terça-feira, 29 de maio de 2007

Ouça Drummond Recitando seus Poemas I

Escute Carlos Drummond de Andrade por ele mesmo

O Música&Poesia, a partir de hoje, irá postar diversas poesias de Drummond lidas pelo próprio. Este exemplar projeto de resgate faz parte do conteúdo do saite Memória Viva.

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.


Infância - Ouça

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.


Quadrilha -
Ouça

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


Confidência do Itabirano -
Ouça

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

Fonte: MemóriaViva

11 comentários:

Loly disse...

Meu Deusssss!
Só de ler os textos de Drummond eu já me arrepiava e agora, tendo a oportunidade de ouvi-lo é ainda mais emocionante!
Maravilhoso mesmo!
Parabéns,parabéns e parabéns!
Não me canso de dizer o quanto eu admiro o seu trabalho!
Beijos!

Bia Souza disse...

Ler as poesias de Carlos Drummond de Andrade, já eram emocionantes.
Agora tendo a oportunidade de ouví-lo, é uma coisa maravilhosa, é mais do que emocionante, é de ficar sem palavras!
Carlos Drummond de Andrade, foi e sempre será um grande poeta em nossos corações.
Eu agradeço pela oportunidade de poder sentir o que senti, amei.

Yerko Herrera disse...

Bia!!! Obrigado pelo teu comentário emocionante. De fato ouvir Drummond recitando seus poemas é uma experiência única. Ele é um dos meus poetas prediletos. Fico feliz que tu tenha gostado!

Beijos,
Yerko Herrera.

Benjamin disse...

...Saudações!
Perdoe-me pela invasão, porém seria lastimal não comentar. Parabéns por não deixar morrer algo quão precioso da nossa história, da memória dos Brasileiros, que por ora, anda "esquecido" ou até "desconhecido", por tantos homens inculturados em pleno mundo pós moderno.
...Paz e Bem!

Yerko Herrera disse...

Olá, Benjamin!

Comentários como o teu são alimento pra eu continuar com este blogue. Sinta-se sempre a vontade pra participar, o espaço é teu. Obrigado, grande abraço!

Sara Oliveira disse...

Uma emocção que arreoia a alma... não mais que isso ... e muito mais, pena que não consigo encontrar palavras em nossa língua tão rica e linda para descrever o detalhe do sentir, ouvir Drummon.

Gostaria de poder baixar par produzir oficinas para meus alunos. Sou professora de Língua Portuguesa.

Sara Oliveira disse...

Uma emoção que arrepia a alma... não mais que isso ... e muito mais, pena que não consigo encontrar palavras em nossa língua tão rica e linda para descrever o detalhe do sentir, ouvir Drummond.

Gostaria de poder baixar para produzir oficinas para meus alunos. Sou professora de Língua Portuguesa.

Yerko Herrera disse...

Sara, fiquei emocionado com teu interesse em reproduzir estas obras raras aos teus alunos!

Pra salvar faça o seguinte: Clique com o botão direito do mouse encima do link referente a cada poesia recitada. No menu que se abrirá, selecione "Salvar destino como...". A partir daí basta escolher onde quer salvar o arquivo mp3.

Espero ter ajudado. Qualquer dúvida não hesite em perguntar.

célia c. dias disse...

Yerko
Obrigada pela oportunidade em ouvir as poesias de Drumonnd, lidas por ele mesmo! Meu blog é técnico, mas resolvi fazer um post sobre nosso Drumonnd para colocar no meu blog (http://fontesgerais.blogspot.com e inseri o seu material lá. Claro que citei a fonte consultada. Espero que você não se oponha.mas, caso não concorde é só deixar um recado em comentários do post ou enviar p/ o meu e-mail: celiadias@gmail.com que retiro o post do Fontes. Novamente, obrigada

A NATUREZA disse...

Tem como baixar? Pelo menos uma...

A NATUREZA disse...

Tem como baixar? Pelo menos uma...