amada é o navio submerso
É o tempo submerso, é a montanha imersa em líquen.
É o mar, é o mar, é o mar a mulher amada
E sua ausência. Longe, no fundo plácido da noite
Outra coisa não é senão o seio da mulher amada
Que ilumina a cegueira dos homens. Alta, tranqüila e trágica
É essa que eu chamo pelo nome de mulher amada.
Nascitura. Nascitura da mulher amada
É a mulher amada. A mulher amada é a mulher amada é a mulher
amada
É a mulher amada. Quem é que semeia o vento? – a mulher amada!
Quem colhe a tempestade? – a mulher amada!
Quem determina os meridianos? – a mulher amada!
Quem a misteriosa portadora de si mesma? A mulher amada.
Talvegue, estrela, petardo
Nada a não ser a mulher amada necessariamente amada
Quando! E de outro não seja, pois é ela
A coluna e o gral, a fé e o símbolo, implícita
Na criação. Por isso, seja ela! A ela o canto e a oferenda
O gozo e o privilégio, a taça erguida e o sangue do poeta
Correndo pelas ruas e iluminando as perplexidades.
Eia, a mulher amada! Seja ela o princípio e o fim de todas as coisas.
Poder geral, completo, absoluto à mulher amada!
Rio de Janeiro, 1950
A brusca poesia da mulher amada (III)
Minha mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes do passado
Minha irmã, conta-me histórias da infância em que que eu haja sido
herói sem mácula
Meu irmão, verifica-me a pressão, o colesterol, a turvação do timol, a
bilirrubina
Maria, prepara-me uma dieta baixa em calorias, preciso perder cinco
quilos
Chamem-me a massagista, o florista, o amigo fiel para as
confidências
E comprem bastante papel; quero todas as minhas esferográficas
Alinhadas sobre a mesa, as pontas prestes à poesia.
Eis que se anuncia de modo sumamente grave
A vinda da mulher amada, de cuja fragrância
já me chega o rastro.
É ela uma menina, parece de plumas
E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos
ventos
Empós meu canto. É ela uma menina.
Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina
Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes
Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos
Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos
Para cantar seus réquiens e os falsos profetas
A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.
Mas nada a detém; ela avança, rigorosa
Em rodopios nítidos
Criando vácuos onde morrem as aves.
Seu corpo, pouco a pouco
Abre-se em pétalas... Ei-la que vem vindo
Como uma escura rosa voltejante
Surgida de um jardim imenso em trevas.
Ela vem vindo... Desnudai-me, aversos!
Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos!
Alvoroçai-me, auroras nascituras!
Eis que chega de longe, como a estrela
De longe, como o tempo
A minha amada última!
Rio de Janeiro, 1963
A carta que não foi mandada
Paris, outono de 73
Estou no nosso bar mais uma vez
E escrevo pra dizer
Que é a mesma taça e a mesma luz
Brilhando no champanhe em vários tons azuis
No espelho em frente eu sou mais um freguês
Um homem que já foi feliz, talvez
E vejo que em seu rosto correm lágrimas de dor
Saudades, certamente, de algum grande amor
Mas ao vê-lo assim tão triste e só
Sou eu que estou chorando
Lágrimas iguais
E, a vida é assim, o tempo passa
E fica relembrando
Canções do amor demais
Sim, será mais um, mais um qualquer
Que vem de vez em quando
E olha para trás
É, existe sempre uma mulher
Pra se ficar pensando
Nem sei... nem lembro mais
Fonte: Saite Oficial Vinicius de Moraes
Confira também:
Poema de Natal, Vinicius de Moraes
Prosa de Vinicius de Moraes
Vídeos Raros com Vinicius de Moraes
Poesias de Vinicius de Moraes
Sem Rosa sem Nada
Vinicius de Moraes, o boêmio incurável
Curta Sabino II com Erico Verissimo, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes
Leia Correspondência entre Chico e Vinícius sobre Valsinha
Na Quarta-feira de Cinzas o Carnaval tem seu Fim
Postado por
Yerko Herrera
às
02:44
8
comentários
Marcadores: Poesia
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Papai Noel Velho Batuta
Eu não seria tão cruel de presentear os visitantes do Música&Poesia com músicas natalinas entoadas pela Simone. Junto com a Simone poderíamos, quem sabe, esquecer a figura do velho Noel. Que este Natal seja mais do Cara que marcou a celebração desta data, que seja de seu Espírito revolucionário e suas lições de paz, fraternidade e igualdade. Pra comemorar, um pouco de subversão e protesto contidos na canção Papai Noel Velho Batuta, da banda punk Garotos Podres. A música foi gravada pela primeira vez em 1985, no seu disco de estréia, chamado Mais Podres do que Nunca. Na época, pra driblar a Censura Federal, imposta pela ditadura militar, o grupo trocou o título da música, que, originalmente, teria um nome bem mais direto: Papai-Noel Filho da Puta.
Um Feliz Natal, cheio de luta e esperança por um mundo mais justo e igual!
Papai Noel Velho Batuta
Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo!
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo!
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Pobres, pobres...
Mas nos vamos seqüestrá-lo
E vamos matá-lo!
Por que?
Aqui não existe natal!
Aqui não existe natal!
Aqui não existe natal!
Aqui não existe natal!
Por que?
Papai noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo!
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Postado por
Yerko Herrera
às
12:32
5
comentários
Marcadores: Música