segunda-feira, 7 de maio de 2007

Cláudio Assis e seu Cinema Provocador

Feito para incomodar
por Ana Paula Sousa


São radicais as reações provocadas por Baixio das Bestas, o novo filme de Cláudio Assis, pernambucano que mostrou talento com Amarelo Manga (2002).


No Festival de Brasília de 2006, a platéia ficou atônita. Uns aplaudiram. Outros detestaram o que viram. Na crítica, também houve Fla-Flu. E era isso, no fundo, o que o cineasta esperava. Desde o primeiro filme, Assis busca a transgressão, o cinema de tons vigorosos. Baixio das Bestas, que estréia na sexta-feira 11, se passa na Zona da Mata pernambucana. Da memorável luz do fotógrafo Walter Carvalho jorra sexo, violência e miséria. A menina explorada pelo avô, as prostitutas tratadas feito lixo e os machos endoidecidos apontam um mundo doente. Assis diz não se incomodar com as vaias. Se pega uma câmera, argumenta, é para “provocar reações”. De fato, ninguém passa incólume pelas imagens que constrói.

CartaCapital: O filme se apresenta como uma denúncia da violência contra as mulheres na Zona da Mata. Mas não há uma certa misoginia na maneira de filmar?
Cláudio Assis: A misoginia está nos personagens, não no filme. Aquelas pessoas fazem e desfazem e não são punidas. O Brasil não é isso? Tem gente que espera que os agroboys (personagens de Matheus Nachtergaele e Caio Blat) sejam punidos, mas eu não faço concessão. A monocultura da cana continua escravizando e matando nosso povo.

CC: Você diz que não faz concessões. A polêmica não acabou se tornando marketing?
CA: Não faço marketing, odeio publicidade. Quando falo mal do cinema da Globo Filmes, que vicia o olhar e despolitiza, arrumo inimigos entre os cúmplices desse cinema. Mas tem mais gente que não participa disso. O cinema feito com dinheiro público deveria ser, no mínimo, honesto.

CC: Sua imagem pública influencia na recepção dos filmes?
CA: Sim. No Brasil, além de ser colonizadas, as pessoas têm mania de rotular. Não interessa quem eu sou, mas a arte que estou fazendo.

CC: Vem outro filme por aí?
CA: A Febre do Rato, que se passa no Recife e em Olinda e fala de um poeta marginal. Se Deus quiser e o diabo ajudar, filmo no ano que vem.

Fonte: CartaCapital

Assista o trailer do filme Baixio das Bestas

Do mesmo diretor de Amarelo Manga, Cláudio Assis.Grande Vencedor de 6 Prêmios no Festival de Brasília. Vencedor de Melhor Filme em Roterdam
Acesse o site
www.baixodasbestas.com.br

Um comentário:

Jimmy disse...

Pô legal faz tempo que não assisto algo novo de Matheus, melhor ainda com aq presença de Dira Paes.