segunda-feira, 9 de julho de 2007

Nem só de Fado...

Atendendo ao protesto de uma leitora portuguesa do Música&Poesia, senhorita Carla Granja, que afirma gostar muito de música brasileira, porém, reclama que não percebe a reciproca dos brasileiros, este blogue corre atrás do prejuízo e começa pesquisar e apresentar, desde já, mais artistas portugueses. No entanto, registro aqui, que, apesar de concordar com a Carla, o Música&Poesia sempre teve interesse pelas obras feitas no além-mar. O grande problema é a pouca informação das produções portuguesas que chega ao Brasil. Bom, mas a internet está aí pra isso, basta procurar nos lugares certos. Portanto, hoje apresento três músicas de um grupo de rap lusitano chamado Raiz Urbana. Estas canções fazem parte do disco de estréia destes rappers portugueses, intitulado Renasce o Underground (2006). Segundo os caras, está em produção o segundo álbum, batizado Esfera Em Guerra, "que promete uma abordagem crua e sincera de um país em mudança e em desenvolvimento (?), inserido num mundo rico em transformações constantes e imprevisíveis".

Abaixo as músicas do Raiz Urbana, com seu hip-hop que traz nas rimas os sentimentos de um país que ainda trata se adaptar às conseqüências, positivas ou negativas, de estar incluso na União Européia.

Y.H.

Raiz Urbana


Tu Detestas


Esquemas Sociais


Letras

RAIZ URBANA
Caminhantes de uma raiz que sustenta cada passo
Absorve e torna oculta a frieza de um rasto
Que demarca o nosso limite do sacrifício
Pelo qual o vestígio é encoberto sem indício
Um culto de identidade em cada palavra
Que assume com humildade uma única cara
Refúgio dos escritos, retiro imediato
Inspiração abstracta no relato de um facto
Filosofia nas escrituras, raiva lúcida
Humilde fé propaga num círculo de recusas
Palavra de condenação, voz da denúncia
Valorizamos o benefício das nossas custas
Pouco resta, o que abdico tornou-se escasso
Mais são as pessoas pelas quais não o faço
Supostos indivíduos próximos são imensos
Face ao confronto drástico estão suspensos
Desprezo nos meus olhos quando os observo
Humilhação pela falta de dignidade condeno
A alma ilumina a hipocrisia induzida
Encaminhada pela desumanidade genuína
A cicatriz guarda o testemunho que reflecte
Lições de vida a que o instinto nos submete
Lucidez na intuição de cada acto
Silêncio sensato ao qual estou grato

Aqui encontras todos os vícios em grande escala
Ao teu dispor o sexo, a droga, o jogo e a bala
Odor, a dor, sangue na boca como sabor
Traído anos depois se assim tiver que ser ou for
Cinzento inspira, cidade por dentro respira
Atira na podridão o pormenor chega a ser sórdido
Antes de matar já estão a passar o óbito
Primeiros valores aprendidos logo são esquecidos
Vendidos em recantos por indivíduos sem face
Difamação lançada, ninguém espera o desenlace
Nos subúrbios é a matança anos depois
Frente a frente é a vida pois
Nada a fazer, prédios erguem-se sufocando
Cantando músicas de destruição pairando
Sobre nós violência urbana, o mistério
Que vai provocando insónias no ministério
Eleito a partir de ligações perigosas
Com a nata de elites criminosas
Cabecilhas com quota-parte de círculos
Pagos com jóias, propriedades ou veículos
Que se vão cruzando com cada qual
Enquanto o fundo urbano é fatal, o mal
O bode expiatório favorito dos média
Onde a câmara só capta o crime e a merda
Mas esse vírus, a cidade, é o meu abrigo
E não somos nós mas vocês que correm perigo

Raiz observa o derrame, absorve o sangue
Eleva o solo, a fissura traça, um percurso alastra
Porto dentro de nós cresce, reflecte
Subúrbio isola-se, rua envolve, o drama acontece


TU DETESTAS
Tu detestas quando cais em ti com lucidez
E te apercebes daquilo que voluntariamente não vês
Vives com fé num significado distorcido
Que reflecte a desorientação pelo escasso sentido
Que é provisório e caminha pelo rasto do lucro
Encaminhado por vestígios do brilho do tusto
No qual os teus olhos fixam e os meus desprezam
Contrasta com o cinzento de palavras que pesam
Que assumo em tudo o que sou em cada passo
Tu limitas-te a atirar a pedra e a esconder o braço
Actos rasteiros rodeiam as nossas bases
Difamações estão longe de serem eficazes
Uma 2º versão dos factos é um método primário
É escusado, tudo passa ao lado do destinatário
B-Boys são um produto na posse de empresários
Supostos amigos que os exploram em ginásios
Tu com currículo e conceito vives sob ameaça
Eu com palavras e abraços vivo de honra intacta
Na ânsia de um retorno manténs-te sujeito
Sem reconhecimento eu faço e adquiro respeito
Enquanto não és nada o reconhecimento é rejeitado
A humildade é assumida enquanto és desvalorizado
Não és ninguém perante a indiferença que te é guardada
Aos pés desta cultura imensa não és nada

Tu detestas o simples som dos passos da minha gente
O simples facto de te soar a algo diferente
Logos, R.U., emcee do norte
No hip hop tripeiro com rimas de outro porte
À porto abalo emcees de pista
Rimando estas ruas sempre solitário ruísta
Porque o meu estilo continua
A ser aquele, o da rua
Que pelos vistos na tua
Perdeu adeptos da rima crua
Aquela poesia do neón e do fugante
Que perfura ardentemente a tua carne
E ela pode-te dar tudo
Até ficares sem nada chulo
Representa
Eu aprendi com as palavras dos bons
Os que não copiavam sons
Evoluíam, não minavam
E não davam o cu por 2 tostões
Sinto vergonha e ao mesmo tempo desejo
De vos estourar os cornos quando vejo
A degradação de toda uma estrutura
O underground é aqui e agora isto é uma cultura
Que tu detestas quando falo por provocações
Queres é ritmo e cona, boas vibrações
Dizer-lhes ao ouvido: “sou rapper”, que tanga
Logos desequilibra com versos de fato de treino ou ganga
Não achas que devias ter mais calma quando falas
Sabes toda a história do meio, não te calas
É que isso é básico, qualquer um pode saber
Não é por isso que agora já vais ser
Porque tu já és
És um tone
A tua sabedoria vem nos filmes do stalone
E rapidamente eu detecto auto profetas
Isto é hip hop e é isso que tu detestas

Eu trago
Aquele conhecimento ruísta que tu detestas
Aquele flow sem truques que tu detestas
Rimo sem lucro o underground que tu detestas
Eu não trago
Hits de pistas e tu detestas
Fidbeks arrogantes na coluna e tu detestas
Rimo sem lucro o hip hop que tu detestas


ESQUEMAS SOCIAIS (MEDIOCRIDADE)
A transparência é branqueada por este mundo escravo
Onde tudo é explorado até ao último centavo
Mediocridade generalizada aos olhos de uma vida
Que é posta em questão, sujeita a uma selva desunida
A mão é estendida ao indivíduo que se arrasta
Em que te é cortado o braço, a ingratidão retrata
A outra face no momento em que te encontras caído
E és pisado, mais tarde massacrado e esquecido
Cada um por si, de cabeça erguida, punho fechado
Cruzas-te com a mira, de imediato o sangue é espalhado
Sufoco de raiva, semelhante inocente ou culpado
No precipício, antes do suicídio, és empurrado
Guerra aberta, interesses, cunhas, filhos da puta
Máscaras, boatos, pensamentos sob escuta
É distribuído pelo próximo todo o peso da culpa
Que a seu tempo encobre o ódio de quem insulta
Enterrados cada vez mais num país de lama
Supostos patriotismos que um povo reclama
Erguida em tempos uma bandeira de sentimento
Actualmente vazia e manchada de cinzento
Protegidos por uma autoridade que nada faz
De força oportuna contra o inocente incapaz
Sistema de saúde que envolve a morte em lençóis brancos
A corpos entregues ao abandono dos recantos
Às crianças é negado o direito a uma infância
Num ensino que move individualidade e ganância
Tudo isto é cobrado nos impostos
Nada justifica o derrame de lágrimas a que estamos expostos
É exigida a extinção a esta raça humana
As próprias pessoas viabilizam a causa deste drama
Não faz sentido nenhum
Batemos no fundo e continuamos à espera que do nada nos caia algum

Uma liberdade condicionada socialmente
Numa república construída esquematicamente
Em que a armadilha é posta pela tua gente
O passo é dado atrás embora te digam que estás à frente
Tudo o que te deram vão-te tirar no presente
Nada é teu, só tu não queres estar ciente
O cúmulo da mediocridade é seguir o fluxo
Em que todos nós partilhamos o mesmo túmulo
À partida fora desta norma elimina
E é a tua própria arma que te assassina
A palavra é a bala que perfura
A cultura infame da fortuna
Que alimenta a calúnia
O saque é feito dentro de tua casa
Pela TV ligada a satélites da NASA
Tu és, eu sou testemunha
Pronta a ser eliminada de uma forma oportuna
Á simples porque a justiça é cega
E não vê a indecisão do pega ou não pega
Quando começas a questionar a gula
És torturado psicologicamente por uma agulha
Rapidamente carimbado de trafulha
A teoria da conspiração diverte o público
Mas enquanto trabalhas tiram-te tudo

Humanidade presa por correntes
A este mundo, esta morgue
O maior precedente do lucro é a morte
O dinheiro compra tudo
Selva desunida pelo tusto
O valor deste mundo reflecte o entulho


Letras saite oficial Raiz Urbana

Um comentário:

CARLA GRANJA disse...

MUITO E MUITO OBRIGADO PELO COMENTARIO NO MEU BLOG E CLARO POR DIVULGARES UM POUCO DA MUSICA PORTGUESA. VOU DEIXAR O SITE DA BANDA DOS MEUS AMIGOS IRIS K PARA MIM É UM GRUPO EXCELENTE E K SAIU AGORA O NOVO CD DELES COM O DVD.
É SÓ IR A WWW.IRIS.PT E TÊM UM MONTÃO DE MUSICAS PARA SEREM OUVIDAS,DESDE ROCK, A MUSICA TRADICIONAL,SLOW OU MUSICA INGLESA .~KEM KISER OUVIR É SÓ IR AO SITE ANTERIOR. OBRIGADO MAIS UMA VEZ. FICO Á ESPERA DA TUA VISITA MAIS VEZES.
BJOSSSSSSSSSSS.
CARLA GRANJA.