quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Racismo, Crônica de Verissimo

Verissimo denunciou em crônica. Mais de trinta anos depois, pouco mudou.

Racismo (14/5/75)
Luis Fernando Verissimo

- Escuta aqui, ó criolo...

- O que foi?

- Você andou dizendo por aí que no Brasil existe racismo.

- E não existe?

- Isso é negrice sua. E eu que sempre te considerei um negro de alma branca... É, não adianta. Negro quando não faz na entrada...

- Mas aqui existe racismo.

- Existe nada. Vocês têm toda a liberdade, têm tudo o que gostam. Têm carnaval, têm futebol, têm melancia... E emprego é o que não falta. Lá em casa, por exemplo, estão precisando de empregada. Pra ser lixeiro, pra abrir buraco, ninguém se habilita.

Agora, pra uma cachacinha e um baile estão sempre prontos. Raça de safados! E ainda se queixam!

- Eu insisto, aqui tem racismo.

- Então prova, Beiçola. Prova. Eu alguma vez te virei a cara? Naquela vez que te encontrei conversando com a minha irmã, não te pedi com toda a educação que não aparecesse mais na nossa rua? Hein, tição? Quem apanhou de toda a família foi a minha irmã. Vais dizer que nós temos preconceito contra branco?

- Não, mas...

- Eu expliquei lá em casa que você não fez por mal, que não tinha confundido a menina com alguma empregadoza de cabelo ruim, não, que foi só um engano porque negro é burro mesmo. Fui teu amigão. Isso é racismo?

- Eu sei, mas...

- Onde é que está o racismo, então? Fala, Macaco.

- É que outro dia eu quis entrar de sócio num clube e não me deixaram.

- Bom, mas pera um pouquinho. Aí também já é demais. Vocês não têm clubes de vocês? Vão querer entrar nos nossos também? Pera um pouquinho.

- Mas isso é racismo.

- Racismo coisa nenhuma! Racismo é quando a gente faz diferença entre as pessoas por causa da cor da pele, como nos Estados Unidos. É uma coisa completamente diferente. Nós estamos falando do crioléu começar a freqüentar clube de branco, assim sem mais nem menos. Nadar na mesma piscina e tudo.

- Sim, mas...

- Não senhor. Eu, por acaso, quero entrar nos clubes de vocês? Deus me livre.

- Pois é, mas...

- Não, tem paciência. Eu não faço diferença entre negro e branco, pra mim é tudo igual. Agora, eles lá e eu aqui. Quer dizer, há um limite.

- Pois então. O ...

- Você precisa aprender qual é o seu lugar, só isso.

- Mas...

- E digo mais. É por isso que não existe racismo no Brasil. Porque aqui o negro conhece o lugar dele.

- É, mas...

- E enquanto o negro conhecer o lugar dele, nunca vai haver racismo no Brasil. Está entendendo? Nunca. Aqui existe o diálogo.

- Sim, mas...

- E agora chega, você está ficando impertinente. Bate um samba aí que é isso que tu faz bem.


Fonte: PortalLiteral

10 comentários:

Loly disse...

Nossa! Incrivel como pode ter tanta sensibilidade em escolher textos, poemas, músicas, vídeos e etc.
Adorei essa crônica de Verissimo!
Realmente após 30 anos, pouco mudou! O que realmente é lamentável... E ainda há quem diz que aqui vai tudo muito bem, não é mesmo? hahaha...Têm coisas que não sabemos se é de rir ou de chorar!
Parabéns pelo blog e parabéns pela ótima escolha!

Abraço.

Yerko Herrera disse...

Brigadão!!!

Tâmo na luta!

Beijão.

Anônimo disse...

Opa

Gostei mesmo So negro tenho amigos legais ir são brancos saber que faz us racismo in vez inquando são nois porque não sei hum quer e que da pra os negro gosta da gaçeguinha kakakakakakakk bju xeruuu adoreii"!

Yerko Herrera disse...

???

Não entendi.

Anônimo disse...

Amei essa crônica me disseram que as Crônicas de Veríssimo eram boas e acertaram!
Foi o meu trabalho de escola!

PARABÉNS E QUE VCS FAÇAM MUITO SUCESSO!!

Anônimo disse...

nunca tinha lido esta crônica. Ela é excelente. Demostra muito bem que o racismo está tão dentro das pessoas que elas as vezes nem percebem que estão sendo racistas em suas atitudes e, ou, palavras. por isso torna-se importante um trabalho de concientização, que a meu vêr, deve começar nas escolas.

Anônimo disse...

nunca tinha lido esta crônica. Ela é excelente. Demostra muito bem que o racismo está tão dentro das pessoas que elas as vezes nem percebem que estão sendo racistas em suas atitudes e, ou, palavras. por isso torna-se importante um trabalho de concientização, que a meu vêr, deve começar nas escolas.

Anônimo disse...

naum entendi ...

Anônimo disse...

aadorei foi indicado por minha professora... realmente uma crônica maravilhosa!!! bjo Fregatti

Anônimo disse...

Muitooo bom